Conhece-te a ti mesmo... se puderes.

Segunda-feira, 12 de Junho de 2017
6º. encontro de bloggers

6º. Almoço dos Bloggers (Lisboa)


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publicado por pimentaeouro às 22:35
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Domingo, 14 de Maio de 2017
Blogosfera

Pesquisar páginas na blogosfera é uma tarefa pesada, é elavado o numero de blogues desativados que os seus autores não se dão ao trabalho de eliminar.

É uma forma de poluição.


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publicado por pimentaeouro às 19:07
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Quinta-feira, 9 de Fevereiro de 2017
Confusão

Na minha cabeça. Visito alguns blogues (o segredo é a alma do negócio) e encontro alguns posts abolutamente irrelevantes com mais de 150 e mais de 200 visitas. 

Algo está mal na blogosfera ou sou eu que estou mal?.


sinto-me:

publicado por pimentaeouro às 18:53
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Domingo, 17 de Janeiro de 2016
Do blogue Inês

Mulheres

 

Não sou feminista. Nunca fui. Não pretendo a igualdade entre géneros. Até porque acho isso perigoso e impossível, dada as diferenças entre a vida de um elemento do sexo feminino e a vida de um elemento do sexo masculino. Para começar, não me apetece nada ir para as obras, nem andar a pendurar quadros cá em casa e parece-me que um homem também não tenha vontade de ter filhos (e mesmo que tivesse, não me parece que essa vontade chegasse para transformar o seu corpo). Existem várias coisas em que nos tornamos diferentes (homem e mulher, entenda-se), e claro que eu sei que isto é reduzir uma causa (a das feministas) a nada. Mas parece-me de um fundamentalismo enorme querer reduzir estas diferenças à igualdade.

 

Ouço muitas vezes, porque deixei a minha profissão de lado para ficar a cuidar da minha criança, que estou a contribuir para a desigualdade. Então, suponho, que ao fim de 15 dias em casa com um bebé a mãe tenha de o entregar aos cuidados de pessoas externas porque, assim como o pai, tem de voltar ao trabalho. Fui despedida por estar grávida. Nem assim me pareceu adequado lutar por uma igualdade em que não acredito. Claro que achei das coisas mais estúpidas que se pode fazer a alguém, que está a contribuir para a natalidade do país, e uma forma de descriminação para com as mulheres. Mas também existe formas de descriminação contra os homens...Somos diferentes. Mesmo uma mãe que trabalha mete baixa quando um filho fica doente. Não sei se isto é um pré-conceito meu, e também sei que há homens que assumem a posição de pai e mãe quando assim são obrigados. Tenho um amigo que assumiu a filha sozinho, uma vez que a mãe não a quis. Mas isto é uma excepção à regra. A mãe faz falta (o pai também, claro), mas nos primeiros tempos de vida, são os cuidados da mãe de que o bebé mais precisa.

 

Talvez por ser psicóloga (clínica, da área psicodinâmica) acredito que a ausência da mãe, nos primeiros meses de vida da criança, traz diversos problemas de desenvolvimento no futuro dessa mesma criança.

 

Claro que concordo com outras premissas do feminismo, mas isso deve-se sobretudo a ser uma cidadã que acredita nos direitos humanos. Nunca fui de extremismos...nem penso que a mulher é menos que o homem, nem que o homem é menos que a mulher. E até penso que isto de feminismo é o assumir que somos inferiores. Eu não fui educada assim. Eu fui educada para gostar de ser mulher. E gosto. Penso que é cansativo sê-lo, mais cansativo do que ser homem. Mas nunca ninguém me desacreditou ou me tratou mal por ser mulher. Talvez haja quem tenha a experiência contrária. 

 

Acho que quem é homem deve gostar de sê-lo, sempre tratando as mulheres com respeito.

Acho que quem é mulher deve gostar de sê-lo, sempre tratando os homens com respeito.

 

Agora isto do respeito vem muito da nossa educação. 

 



publicado por pimentaeouro às 09:03
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Sábado, 27 de Junho de 2015
Leituras

Gostava de perceber quais são os critérios de selecção do Sapo para a secção "Leituras" dos blogues.

O que lá encontro são frases do Facebook,  vídeos,  raramente um post com texto  e o mesmo blogue seleccionado frequentemente, o que não deve acontecer por acaso...

