Conhece-te a ti mesmo... se puderes.

Segunda-feira, 13 de Fevereiro de 2017
A mão invisível

A mão invisível do mercado rege o mundo. Isto é a velha história que nos contam, mas talvez não seja assim. Quando os mercados eram de âmbito nacional talvez se pudesse acreditar na mão invisível mas nos mercados internacionais e com  globalização não há lugar para a mão invisível.

 

“As actividades dos homens de qualidade não são as mesmas dos pobres. Os primeiros trabalham com o cérebro, os últimos com o corpo. Os que trabalham com o cérebro governam os outros; os que trabalham com o corpo são governados. Os que são governados sustentam os outros; os que governam são sustentados pelos restantes” Meg-Tzu (Mencius) século IV  a. C.

 

Foi uma pena que Adam Smith ao escrever a bíblia do liberalismo económico se tenha inspirado nas modernas, na época, teorias de Newton em lugar de seguir os velhos ensinamentos do filósofo chinês: teria sido evitada muita exploração que só serviu o luxo e o egoísmo.

A segunda coisa que temos a lamentar, é que o Sapiens Asno não tenha sabido, até hoje, organizar e governar as sociedades em que vive: tanta tecnologia de ponta não tem evitado a acumulação de riquesa e a pobresa e miséria.

 

 

 


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publicado por pimentaeouro às 12:08
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Sexta-feira, 3 de Fevereiro de 2017
... por linhas tortas

Trump é um populista desbocado... no mínimo. Feita a minha declaração de interesses vamos ao que importa.

No seu estilo Trump acusa a Alemanha de dois coisas: o excesso de exportações prejudica os restantes países da U.E; a Alemanha pressiona o BCE para manter o euro subvalorizado em benefício das suas exportações.

É o que os parceiros da Alemanha reclamam a cerca de duas décadas, sem qualquer sucesso.

Pode ser que Trump nos ajude.



publicado por pimentaeouro às 20:02
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Domingo, 8 de Maio de 2016
Deviamos ir para a rua

Protestar, é muito grave.

Acordo comercial entre UE e EUA divide maioria governamental

Bloco e PCP rejeitam o TTIP que está a ser negociado entre a Comissão Europeia e os EUA. O PS apoia a negociação em curso. Antigo responsável pela pasta, do PSD, diz que um falhanço das negociações "custará caro à Europa"

 
No ano passado, em Berlim, protestos contra o TTIP 

Transatlantic Trade and Investment Partnership. Este é um daqueles temasem que a maioria de esquerda concordou em discordar. As posições são claras. O Bloco tem já um rascunho de resolução para rejeitar o acordo no Parlamento, caso este venha a ser alcançado nas reuniões entre a Comissão Europeia e os EUA, que já vão na 13ª e inconclusiva ronda. A deputada Carla Cruz, do PCP, afirma ao PÚBLICO que, "obviamente", o partido "votará contra a ratificação por parte de Portugal".



publicado por pimentaeouro às 12:05
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Quarta-feira, 20 de Janeiro de 2016
O progresso no seu melhor

A "4ª revolução industrial" vai destruir 5 milhões de empregos

Sem uma atuação urgente "os governos vão enfrentar um desemprego crescente constante e desigualdades", segundo um estudo do World Economic Forum

A quarta revolução industrial, que implicará a perda de cinco milhões de empregos nos próximos cinco anos nas principais economias mundiais, vai ser o tema principal do Fórum do World Economic Forum (WEF) que começa esta quarta-feira em Davos, Suíça.

Além da perda de cinco milhões de empregos nos próximos cinco anos em todo o mundo, a quarta revolução industrial provocará "grandes perturbações não só no modelo dos negócios, mas também no mercado de trabalho nos próximos cinco anos", indica um estudo do WEF, que organiza o Fórum de Davos.

Depois da primeira revolução (com o aparecimento da máquina a vapor, da segunda (eletricidade, cadeia de montagem) e da terceira (eletrónica, robótica), surge a quarta revolução industrial que combinará numerosos fatores como a internet dos objetos ou a "big data' para transformar a economia.

