Conhece-te a ti mesmo... se puderes.
Sexta-feira, 5 de Outubro de 2012
Pater Famílias

 

 

                                                

Não sei quando acabarei este texto, apesar de já o ter na minha cabeça há muitos anos e também não sei se o terminarei, pois além de mim não deve interessar a mais ninguém. Ainda menos sei se algum dia chegarás a lê-lo.

Em desespero propus um pacto ao Diabo: - Dou-te o resto dos meus dias se me contares o que aconteceu à Julieta depois daquela tarde infausta no distante princípio de verão do ano del 958(?).

O Diabo olhou-me de soslaio, virou-me as costas e foi-se embora. Certamente pensou, para que quero uma carcaça velha? 

Quando cheguei ao café do senhor Alfredo já estavas sentada, como de costume. Sentei-me à tua frente e pus o Diário de Lisboa em cima da mesa.

O café estava exactamente na mesma como há cinquenta anos: as cadeiras almofadadas, as mesas castanhas, a televisão a preto e branco, os mesmos clientes de sempre ( é como a minha memória consegue reproduzir).

Sorrimos um para o outro, os nossos olhos readquiriram o brilho da mocidade. Somos dois espíritos,  eu sou um cadáver insepulto. As pessoas falam comigo e não percebem que  estou morto, que não tenho nada para viver, apenas aguardo que me sepultem para, finalmente, descansar.

Sem dizermos nada, pensamos na mesma coisa: que nos aconteceu depois daquela tarde? Porque nunca mais nos encontramos? Porque terminamos o namoro daquela maneira? Um curto namoro com final muito infeliz!

Ambos temos muitas perguntas para fazer um ao outro, mas peço-te que me deixes falar primeiro.

Naquela época as raparigas, as mulheres, não frequentavam cafés. Tu e a tua madrasta, uma senhora educada, discreta e olhar triste, eram as únicas mulheres que iam ao café do senhor Alfredo à noite.

Mais invulgar ainda, numa pequena terra província, como Torres Novas.

As raparigas da tua idade ficavam em casa, a ajudar as mães nos trabalhos domésticos ou a preparam o enxoval. Eram educadas para casar e a escola ficava pela 4ª. Classe.

Foi nesses serões monótonos, quase todos iguais, que criamos a nossa cumplicidade: olhares mútuos prolongados e algumas frases de circunstância. Às vezes emprestava-te a Diário de Lisboa numa tentativa desajeitada e tímida de contacto.

Finalmente, decidi vencer a timidez (ainda hoje sou tímido) e declarar-me. Esperei-te na rua e dirigi-me para ti dizendo, não me lembro, exactamente como, que queria namorar contigo. Ansiosamente dei um salto no desconhecido.

Paras-te e olhando-me nos olhos perguntas-te - Porque tem essa conversa comigo?

Fiquei surpreendido, e depois de uma breve hesitação respondi, -Talvez esteja enganado mas penso que existe uma cumplicidade entre nós e eu não posso continuar nessa indefinição.

-É verdade – respondes-te, - Eu tenho alimentado a cumplicidade. Respirei fundo, mas logo surgiu outra pergunta, - A Fernanda (ex-namoro) diz que você tem vários defeitos. Não me lembro quais e sei que não estou isento deles.

Aqui fui mais rápido a decidir, - Se ela diz isso de mim eu não comento, assim como não faço qualquer comentário acerca da Fernanda.

- Tem razão, disseste, de ser  mexerico.

E assim, no meio de uma rua, prosaicamente, decidimos começar a namorar. Eras mais adulta do que eu, quando decidi declarar-me já tu tenhas tirado informações a meu respeito. Muito pouca coisa terás conseguido. Não era filho da terra, o meu único familiar em Torres Novas era um funcionário médio do Banco Nacional Ultramarino; o meu círculo de amigos era heterogéneo e modesto. Dois operários metalúrgicos, um tipógrafo, dois estudantes, um pequeno comerciante, três ou quatro empregados de comércio e um empregado de escritório, eu. Todos naturais de Torres Novas menos eu.