Uma decepção.


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publicado por pimentaeouro às 22:42
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Quinta-feira, 27 de Novembro de 2014
Do blogue Nação Valente

Um estranho na cidade grande

Menos aborrecimento deu uma outra maria que se deixou iludir por um maltês, que fazia parte da trupe do alcatroamento da estrada. Uma noite, saiu discreta, arrastando os tamancos e a mãe comentou " a nossa filha vai com um qualquer. Só sei que deixou um cheiro a estrada acabada de alcatroar".

O meu pai, tirou uma fumaça do cigarro de onça que tinha acabado de enrolar : deixa-a ir mulher pela estrada que escolheu percorrer e para nós sempre é menos uma boca para alimentar. E estava certo. Desde esse longínquo dia em que essa maria saiu sem se despedir, com o tipo que cheirava a alcatrão fresco, nunca mais se soube do seu paradeiro. Mas não vi grande tristeza com a sua partida, até porque pelo volume da barriga da mãe vinha mais uma alma a caminho para ocupar o seu lugar à mesa.

Nesse dia não imaginava, nem em sonhos, que seria o próximo a abalar. Estava confortável com a vida que tinha. Guardava o pequeno rebanho e na quietude bucólica dos montes, enquanto os animais pastavam, falava com gente de outras paragens que vivia  enclausurada em páginas de livros. Eram pessoas que se manifestavam em letras de forma e que me acompanhavam na solidão dos longos dias. Todas as semanas os livros chegavam ao largo principal numa carrinha que se chamava biblioteca Gulbenkian.

sai daí malhadinha

Nesse dia, depois de recolher o gado, estava eu embrenhado nas peripécias das Pupilas do Senhor Reitor, a minha mãe levou-me a visitar um senhor de bom traje e finos modos que nunca tinha visto “o senhor José Francisco que vive há muitos anos na capital, e que está de passagem, quer conhecer-te” O primeiro homem que conheci que não se chamava Zé, começou a falar com frases de fino recorte, émulas daquelas que eu pensava que só eram permitidas aos habitantes dos livros

Tu não me conheces porque quando saí desta aldeia de certo vivias no limbo da existência. Perdi o medo que nos tranca a vida nos portões de castelos de mediocridade. Comi o pão que o diabo amassou. Com perseverança, trabalho enfrentei o destino que me colocou nesta terra onde nem judas quer viver e venci. Hoje comando uma secção de uma grande indústria, mas não esqueço as minhas origens e quero ajudar os que querem ter futuro.

Esforcei-me por seguir o raciocínio, mas perdi-me por entre o labirinto de estranhas palavras. Mais tarde percebi que o senhor José Francisco falava mais para si do que para mim ou para a minha mãe. Quando terminou este discurso olhou-me nos olhos e perguntou:

-Ó rapaz tu queres ir para Lisboa?

Tenho um amigo de infância que é dono de uma mercearia e precisa de um marçano para fazer entregas aos clientes. Cama, comida e roupa lavada e a vida toda à tua frente. E a minha mãe “vai Zé que aqui não passarás da cepa torta”

Fui com o senhor José Francisco que me entregou ao dono da mercearia Flor da Estrela. O meu patrão que passara de Zé a José, instalou-me num pequeno anexo da loja com um divã de rede de arame e uma pequena mesa. A minha formação foi simples e rápida: tinha de me levantar às seis da manhã para ajudar o senhor José a transportar os frescos do mercado abastecedor. À nove começava a distribuir mercadorias pedidas pelas madamas. Cabaz bem cheio em cima do lombo, escada acima, escada abaixo, todo o santo dia

aí está o que pediu madame Lucrécia

Às sete depois de fechar a loja fazia a limpeza, comia um jantar frugal, e lá para as nove, caía no divã como tordo entalado em esparrela. E quando me mostrava mais exausto o senhor José dizia, “também já passei por isso e sobrevivi. Ainda hoje dou no duro porque não sou nenhum fidalgo.

Ó rapaz, onde tens a cabeça, pedi arroz e trazes sabão macaco?

