Conhece-te a ti mesmo... se puderes.

Segunda-feira, 26 de Dezembro de 2016
Amigo Carlos Alberto

Sinto a tua falta. Os teus pulmões não resistiram, a gripe dizimou-te com apenas 68 anos. Eras um homem bom, sensível, amigo do seu amigo, culto um contador de histórias. As palavras fogem-em, não consigo transmitir o que sinto. Já não tenho companhia para a conversa diária enquanto bebíamos um café. Estou mais só e triste.


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publicado por pimentaeouro às 11:46
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Segunda-feira, 28 de Novembro de 2016
Amizades virtuais
Resultado de imagem para realidade virtual
 
 
Gostava de saber o que são amizades virtuais mas, sinceramente, não sei. Podemos sentir empatia pelo que um pessoa escreve ou diz nas redes sociais mas isso normalmente diz-nos muito pouco sobre a personalidade dessa pessoa: a partir do que ele escreve ou diz podemos fazer conjecturas apenas.

Os livros de Saramago são uma coisa, Saramago, o homem, é outra coisa completamente diferente.

Há muitos bons escritores ou artistas de outras áreas que na vida real não são flores que se cheirem.

O mundo virtual dá-nos imagens  a partir de objectos reais mas os objectos não residem nas imagens que nos dão a ilusão de os estarmos a ver; um amigo virtual é sempre um desconhecido. As amizades são uma fina teia de relações, compromissos, cumplicidades, de solidariedade, levam tempo a construir mas às vezes perdem-se facilmente.

De alguns blogues que me visitam sinto empatia pelos seus autores mas, na verdade, desconheço inteiramente aquelas pessoas que podem ser simpáticas como as imagino ou não; o inverso também é verdadeiro.

Também elas podem imaginar-me como um velho simpático ou rabugento.

A dissolução dos laços sociais provocada pelas sociedades modernas empurramos para substituir as relações sociais pelas relações e pelo mundo virtual.

As amizades criam-se na infância e na adolescência, na escola, no trabalho ou à volta de uma mesa de café ou num almoço; nada as subsititue.

O Homo sapiens é demasiado complexo e contraditório para que o possamos conhecer através de um computador.

Uma miragem no deserto é uma ilusão de óptica, uma amizade virtual também.



publicado por pimentaeouro às 18:02
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Sexta-feira, 11 de Novembro de 2016
Sobreviventes

Restamos cinco: o António Gonçalves, o Catalão, o Henrique, o Chico e eu. Cada um de nós tem estados de saúde diferentes, os que estão com mais problemas são o António Gonçalves e o Catalão.

São amizades de há sessenta anos que resistiram à erosão do tempo e não se deixaram cair no esquecimento.

Éramos o grupo de xadrez do saudoso Café Esperança, na Av. Luísa Tody, onde «queimávamos» noites à volta dos tabuleiros. Umas vezes perdíamos, outras ganhávamos, sem rivalidades, em alegre convívio comentado e rindo das asneiras que cada um cometia.

Depois eram os passeios noturnos pela cidade adormecida e mal iluminada em cavaqueira divertida. Eramos todos joves e, paradoxalmente, naquelas divagações nocturnas não entravam relatos de «conquistas» nem a corte a raparigas da nossa idade.

Passaram alguns anos e fomo-nos dispersando conforme os empregos que arranjávamos: entravamos na mocidade, na vida activa e nos casamentos. Cada um de nós fez o seu percurso de vida e guardou na memória e nos afectos os anos dourados da adolescência. É uma recordação agradável que ainda hoje nos une.

Os nossos encontros (almoços) vão sendo mais espaçados conforme as agruras de cada um. Dos que partiram, o mais saudoso é o Ventura, tranquilo, afável e o mais inteligentes de todos nos.

Não tínhamos televisão,  computadores, Internet, telemóveis, etc. Tínhamos convívio, amizades sinceras e solidariedade.

O passar das gerações deveria ter feito melhores jovens, mais educados, mais cultos, com melhores relações interpessoais.

