Conhece-te a ti mesmo... se puderes.

Terça-feira, 14 de Novembro de 2017
Fogo do céu

bomba nuclear.jpg

 

Estou a terminar a leitura de um pequeno livro “A Segunda Guerra Mundial” de Gerhard Schreiber. É um monumento à barbaridade humana.

Segundo o autor houve diversas guerras dentro da Segunda Guerra Mundial e entre elas a guerra das bombas.

A iniciativa foi nazi, mas a partir de Agosto de 1 942, quando ingleses e americanos adquiriram superioridade em meios aéreos e de comunicações, os bombardeamentos tornaram-se industriais, prioritariamente sobre grandes centros urbanos, infra-estruturas industriais e de transportes.

O objectivo deliberado das duas partes consistia em aterrorizar – e massacrar – as populações civis. Nazis e Aliados em pé de igualdade! Foram mortos milhões de civis de todas as idades e arrasadas grandes cidades na Europa, ex União Soviética, China, Japão, etc.

A guerra das bombas foi uma nova forma de fazer a guerra, como nunca tinha existido no mundo, e violou todas as convenções internacionais sobre a utilização de meios aéreos.

Desde 45 para cá, a corrida aos armamentos e respectivo tráfico nunca cessaram, mas pior, a evolução tecnológica dos armamentos ultrapassa tudo o que posamos imaginar.

Paradoxalmente, podemos afirmar que os armamentos utilizados na segunda guerra mundial e a sua capacidade de morte e destruição, são hoje peças de museu!

Entre esta monstruosa parafernália de meios de destruição conta-se as bombas de fragmentação, bombas que contêm dezenas ou centenas de pequenas bombas no seu interior que se espalham cegamente por uma área de território alargada, matando e destruindo ao acaso. Uma loucura do cérebro humano.

A Convenção contra as Bombas de Fragmentação foi assinada por 107 países em Dezembro de 2 008, em Oslo, para entrar em vigor este ano. Até hoje a Convenção foi ratificada apenas por 38 países.

EUA, Rússia e China, os grandes fabricantes mundiais destas bombas não ratificaram – coerentemente – a Convenção.

Apesar de tudo isto, as bombas de fragmentação são apenas uma pequena amostra do inferno que caí do céu. As guerras de hoje – EUA à cabeça – são precedidas de semanas seguidas de bombardeamentos, diurnos e nocturnos, para depois os exércitos ocuparem as ruínas.

O objectivo de aterrorizar as populações civis deve estar a atingir o seu limite.

 

 

 

 


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Terça-feira, 4 de Julho de 2017
O maior negócio do mundo

Resultado de imagem para armas pesadas de guerra

 

É um negócio de muitos bi..........liões. Os EUA são o maior fabricante de material de guerra e vendem armamento aos amigos e aos inimigos.

 

Nunca se fabricaram e venderam tantas armas de guerra. Um dia o cantaro parte-se


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Segunda-feira, 8 de Maio de 2017
Faz hoje 72 anos

A Segunda Guerra Mundial, ocorrida entre 1939 e 1945, é assim chamada por ter se tratado de um conflito que extrapolou o espaço da Europa, continente dos principais países envolvidos. Além do norte da África e a Ásia, o Havaí, território estadunidense, com o ataque japonês a Pearl Harbor, foi também palco de disputas territoriais e ataques inimigos.

 

Compreender o que levou à eclosão do conflito implica lembrar as consequências da Primeira Guerra Mundial, de 1914 a 1918, culminando com a derrota alemã e a assinatura, entre as potências europeias envolvidas, do Tratado de Versalhes, que, culpando a Alemanha pela guerra, declarou a perda de suas colônias e forçou o desarmamento do país. Diante desse quadro, o país derrotado enfrenta grande crise econômica, agravada pela chamada Crise de 1929. Iniciada nos Estados Unidos da América, que ao fim da Primeira Guerra tinham se estabelecido como a grande economia mundial e financiador da reconstrução da Europa devastada pela guerra, entraram em colapso econômico, levando consigo as economias de países dependentes da sua e agravando as dificuldades econômicas na Europa.

O agravamento da crise econômica aumentou o sentimento de derrota e fracasso entre alemães e alemãs, que viram nos ideais do Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães, o Partido Nazista, a saída para a situação enfrentada pelo país. A frente do Partido, fundado em 1920, estava Adolf Hitler, que chegou ao poder em 1933, defendendo ideias como a da superioridade do povo alemão, da culpabilização dos judeus pela crise econômica e da perseguição, isolamento e eliminação dos mesmos e de outros grupos como ciganos, homossexuais e deficientes físicos e mentais. Pregava ainda a teoria do espaço vital (Lebensraum), a qual defendia a unificação do povo alemão, então, disperso pela Europa e seria utilizada como justificativa para o expansionismo nazista.