A primeira carta que enviei à minha mãe e que mantenho como recordação desses tempos de infância perdida escrevi:

Querida mãe desejo que esta a vá encontrar de boa saúde, na companhia da restante família. Eu fico bem graças a Deus . (esta do fico bem é aquilo a que se chama um lugar comum, a seguir desmentido) Estes primeiros dias têm sido muito ruins. Carrego cabazes pesados às costas com produtos para as senhoras finas. Ao fim do dia quase que não sinto as pernas e só quero deitar-me e até chego a ter saudades da vida de moiral.. A cidade é muito grande e sinto-me um estranho e um capacho de gente importante

Desculpe dona Lucrécia, vou repara o engano

E a minha mãe na resposta “ meu querido filho, nós bem graças a Deus (segue-se uma demorada descrição de cada um dos elementos da família) …se essa vida é tão dura volta pra casa, ainda cá tens o teu prato e o teu garfo” e eu na resposta “querida mãe e querido pai…por cá trabalho que nem um moiro, mas voltar para o rebanho não vou voltar, custe o que custar”.

E não voltei. Aguentei firme. Fiz quilómetros de escadas, gastei solas e meias solas que os tempos eram de poupança. Anos depois subi na hierarquia. Cheguei a caixeiro. Comecei a estudar à noite. Não me via toda a vida atrás do balcão e nem me imaginava a acabar os meus dias como merceeiro. Aos domingos, ia vender bebidas para os jogos de futebol. Escrevi, , então,. à minha mãe para a convidar a ir à venda do Zé Picoito à hora do relato, para me ouvir falar na rádio..

A minha mãe que nunca mais me tinha posto os olhos em cima disse à senhora Laurinha do posto dos correios, , para lhe pôr na carta que tinha ido ouvir-me como combinado: “meu filho, os homens que escutavam o relato, começaram a mangar comigo

olha a laranjada fresquinha

eu disse-lhes “ venho ouvir o meu Zé” e eles “o seu Zé vai falar na rádio?” Ah ah ah

atenção Amadeu, atenção Amadeu,

E eu ouvi-te e conheci a tua voz e eles “pois ouviu- apregoar as bebidas sabe lá se é o seu filho, um entre muitos?”

olha a gasosa fresca.

Eu sei que é o meu filho, conheci-lhe a voz. Labregos, invejosos, mortos de fome é o que são.

diz Artur “ penalty a favor do Sporting”

Outras cartas foram e vieram. Outros pregões se gritaram nos campos de futebol. No ensino nocturno fui aprendendo e conhecendo novas realidades. E a adolescência chegou. Comecei a ver as madamas com outros olhos. Reparei em pormenores que antes me escapavam. A dona Regina na sua camisa de dormir transparente, a dona Aninhas, mulher do senhor deputado da Assembleia Nacional de grandes olhos negros e seios a querer saltar pelo decote ousado, que tinha um tratamento especial. “Olha que o senhor deputado é tu cá, tu lá com o doutor Salazar que Deus o proteja, porque nos livrou da guerra e do comunismo”. Estas e outras alumiavam-me a existência nas noites solitárias.. Com todo o respeito. Pecado apenas em pensamento.

Admito que o doutor Salazar nos tenha livrado da Segunda Guerra Mundial, mas a mim não me livrou de outra guerra, a colonial. Como mancebo da nação fui aprovado para ingressar nas forças armadas da nação. Como todos, incluindo os coxos, deram-me uma espingarda e mandaram-me combater.

Angola é nossa, rádio Moscovo não fala verdade

Outras cartas, levaram saudades, trouxeram mágoas, dores de velhice, alegrias breves. Correspondi-me com muitas marias, ditas madrinhas de guerra. Quando chegava o correio aquelas paragens , que eram imitações do inferno, havia uma consolação breve e passageira , nas palavras doces gravadas em aerogramas.

voltei da guerra são e salvo, como alguns, que não todos

E Salazar caiu. E o salazarismo continuou. E o paíscontinuou, convictamente pobre, e sobretudo acomodado a um destino sem horizontes. E a emigração despovoou os campos e inventou “bidonvilles” e inundou estradas de automóveis em “vacanças”.

 

Continuei a estudar que o saber não ocupa lugar. Perdão pelo lugar-comum. Consegui habilitações que se traduziram em promoções profissionais. Mas continuei simplesmente Zé. Vivendo em quartos alugados, como e com outros zés. Quando visitava a aldeia vinha sempre a mesma conversa. Ó Zé afinal quando casas? Ficas velho, as moças não te querem ou vê lá se arranjas aqui uma das nossas. Essas moças das cidades não são de confiança. E eu a pensar a vida é uma rotina. Nascer, Crescer, Procriar e partir para outra ou como se diz na gíria “ir desta para melhor”. Para melhor? Sei lá! Amanhã penso nisso. Hoje tenho uma história para continuar.


