Conhece-te a ti mesmo... se puderes.
Quinta-feira, 13 de Novembro de 2014
Deus existe? #2

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Ateu ou agnóstico?

Como quiserem. Na brincadeira com os meus amigos costumo dizer que nasci ateu. Brincadeira à parte e, por estranho que pareça, quando era garoto já era ateu: influência do meu avô, velho republicano, ateu, antissalazarista e culto, a minha avó não frequentava a igreja, Deus e os santos não andavam lá em casa  e ainda porque nas noites quentes de verão, refugiava-me na igreja da minha terra e não encontrava Deus, procurava-o e ele não aparecia.

O ambiente familiar e cultural influenciam, ou até formam as crenças que temos.

Mais tarde, na mocidade e na idade adulta vieram as perguntas: Se Deus não existe o que há então? Qual a origem da vida e da sua evolução? Qual a origem do homem? O que é a morte? O que acontece depois da morte?, Que sentido tem a vida? O que é o universo e qual a sua origem? Como se formou a Terra, etc.

Começou a minha demanda para encontrar explicações que continua ainda hoje. A origem da vida é explicada, principalmente pela biologia e a química, a origem do homem pela antropologia e a paleontologia, a origem e evolução do universo, das galáxias, estrelas e planetas são explicadas pela física, astronomia, astrofísica, a cosmologia, etc.

Esta demanda do meu Salto Graal foi feita por etapas, por descobertas que explicavam dúvidas,  por ir sabendo que sabia pouco (ainda hoje), fenómenos controversos, enigmas  que demoram ser explicados, o mistério do tempo e do espaço que parecem infinitos, por incertezas também. 

 Em certa medida esta procura deu um sentido à minha vida, explicou-me do que somos feitos.  

Em toda esta procura nunca encontrei  Deus ou qualquer ser criador.

A minha demanda não tem nada de original, muitos outros, hoje e ontem, fizeram interrogações semelhantes. Talvez o paradigma desta procura seja o pintor Gauguin: abandonou a profissão, a família e partiu para os mares do Sul à procura da natureza pura do homem e acabou sem respostas e com um fim trágico.

A ciência chegou até ao Big Bang, uma inimaginável concentração de matéria e de energia que explodiu e se expandiu pelo espaço. Existiu um universo anterior aos Big Bang que se concentrou num único ponto e depois explodiu? Existem outros universos paralelos? A ciência não sabe e nunca saberá porque não dispomos de instrumentos para o efeito. 

Sabemos como surgiu a vida, os elementos básicos que a compõem e se encontram em todos os seres vivos (carbono, hidrogénio e oxigénio) e como evoluiu de organismos unicelulares até aos animais e plantas. Os mamíferos, insignificantes e muito pequenos na era dos dinossauros, com a extinção destes tornarem-se dominantes até chegarem ao homem, tudo por mero acaso.

O milenar mistério da morte já não existe: quando morremos o que acontece? Cada átomo que possuímos já passou por diversas estrelas e foi parte de milhões de organismos antes de ser tornar parte de qualquer um de nós. Somos «reciclados» no momento da nossa morte, os nossos átomos desagregam-se e vão «à procura»  de novas combinações, noutro lado, como parte de uma folha, de uma gota de orvalho, talvez de outro ser inteligente noutro planeta, porque os átomos duram milhões e milhões de anos e a sua passagem pelo nosso corpo é um mero acidente no seu percurso cósmico.

As ciências que  perscrutam o espaço cósmico, têm tido um desenvolvimento vertiginoso, sucede-se a construção de aparelhos mais potentes e sensíveis, aumenta a comunidade cientifica e novas descoberta. Hoje sabemos que existem milhares e milhares de galáxias, milhões de estrelas, um número incontável de planetas, um universo que parece não ter limites. Certamente existirão outras formas de vida noutras planetas em distantes galáxias ou até na nossa, mas nunca chegaremos a saber, as distancias no cosmos são incomensuráveis.

A vida não passa de um episódio temporário num planeta que desaparecerá consumido por uma bola de fogo.

Resumindo, temos as três perguntas de Gauguin: De onde vimos? Quem somos? Para onde vamos?

Sobre o que desconhecemos podemos imaginar tudo.

Todavia há interrogações mais importantes do que procurar se Deus existe ou não: para onde vai a humanidade? Qual o seu futuro? Vivemos uma época de incertezas com grande conflitualidade em quase todo o mundo. Ninguém sabe como serão os próximos 20 anos e dai para a frente as incógnitas são muito maiores.

Há mais certezas quanto ao longo prazo, a ciência já sabe o que acontecerá, sabe como terminam os planetas como o nosso: não é para amanhã, daqui por uns milhões de anos a terra ficará estéril e todas as formas de vida, mesmo as mais resistentes, desaparecerão. A nossa espécie, se não se autodestruir, extinguir-se-á também. Finalmente, a terra será pulverizada quando o Sol colapsar e se tornar numa gigante vermelha.

Gostava de terminar com um final feliz, este cenário é para daqui a muitos milhares de anos,  podemos viver as nossas vidas tranquilamente.

 

 

 


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publicado por pimentaeouro às 12:00
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4 comentários:
De A rapariga do autocarro a 14 de Novembro de 2014 às 08:59
Pois é, muitas perguntas, muitas respostas e outras tantas para imaginarmos...eu cá vou acreditando na imortalidade da alma...

Belissímo post como é seu apanágio


De pimentaeouro a 15 de Novembro de 2014 às 22:32
Crenças não se discutem, respeitam-se.
Obrigado pelo elogio.


De redonda a 17 de Fevereiro de 2016 às 23:56
Em parte consigo pensar assim, mas não sou assim tão forte, preciso de acreditar.


De pimentaeouro a 18 de Fevereiro de 2016 às 11:15
Todos precisamos de acreditar de ter esperança, de ter utopia em qualquer coisa


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