"Sem uma atuação urgente e focada a partir de agora para gerir esta transição a médio prazo e criar uma mão-de-obra com competências para o futuro, os governos vão enfrentar um desemprego crescente constante e desigualdades", alerta o presidente e fundador do WEF, Klaus Schwab, citado num comunicado.



publicado por pimentaeouro às 10:44
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Quinta-feira, 15 de Janeiro de 2015
Que futuro?

 

Sem aprofundar muito, «reindustrializar» ou reanimar a economia como, se as industrias são montadas nos países (tantos) de baixos salários, sem Estado Social e impostos baixos?
Por cá importamos aquela produção a baixos preços que  aumenta o desemprego e arruína as empresas que  ficaram: uma serpente de rabo na boca. A globalização, como tudo o que sai da cabeça do homem, tem dois lados, este é o lado negro, resta saber para que prato da balança pende a avaliação das suas vantagens e desvantagens.

Saímos de uma época de certezas e garantias para uma época de incertezas, de futuro desconhecido: uma época de maus augúrio.

Se pensarmos que a especulação financeira e as crises que provoca só foram possíveis com a globalização talvez seja fácil fazer o balanço.

 

Os «programas» da casa e da U.E. para supostamente combaterem o desemprego são assobiar ao vento.



publicado por pimentaeouro às 13:17
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Quarta-feira, 31 de Dezembro de 2014
Despedida em grande...

O PSI20 fechou o ano a cair 26,84% para 4.798,99 pontos, a quarta pior prestação a nível mundial do ano, além de ter perdido duas das suas cotadas, o BES e o Espírito Santo Financial Group (ESFG).

Além dos dois títulos que deixaram de ser negociados no principal índice da praça lisboeta (PSI20), após o colapso do império Espírito Santo - o ESFG era o maior acionista do Banco Espírito Santo (BES) - o ano de 2014 foi negro para uma série de cotadas que perderam grande parte do seu valor, com a Portugal Telecom (PT) à cabeça.

A operadora de telecomunicações liderou a lista de desvalorizações ao baixar 73% em 2014, seguida pelo BCP, que caiu 61%, e pelo Banif, que regrediu 46%.

Seguiu-se-lhes a Jerónimo Martins, um dos pesos pesados do mercado português, que desceu 42% em apenas 12 meses.

A Mota-Engil caiu 39%, a Galp Energia (outro dos títulos com maior peso sobre o PSI20) desvalorizou 29% e a Impresa recuou 28%.

 

P.S. 

O último a sair que apague a luz.

 



publicado por pimentaeouro às 17:43
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Terça-feira, 29 de Maio de 2012
O erro de Adam Smith

1. Adam Smith está para os liberais e neoliberais, como Marx e Engels estavam para os socialistas e comunistas: foram fundadores.

Adam Smith é o pai da economia clássica, que continua a ser a bíblia truncada do liberalismo. Levou cerca de dez anos a escrever a sua obra fundamental  Wealth of Nations , cujo principal fio condutor se baseia nas «leis naturais» da física de Newto, que conheceu na sua viajem a França.

As leis naturais da física de Newton aplicam-se à explicação do funcionamento do sistema solar e não têm a mínima relação com o funcionamento das sociedades humanas e muito menos com o funcionamento dos sistemas económicos criados pelos homens.

Este erro da base, acabou por ser fatal à sua monumental obra de teoria económica. As «leis naturais» que refere no funcionamento dos mercados e da sociedade – a famosa mão invisível que equilibrava «naturalmente» os mercados - não têm qualquer relação com  a realidade, quer na economia, quer na sociedade.

O mesmo se diga dos valores morais que atribuía aos homens, onde a cobiça era contrabalançada com a simpatia e tudo acabava em harmonia geral.

Adam Smith estudou especialmente a indústria de olaria e as enormes potencialidades da divisão de trabalho introduzida pelo industrial Wedgwood, na sua fábrica.

Teve oportunidade de verificar que o «banquete» não era para todos e tentou emendar a mão na sua teoria do Estado, mas este problema levaria quase o século a ser denunciado.

O texto que transcrevo foi retirado da obra “Panorama da Ciência Económica, do Prof. Erich Rol,  1º volume, de  Edições Cosmos.



