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Quinta-feira, 27 de Outubro de 2016
Morreu um príncipe

Prémio Pessoa de 1996, marcou a neurocirurgia portuguesa criando um “sentimento de escola”. Era actualmente presidente do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida. Tinha 72 anos.

 
João Lobo Antunes (1944-2016) PEDRO CUNHA

Terão sido muitas as vezes que o neurocirurgião João Lobo Antunes se deparou com o outro na sua mais profunda nudez anatómica. Prémio Pessoa em 1996, distinguido por ser um “renovador e intérprete da tradição médica humanista”, era ele que relia o acto cirúrgico como um acto sagrado, numa sucessão de imagens que remetem para um ritual. As mãos limpas, purificadas, a vítima inocente, a dormir. À sua frente, o órgão onde convivem emoções, sentimentos, memórias, uma consciência. O médico português morreu de cancro nesta quinta-feira, em Lisboa, aos 72 anos.

“Enquanto as mãos me obedecerem e o cérebro souber mandar, vou continuar”, disse o neurocirurgião, em Junho de 2014, na última aula como professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, assegurando que, apesar da jubilação, a prática cirúrgica era então ainda futuro. Um ano depois teve de abandonar a sala de cirurgia devido à doença.


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publicado por pimentaeouro às 18:21
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