Conhece-te a ti mesmo... se puderes.
Quarta-feira, 11 de Novembro de 2015
Nunca mais #2

Deportações

Antes, durante e depois da Segunda Guerra, Stalin conduziu uma série de deportações em grande escala que acabaram por alterar o mapa étnico da União Soviética. Estima-se que entre 1941 e 1949 cerca de 3,3 milhões de pessoas foram deportadas para a Sibéria ou para repúblicas asiáticas. Separatismo, resistência/oposição ao governo soviético e colaboração com a invasão alemã eram alguns dos motivos oficiais para as deportações.

 
Primeira página de uma lista de 346 pessoas a serem executadas. No alto, Stalin escreveu "за" (sim). O 12º nome é do escritor judeu-russo Isaac Babel.

Durante o governo de Stalin os seguintes grupos étnicos foram completamente ou parcialmente deportados: ucranianos,polacos, coreanos, alemães, tchecos, lituanos, arménios, búlgaros, gregos, finlandeses, judeus entre outros. Os deportados eram transportados em condições espantosas, frequentemente em caminhões de gado, milhares de deportados morriam no caminho. Aqueles que sobreviviam eram mandados a Campos de Trabalho Forçado.

Em fevereiro de 1956, no XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética, Nikita Khrushchov condenou as deportações promovidas por Stalin, em seu relatório secreto. Nesse momento começa a chamada desestalinização, que, de chofre, engloba todos os partidos comunistas do mundo. Na verdade, esta desestalinização foi a afirmação de que Stalin cometeu excessos graças ao culto à personalidade que fora promovido ao longo de sua carreira política. Para vários autores anticomunistas, teria sido somente neste sentido que teria havido desestalinização, porquanto o movimento comunista na URSS deu prosseguimento à prática stalinista sem a figura de Stalin. De fato, a desestalinização não alterou em nada o caráterunipartidário do estado soviético e o poder inconteste exercido pelo Partido e pelos seus órgãos de repressão, mas significou também o fim da repressão policial em massa (a internação maciça de presos políticos em campos de concentração sendo abandonada, muito embora os campos continuassem como parte do sistema penal, principalmente para presos comuns), a cassação de grande parte das sentenças stalinistas e o retorno e reintegração à vida quotidiana de grande massa de presos políticos e deportados. A repressão política, muito embora tenha continuado, não atingiu jamais, durante o restante da história soviética, os níveis de violência do stalinismo, principalmente porque foi abandonada a prática das purgas internas em massa no Partido.

As deportações acabaram por influenciar o surgimento de movimentos separatistas nos estados bálticos, no Tartaristão e naChechênia, até os dias de hoje.

 
Exumação em 1943 de uma vala comum de oficiais polacos mortos pelo NKVD na floresta de Katyn em 1940.

Antes do colapso da União Soviética em 1991, os investigadores que tentavam contabilizar o número de vítimas do regime estalinista produziram estimativas que oscilavam entre os 3 e 60 milhões.[26] Após a dissolução da União Soviética, os arquivos históricos passaram a estar disponíveis para consulta. O número oficial de vítimas de execuções entre 1921 e 1953 foi de 799 455 pessoas[27] ao qual se juntam 1,7 milhões de pessoas no gulag e 390 000 de deslocações forçadas. Isto corresponde a um número total de 2,9 milhões de vítimas em todas as categorias segundo os registos oficiais.[28]

Os registos oficiais soviéticos não apresentam números detalhados para algumas categorias de vítimas, como asdeportações étnicas ou a dos alemães no período pós-II guerra mundial.[29] Eric D. Weitz afirmou que, "Por volta de 1948, de acordo com o Livro Negro do Comunismo, a taxa de mortalidade entre as 600 000 pessoas deportadas do Cáucaso entre 1943 e 1944 atingia os 25%.[30] [31] Entre as exclusões dos dados do NKVD estão o massacre de Katyn, massacres de prisioneiros nas áreas e os fuzilamentos em massa de desertores do Exército Vermelho em 1941. O NKVD executou 158 000 soldados por deserção durante a guerra,[32] e os destacamentos de bloqueio vários milhares.[33] Além disso, as estatísticas oficiais da mortalidade nos gulag excluem as mortes de prisioneiros que tivessem ocorrido após a sua libertação, mas que fossem resultado das condições severas dos campos.[34] Alguns historiadores acreditam que os números oficiais das categorias registadas pelas autoridades soviéticas são pouco fidedignos e incompletos.[35] [36] [37]