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publicado por pimentaeouro às 13:17
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Quinta-feira, 6 de Março de 2014
Estatisticas

 Há tres ou quatro meses  o Sapo criou uma nova funcionalidade com o mone de Estatisticas que fornece algumas informações úteis sobre o «trafico» de visitas aos nossos blogues.

O resumo mensal das estatisticas do meu blogue deu-me uma surpresa de que eu já desconfiava: são os posts de cunho pessoal que recebem mais visitas.

Na estatistica do mes de Fevereiro o post "Vivi assim... mais ou menos é o mais visitado. A outra surpresa é que este post foi escrito ao sabor da pena tentando resumir alugumas etapas da minha vida através de metáforas ligeiras.

 Se a estatistica está certa, parce-me que existe mais vida para além da vida na blogosfera.

 

 

 

a


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Terça-feira, 21 de Janeiro de 2014
Do blogue Golimix

Esta é a segunda fase dos meus relatos das experiências passadas com meus pais. Deixei este para último porque é o mais difícil de escrever e o mais difícil de recordar, já que não é só uma recordação mas algo que ainda sobrevive ao dia-a-dia.

 

Em  agosto de 2012, e depois de muitas peripécias que qualquer dia contarei, foi diagnosticado ao meu pai, nos Hospitais de Coimbra, uma Demência de Corpos de Lewy, que qualquer pesquisa simples na net vos elucidará do que se trata. Menos frequente que o Alzheimer e com progressão mais rápida e igualmente difícil, quer para o portador da doença quer para os seus familiares. E chega a um ponto que sobretudo para os seus familiares.

 

Podem dizer-me "Faço ideia do que estás a passar". Eu respondo a esta frase, não. Não fazem a mínima ideia do que é ver o nosso pai (neste caso) ser portador de uma demência. Do que é vê-lo a não ser ele, do que é vê-lo a ir-se e o seu corpo ainda estar presente. Dói mais do que a morte. Porque é uma morte lenta e insidiosa. Leva-o todos os dias. Tira cada dia um pouco e cada dia o leva para mais longe. Não é ele que está ali...

 

Alguém me dizia aqui há uns tempos. Não digas isso, ainda o podes abraçar. É verdade. Ainda o posso abraçar, ainda tolera os abraços que nunca me deu e agora dá, porque agora não tem o travão mental de não demonstrar carinho. Ainda tolera abraços porque ainda me conhece, ainda não está agressivo. Mas que preço tem este abraço? Um preço que não vale a pena pagar... Estarei a ser crua ou realista de mais? Vejo as coisas de dentro e não de fora. Tão simples quanto isso.

 

Este tipo de Demência está associada a sintomas Parkinsónicos. Ambas as doenças são de cariz neurológico e associadas a geriatria mas como exibem alterações de comportamento levam a um internamento na psiquiatria. Se tem ou não lógica não sei. O certo é que o serviço de neurologia não está preparado para receber estes doentes e não existe outro serviço adequado para pessoas que necessitam de uma vigilância constante, quer pelo seu sentido de orientação alterado, quer pela sua parte cognitiva já com muitas falhas. E é deste serviço, da psiquiatria de um Hospital em Trás-os-Montes, um grande Hospital considerado de "qualidade", onde o meu pai esteve internado que vou falar o que muitos calam. Calam por vergonha de dizer que estiveram lá internados, por vergonha de ter tido um familiar lá internado, por pruridos de uma sociedade hipócrita e mesquinha.

 

Ao entrar naquele serviço parece que recuamos no tempo. Depois de questionar algumas pessoas, nomeadamente profissionais de saúde que trabalham em outros locais e nesta área, pude constatar que felizmente não é frequente a existência de locais que funcionam como aquele serviço em particular, género psiquiatria de há um século atrás. Ali as mulheres e homens estão no mesmo espaço físico, à noite estão em dormitórios separados mas de dia não. Outra particularidade é que os doentes durante o dia não têm acesso à sua enfermaria, o que dificulta o acesso aos seus pertences, como roupa e produtos de higiene. Ali não se lava os dentes a menos que se ande com a escova e pasta à tiracolo. Não se tem roupa própria, porque nem sei se existe onde a guardar, já que não vi as enfermarias, e me disseram para não levar a roupa dele. Disseram que tinham pijamas no serviço e fatos de treino e tudo o que fosse preciso. Ok...

