Conhece-te a ti mesmo... se puderes.

Quarta-feira, 22 de Maio de 2013
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O mito é conhecido. Ìcaro para siar do labirinto construiu um par de asas feitas com penas e coladas com cera. 

Quando se viu liberto quis subir a até ao Sol mas   quando estava perto o Sol derreteu a cera e caiu.

A ambição pode manifestar-se em todas as actividades do homem. Há ambições boas, que são benéficas para o próprio e até para os outros, e ambições más que prejudicam os outros (especulação financeira) e também podem prejudicar o próprio.

Existe uma industria sofisticada, com tecnologia de ponta, para preparar atletas, para baterem recordes mundiais, sem eu ninguém pergunte quais  são os limites do corpo humano e se os atletas depois de forçarem o corpo esforços excepcionais não serão afectados no futuro (as atletas que disputam a maratona perdem a menstruação).

Ampliar as capacidades humanas tem riscos. É disso que trata o excerto que segue do livro “Uma visita politicamente incorrecta ao cérebro humano”, de Alexandre Castro Caldas.

 

“O risco de usar instrumentos de ampliação das capacidades humanas é, a maioria das vezes, incalculável. O organismo rege-se pelo princípio da homeostasia, o que significa um equilíbrio entre todas as funções. Ao ampliarmos uma dessas funções, não sabemos que desequilíbrio podemos provocar. Isto tem de ser posto do lado do risco. Quem tem estudado o consumo de energia do nosso corpo descobriu que existe um défice de 8 % entre a energia produzida pelo nosso corpo e energia despendida pelo cérebro, o que pode significar que somos uma forma de transição para qualquer outra coisa, não sendo aconselhável interferir nesse desequilíbrio.

A vontade própria faz com que certos heróis se queiram suplan­tar e, por isso, todas estas reflexões caem em saco roto e as experiên­cias vão-se multiplicando. A interface com os computadores é hoje uma realidade inquestionável. Mas se nos parece benéfico usar um computador portátil para escrever e aceder à Internet, já não nos parece desejável fornecê-lo aos alunos em forma de memória suple­tiva para que se não esforcem em aprender na escola. É, também, discutível que se implante, no cérebro, um aparelho que permita a interface com outros aparelhos, se isso não for para corrigir um problema criado por uma doença. Os estimuladores magnéticos e eléctricos estão aí, e estão a ser experimentados. Eles vão fazer com que as células nervosas façam coisas que elas próprias não tinham decidido fazer e, por isso, não se tinham equipado com os mecanis­mos e equipamentos apropriados para essas novas experiências.

Sem querermos desenterrar os velhos do Restelo, devemos pensar que o progresso da tecnologia abre portas aliciantes para a potenciação das capacidades humanas, e quem não quer ser um pouco melhor na inteligência e na memória? Mas cuidado com a tempera­tura do sol, que faz derreter a cera que cola as penas das asas.

Feitas estas considerações, importa dizer que a boa função do cérebro ao longo da vida resulta da sua boa e constante utilização em domínios diversificados. Ao longo da vida não se pode parar, pois parar é desusar e desusar é perder aquilo que depois é muito difícil de recuperar.

Esta discussão é fundamental no contexto da educação das novas gerações. O que vamos ensinar aos nossos filhos? Como o vamos fazer? Não podemos esquecer, como já dissemos algures neste texto, que a interacção pessoal é fundamental e que as máquinas não substituem os educadores. A humanidade tem a sua vocação social e só nesse contexto é capaz de passar a mensagem cultural que a sustenta. A identidade de cada um é feita nessa interdependência que temos uns dos outros. O nosso cérebro copia o que o cérebro dos outros faz e não sabe copiar o que as máquinas fazem. Falámos de homeostasia e de rupturas do equilíbrio, não podemos promover esse desequilíbrio.”

 


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publicado por pimentaeouro às 15:59
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