Conhece-te a ti mesmo... se puderes.
Domingo, 24 de Setembro de 2017
Costa Gomes

Devemos-lhe a democracia

 

O pai, António José Gomes (Chaves, Santo Estêvão - Lisboa, Socorro, 1 de Julho de 1922), capitão do Exército, casou em Chaves a 17 de Janeiro de 1901 com sua mãe Idalina Júlia Monteiro da Costa (Chaves, 27 de Maio de 1880 - Porto, 18 de Fevereiro de 1967), tendo constituido uma família numerosa, de onze filhos e filhas.

A infância de Francisco da Costa Gomes é marcada pela morte do pai nas vésperas do jovem Francisco completar oito anos. A sua mãe, com apenas 41 anos, fica a braços com oito filhos para criar e sustentar.

Entre 1924 e 1931 estudou no Colégio Militar, em Lisboa. A escolha do Colégio Militar dá-se , porque com a mãe viuva a família não tinha possibilidades económicas de o colocar a estudar noutro sítio. A passagem pelo Colégio Militar é um perído difícil da sua vida. No seu livro de memórias[3] Costa Gomes conta que se sentiu "bastante violentado" por um conjunto de "regras rígidas de cuja utilidade duvidava". Por outro lado a família não tinha dinheiro para lhe pagar as viagens entre Lisboa e Chaves pelo que Costa Gomeas passava a Páscoa e o Natal em Lisboa e só ia a casa nas férias do verão.

Uma vez terminado o Colégio Militar alistou-se no Exército em 1931, tendo servido em várias unidades militares e progredido rapidamente na carreira, terminando o tirocínio na Escola Prática de Cavalaria em 1936. Tudo isto acompanhado de algum desencanto com a instituição militar.

Em 1943 terminou o curso para Capitães de Cavalaria e a 1 de Janeiro de 1944 é promovido a Capitão.

Em paralelo à sua carreira militar, entre 1939 e 1944 também estudou na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, onde foi aluno de Ruy Luís Gomes, tendo-se licenciado em Ciências Matemáticas, em 1944.

Realizou comissões de serviço nas colónias portuguesas, tendo chefiado a expedição militar a Macau, em 1949, exercendo funções como subchefe e chefe do Estado-Maior naquela região. Segundo as suas próprias palavras a expedição militar foi organizada porque havia o receio de uma possível tomada do território por parte das forças leais a Mao Tsé-Tung. Em Macau Costa Gomes participa na elaboração de um relatório assinado pelo Coronel Laurénio Cotta Morais dos Reis em que se afirma ser uma "fantasia" pretender-se assegurar militarmente a posse do território.

Em Novembro de 1951 é colocado no Estado-Maior do Exército para estudar a possibilidade de mobilizar as forças cometidas à OTAN e ao Pacto Ibérico.[8]

Em 1952, a 8 de Dezembro, casa na Sé de Viana do Castelo com Maria Estela Veloso de Antas Varajão. O casal viria a ter apenas um filho, Francisco Varajão da Costa Gomes, nascido a 16 de Agosto de 1956, Militante Comunista, falecido na segunda metade da década de 80, solteiro e sem geração.

Em 19 de Dezembro de 1952 é promovido a major  e nessa qualidade dirige a formação das forças portuguesas a integrar na OTAN. Em 1954 é nomeado para o comando supremo da OTAN (The Supreme Allied Commander Atlantic - "SACLANT" ), em Norfolk, Virginia, nos Estados Unidos, sob a chefia do General Humberto Delgado e onde ao longo de dois anos se tornou um profundo conhecedor dos assuntos da NATO.

Em 1956 regressa dos Estados Unidos e é colocado como adjunto da Primeira Repartição da Defesa Nacional. É nesta repartição que Costa Gomes diz ter a certa altura entrado em desacordo com o general Santos Costa tendo assim conquistado o respeito do general que passou a consulta-lo para todos os assuntos relacionados com a OTAN. Foi também a partir desta altura que Costa Gomes diz ter adquirido uma especial consideração por parte do General Botelho Moniz.

Em 1958 o então tenente-coronel Costa Gomes foi responsável pelo policiamento das acções da candidatura do general Humberto Delgado.