 

O que se vislumbra são pijamas a cair pelas pernas abaixo dos utentes, e se há os que conseguem ir puxando a roupa atempadamente, há os que, por força da lentidão produzida pela medicação não o conseguem fazer, portanto estão a ver o aspecto que dá pessoas com as calças a cair e com ar de que não estão bem neste mundo?

Além disso, todas as patologias também estão juntas, é tudo ao molhe e fé em Deus. Quem é internado por uma depressão sai dali mais deprimido, isso é certo. Terapeuticamente controlado, mas mais deprimido. Como não se podem deitar, porque as enfermarias estão fechadas se bem se lembram, e a medicação dá pedrada vemos pessoas deitadas pelos cadeirões num desconforto que dá dó. O ar andrajoso que transmitem é gritante. Cheguei a ver um senhor no chão do corredor a bater com a cabeça na parede e ali esteve um bom bocado.

 

A única casa de banho que serve todos os utentes tem o papel higiénico fora da proteção, exigida num estabelecimento público, que estava ausente e pelo que constatei há muito partida. A figura em que estava o papel higiénico, que andava nas mãos de todos, estava indescritível! O aspecto físico degradante do serviço era notório! E era notório que era um serviço esquecido há muito pela administração do Hospital que sabe que doentes psiquiátricos não se queixam e se o fazem ninguém lhes dá crédito. Triste, mas a pura realidade. E triste que a própria sociedade também parece forçar a esse esquecimento. Pois bem, ninguém está livre, isso assusta não é? Não fujam porque o que têm medo ainda vos pega!

 

Num dos dias quem que visitei meu pai ele estava vestido com um roupão que tenho a sensação que nem o meu cão se deitaria ali! Aliás, tenho a sensação quem nem um cão de rua se aproximaria daquilo! Se o roupão lhe tirou o frio e providenciou o conforto necessário? Acho que sim. Mas e a dignidade humana? Mesmo sujeita a perder um roupão vesti-o com outra coisa que não aquilo! Soube depois que outros doentes se encarregavam de ajudar o meu pai a não perder o acessório.

 

E agora o que mais me custou. Estive uns dias sem realizar a visita. Habito longe e tive que trabalhar. Quando fui lá constatei o que a minha prima me dizia pelo telefone. O seu estado era deplorável! Ele necessita de ajuda para realizar as actividades mais básicas como o cuidar da sua higiene. Fá-lo, mas precisa de ajuda. Precisa de ajuda até para lavar a cara e escovar os dentes. Que se lhe diga "agora lave a cara", e ele lava. "Agora escove os dentes". Embora tenhamos que colocar a pasta e dizer quando bochechar e cuspir fora. A cara dele não era lavada há séculos!!! Estava cheia de crostas, unhas sujas, dentes cheios de comida,... a descrição pode estar a ser nojenta, mas foi com esse aspecto mal cuidado que o encontrei!

 

No dia da alta para o vestir mandaram-nos para a tal casa de banho usada por todos os utentes (foi aí que eu vi o estado da coisa) para vestir um senhor de idade, com dificuldades motoras, que não tinha onde se sentar para se vestir e que tinha dificuldade em estar de pé. E nem que não tivesse! Felizmente levava companhia para nos ajudar. Penoso... custava ter-nos levado a uma enfermaria? A um lugar mais aprazível do que aquele?

 

Trabalhar ali não deve ser fácil. Num serviço rejeitado e com rejeitados pela sociedade. É o que vi. Se há bons e maus profissionais, claro! Como em todo o lado. Não me esqueço, no entanto, de uma situação em específico numa das minha deslocações para a visita. Não esqueço da cara da besta, desculpem o termo, mas não tenho outro melhor e que descreva tão bem a energúmena, que ao me abrir a porta do serviço sempre fechado à chave, se apercebe que o meu pai está atrás dela, e ela não sabia que aquele era o significado da minha presença, se vira para ele com ar agressivo e diz "Chegue para lá quero abrir a porta!" depois olha para as suas calças pingadas de sopa, que faz notar a sua falta de destreza, e diz com ar arrogante "Olhe para aí todo sujo e pingado! Que vergonha!". Não vou dizer o que me apeteceu fazer àquela não-pessoa, que fez meu pai olhar com ar confuso para as calças e ansioso para mim. O que fiz foi entrar, passando pela cavalgadura, segurar o meu pai e levá-lo até à entrada da casa de banho de onde tirei um papel e lhe limpei as calças. Podem imaginar o ar com que a peça ficou ao ver que era por "aquele" a razão que eu estava ali.  