Os historiadores que trabalharam com dados divulgados após o colapso da União Soviética estimaram que o total de vítimas esteja entre os 4 e os 10 milhões de pessoas, não incluindo aqueles que morreram nas grandes fomes.[38] [39] [40] O historiador russo Vadim Erlikman, por exemplo, estima os seguintes valores de vítimas: 1,5 milhões por execução; 5 milhões nos gulag; 1,7 milhões nas deportações (de um total de 7,5 milhões deportados); e 1 milhão de prisioneiros de guerra e civis alemães.[41] Alguns historiadores também incluem entre as vítimas da repressão de Estaline a morte de 6 a 8 milhões de pessoas na grande fome de 1932-1933. No entanto, esta categorização é controversa, uma vez que os historiadores divergem na questão desta fome ter sido deliberada, enquanto parte da campanha de repressão contra os kulaks,[42] [43] [44] [45] [46] ou se se tratou apenas de um efeito colateral na luta pela coletivização forçada.[47] [48] [49] No caso das vítimas da fome de 1932-33 serem incluídas, estima-se então que possam ser atribuídas ao regime de Estaline, no mínimo, 10 milhões de mortes – 6 milhões da fome e 4 milhões de outras causas.[50]

Alguns historiadores recentes sugerem um total provável de 20 milhões de vítimas, citando totais de vítimas muito mais elevados a partir de execuções, gulags, deportações e outras causas.[51] [52] [53] [54] [55] [56] [57] [58] Se forem acrescentadas às estimativas de Erlikman os seis milhões de vítimas da fome de 1932-33, por exemplo, o total estimado de vítimas será de 15 a 17 milhões. Ao mesmo tempo, o investigador Robert Conquest, reviu a sua estimativa original de 30 para 20 milhões de vítimas.[59] Conquest afirma também que, embora os números precisos possam nunca vir a ser conhecidos, pelo menos 15 milhões de pessoas foram executadas ou forçadas a trabalhar até à morte nos campos.[60]

 
Documento para o prisioneiro do Gulag que trabalhou na construção do Canal Moscou-Volga. O documento está no idioma russo. Ele confirma que este homem trabalhou muito bem e, portanto, agora a NKVD vai deixá-lo viver em qualquer lugar na URSS.
 
Carteira de motorista emitida para o prisioneiro do Gulag. Janeiro de 1941.

Entretanto, esses números devem ser maiores, pois os arquivos soviéticos são omissos em vários aspectos: por exemplo, eles não abrangem as várias Transferências populacionais na União Soviética.[61] Esta é uma omissão relevante, pois, de acordo com Eric D. Weitz,[62] a taxa mortalidade das mais de 600.000 pessoas deportadas do Cáucaso entre 1943 e 1944 chegava a 25%, o que acrescentaria mais 150.000 vítimas mortas.[63]


 
Grigori Zinoviev , que fora um dos líderes mais influentes do partido comunista soviético, foi executado por ordem de Stalin após um julgamento-espetáculo.

Outros dados que não constam dos arquivos da NKVD incluem o controverso e famoso Massacre de Katyn, bem como diversos outros de menor repercussão em áreas ocupadas. Também não constam as execuções de desertores pela NKVD durante a guerra, que se estima em 158.000 execuções.[64] [65]

Além disso, as estatísticas oficiais de mortalidade nos Gulags excluem as mortes ocorridas logo após a libertação dos prisioneiros, mas cuja morte estava ligada ao tratamento recebido naqueles campos de trabalho forçado.[66]

A ideia de que os arquivos guardados pelas autoridades soviéticas são incompletos e não refletem a totalidades das vítimas é apoiada por diversos historiadores, a exemplo de Robert Gellately e Simon Sebag Montefiore.[67] [68] Segundo eles, além dos registros não serem abrangentes, é altamente provável, por exemplo, que suspeitos presos e torturados até a morte durante investigações não sejam contabilizados como execução (não são contados como vítimas de pena de morte).[69]

Após a extinção do regime comunista na União Soviética, historiadores passaram a estimar que, excluindo os que morreram por fome, entre 4-10 milhões de pessoas morreram sob o regime de Stalin.[70] O escritor russo Vadim Erlikman, por exemplo, faz as seguintes estimativas:[71]

Quantidade de pessoasRazão da morte
1,5 milhão Execução
5 milhões Gulags
1,7 milhão Deportados¹
1 milhão Países ocupados²

¹ Erlikman estima um total de 7,5 milhões de deportados.

² Diz respeito aos mortos civis durante a ocupação russa.

