Conhece-te a ti mesmo... se puderes.
Quinta-feira, 8 de Setembro de 2016
Julieta

 

Ainda existo na tua memória? Como a saudade de um encontro feliz ou como um pesadelo que nunca deveria ter acontecido na tua vida?

Éramos dois jovens e apenas queríamos amor como todos os jovens desejam. Por imposição do teu pai o nosso namoro teve que acabar. Convidaste-me para nos encontrarmos em Sintra e foste obrigada a mandar-me embora como se eu fosse um oportunista que queria enganar-te.

A dor daquela violência foi mais profunda no teu coração: o amor já tinha raízes em ti. Ambos tivemos uma mocidade triste, já eras órfã da tua mãe e eu era órfão de pais vivos.

A tua vida é uma incógnita para mim, nunca mais te voltei a ver – como foi possível isto acontecer? Apenas sei que emigras-te para Londres numa época em que poucas mulheres o faziam, não foi emigração foi um exílio, exilaste-te do teu pai.

Regressaste, não sei quando, casada com um inglês, e refugiaste-te na serra de Sintra, na Sintra que tu amavas. Uma senhora muito reservada diz-me que te conhece: também sou reservado, a vida fez-nos assim.

Mais uma vez o acaso, o grande fazedor e desfazedor de vidas, não quis que nos reencontrássemos. Desejava muito que a última recordação que tenho de ti não fosse aquele choro convulsivo que selou a nossa separação há sessenta anos.


tags: ,

publicado por pimentaeouro às 00:17
link do post | comentar | favorito (1)
|

5 comentários:
De A rapariga do autocarro a 8 de Setembro de 2016 às 14:15
E que tal procurá-la?


De pimentaeouro a 10 de Setembro de 2016 às 00:01
Não é possível, já faleceu.


De pimentaeouro a 12 de Setembro de 2016 às 00:54
Obrigado.


De redonda a 11 de Setembro de 2016 às 01:18
Não sabia que ela tinha morrido.
um beijinho
Gábi


Comentar post

mais sobre mim
pesquisar
 
posts recentes

Bruegel

Costa Gomes

Ciclo do carbono

Já cá não estarei

Conde D`Ervideira

Este louco é perigoso

Eleições

Sofrimento #6

A imensidão do cosmos

Homens bons

arquivos
tags

???

ambição

amizade

amor

animais

antropologia

armas

arquitectura

arte

arte biografias

astronomia

ballet

biografias

biologia

blogues

café curto

carttons

ciência

cinema

civilização

clima

comunicação social

corrupção

criminosos

crise financeira

demagogia

demência

demografia

descobrimentos

desemprego

destino

diversos

doenças

dor

economia

eleiçoes

ensaio

ensino

escravatura

escultura

estado

estupidez

eternidade

ética

eu

eutanásia

evolução

família

filosofia

futebol

genocídio

governo

greves

guerra

história

incendios florestais

inquisição

internacional

justiça

literatura

livros

memória

miséria

morte

mulher

mulheres célebres

musica

natureza

natureza humana

paisagens

paleontologia

partidos políticos

patologia ideológica

pátria

pintura

planeta terra

pobreza

poesia

politica

regime político

religião

saudade

saúde

segurança social

sentimentos

sexo

sindicatos

sociedade

sonhos

tecnologia

terrorismo

terrorismo de estado

testamento vital

tristeza

união europeia

universo

velhice

vida

violência

xadrez

todas as tags

favoritos

Só verão

Rouxinol

Tormenta

Razão

Fogueira

Um fantasma

Arte de furtar

Deus existe? #2

Para onde vou?

Sou um San

links
últ. comentários
Nada podemos fazer para os salvar de uma catástrof...
E ler isto, faz-me pensar que ainda bem que já cá ...
Quando era jovem assisti a cenas dramáticas na Naz...
Acabei de ler e publicar sobre "uma fenda na mural...
e ele coitado deve estar a achar isso uma chatice
Não tinha essa noção! É pena quando nem na velhice...
Obrigado.
As chamadas consultas da dor apenas tratam dores d...
Obrigado.
Obrigado.
blogs SAPO
RSS