 

Ele detestava estar ali e eu detestava que ele ali estivesse. Dizia que o tratavam mal, mas não conseguia explicar as situações.

Espero não voltar a precisar daquele serviço mas sei que poderei vir a precisar... O que fazer? Escrever? Falar? Não sei. As minhas energias não dão para todas as lutas.

 

Neste momento tenho que lidar com o meu pai institucionalizado, e que não sabe que é ali que vai ficar... Que pensa que um dia irá voltar à sua casa que fez com as suas mãos. Como lhe explicar o que ele não entende? Como lhe dizer que ali é onde ele está melhor? Ali tem a vigilância que precisa, os cuidados que necessita e até o carinho que lhe faz bem. Até agora nisso parece que tivemos sorte... Alguma há que tentar chegar até ele.

 


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publicado por pimentaeouro às 23:29
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Terça-feira, 17 de Dezembro de 2013
Comentários

Todos gostam de receber, eu também, fazem bem ao ego. A nova funcionalidade do Sapo (estatísticas) permite tirar algumas conclusões acerca dos comentários. Para minha surpresas os post sobre a dor, Cefaleia de Orton ou do Trigémeo e biografias de personalidades do meu tempo, hoje pouco conhecidas, são visitados.

No caso das bigrafias, talvês estejam a interessar a visitantes jovens, Se assim for, já não dou o meu tempo por perdido.   


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publicado por pimentaeouro às 20:29
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Quinta-feira, 21 de Novembro de 2013
Amizades virtuais



Gostava de saber o que é uma amizade virtual mas, sinceramente, não sei. Podemos sentir empatia pelo que um pessoa escreve mas isso normalmente diz-nos muito pouco sobre a personalidade dessa pessoa: a partir do que ele escreve podemos fazer conjecturas apenas.

Os livros de Saramago são uma coisa, Saramago, o homem, é outra coisa completamente diferente.

Há muitos bons escritores ou artistas de outras áreas que na vida real não são flores que se cheirem.

O mundo virtual dá-nos imagens simuladas a partir de objectos reais mas o objecto não reside nas imagens que nos dão a ilusão de o estarmos a ver.

De alguns blogues que me visitam sinto empatia pelos seus autores mas, na verdade, desconheço inteiramente aquelas pessoas que podem ser simpáticas como as imagino ou não.

Também elas podem imaginar-me como um velho simpático ou rabugento.

A dissolução dos laços sociais provocada pelos sociedades modernas empurramos para substituir as relações sociais pelas relações e pelo mundo virtual.

O Homo sapiens é demasiado complexo e contraditório para que o possamos conhecer através de um computador.


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Segunda-feira, 11 de Novembro de 2013
Agradeço à equipa do SAPO

Uma amiga lembrou-me que o meu blogue está em destaque no SAPO. Foi uma surpresa, não estava mesmo à espera. Obrigado à equipa do simpático bactráquio. 

 

 


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Segunda-feira, 29 de Julho de 2013
Vaidades

Olá pimentaeouro,

sapo, deixou um comentário ao post Teorias da conspiração às 18:10, 2013-07-29.

Caso pretenda responder a este comentário, poderá fazê-lo, usando este link.

Comentário:
Boa tarde,

O seu post está em destaque na área de Opinião da homepage do SAPO.

Atenciosamente,

Catarina Osório


Estas coisas fazem bem ao meu  ego {#emotions_dlg.smile} e , creio, que ao ego de qualquer pessoa.

Nunca me tinha acontecido ser destacado na homepage do SAPO.

A minha cotação deve ter subido algures, em qualquer lado, que não sei onde fica. É melhor assim.