Este total estimado de 9 milhões, para alguns pesquisadores, deve ainda ser somado a 6-8 milhões dos mortos na fome soviética de 1932-1933, episódios também conhecidos como Holodomor. Existe controvérsia entre historiadores a respeito desta fome ter sido ou não provocada deliberadamente por Stalin para suprimir opositores de seu regime.[43] Muitos argumentam que a fome ocorreu por questões circunstanciais não desejadas por Stalin ou que foi uma consequência acidental de uma tentativa de forçar a coletivização naquelas áreas afetadas pela fome.[72] [73] Todavia, também existem argumentos no sentido contrário, de que a fome foi sim provocada por Stalin. Para a última corrente, uma prova de que a fome foi provocada seria o fato de que a exportação de grãos da União Soviética para a Alemanha Nazista aumentou consideravelmente no ano de 1933, o que provaria que havia alimento disponível.[74] [75] [76] Esta versão da história é retratada pelo documentário The Soviet Story.

Sendo assim, se o número de vítimas da fome for incluído, chega-se a um número mínimo de 10 milhões de mortes (mínimo de 4 milhões de mortos por fome e mínimo de 6 milhões de mortos pelas demais causas expostas). No entanto, Steven Rosefielde tem como mais provável o número de 20 milhões de mortos,[77] Simon Sebag Montefiores sugere número um pouco acima de 20 milhões, no que é acompanhado por Dmitri Volkogonov (autor de Stalin: Triunfo e Tragédia), Alexander Nikolaevich Yakovlev, Stéphane Courtois e Norman Naimark.[78] O pesquisador Robert Conquest recentemente reviu sua estimativa original de 30 milhões de vítimas para cerca de 20 milhões,[79] afirmando ainda ser muitíssimo pouco provável qualquer número abaixo de 15 milhões de vidas ceifadas pelo regime de Stalin.[80]

Fome na Ucrânia

 

As políticas de fome lançadas sobre a Ucrânia, o chamado Holodomor, foi um genocídio[81] implementado e arquitetado pelo governo soviético durante o regime de Stalin, mirando o povo ucraniano com fins políticos e sociais.[82] [83] [84] As estimativas atuais do número de mortos pela fome na Ucrânia variam de 2,2 milhões de pessoas[85] [86] até 4 ou 5 milhões.[87] [88] 



publicado por pimentaeouro às 19:14
link do post | comentar | favorito
|

2 comentários:
De A rapariga do autocarro a 11 de Novembro de 2015 às 19:39
Já não basta a gravidade do que se passou é haver hoje gente capaz de o voltar a fazer!


De pimentaeouro a 12 de Novembro de 2015 às 22:56
Hitler, Staline e Máo são três monstros do pior que há no homem. Existem outros numa dimensão bem menor.
Hoje parece pouco provável ... mas nunca se sabe.


Comentar post

mais sobre mim
pesquisar
 
posts recentes

Guantanamera

S. Pedro zangado

Flamenco #2

Ciro II

Ricos e pobres

Reformar, reformar

Flauta de pan

A EMEL é fel

Aurora boreal

No meu tempo #2

arquivos
tags

???

ambição

amizade

amor

animais

antropologia

armas

arquitectura

arte

arte biografias

astronomia

ballet

biografias

biologia

blogues

café curto

carttons

ciência

cinema

civilização

clima

comunicação social

corrupção

criminosos

crise financeira

demagogia

demência

demografia

descobrimentos

desemprego

destino

diversos

doenças

dor

economia

eleiçoes

ensaio

ensino

escravatura

escultura

estado

estupidez

eternidade

ética

eu

eutanásia

evolução

família

férias

filosofia

futebol

genocídio

governo

greves

guerra

história

inquisição

internacional

justiça

literatura

livros

memória

miséria

morte

mulher

mulheres célebres

musica

natureza

natureza humana

paisagens

paleontologia

partidos políticos

patologia ideológica

pátria

pintura

planeta terra

pobreza

poesia

politica

regime político

religião

saudade

saúde

segurança social

sentimentos

sexo

sindicatos

sociedade

sonhos

tecnologia

terrorismo

terrorismo de estado

testamento vital

tristeza

união europeia

universo

velhice

vida

violência

xadrez

todas as tags

favoritos

Um fantasma

Arte de furtar

Deus existe? #2

Para onde vou?

Sou um San

O Século xx Português

Pater Famílias

Avesso dos Lusíadas #2

links
últ. comentários
Esperemos que não fique zangado muito mais tempo.....
E uma metáfora do nosso país. Temos muitos pobres ...
Não resistem...
Será que existirá sempre este fosso enorme?
Os casos que refere são excepções que não traduzem...
Mas nos anos 50/60 já havia por cá mulheres que ti...
Não há melhor.
um excelente estado de alma!
blogs SAPO
RSS