Conhece-te a ti mesmo... se puderes.
Quinta-feira, 2 de Junho de 2016
Eternidade
 

 

 

 

Para que a angustia do nada não nos conduza ao desespero, inventamos fugas: o culto dos mortos, a vida álem tumulo, a eternidade da alma, mundos espirituais paralelos, etc.: tudo provocado pelo medo do vazio, do nada, e para complicar tudo isto ainda aspiramos à perfeição, outra fantasia da nossa imaginação.

A efemeridade e a fragilidade da nossa condição gera o oposto, múltiplas formas de aspirar à eternidade, uma confusão de mitos.

Somos apenas o resultado de um encontro fortuito de átomos, que com a morte regressam à poeira sideral das estrelas para outras combinações entre si. Nem tudo está perdido, mesmo efemeros fazemos construções colectivas, as sociedades e suas civilizações, que podem durar alguns milhares de anos antes de sucumbirem e desaparecerem para sempre, é o que fica da nossa passagem colectiva pela Terra.

Remetidos para um beco sem saída, podemos criar um sentido para a vida sem sentido: deixar aos que nos sucedem algo mais do que recebemos daqueles que nos precederam.

Poderá ser altruísmo  mas melhorar a condição efemera da Humanidade, dar mais do que recebemos é igualmente a essência da solidariedade e do amor.

Sou um D. Quixote mas foi este o sentido das minhas lutas contra os moinhos de vento que me derrotaram:  foi pouco mas foi o meu contributo possível.

 

 


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publicado por pimentaeouro às 11:07
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4 comentários:
De A rapariga do autocarro a 3 de Junho de 2016 às 11:03
Não sei ao certo o que somos, mas eu acredito na imortalidade da alma!


De pimentaeouro a 4 de Junho de 2016 às 00:31
O que somos? Quase nada e por pouco tempo.
Respeito as crenças alheias.


De redonda a 4 de Junho de 2016 às 23:43
Gostei da ideia que podemos criar um sentido para a nossa vida, deixando aos que nos sucedem algo mais do que recebemos.
um beijinho e um bom Domingo
Gábi



De pimentaeouro a 6 de Junho de 2016 às 18:07
É melhor do que nada.


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