Conhece-te a ti mesmo... se puderes.
Quinta-feira, 13 de Outubro de 2016
A Biblía errou
 
Acontece a qualquer um. Não foi o homem que foi «criado» em primeiro lugar e depois a mulher para este se distrair.

 

Primeiro, somos todos mulheres, depois é que o género muda ou não: a origem é sempre  feminina como se explica a biologia:

  

“Por que razão os homens têm mamilos? 

 

Para falar de uma forma mais correcta, não são os mami­los a característica mais óbvia do peito dos homens, mas sim os círculos de pele pigmentada que se localizam em redor deles, conhecidos por aréolas (do latim areolae que significa «pequenas áreas»). A presença destes itens tão obviamente inúteis nos homens resulta da forma como os nossos corpos adquirem a sua identidade sexual quando ainda somos embriões. 

 

Talvez seja um facto surpreendente, mas todos os em­briões iniciam o seu desenvolvimento no útero como embriões femininos, não obstante a sua carga genética (se são femininos têm dois cromossomas X, se são masculinos têm um cromossoma X e outro Y). Todos começamos as nossas vidas como mulheres. Durante estas primeiras etapas do desenvolvimento, as células que irão formar os seios e os mamilos concentram-se na zona do peito de todos os em­briões. Contudo, se cerca de seis semanas depois da fertiliza­ção o feto é XY, um dos genes do cromossoma Y entra em   acção e desencadeia a formação dos testículos.

 

 Por sua vez, estes produzem testosterona - uma hormona esteróide pro­duzida pelos testículos, que também emprestam parte do seu nome. Sob a influência da testosterona, o feto XY trans­forma-se num feto masculino. Sem a presença da testoste­rona, o feto continuaria a desenvolver-se como sendo feminino. (Testosterona é um exemplo de uma hormona «andrógena», do grego andro, que significa «do homem» e gerador). Contudo, mesmo sob a acção da testosterona, é já demasiado tarde para remover as células que darão origem às aréolas. É por este motivo que os homens têm mamilos. 

 

Em alguns casos raros, os corpos dos fetos XY não res­pondem à produção de androgénio. Os testículos formam­-se no interior do corpo e a hormona é produzida, mas o corpo ignora-a simplesmente. Este fenómeno é conhecido como Síndrome de Insensibilidade ao Androgénio. Neste caso, como todos os fetos iniciam a sua vida como femininos, o feto continua simplesmente a desenvolver-se como uma rapariga, embora geneticamente ainda seja XY. 

 

O Síndrome pode ser completo ou parcial, mas se for completo, a mu­lher que daí resultar pode não ser mais masculina que qual­quer outra de genes XX. Na verdade, cada mulher XX vai produzir uma certa quantidade de androgénio nos seus cor­pos que pode ter pequenos efeitos, enquanto o corpo de uma mulher XY pode não ter qualquer reacção ao androgénio. Existe, contudo, um problema para uma mulher XY: ela não poderá ter filhos.

 

 Nos fetos XX, os cromossomas sexuais provocam o desenvolvimento dos ovários. Estes produzem a hormona feminina estrogénio (do grego oistros, que significa «loucura» - uma referência à actividade de muitos animais durante a época de acasalamento - e gerador). O estrogénio desencadeia o desenvolvimento do útero. Na puberdade, o útero assume a sua forma adulta e renova o seu revesti­mento todos os meses, expelindo o tecido mais antigo através da menstruação.

 

 Uma mulher XY tem simplesmente tes­tículos internos, não ovários; consequentemente, não produz óvulos, as suas trompas de Falópio e o útero nunca se che­gam a formar, pelo que nunca poderá menstruar. Hoje em dia, é frequentemente através de um exame médico feito para determinar os motivos da ausência de menstruação que se descobre que determinada mulher é geneticamente XY. Con­tudo, para além dessa trágica consequência, ela continua a ser completamente feminina. Se no útero os corpos dos homens não reagissem à testosterona, seríamos todos mulheres. O gé­nero por defeito ê o feminino, tal como os mamilos masculi­nos tão bem atestam.”

 

  
Podemos desculpar aos pais da Biblia não saberem biologia.

   

Do livro "O nosso corpo – o peixe que evoluiu", de Keith Harrison,

 

Editorial Presença 

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publicado por pimentaeouro às 11:53
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