Em Agosto de 1958 Costa Gomes é nomeado subsecretário de Estado do Exército com Botelho Moniz como responsável pela pasta da Defesa Nacional. Poucos dias depois é recebido por Salazar que em convesa lhe terá dito que o considerava o oficial Português "mais bem informado sobre as colónias. Ainda no mesmo ano, em 11 de Abril de 1961, Costa Gomes envolve-se no Golpe Botelho Moniz, intentado pelo Ministro da Defesa. No rescaldo, já depois do “golpe” ter falhado, a 19 de Abril de 1961, Costa Gomes publica uma carta no Diário Popular onde afirma que o problema das províncias africanas é “um complexo de problemas do qual o militar é uma das partes que está longe de ser a mais importante”. Sobre esta carta, a embaixada americana, como que antevendo o futuro político de Costa Gomes, comentou: “É possível que se numa data futura as Forças Armadas acharem necessário dispensar os serviços do Dr. Salazar, o coronel Costa Gomes seja, em vez do general Botelho Moniz, a verdadeira solução”.

Em 1962, exonerado do governo, é colocado na chefia do Distrito de Recrutamento e Mobilização de Beja. Termina o Curso de Altos Comandos em 1964.

Segue-se a experiência como inspector na Direcção da Arma de Cavalaria, em 1964, cargo que acumulará com o de professor no Instituto de Altos Estudos Militares.

Já Brigadeiro, é nomeado segundo comandante e depois comandante da Região Militar de Moçambique, função que exerce de 1965 a 1969.

Na guerra coloinal, Costa Gomes tem uma estratégia original e diferente das de Spinola e Kaúlza de Arriaga. Segundo Costa Gomes, a base da acção bélica na guerra contra-subversiva deveria centrar-se em “servir as populações”. A guerra, dizia o general, devia ser feita «não contra os guerrilheiros», mas «a favor das populações» e acrescentava «não tínhamos por principal missão combater os movimentos de libertação, mas recuperar as populações». Defender as populações, afastando-as da guerrilha, assegurando o seu bem-estar, a ordem e a paz social. A utilização da violência deveria ser o mais possível focalizada.

Em 1970 torna-se comandante da Região Militar de Angola, onde procede à remodelação do comando-chefe e defende um entendimento militar com a UNITA, contra o MPLA e a FNLA.

A 5 de Setembro de 1972 é nomeado 7.º Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas de Portugal, em substituição do general Venâncio Deslandes. A 13 de Março de 1974, pouco antes do 25 de Abril, é exonerado do cargo, depois de se recusar a comparecer numa cerimónia pública de lealdade ao governo de Marcello Caetano, promovida por altas patentes militares (um grupo que ficaria conhecido como a "Brigada do Reumático").

Após o 25 de Abril, é um dos sete militares que compõem a Junta de Salvação Nacional. Entre o dia 29 de Abril de 1974 e o dia 13 de Julho de 1976, foi o 9.º Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas de Portugal.

 
Retrato oficial do Presidente Costa Gomes, por Joaquim RebochoMuseu da Presidência da República.

Por nomeação da Junta de Salvação Nacional, torna-se Presidente da República, após a renúncia de António de Spínola, em Setembro de 1974.

Ocupou o cargo de Presidente da República até Junho de 1976, altura em que as primeiras eleições livres para a escolha do Chefe de Estado em Portugal ditaram a eleição de António Ramalho Eanes. O seu mandato ficará marcado como um período de radicalização do processo revolucionário, sob a influência do PCP e de partidos de extrema-esquerda. Apesar da ambiguidade que muitos vêem nas suas posições, reconhecem-lhe o mérito de ter evitado a guerra civil[15].

Abandonada a presidência, a partir de 1977, desenvolve intensa actividade nacional e internacional, integrando a Presidência do Conselho Mundial da Paz (uma organização de inspiração comunista e ligações à União Soviética) e a Presidência do Conselho Português para a Paz e Cooperação. Integrava ainda o Grupo de Generais para a Paz e o Desarmamento.

Em 1982 foi elevado à patente de Marechal.

Em 1986 recebeu do secretário-geral das Nações Unidas o galardão de Mensageiro para a Paz.

Num balanço final de vida, Costa Gomes escolhia o epíteto de homem de paz, e elegia, entre as inúmeras distinções de que foi alvo, a de "Mensageiro da Paz", atribuída pelas Nações Unidas.

Costa Gomes faleceu no Hospital Militar de Lisboa, a 31 de Julho de 2001, com 87 anos.

 



publicado por pimentaeouro às 18:48
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