Também na Itália a crise econômica do Período Entreguerras foi aproveitada por um grupo político antiliberal e anticomunista, que via na formação de um Estado forte a solução para os problemas econômicos e sociais. Tal grupo organizou-se como Partido Fascista, liderado por Benito Mussolini, que em 1922 foi nomeado primeiro-ministro pelo rei Vítor Emanuel III. Mussolini, chamado pelos italianos de duce, combateu rivais políticos e defendeu a expansão territorial italiana, culminando na invasão da Etiópia em 1935 e na criação da chamada África Oriental Italiana, anexada à Itália.

Os dois líderes totalitários, Hitler e Mussolini, assinaram em 1936 um tratado de amizade e colaboração entre seus países. Estava formado o Eixo Roma-Berlim, que em 1940 passaria a ser Eixo Roma-Berlim-Tóquio, marcando a aliança do Japão com os dois países europeus, formalizada com a assinatura do Pacto Tripartite, que garantia a proteção dos três países entre si. Estava formado o Eixo, que durante o conflito mundial enfrentaria os Aliados, aliança formada inicialmente por Inglaterra e França que mais tarde contou com a entrada de outros países, como os Estados Unidos, em 1941, após sofrer um ataque japonês na ilha de Pearl Harbor, seu território no Oceano Pacífico; a União Soviética, em 1941, quando a Alemanha de Hitler quebrou o Pacto Germano-Soviético de não agressão assinado dois anos antes; e até mesmo o Brasil, que em 1942 saiu da neutralidade e entrou na Guerra, em 1944 enviou combatentes (Força Expedicionária Brasileira) para combater na Europa.

Mas o que, afinal, levou à eclosão da guerra?

Os nazistas decidiram levar a teoria do espaço vital adiante, promovendo assim o  expansionismo alemão, primeiramente com a anexação da Áustria, em 1938, depois com a tentativa de incorporar a região dos Sudetos, na Tchecoslováquia, pois ali viviam cerca de 3 milhões de falantes da língua alemã. França e Reino Unido acordaram com a Alemanha, na Conferência de Munique, a anexação de apenas 20% do território tcheco, mas Hitler não respeitou acordo, ocupando e em 1939 todo o país. O próximo passo foi a invasão da Polônia na tentativa de recuperar Danzig, cidade perdida pelos alemães na Primeira Guerra. França e Reino Unido exigiram que os alemães voltassem atrás e, diante da negativa de Hitler, declararam guerra à Alemanha em 3 de setembro de 1939. Tinha início o conflito mais destrutivo da história.

A guerra relâmpago

Erich Von Manstein, general alemão, foi o principal responsável pelo desenvolvimento da Blitzkrieg, a guerra relâmpago, uma tática militar que tinha como objetivo destruir o inimigo por sua surpresa, rapidez e brutalidade. Tal técnica foi utilizada nas invasões alemãs da Polônia e da França, que levaram pouco mais de um mês para se consolidar, haja vista a eficiência da na África, Egito Marrocos e Argélia eram conquistados pelos forças Aliadas.

Antissemitismo

Além do expansionismo e das disputas territoriais, a perseguição a grupos étnicos, sobretudo aos judeus e ciganos, foi uma realidade na Segunda Guerra Mundial. Para o nazismo, os judeus eram os grandes culpados pela crise do país passara no Período Entreguerras, devendo, portanto, ser combatidos. Antes da eclosão da guerra, políticas segregacionistas já eram colocadas em prática pelos nazistas, como a obrigatoriedade da identificação pelo uso de uma Estrela de Davi, símbolo religioso do judaísmo; proibição do casamento entre judeus e alemães; demissão de judeus de cargos públicos; criação dos guetos e de campos de concentração; e a mais radical de todas, a chamada solução final, que consistia na eliminação de prisioneiros através do uso de gás tóxico.