“A conduta humana, segundo SMITH, é, naturalmente, accionada por seis motivos: amor-próprio, simpatia, desejo de liberdade, senti­mento da propriedade, hábitos de trabalho, propensão para trocar uma coisa por outra. Dados estes elementos de conduta, cada homem é o melhor juiz dos seus próprios interesses e, por isso mesmo, deve dar-se-lhe a liberdade de seguir o seu próprio caminho. Deixado en­tregue a si mesmo, ele alcançará, não só o proveito próprio mas também o bem comum. A Providência criou a sociedade segundo um sistema onde impera a ordem natural. Os móbeis da acção humana estão tão cuidadosamente ponderados que os benefícios de um só não podem encontrar-se em conflito com o bem de todos (a). O amor-próprio é sempre acompanhado de outra determinante da acção, como, por exemplo, a simpatia. De forma que a acção resultante não pode deixar de envolver a vantagem de todos nos ganhos de um só. 

Foi a sua crença no equilíbrio natural dos impulsos humanos que o conduziu à celebre conclusão de que, ao prosseguir as conveniências pessoais, os homens são “levados por mão invisível a prosseguir fim alheio às suas próprias intenções (1) . SMITH põe mesmo em dúvida que o indivíduo, ao seguir o caminho oposto, promova com mais eficácia os interesses da sociedade… Diz ele: «nunca notei que os que afectam o comércio ao bem público tenham proporcionado bem superior» a este. (b)

As consequências da crença na ordem natural são claras. 

Poucas vezes o governo poderá ser mais eficaz do que quando é ne­gativo. A sua intervenção nas questões humanas é, geralmente, in­feliz. Dê-se a cada membro da comunidade a faculdade de elevar ao máximo o proveito próprio que ele, compelido pela ordem natural das coisas, contribuirá ao máximo para o bem da colectividade (c). O sistema natural atribui ao governo somente três encargos, os quais, em­bora de grande importância, são «claros e inteligíveis para a capaci- dade geral de compreensão». O primeiro é o de defender o país -contra a agressão estrangeira; o segundo o de estabelecer sólida administração da justiça; e o terceiro prover à manutenção de qualquer indivíduo, ou grupo de indivíduos, para que não lhes falte rendimento adequado (d), (2). Paz interna e externa, justiça, educação, um mínimo de empreendimentos público, como estradas, pontes, canais e portos, eis todos os benefícios que um governo pode conferir. Para além disso a «mão invisível é mais eficaz...

…Na mesma ordem de ideias, condenou toda a regulamentação dos salários, da aprendizagem, ou de qualquer outro ramo da pro­dução. O governo deve recusar a concessão de qualquer privilégio económico especial e tornar medidas positivas contra todas as posi­ções monopolistas, que os homens estabeleçam, mediante acção con­certada,. quer provenham do capital quer do trabalho (e) . A manutenção da livre concorrência, se necessário mediante intervenção do Estado, deve ser o objectivo final da política económica. Só a concorrência plena é compatível com liberdade natural, e só ela pode assegurar a cada um o resultado total dos seus esforços e acrescentar ao bem 

 comum o valor da sua contribuição pessoal. 

As consequências resultantes dos esforços doutrinários de Smith foram assombrosamente rápidas e gerais. A influência da Wealth of Nations, junto dos homens de negócios e dos políticos foi, por toda a parte, enorme. Todavia, apesar do apóstolo do liberalismo económico ter defendido as suas concepções de forma lúcida e per­suasiva, não teria obtido êxito tão amplo se não se tivesse dirigido a uma audiência ansiosa por receber aquela mensagem. Foi como se a própria assembleia tivesse falado pela boca do escritor. Era a voz da indústria interessada em destruir as restrições no mercado dos pro­dutos e do trabalho, sobrevivências do período dos monopólios… 


- . 