O velho Café Esperança desapareceu e no seu lugar está um... uma loja Mac Donald e é  com amargura que sou obrigado a dizer que a juventude que por lá passa não é melhor do que a da minha época, pelo contrário.

 


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Sexta-feira, 21 de Agosto de 2015
Os nossos melhores amigos

 

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O cão e o gato. Não são apenas amigos também prestam serviços, principalmente os cães e com as crianças derretem-se em amizade. A fidelidade canina não é um mito, habituam-se ao luxo e a casas pobres sem fazerem exigências.

Gostava de ter um cão, rafeiro que fosse, mas a morar num quarto andar, numa rua com transito, não tenho o direito de torturar um cão.

Parece que os portugueses urbanizados também gostam de cães e de gatos: todos? Parece que não. O ano passado foram abandonados cerca de 32 mil cães e  gatos, na realidade foram mais porque os municípios não conseguem localizar todos.

Levar  um amigo nas férias ou aturá-lo quando começa a envelhecer é muito chato: a amizade que se dane.

 

 



publicado por pimentaeouro às 00:49
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Sábado, 4 de Julho de 2015
Amigos de Torres Novas

 

A  amizade não tem o fogo das paixões, é serena, e não exige  a exclusividade do amor, pelo contrário, é plural. Os amigos são a família que escolhemos e ao longo da vida, infância, adolescência, juventude, idade adulta, vamos fazendo amizades diferentes; também acontece arranjarmos falsos amigos. As amizades da infância raramente perduram durante a vida e na velhice é raros fazermos novas amizades. Uma vida sem amizades é como um deserto, é um percurso em solidão.

 Cheguei a Torres Novas no ano de 1.954, com 19 anos, como uma espécie de emigrante. Vinha de uma terra pobre, Setúbal, para uma terra menos pobre e trazia na bagagem dois pesos, uma infância infeliz, sem mãe e sem pai, vivos, e uma adolescência triste: como a maioria dos portugueses vivi na pobreza envergonhada e triste, no conservadorismo serôdio do regime de Salazar

Já não me lembro como aconteceu, acabei por ser integrado num grupo de jovens da terra, mais ou menos com a minha idade, com duas ou três excepções. Amizades sinceras, solidárias, os nossos encontros de café eram uma mistura de conversas soltas e de convívio lúdico: a política não era tema das conversas e as namoradas, por estranho que parece, também não, nenhum de nós era salazarista ou do contra, com duas excepções; discutíamos cinema e o projecto de um cineclube, notícias dos jornais e um pouco, muito pouca, de futebol. Nenhum dos meus amigos de Torres Novas jogava xadrez como os amigos que tive em Setúbal.

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A irreverência e a rebeldia já tinham passado, serenamente, entravamos na idade adulta. Tínhamos os valores da época em que vivíamos, respeitávamos a família, as pessoas mais velhas e a palavra dada, a palavra de honra, era cumprida; ser honesto era uma obrigação.

Além dos amigos tive dois amores, os primeiros da minha vida, q e apesar de efémeros ainda hoje os recordo; por duas vezes a minha história de vida podia ter mudado mas o acaso, o grande forjador  dos nossos destinos, não quis.

Quando o Francisco Canais e o António Graça foram para a clandestinidade no PCP, creio que a surpresa foi geral, para mim foi completa e um acto que não compreendia com a minha ignorância política total.

Escrevo à distância de 60 anos,  sem nada que apoie a minha  memória.  Grupo heterogéneo nas profissões, unido pelos afectos da mocidade. A morte, lei inexorável da vida, já levou quatro amigos e dentro de breves anos não restará nenhum de nós, geração de uma época do passado. O que fizemos nós com a vida, o que fez a a nossa geração? Isso é outra história mais difícil de contar.

 

Deste grupo de amigos, António Graça merece uma referência especial.

Faleceu prematuramente há cerca de 15 anos. O teu ar modesto escondia a tua inteligência e uns óculos de lentes grossas escondiam um olhar perspicaz.

