Conhece-te a ti mesmo... se puderes.

Quinta-feira, 31 de Dezembro de 2015
Natal triste #2

No dia de Natal almoçamos em casa da minha cunhada Maria L. Éramos quatro à mesa, abundante mas não pantagruélica, a minha cunhada e o ex-marido, o filho de ambos, a minha mulher e eu.

A minha cunhada tem sensibilidade artística, é um pouco utópica mas apesar disto é muito corajosa. Vive só numa casa bem mobilada e decorada mas a necessitar de obras de conservação, que o senhorio não faz.

Talvez por obra do acaso, que rege todas as vidas, resolveu fazer a catarse do medo, do medo da surdes profunda, da ausência total de qualquer som, (se assaltam a casa ou outro perigo qualquer). Usa um implante coclear mas nos últimos meses a surdez tem aumentado e inscreveu-se num curso de linguagem gestual, o único meio que resta para poder comunicar com os outros.

Sabíamos que tinha problemas de surdes mas não imaginávamos a gravidade do problema, um drama.


tags:

publicado por pimentaeouro às 23:40
link do post | comentar | favorito
|

Domingo, 19 de Abril de 2015
Facadinhas, negócios & Cª. Ldª.

No matrimónio, negócio da arvore das patacas & o que adiante se verá. Não é pecado mortal mas é pecado para a Igreja. Pela lei dos homens e das mulheres é desonestidade e pode envenenar uma relação para sempre mesmo que continuem a viver juntos.

Ninguém gosta de ser enganado mesmo jogando a caricas, uma traição nos afectos deixa sempre marcas. O adultério é tão velho como o longínquo casamento monogâmico e tem feito correr mais tinta do que a água que corre no Amazonas, contado em centenas e centenas de romances, filmes, telenovelas, na literatura de cordel também; desde os clássicos Ana Karenine e madame Bovary até às alcovas plebeias; é também fonte de incontáveis dramas. Um progresso, deixou de ser vingado a tiro ou com arma branca.

Finalmente no século XXI com a globalização é negócio de alto rendimento em páginas especializadas no ramo: a lei da oferta e da procura sob anonimato, traição sem peugadas, batom no colarinho ou perfume na cueca dele ou dela, resumindo um bordel como os outros.

Passo a explicar, nas páginas especializadas compram-se “créditos”, mínimo de 49 euros para entrar no clube dos traidores anónimos. Para mandar uma mensagem paga-se 10 euros, para ler a resposta outros dez euros, já lá vão 69 euros sem qualquer resultado garantido. Uma conversinha de 20 minutos custa 50 créditos, cerca de 25 euros: é sempre a facturar.

A principal página do negócio conta com 38 milhões de inscritos, Portugal tem uns modestos 107 mil.

A que se deve tão grande êxito no negócio das traições? À torpeza do homem, às suas emoções e sentimentos baixos, à natureza humana.

Não imagino qual será o próximo negócio a explorar as fraquezas de homens e mulheres mas tenho a certeza de que será inventado outro de mais baixo nível.



publicado por pimentaeouro às 17:03
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito (2)
|

Sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2015
São Valentim #2

Não conheço detalhes, pormenores, apenas as linhas gerais da história de vida de um casal que conheço há 40 anos.

Ela tirou o curso de História,  a seguir ao 25 de Abril, e foi para o Ensino, ele tirou o curso de Direito, que nunca exerceu, mas tinha uma profissão invulgar, fiscaliza os camiões com mercadoria que importavamos e era bem renumerado, bem acima da média.

Ela é pragmática, terra a terra, com uma linguagem sem rodriguinhos; ele é sofisticado, veste com elegância e tem ar de cavalheiro, seja o que isso for.

Quando casaram, ela tinha um filho do anterior casamento que ele nunca autorizou que entrasse em casa. Tiveram dois filhos que ele educou com cinto; oferecia-lhe joias em ouro, caras, e batia-lhe!

Vistos de fora, parecem um casal normal de coabitação pacífica. Ainda hoje não compreendo como ela aceitou duas violências; não poder receber o filho na sua casa nova e sujeitar-se a maus tratos físicos.

