Conhece-te a ti mesmo... se puderes.
Terça-feira, 8 de Março de 2016
Correr atrás do vento

 

 

Correr atrás do passado é correr atrás do vento, jamais o alcançaremos. Os acontecimentos que vivemos outrora foram apagados pelo Tempo e uma parte das pessoas que recordamos já morrerem ou não sabemos onde vivem.

Todavia apesar de quase tudo ter desaparecido ou mudado (casas, ruas, paisagens) a nossa memória «reconstrói» parcelas aleatórias do nosso passado e sentimos, de novo, emoções com essas recordações.

É como estar a ver episódios de um filme rodado há quarenta ou cinquenta anos. Os actores já morreram, a sala já não existe, mas vimos a projecção da sua imagem e voltamos a emocionar-nos.

A nossa memória desencadeia emoções, como qualquer acontecimento externo do presente: apanhamos por breves momentos o vento.

A memória traz-nos alegrias ou sofrimentos, raramente o que é irrelevante ou não nos afectou emocionalmente. Amizades, familiares, amores, êxitos, fracassos, inimizades, etc.

A memória é muito caprichosa e ainda não sabemos bem como funciona, ela e a sua prima esquecimento. A «Idade de Ouro», a «minha época» é considerar o passado como melhor do que o presente. O saudosismo (entre nós Sebastianismo) também remete para uma época que imaginqamos melhor do que o presente.

A memória é uma espécie de disco rígido avariado da nossa história de vida. Ela regista fragmentos isolados, bons ou maus, da nossa vida.

Se tivemos uma infância e uma adolescência felizes, a memória não recordará tristezas, pelo contrário, se aquelas duas épocas da nossa vida foram difíceis, a memória não poderá recordar felicidades.

A memória é também subjectividade, muito, dentro de um ser subjectivo; é preciso cuidado com ela.

O homem é subjectivo por natureza e pela sua secunda natureza, a sociedade que ele próprio criou mas  necessita de objectividade e de certezas para que o seu dia a dia e a relações com os outros não sejam caóticos. Sem objectividade a nossa vida quotidiana seria impossível, nem sequer haveria horários de comboios, mas é na ciência que ele realiza a sua procura da objectividade.

Os meus problemas de memória – falta de memória – remontam à minha infância e uma parte importante da minha vida não existe nela é como se não tivesse vivido. Para qeu tudo não seja negativo a  memória apaga-me muitas tristezas, que apenas existem como um nevoeiro.



publicado por pimentaeouro às 20:08
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2 comentários:
De golimix a 11 de Março de 2016 às 08:43
O vento passa... o passado também e a realidade foge-nos.



De pimentaeouro a 12 de Março de 2016 às 11:38
Recordar o passado é para mim uma fuga ao presente.


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