Fim da guerra

Os Aliados começaram a derrotar o Eixo em 1942. No Pacífico, Estados Unidos e Austrália derrotaram os japoneses. Em fevereiro de 1943, os nazistas perderam a batalha de Stalingrado, na União Soviética, e foram expulsos da Bulgária, Hungria, Polônia, Tchecoslováquia e Iugoslávia. Na África, Egito Marrocos e Argélia foram conquistados pelos forças Aliadas. Em julho do mesmo ano, Vitor Emanuel III, rei da Itália, destituiu Mussolini do governo e assinou a rendição italiana aos Aliados. No dia 6 de junho de 1944, os Aliados desembarcaram na Normandia, França, na operação que ficou conhecida como “Dia D”. Era o início da libertação francesa e, no fim da agosto, Paris estava livre. Em 2 de maio de 1945, soviéticos e estadunidenses tomaram Berlim, dois dias depois do suicídio de Hitler e do alto-comando do Partido Nazista. Iniciou-se o processo de rendição das tropas nazistas, colocando, assim, fim à guerra na Europa. Só o Japão resistia, mas, em agosto, diante das bombas atômicas jogadas pelos Estados Unidos em Hiroshima e Nagasaki, o imperador Hirohito se rendeu aos Aliados. Chegava ao fim a Segunda Guerra Mundial, deixando cerca de 50 milhões de mortos e 35 milhões de feridos.

Os países vencedores levaram oficiais nazistas a julgamento no Tribunal de Nuremberg, criado para esse fim, sob acusação de crimes contra a humanidade. Outra consequência da guerra foi a criação, em 1945, da Organização das Nações Unidas (ONU), cujo objetivo é mediar conflitos entre países a fim de evitar novas guerras.

Referências:



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Terça-feira, 13 de Dezembro de 2016
Natal #1

 

Na guerra (carnificina) de 1.914-1.918 , num ano que não recordo, num grupo de soldados alemães e outro grupo de saldados franceses, saíram das respectivas trincheiras para celebrar o Natal e confraternizar uns com os outros.

Foram todos presos, considerados traidores à Pátria  e fuzilados sumariamente: a mensagem natalícia poderia  ser celebrada nas cidades, vilas e aldeias mas não podia entrar nas trincheiras.

Depois do Natal o que acontece? Nada, ou mais exactamente, continua tudo na mesma: os rancores e ódios continuam, os mercados e a especulação continuam como dantes, os pobres continuam pobres, as guerras não cessam, a vida continua a sua «normalidade».

Almas caridosas e bem intencionadas sentem-se tranquilas porque num dia do ano representaram o papel da bondade e da fraternidade. Inventada há cerca de 1.600 anos, a celebração da mensagem de Jesus não alterou os sentimentos e os comportamentos dos humanos: a mensagem de Cristo é contrária à natureza humana, continuamos a ser como éramos, contraditórios com o Bem e Mal dentro de nós. Amém


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Quinta-feira, 8 de Dezembro de 2016
Efeitos colaterais

A Coreia do Sul desenhou um plano para destruir a capital da Coreia do Norte, através de bombardeamentos intensivos se Pyongyang mostrar sinais de ataque nuclear.

"Todos os distritos de Pyongyang, particularmente naqueles onde possa esconder-se o líder norte-coreano, serão completamente destruídos por mísseis balísticos e projéteis de alto poder explosivo assim que o Norte mostre sinais de usar arsenal nuclear. Por outras palavras, a capital do Norte será reduzida a cinzas e eliminada do mapa", disse militar de Seul à agência sul-coreana de notícias Yonhap.



Leia mais: Coreia do Sul tem plano para destruir capital da Coreia do Norte http://www.jn.pt/mundo/interior/coreia-do-sul-tem-plano-para-destruir-capital-da-coreia-do-norte-5383450.html#ixzz4JwPaVdwj
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Domingo, 13 de Novembro de 2016
Para memória futura, ou nunca mais

Guerra Fria

A Guerra Fria, que teve seu início logo após a Segunda Guerra Mundial (1945) e a extinção da União Soviética (1991)  é a designação atribuída ao período histórico de disputas estratégicas e conflitos indiretos entre os Estados Unidos e a União Soviética, disputando a hegemonia política, econômica e militar no mundo.

Causas

A União Soviética buscava implantar o socialismo em outros países para que pudessem expandir a igualdade social, baseado na economia planificada, partido único (Partido Comunista), igualdade social e falta de democracia. Enquanto os Estados Unidos, a outra potência mundial, defendia a expansão do sistema capitalista, baseado na economia de mercado, sistema democrático e propriedade privada.