A única credencial com algum préstimo era a empresa onde trabalhava, uma firma ligada a uma família importante na região. Os sentimentos  falaram mais alto do que a razão e decidiste afoitamente aceitar o namoro.

Também deverás ter falado com a tua madrasta e com o teu pai (?). Houve um pormenor que me passou durante algum tempo , não me disseste para pedir ao teu pai autorização para namorar-te: uma regra social que há época nenhum pater famílias dispensava, pelo contrário, exigia.

Qualquer rapaz podia namorar duas ou três vezes, isso abrilhantava o seu currículo de macho, mas uma rapariga só podia ter um namoro e um casamento. Se tivesse namorado duas vezes isso já era suspeito, ficava «falada». 

O namoro era um ritual de iniciação, com regras e comportamentos estabelecidos pela sociedade, que terminava no casamento religioso. A noiva era obrigatoriamente virgem, o noivo fazia a iniciação sexual nas casas de prostitutas ou com a criada lá de casa, que depois era despedida, mesmo que estivesse grávida, por ser leviana.

 Eras uma rapariga inteligente, avançada para a época e além do casamento, que te interessa, tinhas outras motivações.

Pela minha parte, não fiz qualquer pergunta a ninguém a teu respeito ou da tua família, nem sequer, aos meus amigos. Uma ingenuidade? Simplesmente não me pareceu necessário: entraste na minha vida e isso era tudo o que eu queria.

A história do nosso namoro é curta, demasiado curta, mas foi tão marcante que ainda hoje está gravada na minha memória.

Íamos namorar para uma esplanada no Jardim da Avenida, que ladeava  o Almonda durante algumas centenas de metros: um local calmo, repousante, quase paradisíaco que deve ter assistido a incontáveis namoros de várias gerações.

Ias na companhia da tua madrasta que se tornava tão discreta que mal dávamos pela sua presença. Eu recordo o seu olhar triste e gostava de saber o motivo daquela tristeza.

Fazias-me várias perguntas sobre o meu comportamento, a minha maneira de ser, etc. Naturalmente, querias conhecer o homem – frágil - que escolheste.

Respondi-te sempre com sinceridade, talvez até com ingenuidade. Uma vez ou duas esboçaste gestos contidos de carícias. – o amor despontava . Em tão pouco tempo estávamos ambos na fase indelével do enamoramento, dos sentimentos que estão a nascer.  

Aqueles gestos esboçados, que não chegaste a fazer, foram bálsamo para o meu corpo e o meu espírito.

Num desses encontros - Disseste-me que ias passar uns dias a Sintra – adoravas Sintra, pela sua reconhecida beleza, e certamente pelo ambiente social mais aberto do que o da província, porque tinhas lá família, amigas etc.  e sugeriste-me que fosse lá passar um domingo.

Achei a ideia óptima e combinámos o nosso encontro em Sintra. Cheguei no sábado ao fim do dia e fiquei hospedado numa pensão que ficava perto da estação de comboios e da casa onde estavas (de família?).

No domingo de manhã encontrámo-nos num jardim. Estavas acompanhada por uma prima, uma rapariga simpática, extrovertida e que também foi discreta – ou nós estávamos apenas concentrados um no outros e não dávamos pelo que se passava à nossa volta.

Foi uma manhã muito agradável, que passou  depressa. Fizeste humor com a pensão, dizendo que da tua janela controlavas as minhas entradas e saídas…

Conversamos sobre tudo e sobre nada, conversa de jovens felizes: sentia-me no paraíso.

Sem modéstia, acrescento que a minha conversação não era desagradável, tinha um vocabulário alargado e utilizava com muita frequência metáforas, como faço ainda hoje.

Combinámos encontrar-nos depois do almoço na janela da casa onde estavas.

À hora combinada compareci. O que  deveria ser o enlevo do nosso primeiro encontro a sós, do nosso desejado primeiro beijo, à janela da casa da tua madastra, em poucos segundos tornou-se um drama.

Entraste na sala a chorar compulsivamente e ficaste a meio da mesma sem te aproximares da janela : fiquei atónito, paralisado, caiu-me o céu em cima da cabeça. 

