Conhece-te a ti mesmo... se puderes.
Sexta-feira, 11 de Novembro de 2016
Sobreviventes

Restamos cinco: o António Gonçalves, o Catalão, o Henrique, o Chico e eu. Cada um de nós tem estados de saúde diferentes, os que estão com mais problemas são o António Gonçalves e o Catalão.

São amizades de há sessenta anos que resistiram à erosão do tempo e não se deixaram cair no esquecimento.

Éramos o grupo de xadrez do saudoso Café Esperança, na Av. Luísa Tody, onde «queimávamos» noites à volta dos tabuleiros. Umas vezes perdíamos, outras ganhávamos, sem rivalidades, em alegre convívio comentado e rindo das asneiras que cada um cometia.

Depois eram os passeios noturnos pela cidade adormecida e mal iluminada em cavaqueira divertida. Eramos todos joves e, paradoxalmente, naquelas divagações nocturnas não entravam relatos de «conquistas» nem a corte a raparigas da nossa idade.

Passaram alguns anos e fomo-nos dispersando conforme os empregos que arranjávamos: entravamos na mocidade, na vida activa e nos casamentos. Cada um de nós fez o seu percurso de vida e guardou na memória e nos afectos os anos dourados da adolescência. É uma recordação agradável que ainda hoje nos une.

Os nossos encontros (almoços) vão sendo mais espaçados conforme as agruras de cada um. Dos que partiram, o mais saudoso é o Ventura, tranquilo, afável e o mais inteligentes de todos nos.

Não tínhamos televisão,  computadores, Internet, telemóveis, etc. Tínhamos convívio, amizades sinceras e solidariedade.

O passar das gerações deveria ter feito melhores jovens, mais educados, mais cultos, com melhores relações interpessoais.

O velho Café Esperança desapareceu e no seu lugar está um... uma loja Mac Donald e é  com amargura que sou obrigado a dizer que a juventude que por lá passa não é melhor do que a da minha época, pelo contrário.

 


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publicado por pimentaeouro às 12:06
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