Com o fim da Segunda Guerra Mundial o contraste entre o capitalismo e socialismo era predominante entre a política, ideologia e sistemas militares. Apesar da rivalidade e tentativa de influenciar outros países, os Estados Unidos não conflitou a União Soviética (e vice-versa) com armamentos, pois os dois países tinham em posse grande quantidade de armamento nuclear,  e um conflito armado direto significaria o fim dos dois países e, possivelmente, da vida em nosso planeta.  Porém ambos acabaram alimentando conflitos em outros países como, por exemplo, na Coréia e no Vietnã

Com o objetivo de reforçar o capitalismo, o presidente dos Estados Unidos, Harry Truman, lança o Plano Marshal, que era um oferecimento de empréstimos com juros baixos e investimentos para que os países arrasados na Segunda Guerra Mundial pudessem se recuperar economicamente. A partir desta estratégia a União Soviética criou, em 1949, o Comecon, que era uma espécie de contestação ao Plano Marshall que impedia seus aliados socialistas de se interessar ao favorecimento proposto pelo então inimigo político.

A Alemanha por sua vez, aderiu o Plano Marshall para se restabelecer, o que fez com que a União Soviética bloqueasse todas as rotas terrestres que davam acesso a Berlim. Desta forma, a Alemanha, apoiada pelos Estados Unidos, abastecia sua parte de Berlim por vias aéreas provocando maior insatisfação soviética e o que provocou  a divisão da Alemanha em Alemanha Oriental e Alemanha Ocidental.

Em 1949, os Estados Unidos juntamente com seus aliados criam a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) que tinha como objetivo manter alianças militares para que estes pudessem se proteger em casos de ataque. Em contra partida, a União Soviética assina com seus aliados o Pacto de Varsóvia que também tinha como objetivo a união das forças militares de toda a Europa Oriental.

Entre os aliados da Otan destacam-se: Estados Unidos, Canadá, Grécia, Bélgica, Itália, França, Alemanha Ocidental, Holanda, Áustria, Dinamarca, Inglaterra, Suécia, Espanha. E os aliados do Pacto de Varsóvia destacam-se: União Soviética, Polônia, Cuba, Alemanha Oriental, China, Coréia do Norte, Iugoslávia, Tchecoslováquia, Albânia, Romênia.

 

Origem do nome

É chamada "fria" porque não houve uma guerra direta entre as superpotências, dada a inviabilidade da vitória em uma batalha nuclear.

 

Envolvimentos Indiretos

Guerra da Coréia : Entre os anos de 1951 e 1953 a Coréia foi palco de um conflito armado de grandes proporções. Após a Revolução Maoista ocorrida na China, a Coréia sofre pressões para adotar o sistema socialista em todo seu território. A região sul da Coréia resiste e, com o apoio militar dos Estados Unidos, defende seus interesses. A guerra dura dois anos e termina, em 1953, com a divisão da Coréia no paralelo 38. A Coréia do Norte ficou sob influência soviética e com um sistema socialista, enquanto a Coréia do Sul manteve o sistema capitalista.

Guerra do Vietnã : Este conflito ocorreu entre 1959 e 1975 e contou com a intervenção direta dos EUA e URSS. Os soldados norte-americanos, apesar de todo aparato tecnológico, tiveram dificuldades em enfrentar os soldados vietcongues (apoiados pelos soviéticos) nas florestas tropicais do país. Milhares de pessoas, entre civis e militares morreram nos combates. Os EUA saíram derrotados e tiveram que abandonar o território vietnamita de forma vergonhosa em 1975. O Vietnã passou a ser socialista. 

 

Fim da Guerra Fria

A falta de democracia, o atraso econômico e a crise nas repúblicas soviéticas acabaram por acelerar a crise do socialismo no final da década de 1980. Em 1989 cai o Muro de Berlim e as duas Alemanhas são reunificadas.

No começo da década de 1990, o então presidente da União Soviética Gorbachev começou a acelerar o fim do socialismo naquele país e nos aliados. Com reformas econômicas, acordos com os EUA e mudanças políticas, o sistema foi se enfraquecendo. Era o fim de um período de embates políticos, ideológicos e militares. O capitalismo vitorioso, aos poucos, iria sendo implantado nos países socialistas.

 



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Segunda-feira, 31 de Outubro de 2016
É a guerra! #2



publicado por pimentaeouro às 17:49
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Sábado, 29 de Outubro de 2016
É a guerra!

a

 

Mossul, Iraque.

Aquele olhar acusa o mundo.



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Quarta-feira, 7 de Setembro de 2016
Mas as crianças Senhor ?

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Porque lhe dais tanta dor, porque sofrem assim?