- Que se passa? - Que te aconteceu? E o choro não parava, convulsivo (nunca na minha vida, até aos dias de hoje, vi uma mulher chorar assim) Quando conseguiste acalmar ou pouco – pareceu-me uma eternidade – Disseste, o nosso namoro tem de  acabar.

A minha perplexidade aumentou, - Mas o que está a acontecer?  - Temos de terminar o namoro porquê?

Depois de um silêncio, respondes-te, - O meu pai não quer que namoremos.

- Eu falo com ele, - como pode ser isso? Respondeste-me - Que nada adiantava e que se eu insistisse era pior para ti.

Fiquei outra vez paralisado, sem saber o que dizer e o que fazer. Perdi a oportunidade de acariciar-te e beijar-te pela primeira e única vez: sou um perdedor.

Já não me lembro como me afastei da janela nem como regressei a Torres Novas, apenas me lembro que regressei de comboio

Durante  um mês ou mais senti-me infeliz, humilhado, ostracizado e com uma grande melancolia. Depois chegou a revolta e passaram-me pela cabeça as ideias mais disparatadas. Felizmente, ou infelizmente, não concretizei nenhuma.

O teu almoço daquele domingo deve ter sido um enorme pesadelo para ti - revolta, angustia, desespero, tristeza -  pois foi certamente nessa ocasião que o teu pai impôs a sua vontade. Deu-te um punhal e ordenou-te que o cravasses no coração. Uma brutalidade!

Tu eras maior de idade, responsável e no dia em que me convidas--te para ir a Sintra ele impôs o rompimento do namoro. - Julieta, perdoa-me o julgamento mas eu tinha que acertar estas contas com o teu pai. Como pudeste sarar a ferida que o teu pai abriu no teu coração? Ainda hoje não encontrei resposta para esta angústia que me atormenta.

Nos seus cálculos patrimoniais acerca do teu casamento não contavam os teus sentimentos nem o direito de seres tu a decidir o teu  futuro.

Pater famílias tinha braço comprido e às vezes musculado. Naquela época era o «chefe de família»  quem autorizava  a mulher a abrir conta bancária,  tirar passaporte, decidia o futuro dos filhos, particularmente, o casamento das filhas, etc, etc.

Mulher não podia votar, frequentar a universidade (só excepções) ir sozinha a lugares públicos, festas, cinema, etc. Não podia fumar, beber, usar roupas ousadas, decotes acentuados. O lugar seguro para estar era em casa, executando os trabalhos domésticos e tratando dos filhos.  Podia ser amante, não podia ter amantes.

O que terá levado o teu pai a impor o rompimento do namoro poucas semanas depois de não se ter oposto?

Não é difícil perceber. Admito duas hipóteses, foi averiguar pessoalmente o meu currículo. Não tinha vinhas, nem oliveiras, não tinha imóveis nem família que se visse, um pé rapado. - A minha filha casada com um pé rapado que quer dar o golpe do baú? - Era o que faltava!   

Segunda hipótese, um dos meus amigos do grupo tinha fama de «subversivo» e isso contagiava a reputação do resto do grupo, o que, pelo menos, no meu caso não era verdade.

Quanto às questões patrimoniais (nunca soube se tinhas baú) as minhas ideias sobre a propriedade eram, e ainda são, muito vagas : vou sair como entrei, com a conta bancária a zeros.

Não sei como ficaram as tuas relações com o teu pai, se chegas-te a perdoar  o golpe e humilhação, se ficou uma ferida que só o tempo pode curar em parte. Não pretendo inventar ou ficcionar a tua vida, apenas desejo saber o que se passou contigo.

Gostaria imenso de saber que encontras-te outro homem que te fez feliz como tu merecias.

Tínhamos direito a ser felizes e não fomos, talvez porque nascemos vinte anos mais cedo, na época errada.

Dramas como o teu, aconteceram, nas mais variadas formas, a milhares de raparigas que os sofreram em silêncio e poucas tiveram coragem – ou meios - para romper com a família.