…Chega-se por esta via a uma contradição muito significativa. Por um lado, Smith insiste na influência da ordem natural; mas, por outro, identifica esta ordem natural com a procura do auto-interesse. E, desta maneira, enquanto nega aos dirigentes do Estado todo o direito de intervir na regulamentação económica, fornece aos diri­gentes da actividade industrial os argumentos justificativos da sua conduta e marca essa conduta com o sinete da inevitabilidade. Onde os homens públicos, actuando em nome do bem comum, só poderiam falhar com a sua intervenção, podem os chefes de fila da actividade económica obter êxito, se actuarem em função do auto-interesse. Reco­nhece-se assim que o auto-interesse, colocado no centro da conduta humana, constitui o motivo impulsionador e legítimo da vida econó­mica quotidiana. 

Constitui um autêntico descargo de consciência admitir que, enquanto se procurava o lucro pessoal, se estava também fazendo alguma coisa de utilidade para os outros. Passara toda a suspeição de que o negócio podia constituir um sinal de perda de dignidade fosse para quem fosse. Os remanescentes do pensamento platónico e medieval foram, pulverizados de vez. Os comerciantes e industriais tornaram-se em teoria o que na prática já eram – dirigentes da ordem política e económica. (f)

Baseando a política económica numa lei natural que impunha a abstenção do Estado, Smith deu também expressão teórica aos interesses essenciais do comércio do tempo. Havia para o industrial pos­sibilidades enormes de expandir a sua produção, pela conquista de mercados, e estas continuavam a frustrar-se, em virtude dos regula­mentos restritivos. Abolir a regulamentação do Estado e as situações de monopólio, trazia consigo a destruição da prosperidade de alguns sectores da vida económica, mas, ao mesmo tempo, representava a possibilidades novas, até mais amplas…”



Notas:

(a) A experiencia quotidiana ensina e ensinava naquela época, exactamente o contrário.

(b) Como acontece hoje.

(c) Agora roça a ingenuidade infantil.

(d) Sempre omitido pelos liberais e neoliberais.

(e) Idem

(f) Já naquela época os negócios dominavam a política.


Notas do texto:

(1) Adam Smith; «Wealth of Natiom>, pág. 456.

 (2) «Wealth of Nations», VoI. lI, pág. 226. 


2. A chamada questão social acabaria por eclodir em meados do século XIX. Os movimentos socialistas, a obra de Engels “As Condições de Vida das Classes Trabalhadoras em Inglaterra”, em 1 844 e até relatórios oficiais fizeram a denúncia de um mundo de miséria e de exploração, a chamada questão social.

Segue um texto do livro “Breve História da Humanidade”, de Cytil Aydon, editora Gradiva, sobre o submundo de miséria que já existia quando Adam Smith publicou a suas obra e que estava à frente dos seus olhos,


“A agitação deste admirável mundo novo não chegou à base da pirâmide industrial. Não foi partilhada pelos trabalhadores agrí- 


colas, que foram forçados a sair das suas aldeias e a ir para 

cidades cheias de gente e pouco saudáveis, onde a esperança média de vida andava por apenas vinte anos, a fim de trabalha­rem com as máquinas às ordens de capatazes brutais. Não foi partilhada pelas crianças mal nutridas de cinco e de seis anos que trabalhavam dez ou doze horas por dia em ambientes de máqui­nas ruidosas e acabavam por adormecer no trabalho. Não foi partilhada pelas mulheres cansadas que se esgueiravam como toupeiras debaixo de terra arrastando carros cheios de carvão atados a cordas passadas em torno da cintura. E não foi certa­mente partilhada pelos rapazinhos (tinham de ser pequenos) que subiam com as suas escovas, no escuro, por dentro das chaminés das casas elegantes que a nova riqueza tinha construído. Nas ruas, fora dessas casas, nos casebres miseráveis onde vivia a maioria da população, tanto as crianças como os adultos anda­vam vestidos de trapos e as crianças andavam descalças.”



3. Finalmente. Porque motivo uma teoria tão datada e ultrapassa continua a ser dominante, em universidades, meios de comunicação social, círculos de negócios, etc. dois séculos e meio depois?

Carece de explicação. Por interesse, porque interessa a todos aqueles que tiram partido dela sem serem obrigados a ter de explicar os fundamentos da sua riqueza e do seu poder.

É a luva que combina com o fato!

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publicado por pimentaeouro às 16:16
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