Conhece-te a ti mesmo... se puderes.
Sábado, 29 de Abril de 2017
Instrução primária

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Era assim que se chamava. Na década de 40 do século passado frequentava a segunda classe da instrução primária. Sabia somar e subtrair e ler algumas coisitas porque o meu cérebro tinha poucos neurónios, alias nunca teve muitos.

Foi por causa deste ensino tão primário que não cheguei a ser médico, engenheiro os mecânico de automóveis, alias não pertenço  à espécie do Homo Sapiens, devo estar mais perto dos chipanzes.

Genealogia à parte, vamos ao que importa:

Com oito anos, este rapaz está no 2.° ano, o mesmo ano que, na próxima semana, vai ter pela primeira vez provas de aferição em expressões artísticas e fisico-motoras. Os guiões das provas já chegaram às escolas,
 mas um dos exemplos disponibilizados pelo Ministério da Educação nas últimas semanas prendeu-me a atenção. Aparece na prova de expressões artísticas e a tarefa começa com um pedido aos alunos para se deitarem no chão da sala. Segue-se uma música pára aquecimento, em que têm de imaginar que acabaram de acordar e que, ao longe, ouvem os sons da casa. Devem então começar a tentar levantar-se, muito lentamente.

Espreguiçam-se e começam a movimentar-se pelo espaço, admiran-
 do tudo à sua volta. “Aproximas-te. Abres a janela imaginária e sentes o vento, primeiro na cara e depois no corpo todo. O vento envolve-te e começas a voar”, prossegue o guião. Gostava de ter tido testes assim... na realidade, assim até nem importava de ter testes de novo. “Lá de cima contempla   tudo em teu redor. Olha para baixo e depois novamente à tua volta. O vento abranda, o teu corpo desce, e ficas no meio de outra pessoas que também acabaram
 de aterrar.”

 A certa altura, nova instrução: “Sempre que se ouvir o som de um sino, pára e, sem falar, cumprimenta a pessoa que estiver mais perto de ti. Quando o sino deixar de se ouvir, retoma o teu caminho como se nunca tivesses encontrado essa pessoa.” Depois, um novo desafio.

“Agora, um de vocês vai imitar os movimentos do outro, como se fosse um espelho, em câmara lenta. Começam por decidir quem faz os movimentos e quem os imita.” Depois de trocarem de funções — quem estava a fazer os movimentos passa a imitá-los e vice-versa — chega a hora de regressarem a casa. “Para conseguires regressar, vais precisar da ajuda de uma corrente de ar.” Começam a ouvir o vento e têm de soprar para o tornar mais forte. E a tarefa termina suave e bonita como começou: a fingir que apanham boleia do vento para voltar ao lugar inicial da roda."

Cito Marta F. Reis, jornal I de ontem. 

Ainda não consegui perceber o que tem impedido este governo e os anteriores de mandarem bombardear o edifício do Mistério, digo Ministério da Educação.

 

 

P.S.

Entre outras perólas, ensinar os alunos a deitarem-se no chão é muito higienico.


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publicado por pimentaeouro às 12:06
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