Na sociedade conservadora e machista criada pelo salazarismo, o domínio do pater família era exercido num silêncio repressivo que só de forma muito discreta e em voz baixa era censurado.

Transformei o nosso diálogo num monólogo, talvez seja egoísta. Afinal a tua ansiedade é maior do que a minha.

Agora que somos dois espíritos podemos tranquilamente reviver, em conjunto, as nossas vidas, passeando despreocupadamente pela Jardim da Avenida, pelo café do senhor Alfredo, em Sintra, onde quisermos: ninguém pode interferir nas nossas novas vidas!

Trouxe um poema de Florbela Espanca para te oferecer, julgo que vais gostar:

 

PRIMAVERA

 

É Primavera agora, meu Amor!

O campo despe a veste de estamenha;

Não há árvore nenhuma que não tenha

O coração aberto, todo em flor!

 

Ah! Deixa-te vogar, calmo, ao sabor

Da vida ... não há bem que nos não venha

Dum mal que o nosso orgulho em vão desdenha!

Não há bem que não possa ser melhor!

 

Também despi meu triste burel pardo,

E agora cheiro a rosmaninho e a nardo

 E ando agora tonta, à tua espera ...

 

Pus rosas cor-de-rosa em meus cabelos ...

 Parecem um rosal! Vem desprendê-los!

Meu Amor, meu Amor, é Primavera! ...

 

 

P.S.

1- Não tenho memória para reter pormenores, detalhes,  aromas, cores, sonoridades, não tenho vocabulário afectivo para exprimir convenientemente o turbilhão das emoções e sentimentos que existem dentro de mim, por isso este texto é seco, árido, talvez monótono, mas acredita que é sincero. Á distância de cinquenta anos, os diálogos que reproduzo podem não corresponder exactamente ao que foi dito por ambos, mas creio não ter adulterado o seu sentido.

 


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publicado por pimentaeouro às 15:37
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7 comentários:
De Fátima Soares a 5 de Outubro de 2012 às 16:13

Amigo este post comoveu-me imenso. Em parte um pouco diferente mas eu fui educada assim. O meu pai sempre foi polícia. Trabalhava muito e fazia turnos que o obrigavam a estar dias sem vir a casa. Na minha mãe ficou delegado a responsabilidade e a ingratidão de ser mulher também e criar dois filhos, quase sozinha. Tenho um irmão mais velho k eu 6 anos eu era a "menina". Não podia isto, aquilo, o outro! Nunca fui a bailes, cafés, vinha e ia para a escola quase escoltada. Mas isso fez a minha personalidade combativa vir ao de cima e tive muitos dissabores por me rebelar. Depois o tempo foi evoluindo o meu irmão sendo mais compreensivo e eu a ter um pouco mais de espaço, mas já não fazia falta. Crescera sem saber o que é a vida protegida de tudo, sem ver nada à frente. Resultado! Um casamento feito antes do tempo devido. Um divórcio complicado. Uma filha aos 25 anos, quando devia começar aí a pensar se calhar em casar a 1ª vez ou se ficasse sozinha não se perderia. Fiz uma serie de opções erradas para obter uma liberdade que nunca tive porque fui tão castrada que não conseguia libertar-me. Mesmo que quisesse ser mais audaz não conseguia. A minha mente não deixava. Se lhe dissesse que não entrava num café sozinha por vergonha aos quase 30 anos? Não vai acreditar em mim. Fechei-me no meu mundo. Num desgosto de trabalhar muito, e tive ironicamente de com uma casa "comprada" ao banco ir viver para casa dos meus pais novamente para conseguir pagar a renda. Conseguir não chorar e ser forte perante a minha filha era quase estoico. Hoje alturas em que trabalhei quase 24 horas por dia porque 3 anos depois do divórcio, sofreria como nunca oensei e para não me lembrar entretanto desse amor que me faria não desejar viver... E adivinhe-se! O sofrimento veio duma pessoa que era minha amiga, colega e me faria sofrer como ninguém. Quase me destruiu! Vieram seis anos sem ninguém e um ódio à vida desgraçado e pensei que nunca mais casaria ou me relacionaria com ninguém e depois olhe...Hoje sou casada há 23 anos tenho outra filhota e vou indo. Um dia de cada vez. Mas nunca, por nunca ser deixei de me revoltar e ser eu. Agora será que se fosse mais submissa e me mantivesse calada e disponível no 1º casamento hoje veria tudo diferente...Não creio! A vida é um jogo de muito azar. Cada um tem o seu naipe de cartas, umas melhores outras uma porcaria. Há que ir a jogo e tentar vencer. Desculpe o extenso do comentário e se quiser apague-o. Mas é de coração que entendo a mágoa e que a lembrança jamais passe. Porque há pessoas que se imprimem em nós. Beijinho meu amigo. Força! E as melhoras e um bom feriado e fsemana.