Vitimas da guerra, da pobreza ou de outras formas de violência, é alarmante o número de crianças que foram forçadas a abandonar as suas casas e, mesmo, os seus países. Relatório da Unicef é um alerta que a organização deixa a todos os governantes

 

Com tudo o que o número traduz em vulnerabilidade, pobreza e desenraizamento, pelo menos 50 milhões de crianças vivem deslocadas no mundo, depois de terem sido forçadas a abandonar as suas casas, alerta a Unicef.

O número consta do relatório “Desenraizadas: a crise que se agrava para crianças refugiadas e migrantes”, apresentado na terça-feira, e é um alerta que a organização das Nações Unidas deixa aos governantes, com a certeza de que se nada for feito, a realidade continuará a agravar-se.

Por causa dos diferentes conflitos e da violência, cerca de 28 milhões de crianças tiveram de partir. As que a guerra não ‘empurrou’ para fora de casa, a isso foram forçadas pela pobreza extrema ou pelas mudanças climáticas.

 



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Sexta-feira, 27 de Maio de 2016
Nunca mais

 

Nunca mais? A memoria dos homens é curta, muito curta e o mundo está suspenso por três ou quatro botões que desencadeiam o apocalipse.

O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, prestou, esta sexta-feira, uma homenagem emocionada às vítimas do primeiro ataque nuclear da História numa visita inédita a Hiroshima, onde abraçou vários sobreviventes da bomba atómica.

"Há 71 anos, a morte caiu do céu", declarou o chefe de Estado norte-americano perante o memorial às vítimas da bomba atómica, largada sobre a cidade de Hiroshima às 08:15 locais de 6 de agosto de 1945.

Nesse dia, o mundo "mudou para sempre", essa bomba "demonstrou que a humanidade tem os meios para se destruir a ela própria", afirmou Barack Obama, citado pela agência France Presse.

"Porque é que viemos aqui, a Hiroshima? Viemos refletir nessa força terrível libertada num passado não tão longínquo. Viemos prestar homenagem aos mortos", acrescentou.

"As suas almas falam-nos, pedem-nos para olharmos para o fundo de nós mesmos", afirmou ainda Barack Obama.

"Os progressos tecnológicos sem progresso significam que as instituições humanas podem ser-nos fatais. A revolução científica que nos conduziu à fissão do átomo apela também a uma revolução moral", rematou.

A homenagem de Barack Obama é não só dirigida às mais de 210 mil vítimas japonesas dos dois bombardeamentos nucleares que colocaram um ponto final à Segunda Guerra mundial, mas ao conjunto das vítimas do mais nefasto conflito da história da humanidade.

A 06 de agosto de 1945, a força aérea norte-americana largava sobre Hiroshima a primeira bomba atómica da história e três dias mais tarde repetia a ação sobre Nagasaki. A utilização da arma, fruto do "Projeto Manhattan", desenvolvido no maior dos secretismos durante anos, determinou a capitulação do Japão e o fim da Segunda Guerra.

Barack Obama, nascido 16 anos depois, é o primeiro Presidente norte-americano em exercício a visitar o Parque da Paz. Richard Nixon visitou o local em 1964, antes da sua eleição; Jimmy Carter também ali esteve em 1984, muitos anos depois de deixar a Casa Branca.

 



Leia mais: Obama abraçou sobreviventes de Hiroshima http://www.jn.pt/mundo/interior/obama-recorda-em-hiroshima-o-dia-em-que-a-morte-caiu-do-ceu-5195873.html#ixzz49tSXxnYw
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Sábado, 30 de Abril de 2016
Bombardear hospitais

Continua a morrer-se em Alepo, "o pior lugar do mundo"

  

 


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publicado por pimentaeouro às 12:32
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Sexta-feira, 11 de Março de 2016
Cem anos

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Fez no passado dia 9 cem anos que começou a I Guerra Mundial, a primeira matança industrial da Humanidade.  Afonso Costa e a ala radical do Partido Democrático quiseram que Portugal entrasse na guerra por factores internos e externos.

No plano interno Afonso Costa queria tentar a união politica com os outros partidos que torna-se o país governável; uma união sagrada e patriótica. No plano externo pretendia defender as colónias de África cobiçadas pela nossa «aliada» Inglaterra e pela Alemanha. Estes dois países entre 1898 e 1912 realizaram reuniões secretas para partilharem entre si, colonizarem, Angola e Moçambique. Como na guerra estavam em campos opostos aqueles planos abortaram.