Lamento que a minha história de São Valentim não seja cor de rosa mas a vida é como é.

 



publicado por pimentaeouro às 22:17
link do post | comentar | ver comentários (5) | favorito
|

Terça-feira, 27 de Janeiro de 2015
Maria Pinheiro

 

 

Maria já não está entre nós, o marido assassinou-a à facada, depois de ela ter apresentado queixa à PSP. A 24 de Janeiro começou a funcionar o contador macabro dos homicídios domésticos: nestes casos a expressão violência doméstica é demasiado branda.

A polícia nada fez e, diga-se, que pouco ou nada pode fazer, não pode vigiar um potencial assassino 24 horas por dia. A acção dos tribunais é uma vergonha: burocracia, demora e complacência com os assassinos, onde é necessário exactamente o contrário, rapidez e mão pesada.

As associações de apoio às vitimas, disponde de meios limitadíssimos apenas podem apoiar um número muito reduzido de vitimas. Quantas mulheres podem sair de casa e ter uma vida nova de não sejam perseguidas? Resta-lhes dormir com o inimigo,  ceder aos seus caprichos e suportar anos de violência.

O assassino de Maria Pinheiro não é empregado desqualificado, é um bancário reformado. O problema é cultural, ou melhor da baixa cultura da nossa sociedade, do baixo nível de literacia, de uma educação familiar deficiente, de padrões machistas de comportamento que se mantêm arreigados na cabeço do macho lusitano.

O contador já disparou e fai continuar a contagem dos crimes até ao final do ano.



publicado por pimentaeouro às 00:11
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
|

Sábado, 27 de Dezembro de 2014
Inicio do degelo ?

 

 

Passado o Natal tive um presente muito agradável, um convivio de 3 ou 4 horas, o tempo correu sem que dessemos por ele, com a minha nora Alice e o meu neto Rui.

Embora estes encontros sejam muito espaçados, bem desejo que sejam mais frequentes, hoje percebi claramente que o Rui, com 15 anos, é um rapaz precoce, avançado para a sua idade. De poucas falas, no pouco que diz revela maturtidade, fala quase como um adulto. Isto já foi motivo para o meu regozijo, mas o que me pareceu - sonho meu - é que talvez este convívio possa ser o degelo das relações com a família do Rui, principalmente com a mãe.

Não tenho folego para contar as complicações e ofensas que aconteceram com o marido da Alice, filho da minha mulher, e a Alice. Um enredo que dava um romance ao Camilo Castelo Branco. Apenas consigo exprimir o meu desejo que as relações se normalizem e com esta normalização seja feita justiça tardia à Alice. Farei tudo o que puder para que isso aconteça.

 


sinto-me:
tags:

publicado por pimentaeouro às 10:57
link do post | comentar | favorito
|

Sábado, 11 de Outubro de 2014
Filhos e mães

A Maria começou a trabalhar no campo, quando tinha nove anos , no tempo em que se dizia que as mulheres não trabalhavam e comeu o pão que o Diabo amassou. Anos mais tarde, entrou para uma fábrica e ai permaneceu até se reformar.

Quase analfabeta, pouco escreve e pouco lê, é inteligente como poucas nas suas condições. Hoje, com 70 anos, viúva, vive com uma reforma pequena, pequeníssima. A 25 quilómetros de Lisboa, habita numa pequena casa sem uma sanita sequer, ausência que é suprida com muita higiene. Foi o amparo da mãe até esta falecer com mais de 90 anos.

Criou, como pode, três filhos. O mais velho, quando  vida não lhe correu bem, regressou a penates. Depois as coisas melhoraram, casou com uma brasileira e montou uma oficina de reparação de automóveis. O negócio prosperou, comprar casa a cerca de 2 quilómetros da casa da mãe.

A Maria foi à mercearia fazer compras e, pelo merceeiro, ficou a saber que o filho vendeu a casa e foi para o Brasil com a mulher e o filho. Ficou perplexa, quase teve um ataque de coração e tiveram de a reanimar.