 

 

 

 

 

 

 

 


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publicado por pimentaeouro às 22:52
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Quarta-feira, 29 de Maio de 2013
Do blogue convence-me

Toda a nossa caminhada na vida é muito pautada por ela, ou não? Trabalhamos arduamente para ter estabilidade! Financeira. Liberdade de movimentos. Estudámos antes. Sacrificando-nos(acima da média) se as possibilidades são escassas. Os nossos pais se esforçam e mais tarde nós o fazemos, para dar educação aos filhos. E tudo, para que tenham mais que nós. Nisso se incluí a estabilidade! Procuramos grande parte da vida alguém que nos entenda. Ame. Acompanhe. Seja quem nos proporcione alguma felicidade.  Sobre tudo o quê? Estabilidade emocional. No fim do dia, percurso, é bom saber com o que se pode contar! Emigramos, terminada a derradeira esperança. E saímos do país para singrar na vida, por quê? Mais estabilidade! Depositamos os nossos "bens" num banco. Com algumas dúvidas, mas com vista a: Multiplicá-los para que um dia a estabilidade mínima, ou abundante, nos bafeje.  Passamos uma vida de correria, a pensar no dia em que felizmente poderemos descansar, sonhando com uma estabilidade quase etérea, que nos dá alento para encarar a rotina.

E no entanto: Há quem defenda que esta estabilidade é um insulto! Críticam-na, baseados em que aspectos? Num grande número de pessoas que durante toda a sua vida, queriam ser diferentes. Ter outra realidade. Mas isso não quer dizer que o que têm/conquistaram não seja o que lhes convêm, por isso o mantêm! Se há quem troque tudo pondo em jogo toda a estabilidade da vida, numa mesma existência de risco, perigo e excitação... Outros há que gostam de ter o seu esquema alinhado. Não é por isso que nãosão também loucos, de quando em vez, deixando todos de boca aberta. Não sei se estou certa, mas se o ser humano não fosse "feito" para viver em comunidade, dependesse também dos afectos... De muitas premissas par se sentir minimamente realizado, no pouco ou muito que conseguiu alcançar, então sim! Poderia deitar tudo a perder num minuto de loucura, vício, ou satisfação do seu ego egoísta. E há muitos momentos em que se arrisca... Atéresulta! Porém no fundo, confessem-me: Quem o faz, e durante todo o tempo, não teme ser descoberto?" Quem se "atira" sem temer verdadeiramente, consequências, presentes ou futuras? Quem já não se atreveu em demasia e não chorou amargamente a "estabilidade" perdida, quer emocional, financeira ou hipotecou levianamente o seu futuro? Muitos, sim não duvido. Ou os completamente livres. Mas poderá chamar-se liberdade nãopartilhar a vida e as suas alegrias, ou decepções, com ninguém só para se poder ser quem se "inventou" que seríamos? Nada dura para sempre. E a vida não é só uma "fantasia"... Ou várias! Até a existência repleta de adrenalina, mas vazia de vozes e olhares cumplices, cansa. Ou aquela que mantida constantemente numa mentira, se prolonga até deixarmos de reconhecer onde está a verdade. Quem passámos a ser... O "homem" para poder ser um todo necessita, minimamente, de ser estável. Saber que no limite do "desastre", haverá sempre uma "almofada" de ar respirável. E de ela também fazem parte os braços de quem respeitamos! Amamos. Pomos acima de todas as aventuras. Quimeras, que possamos encerrar cá dentro. Se a vida fosse uma inconsequência permanente, viveríamos ainda todos numa árvore.

 

Fátima Soares


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publicado por pimentaeouro às 11:19
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Domingo, 17 de Fevereiro de 2013
Novidade

Pelo menos para mim. Consta em certos meios académicos que os blogues estão em decadência. Será a concorrência do Facebook?


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publicado por pimentaeouro às 23:34
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Quarta-feira, 5 de Setembro de 2012
Agradecimento

 

 Agradeço à equipa do SAPO a selecção do texto touradas.

Estas coisas fazem bem ao eugo...

 

 


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Sabia da estratégia do contar das histórias, mas n...
Que seja um bom dia.
Pertence à literatura medieval alemã. Frades liber...
Que maravilha para começar o dia!!!
Teve a sorte de ter uma boa professora e declamado...
Gosto muito deste poema.Tive a sorte de no 10º e n...
Já os vi na televisão e em sonhos :)
Mas teve o trabalho de pesquisa ;)
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