Os preparativos para a guerra foram a criação em Tancos, à pressa, do CEP, Corpo Expedicionário Português. Em Fevereiro de 1917 Portugal entra na guerra, supostamente como aliado da Inglaterra, na verdade como uma colónia sua: os nossos soldados eram transportados para França em navios ingleses, desarmados porque não tínhamos armamento, as armas e o treino militar foram-nos fornecidas pela Inglaterra, os nossos soldados estavam hierarquicamente subordinados aos oficiais ingleses: uma humilhação completa.

Paralelamente, tivemos que enviar soldados para defender Angola e Moçambique. Num país arruinado, com uma gravíssima crise económica, social e política, populações esfomeadas desfilavam nas ruas com bandeiras negras e assaltavam os armazéns e lojas para obterem comida, participar em duas guerras simultaneamente a milhares de quilómetros era pura patologia ideológica que roçava a loucura colectiva dos dirigentes políticos.

Para a maior parte dos soldados que iam «defender a pátria», Portugal era a casinha de adobo ou tijolo, o porco e dois palmos de terra para semear.

Um desastre e uma chacina anunciados, que disfarçamos com o monumento ao soldado desconhecido. Em Portugal, depois da guerra tudo ficou pior, mais fome, mais miséria, mais bombas de protesto.

 



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Sexta-feira, 6 de Fevereiro de 2015
Conversa de surdos

Ucrânia: Merkel e Hollande com Putine em Moscovo



Com a tropa de Kiev a ser varrida de toda a frente leste e com o país a cair num imenso ‘buraco negro’ económico, Merkel tenta reactivar a diplomacia e mobiliza Hollande para a acompanhar numa missão de última chance. Ontem em Kiev e hoje em Moscovo, o eixo Berlim-Paris, falando em nome da “Europa”, tenta obter um cessar-fogo e tempo para Kiev evitar o desastre e se reorganizar e rearmar. Ontem, o oficioso site russo ‘Russia Today’ destacava que Hollande anunciara à partida de Paris que não quer a Ucrânia integrada na NATO, não participa do fornecimento de armas a Kiev e pretende, com esta viagem, encontrar uma solução que satisfaça todas as partes envolvidas no conflito. A semana passada, o mesmo site dera destaque às declarações de Putine, em conversa telefónica com Merkel e Hollande, a responsabilizar Kiev pelo agravamento do conflito. 



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Segunda-feira, 1 de Setembro de 2014
Segunda Guerra Mundial
Segunda Guerra Mundial