Conversador inato, era um prazer ouvir-te e raramente falavas da tua militância no P.C.P., da tua vida na clandestinidade e da prisão. Foste dos presos mais torturados e nada em ti fazia transparecer aquele sofrimento: foste  um herói anónimo de Abril.

 

 


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publicado por pimentaeouro às 20:58
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Quarta-feira, 20 de Maio de 2015
Amizade

“Aos sempre lembrados Dulce e João. Claudina e António. 19.07.1.965” É a dedicatória num livrinho “Um gato à chuva, de Hemingwai”, pelos meus trinta anos.

Dulce, a minha primeira mulher já faleceu e não foi feliz comigo, culpa minha. António Gonçalves é um amigo da adolescência vivida em Setúbal, Claudina só a conheci quando se casaram.

Jogávamos longas partidas de xadrez e perder ou ganhar era indiferentes, o que nos interessava era o prazer de jogar.

O António teve um AVC há cerca de dez anos e hoje tem a mobilidade muito limitada, vendeu o automóvel por já não ser capaz de conduzir. Ele, o Catalão, coração de ouro, e o Henrique, um garfo e um copo de primeira classe, são os amigos que restam, os outros já faleceram.

Voltando ao livrinho, naquela época distante eram as prendas que se davam pelos aniversários e pelo Natal. Quem as quererá receber hoje?


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publicado por pimentaeouro às 10:30
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Segunda-feira, 16 de Setembro de 2013
Amizade #2

 

 


Restamos cinco: o António Gonçalves, o Catalão, o Henrique, o Chico e eu. Cada um de nós tem estados de saúde diferentes, os que estão com mais problemas são o António Gonçalves e o Catalão.

São amizades de há sessenta anos que resistiram à erosão do tempo e não se deixaram cair no esquecimento.

Éramos o grupo de xadrez do saudoso Café Esperança, na Av. Luísa Tody, onde «queimávamos» noites à volta dos tabuleiros. Umas vezes perdíamos, outras ganhávamos, sem rivalidades, em alegre convívio comentado e rindo das asneiras que cada um cometia.

Depois eram os passeios noturnos pela cidade adormecida e mal iluminada em cavaqueira divertida. Eramos todos adolescentes e, paradoxalmente, naquelas divagações nocturnas não entravam relatos de «conquistas» nem a corte a raparigas da nossa idade.

Passaram alguns anos e fomo-nos dispersando conforme os empregos que arranjávamos: entravamos na mocidade, na vida activa e nos casamentos. Cada um de nós fez o seu percurso de vida e guardou na memória e nos afectos os anos dourados da adolescência. É uma recordação agradável que ainda hoje nos une.

Os nossos encontros (almoços) vão sendo mais espaçados conforme as agruras de cada um. Dos que partiram, o mais saudoso é o Ventura, tranquilo, afável e o mais inteligentes de todos nos.

Não tínhamos televisão,  computadores, Internet, telemóveis, etc. Tínhamos convívio, amizades sinceras e solidariedade.

O passar das gerações deveria ter feito melhores jovens, mais educados, mais cultos, com melhores relações interpessoais.

O velho Café Esperança desapareceu e no seu lugar está um... uma loja Mac Donald e é  com amargura que sou obrigado a dizer que a juventude que por lá passa não é melhor do que a da minha época, pelo contrário, é pior.

 


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publicado por pimentaeouro às 12:14
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Sexta-feira, 31 de Agosto de 2012
Convite



Estou sentado no pequeno café da Casa Agrícola Horácio Simões, na Quinta do Anjo. A tarde corre lenta sem grande calor.

O café é uma mistura de mostruário dos produtos agrícolas da casa, principalmente: vinhos, doces, bolos caseiros, etc. A esplanada, ao fundo, tem o inconveniente de ser quente, muito exposta ao Sol: poucas pessoas, conversas calmas, sussurradas: a calmaria do verão.

Não posso beber, mas convido todos os amigos e amigas para um café e um cálice de moscatel rocho que não é apenas uma raridade mas uma bebida deos Deuses.

Pago eu. 



publicado por pimentaeouro às 22:34
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