Conhece-te a ti mesmo... se puderes.
Sábado, 10 de Dezembro de 2016
Auto-retrato
 

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Gosto de me apresentar aos conhecidos como especialista em generalidades indiferenciadas. Alguns acham que não sou boa rês, outros acham que sou um tipo com algum interesse e no fundo é provável que seja um pouco de tudo isto, com sinceridade e emoção escondidas num ar sério.

Como qualquer pintor tenho o direito de fazer mais de um auto-retrato, pois qualquer retrato além de temporalmente datado não pode aspirar a sintetizar todas as faces da personalidade  que um ser humano tem dentro de si, toda a complexidade que comporta.

Vivi a época que me coube, talvez, com mais apreensão do que entusiasmo e vivi o melhor que soube e pude. Ninguém vive duas vezes e não posso emendar erros que gostaria que não tivesse praticado: pouco santo e algo pecador.

Vem isto a propósito de ter chegado à fasquia dos 80 anos e achar que não me conheço suficientemente bem. Entrei no clube dos velhos muito velhos . Se me perguntarem se gosto de ser velho, responderei sinceramente que não. As referencias do meu século desapareceram quase todas, sem familiares e com muitos amigos já falecidos, a solidão aumenta, aumentam as doenças e as limitações: viver muitos anos não é natural, nunca foi.


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publicado por pimentaeouro às 22:05
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4 comentários:
De redonda a 10 de Dezembro de 2016 às 23:10
Enquanto o tempo passa, parece-me às vezes que não sou eu que fico mais velha mas os outros que ficam mais jovens. Também me parece que não me conheço suficientemente bem a mim mesma (e imaginava que seria diferente, que quando mais velha me iria conhecer melhor a mim e sobretudo ao mundo) mas não concordo é com o viver muitos anos não ser natural, até porque tudo pode sê-lo e não o ser, e aqui o viver poucos anos é que não o deveria ser.


De pimentaeouro a 11 de Dezembro de 2016 às 22:10
Durante 2 milhões de anos a nossa consciência esteve virada para o exterior para se defender de um mundo perigoso e hostil. Só com a classe média e os seus ócio é que começamos a fazer introspeção.
Para complicar mais, somos a coisa mais complexa que existe no planeta Terra.


De DyDa/Flordeliz a 14 de Dezembro de 2016 às 15:50
Uma fasquia alta e que pesa, certo?
Mas não há quem escape.
Em criança parece lento.
Na juventude lá vai acelerando, até que em adultos o somatório vai incomodando e já não dá gozo nenhum lembrar o dia e muito menos o ano de nascimento.
Teimosia nossa. Já que o que que pesa mesmo são as maleitas e a falta de força para carregar o esqueleto que vai ficando mais enferrujado, certo?

Mas por aqui a idade não se vai notando. Alguns queixumes, é certo. Alguma nostalgia. Mas o pensamento crítico e assertivo ainda vai dando prazer a quem, como eu, de vez em quando por aqui vai parando.

Faz algum tempo. Mas lá está: ele não pára!
Tem pressa em nos escapar e deixa-nos pouco para visitar os amigos "virtuais" com quem fomos criando empatia.

Nesta época, que é de Natal, desejo-lhe muita sorte e sorrisos com o aconchego dos que lhe são mais queridos.



De pimentaeouro a 17 de Dezembro de 2016 às 19:22
Há varias formas de envelhecer, lentamente ou de chover. Umas vezes a cabeça não acompanha o corpo, envelhece primeiro, outras vezes é a cabeça manatem-se lúcida num corpo decadente. Parece-me que estou neste último caso,
Espero aceitar o inevitável com dignidade e já escolhi um estrela para repousar e vem outros mundos.
Desejo-lhe igualmente um bom Natal.


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Esperemos que não fique zangado muito mais tempo.....
E uma metáfora do nosso país. Temos muitos pobres ...
Não resistem...
Será que existirá sempre este fosso enorme?
Os casos que refere são excepções que não traduzem...
Mas nos anos 50/60 já havia por cá mulheres que ti...
Não há melhor.
um excelente estado de alma!
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