Sabemos que existe amor maternal mas temos menos certezas sobre o amor filial. Há mais Marias.

 


tags:

publicado por pimentaeouro às 14:56
link do post | comentar | favorito
|

Quarta-feira, 23 de Abril de 2014
Maria do Carmo

Tia Maria do Carmo, recordo-te com muita saudade e recordar-te-ei com terna saudade até ao final dos meus dias.

A minha tia foi para mim uma mãe emprestada até ao seu casamento e nascimento do seu primeiro filho. Tratou-me sempre por filho, intuição feminina:  eu precisava de alguém que me chamasse filho de uma mãe que não tive.

O seu marido, meu tio Soeiro, tratava-me, com ternura, por Joanico e também tenho saudades dele.

O pão que levava para casa, era arrancado às fúrias e tempestades do mar e chegou a ser generosamente repartido por seis bocas, numa época de pobreza e dificuldades.

A vida compensou-me, em parte, com dois tios generosos e que gostavam de mim. Gostava de ter uma fotografia de ambos para juntar a este post, em jeito de gratidão.

 



publicado por pimentaeouro às 19:42
link do post | comentar | ver comentários (6) | favorito
|

Terça-feira, 7 de Janeiro de 2014
Modernices

O neto foi fazer um estágio de 6 meses nos EUA e a família correu a instalar o Skype. É, de facto uma maravilha tecnológica: videoconferência e chamadas por telefone, para redes fixas ou móveis, para qualquer parte do mundo e de borla é uma proeza tecnológica.

Cá em casa já conseguimos contactar com o neto que está algures no Texas, seis horas de diferença no fuso horário não chegam a dar a noção da distância que nos separa e de outro mundo bem diferente do nosso.

Na utilização do Skype somos todos totós, ligar desligar e pouco mais. Quando o estágio terminar já deveremos saber mais qualquer coisa.

Quanto ao neto, este estágio pode ter influência na vida dele, no seu futuro.


tags:

publicado por pimentaeouro às 23:41
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
|

mais sobre mim
pesquisar
 
posts recentes

Natal triste #2

Facadinhas, negócios & Cª...

São Valentim #2

Maria Pinheiro

Inicio do degelo ?

Filhos e mães

Maria do Carmo

Modernices

arquivos
tags

???

ambição

amizade

amor

animais

antropologia

armas

arquitectura

arte

arte biografias

astronomia

ballet

biografias

biologia

blogues

café curto

carttons

ciência

cinema

civilização

clima

comunicação social

corrupção

criminosos

crise financeira

demagogia

demência

demografia

descobrimentos

desemprego

destino

diversos

doenças

dor

economia

eleiçoes

ensaio

ensino

escravatura

escultura

estado

estupidez

eternidade

ética

eu

eutanásia

evolução

família

filosofia

futebol

genocídio

governo

greves

guerra

história

incendios florestais

inquisição

internacional

justiça

literatura

livros

memória

miséria

morte

mulher

mulheres célebres

musica

natureza

natureza humana

paisagens

paleontologia

partidos políticos

patologia ideológica

pátria

pintura

planeta terra

pobreza

poesia

politica

regime político

religião

saudade

saúde

segurança social

sentimentos

sexo

sindicatos

sociedade

sonhos

tecnologia

terrorismo

terrorismo de estado

testamento vital

tristeza

união europeia

universo

velhice

vida

violência

xadrez

todas as tags

favoritos

Só verão

Rouxinol

Tormenta

Razão

Fogueira

Um fantasma

Arte de furtar

Deus existe? #2

Para onde vou?

Sou um San

links
últ. comentários
Nada podemos fazer para os salvar de uma catástrof...
E ler isto, faz-me pensar que ainda bem que já cá ...
Quando era jovem assisti a cenas dramáticas na Naz...
Acabei de ler e publicar sobre "uma fenda na mural...
e ele coitado deve estar a achar isso uma chatice
Não tinha essa noção! É pena quando nem na velhice...
Obrigado.
As chamadas consultas da dor apenas tratam dores d...
Obrigado.
Obrigado.
blogs SAPO
RSS