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Quinta-feira, 2 de Fevereiro de 2017
Eutanásia

Hontem foi entregue no Parlamento a petição (as petições não  são votadas) “Direito a morrer com dignidade” e o Bloco de Esquerda irá apresentar um projecto lei, os restantes partidos encolhem-se (voto a quanto obrigas).

Convem esclarecer um ponto: aeutanásia é o acto através do qual uma pessoa, geralmente um profissional de saúde  põe termo à vida de outra em beneficio do doente e a pedido do mesmo; no suicidio assistido  pode haver a colaboração de uma pessoa que ajuda o doente a pôr termo à vida.

É matéria muito complexa com um grande lastro de emotividade e irracionalidade. Legislar sobre esta matéria, por mais explicita que seja a lei, não evita que se pratiquem abusos, nomeadamente quanto estão questões patrinomiais em jogo: pode haver a tentação de «acelerar» a ajuda...

Pessoalmente sou a favor das duas soluções mas sei que é um tema muito fracturante e que não existe uma base social de apoio alargada.



publicado por pimentaeouro às 20:43
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Quinta-feira, 12 de Maio de 2016
Eutanásia #2

 Miguel Alvim, advogado e membro da Comissão Política Nacional do CDS, publicou um artigo no jornal Público intitulado "In dubio pro innocens" sobre a eutanásia, o titulo deve destinar-se a impressionar sobre a sua erudição em latim, mas só isso, a sua argumentação é primária, ignóbil.

Para defender a sua dama do direito à vida contra a eutanásia invoca o Holocausto, cito: a Alemanha nazi, sob 0 eufemismo da mesma eutanásia, aprovou um programa de extermínio em massa denominado Operação T...

MA deve ter pesadelos e vê extermínios em massa nos hospitais públicos, privados, clínicas, lares, em qualquer lugar que exista um doente terminal.

Sendo advogado era de esperar um pouco mais de inteligência e de honestidade intelectual. 



publicado por pimentaeouro às 11:41
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Terça-feira, 26 de Abril de 2016
Eutanásia

Petição pela despenalização da eutanásia tem mais de oito mil assinaturas

 

O documento será entregue esta terça-feira no Parlamento. Logo nos dois dias seguinte à apresentação do manifesto, mais de quatro mil pessoas assinaram

Mais de 8300 pessoas assinaram até esta segunda-feira de manhã a petição pública pela despenalização da morte assistida, que na terça-feira vai ser entregue ao Presidente da Assembleia da República, segundo os proponentes da iniciativa.
Apresentada em fevereiro pelo movimento cívico "Direito a morrer com dignidade", a petição ultrapassou logo nos primeiros dois dias o mínimo de 4.000 assinaturas que obrigam o documento a ser discutido em plenário no parlamento.

O texto da petição, dirigido à Assembleia da República e disponível na Internet, o mesmo do manifesto assinado por mais de 100 personalidades da sociedade portuguesa que defendem a despenalização da eutanásia.

O movimento assume-se como um conjunto de cidadãos "unidos na valorização privilegiada do direito à liberdade" e tem como proponentes da petição o médico e antigo coordenador do Bloco de Esquerda, João Semedo, o cineasta António Pedro Vasconcelos, a pediatra Isabel Ruivo, entre outros.

Defendem a "despenalização e regulamentação da morte assistida como uma expressão concreta dos direitos individuais à autonomia, à liberdade religiosa e à liberdade de convicção e consciência, direitos inscritos na Constituição".

A petição indica que a morte assistida consiste em antecipar ou abreviar a morte de doentes em grande sofrimento e sem esperança de cura, desde que seja em resposta a um pedido do próprio, feito de forma informada, consciente e reiterada.
O tema da eutanásia tem gerado debate e controvérsia na sociedade portuguesa, nomeadamente entre os médicos, com a Ordem a admitir que necessitará de realizar um referendo interno para uma eventual alteração ao Código Deontológico dos profissionais.

Mas tem havido também personalidades a defenderem a realização de um referendo nacional sobre a matéria.

O médico e ex-coordenador do Bloco de Esquerda, João Semedo, tem advogado que a tese do referendo sobre a eutanásia pretende evitar a discussão e adiar a solução da despenalização da morte assistida.



publicado por pimentaeouro às 20:43
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Quarta-feira, 19 de Fevereiro de 2014
Eutonásia

Remando contra a maré ou, pelo menos contra a indiferença, regresso novamente a este tema. O texto que segue é de uma jovem estudante de Veterinária e reporta uma experiência vicvida pessoalmente.

Não deixa de ter ironia que em Veterinária se discuta o sofrimento dos animais enqunto nós varremos para debaixo do tapete o sofrimento dos doentes terminais e aqueles que a doença transformou em vegetais sem memória e sem consciencia sejam condenados a uma agonia inutil.

por on chapters, em 12.02.14

Eu estava no 11º ano e era quase Natal. Não me lembro da capacidade que perdeu primeiro, se a de escrever, a de se levantar da cama, de conseguir comer sozinho, de associar as caras que o fitavam de olhar preocupado com a mulher, a filha, os netos até não reconhecer ninguém. Não me lembro, mas sei que quando dei por mim, já tudo isto se tinha desvanescido. O meu avô era um homem duro, frio. Pertencia àquela geração de homens criados para trabalhar no campo, ao sol, todos os dias durante uma vida inteira. Sem lamentos, sem choro, sem desistências. Talvez também por isso me tenha custado tanto vê-lo assim... tão frágil. Deitado primeiro numa cama de hospital e depois quando um médico lhe disse palavras semelhantes a estas "Já não há nada a fazer" em casa que, para um homem duro como o meu avô, não consigo imaginar humilhação maior do que morrer aos poucos no meio de médicos e enfermeiros que nunca viu na vida. Esqueci os contornos de como aquela vida se desvanesceu à frente dos meus olhos, todos os dias, mas quando dei por mim estávamos quase no Natal e o meu avô já não era o meu avô. Ainda não tinha morrido mas já não estava lá. Não fazia nada sozinho, na maior parte das vezes não reconhecia ninguém e gemia de dor pelo simples facto de existir.

A morte tardou a chegar. Lembro-me de um "já morreu" murmurado ao telefone uns dias antes do Natal e de me vestir de preto para um funeral.

 

Para ser sincera, durante todo o processo de doença e mesmo depois da morte do meu avô, o tema da eutanásia não ocupou muito o meu pensamento.

Depois fui para a faculdade e entrei em Veterinária, onde discutimos a eutanásia com alguma frequência e começei a pensar no assunto. É estranho pensar que, enquanto em Medicina Humana o debate sobre a eutanásia se centra no valor da vida, em Veterinária debatemos a eutanásia em torno da existência (ou não) de qualidade de vida para os animais.

A qualidade de vida do meu avô era nula e não percebo, não consigo perceber, como é que quando falamos de animais o mais importante é usar a medicina para eles terem a melhor qualidade de vida possível, e quando falamos de pessoas o que importa é usar a medicina para adiar a morte. Temos assim tanto medo de morrer?



publicado por pimentaeouro às 22:56
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