A Segunda Guerra Mundial foi gerada a partir dos erros e imperfeições do Tratado de Versalhes, pelos efeitos nocivosda crise de 1929 e pelo conflito ideológico em torno das rivalidades entre o fascismo, por um lado, e os regimesdemocratas e o comunismo por outro. Neste conflito à escala do mundo, foram utilizados meios de destruição nuncavistos, como a bomba atómica, numa verdadeira guerra total que teve graves repercussões a vários níveis.
Na Primeira Guerra Mundial as responsabilidades do conflito bélico foram, mais ou menos, repartidas pelos seusintervenientes, enquanto que na Segunda Guerra Mundial a responsabilidade é indubitavelmente atribuída às ambiçõesimperialistas germânicas e japonesas. Com o desfecho da Grande Guerra, a Alemanha ficara numa posição bastantedifícil, agravada pela imposição de ter de pagar as "reparações" da guerra e por sofrer diretamente os efeitos da crisede 1929. Este panorama crítico facilitou a adesão dos alemães ao programa político de Adolf Hitler. Este era um líderpolítico carismático que exigia a revisão do Tratado de Versalhes, e tinha pretensões para além dos conceitos pan-germanistas. Hitler construiu um discurso, sedutor para muitos alemães, assente na proclamação da superioridade daraça ariana e num sentimento profundamente racista voltado, sobretudo, contra a população judaica.
A superioridade da raça e o antissemitismo eram justificados pelo direito que a Alemanha reclamava de "alargar o seuespaço vital" ("Lebensraum"), à custa de territórios de povos considerados inferiores da Europa Central e Oriental.
O Japão partilhava com a Alemanha esta ideologia imperialista. Desde a década de 30, o país encontrava-se sob adominação do partido militar e procurava obter mercados para a sua produção em crescendo e facilidades comerciais.Além disso, pretendia igualmente alargar a sua rede de influências no Pacífico e na Ásia Oriental. Entre 1931 e 1932anexou a Manchúria, e em 1937 ocupou-se da conquista da China, vindo a ameaçar as posições inglesas (Singapura,Malásia, Índia, ...) e americanas no Pacífico.
A Alemanha de Hitler, a Itália fascista e o império nipónico, apresentavam neste período regimes políticos com algumasafinidades. Em comum, tinham as preocupações militaristas e, sobretudo, a antipatia relativamente às potências saídasvencedoras na luta pela hegemonia dos oceanos.
A criação do eixo Berlim-Roma, a 1 de novembro de 1936, resultou das sanções impostas à Itália pela comunidadeinternacional, na sequência da Guerra da Etiópia de 1935. Àquela aliança veio a aderir, pouco depois, o Japão.
A Guerra Civil Espanhola, em 1936-1939, foi um dos "palcos" de ensaio da II Guerra Mundial (a par da Áustria, daManchúria e, em menor grau, da Etiópia). Neste conflito, a Inglaterra, a França e a URSS mostraram-se mais inclinadaspara a defesa da fação governamental republicana, enquanto a Alemanha e a Itália estavam claramente ao lado dafação nacionalista do general Franco, a quem concederam apoio militar, através do qual puderam testar as armas eexperimentar táticas de guerra.
O líder alemão procurava absorver territórios por tradição germânicos (como a região dos Sudetas, na Checoslováquia),ao passo que o Ocidente Europeu, sobretudo a Inglaterra, estava como que "adormecido" e confiante numa política deconcessões que mais não fez do que fortalecer a confiança da Alemanha.
A Inglaterra e a França só despertaram para o problema alemão quando Praga foi ocupada pela Wehrmacht (umexército terrestre alemão). Nesta altura, a URSS tentou uma aproximação com a Alemanha (Pacto Germano-Soviéticode 23 de agosto de 1939), pois considerava a capacidade de resistência ocidental pouco consistente. Este factopermitiu a Hitler avançar para a guerra, sem temer entrar em combate em duas frentes.
A 1 de setembro de 1939, a Wehrmacht avançava sobre a Polónia, e a 3 desse mês a Inglaterra, e depois a França,declaravam guerra ao III Reich.
Entre 1940 e 1941, a II Guerra Mundial entrou na sua primeira fase, denominada "Guerra Relâmpago" ("Blitzkrieg"), naqual a Alemanha dispunha de preciosas vantagens: uma forte unidade de comando, um líder carismático próximo dopovo, uma já longa e eficiente propaganda, um exército bem apetrechado e bem treinado que lançou ataquesrelâmpago, a partir de tanques e da sua aviação. Esta "blitzkrieg" consistia no bombardeamento aéreo intensivo dosobjetivos e no avanço rápido da infantaria, protegido pelas eficazes e velozes divisões blindadas - "Panzer".
A França não tinha capacidade de resposta a um ataque deste tipo, uma vez que não conhecia uma unidade política;estava ainda presa a táticas antigas e não dispunha de um exército e de uma aviação tão poderosas como os alemães.Como reflexo desta obsolência tático-militar refira-se o facto de Paris basear a defesa numa estática e ultrapassadalinha defensiva concebida para um conflito como o da I Guerra Mundial: a "linha Maginot".