De pimentaeouro a 5 de Outubro de 2012 às 23:10
Cara amiga,
Porque motivo iria apagar o seu comentário? Só se for essa a sua vontade.
Brevemente, editarei um pequeno post que ilustra o que era ser mulher no tempo da outra senhora.
A minha vida amorosa iniciou-se com dois insucessos, Fernanda (post um Fantasma) e Julieta, em cerca de um ano.
Foram duas machadadas seguidas. Seguiram-se mais de 6 anos na minha vida sem nenhuma mulher, estava quase desesperado.
Beijo.


De pimentaeouro a 10 de Outubro de 2012 às 21:28
Regressei a este comentário. É o testemunho de uma provação bem maior do que a minha.
A moral e os costumes de Salazar fizeram milhares de vitimas, principalmente, mulheres.
O post "No meu tempo" dá o enquadramento daquela moral.
As jovens que hoje tem 30 anos não imaginam a sorte que têm.
Grande abraço.


De Fátima Soares a 5 de Outubro de 2012 às 16:19
Devo acrescentar (não que houvesse alguma vergonha nisso,) se fosse ao contrário pois aconteceu a muitas, mas casei virgem. Não foi um casamento forçado, foi sim um casamento como escape. Só tive a minha filha um ano depois de estar casada. Portanto quando ela tinha 4 anos divorcieie-me. Simplesmente porque entedi que era melhor. Nem que eu tivesse que comer terra! E hoje dou-me muito bem com o pai da minha filha. Inclusive por graça e sem qualquer ponta de mentira devo dizer-lhe que ele diz á filha que tem saudades minhas imagine!!! Enfim...Um beijinho amigo. Apague os meus comentários se quiser. Bom fsemana.


De pimentaeouro a 5 de Outubro de 2012 às 23:14
Apenas apagarei os seus comentários, que agradeço, se essa for a sua vontade.
A vida, e dentro dela o amor, regem-se pela lei quântica das emoções e dos sentimentos.
A nossa margem de manobra é reduzida.
Beijo


De DyDa/Flordeliz a 5 de Outubro de 2012 às 21:04
Seco? Árido?

Cada frase é sofrida, sentida e de saudade.
Há perguntas por responder. Há amor que impacienta de tanto ficar amordaçado e trancado nessas grandes muralhas, a que chamamos: coração.

Histórias sofridas que ficaram marcadas. Talvez por isso, tão amarguradas, tão intensas e que martelam no seu pensamento, em solidão.

De repente o seu texto passou a declaração de amor - BELA, como deve ter sido a Julieta que teve o dom de o conquistar quando se cruzou com o seu olhar.
- Que bom seria se esta mensagem pudesse chegar a quem a merece...

Se a mim me enterneceu?!...Como não seria ser a pessoa que despertou tais sentimentos???


Beijinho e BFDS
Aceite por favor



 


De pimentaeouro a 5 de Outubro de 2012 às 23:24
O seu comentário sensibilizou-me . Sei onde se encontra Julieta (algures na serra de Sintra), casada com um ingles.
Estive a dois passos de bater à sua porta mas hesitei. Terei o direito de perturbar o sue isolamento desejado? Hoje como á 50 anos continuo tímido.
Finalmente, está decidido: serei o portador da carta.
O coração tem muralhas e os sentimentos mergulham nos recantos da memória e emergem quanto lhes apetece.


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