Conhece-te a ti mesmo... se puderes.
Domingo, 11 de Junho de 2017
Donald, o genocida africano

 Resultado de imagem para fome na somalia

 

Donald Trump pode ficar na História como um dos grandes genocidas da Humanidade. Basta ter o orçamento de 2018 aprovado pelo Congresso. Já compreendemos a questão do aquecimento global e do Acordo de Paris. (Ou talvez não. Alterações climatéricas não são algo que venha a dar-se de 2050 em diante. Estão a acontecer. E com elas grandes fluxos migratórios que levam a mais conflitos e mais ondas migratórias forçadas e tsunamis de refugiados.) O orçamento de Trump tem um item assassino que, entre discussões sobre o que significa  “covfefe”, ainda não vi discutido. Os cortes draconianos à ajuda internacional. 

Estamos a falar de qualquer. coisa como 32% de corte na ajuda externa. E como antigos responsáveis da USAid já avisaram, isto vai significar milhões de mortes. Ajuda alimentar que chegava a mais de 60 milhões irá apenas servir para uns 25 milhões.

Num momento em que há uma crise alimentar no Sudão do Sul, na Nigéria, no lémen e na Somália. Para que conste, este é o homem que se reúne com o Papa e diz num tuite que quer a paz no mundo, em letras capitulares. 
Alega a canalha que o rodeia que os EUA são os maiores dadores e que os outros países têm de se chegar à frente. Mentira. Fakenews. São-no em termos absolutos. Em termos de percentagem do PIB são o 22º., logo à frente de Portugal, que é o 23º. Ou seja, os Estados Unidos doam tanto dinheiro como Portugal. E que é pouco. Uns  ,18 % do PIB. 
E lá voltam com a necessidade de gastar dinheiro com mais eficiência. Mas a questão é que, com uma eliminação orçamental abrupta deste calibre, coloca-se o planeta em risco de uma explosão de fome e doença. 
O corte em programas de HIV e malária, bem como de planeamento familiar ou controle de epidemias como o zika ou o ébola, faz temer o pior. Os cortes abrangem igualmente as missões de paz das Nações Unidas. Dir-se-ia que o Presidente norte- 
-americano quer todo o planeta num caos e guerra para servir os seus interesses.

 Ou então é tolo. 
Mas o que se pode dizer em termos concretos é que Trump foi o pior que podia ter acontecido ao planeta. Incapaz de vitórias internas, vai tentar capitalizar absurdas medidas no plano externo que depois não são explicadas no campo interno. Cortar a ajuda alimentar em África é um crime do ponto de vista humanitário e é um ato de guerra contra o mundo. Bem sei que isto pode parecer uma frase de indignação de momento. Não é. Há largas zonas do planeta que não têm absolutamente nada que comer e dependem da ajuda internacional para sobreviver. Não podem estabelecer-se em paz, viver as suas vidas e criar os seus filhos devido a factores externos, como a guerra ou o clima.

 Esta abjecta mesquinhez de Trump, em busca de um soundbyte no Twitter, vai fazer disparar a miséria, aumentar a economia de guerra em seu proveito e — já agora — aumentar os números de extremistas e de refugiados a dirigirem-se para a Europa. Trump terá de ser responsabilizado por isto. 
É cada vez mais difícil chegar às áreas afectadas. Os jornais não têm dinheiro para enviar repórteres. E os jornalistas há anos que são alvos, Os consumidores de notícias não querem saber de “fome” e “miséria” em África.

Viver comum dólar por dia. Morrer por inanição não tem interesse, não vende. Quantas vezes se ouviu/viu isto? Nada de novo. Apenas mais uma crise. E “muito século XX”. A novidade é que os jornalistas agora são mortos. E os jornalistas não são queridos das actuais democracias, sequer. 
As Organizações Não Governamentais antes eram bem acolhidas nestes locais, mas agora os seus elementos também são assassinados. Esta é a nuance desta contemporaneidade. 
Porque tudo está a mudar. Para níveis não imaginados. O mundo Trump vai levar-nos a esticar os níveis da nossa decência.

 

Luís Pedro Nunes, Expresso de sábado passado.

 

 

 



publicado por pimentaeouro às 20:31
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1 comentário:
De redonda a 12 de Junho de 2017 às 00:51
Muito preocupante e triste.


um beijinho e uma boa semana
Gábi


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