No espaço do mês de setembro de 1939, a Polónia foi invadida e dividida entre a Alemanha e a União Soviética, semque a França tivesse tido sequer hipótese de reagir. Entretanto, a URSS atacava a Finlândia, que se revelaria um "ossoduro de roer" e inconquistável. Agora as atenções da guerra estavam voltadas para a Escandinávia. Os alemãesocuparam de seguida a Dinamarca (num só dia!), e atacaram a Noruega em abril de 1940, obrigando à retirada dos seusinimigos em junho de 1940. Fechavam assim o Atlântico Norte e o báltico aos ingleses e soviéticos, para além deacederem ao ferro nórdico, tão importante para a indústria de guerra.
A 14 desse mês, a cidade de Paris foi tomada pelas forças alemãs, e o governo de Pétain pediu o Armistício, assinado a22 de junho, numa altura em que os alemães tinham chegado já à fronteira com a Espanha. Apenas a França meridional(à exceção da Aquitânia) ficou livre dos alemães. Na linha Maginot, nem sequer se chegou a disparar um tiro, pois osalemães contornaram-na através da invasão das neutrais Bélgica e Holanda, o que surpreendeu a França e indignou omundo. A chamada "drôle de guerre" ("guerra de brincadeira") revelou-se extremamente amarga para os franceses. A 10de julho a Itália juntou-se à Alemanha, e a Inglaterra estava cada vez mais isolada, sobretudo, depois da queda daFrança. No entanto, sob a forte liderança do Primeiro Ministro britânico Winston Churchill, erguia-se a resistência. Estabeneficiou de uma aparente derrota que consistiu na célebre e dramática retirada de Dunquerque, à primeira vista umdesastre para os Aliados, mas que permitiu a reorganização das forças em solo britânico. Logo então se verificou amobilização e apoio da nação inglesa; na retirada, a grande operação "Dínamo", foram utilizados todos os meios navaispossíveis e os cidadãos ingleses participaram usando os seus barcos de recreio para evacuar as tropas.
Hitler não pode invadir a ilha, num primeiro momento, mas procurou continuar a desafiar a sua moral, através deconstantes bombardeamentos.
Na "Batalha de Inglaterra", travada entre agosto e novembro de 1940, muitas cidades inglesas, sobretudo as do sul,foram destruídas mas, apesar disso, a Luftwaffe (a força aérea alemã) fracassou no seu intento. Os ingleses contavamcom a sua superioridade marítima, e no verão desse ano foram abastecidos com material de guerra vindo da América doNorte. Além disso socorreram-se de um novo invento militar extremamente eficaz e ainda não possuído pelos alemães: oradar, que surpreendeu Hitler e os seus generais.
Na Líbia os italianos lutavam com os ingleses enquanto as potências do Eixo se ocupavam da reorganização da Europasegundo as suas conveniências políticas. Mussolini queria mais protagonismo do que o que lhe era concedido, e poressa razão decidiu atacar a Grécia em 28 de outubro de 1940; só que, tanto na Grécia como na Líbia, teve de pedirauxílio aos alemães.
Ao mesmo tempo que o Afrikakorps do general Rommel chegava então a África, em fevereiro de 1941, a Jugoslávia erainvadida pelas divisões blindadas de von Kleist; pouco depois, as de List invadiram a Grécia e Creta. Nestas operaçõesmanifestou-se, mais uma vez, a capacidade inventiva da máquina de guerra alemã: falamos da intervenção das tropasaéro-transportadas, que já tinham tido imenso sucesso e efeito surpresa na Holanda e Dinamarca. Com a II GuerraMundial pela primeira vez na história dos conflitos bélicos eram utilizados paraquedistas.
Entre 1941 e 1942 o Eixo avançou; todavia, os planos de Hitler foram alterados. A Guerra Relâmpago não lhe dera aconquista da Inglaterra e as relações com a URSS, entretanto, tinham-se destabilizado, a ponto da Alemanha invadir oseu ex- "aliado", na "Operação Barbaroxa", iniciada em junho de 1941, atrasada por dois meses devido a problemas nosBalcãs.
O sucesso inicial pertenceu às forças hitlerianas, que em setembro de 1941 cercaram Leninegrado (atual S.Petersburgo) e tomaram Kiev a 19 de setembro. O general von Block saiu vitorioso nas batalhas do cerco de Minsk e emBialystock, e, seguidamente, nas de Viazma-Briansk. Em outubro, chegava às portas de Moscovo.
A Wehrmacht, exausta e esgotada, retirou-se então para retemperar as suas forças, mas quando retomou asoperações foi surpreendida pelo rigoroso inverno russo. Esta campanha revelou-se num extremo fracasso para os até aísempre vitoriosos exércitos alemães. A ação do célebre "general inverno" e a resistência das tropas soviéticas, foramdecisivas para a derrota nazi a leste. Os exércitos alemães, profundamente desgastados e dizimados, foram obrigados aretirar. A primeira grande derrota de Hitler ecoou por toda a Europa, onde crescia o sentimento de revolta daspopulações contra o invasor e a esperança renascia. Criava-se, entre os alemães, principalmente os militares, o terrívelespetro negativo da "Frente Russa", um castigo para muitos soldados que levavam apenas "bilhete de ida" ...
Em 1941 a Inglaterra era favorecida por uma lei norte-americana votada pelo congresso, a lei de empréstimo-arrendamento, que permitiu o envio de material para a Europa, imediatamente colocado ao serviço da Inglaterra; nessemesmo ano, os americanos aprovavam um plano de auxílio à URSS. A 14 de setembro de 1941, num navio de guerra noAtlântico, foi assinada a Carta do Atlântico, entre a Inglaterra e os Estados Unidos da América, um documento ondeeram propostos os objetivos da guerra e do pós-guerra por parte dos Aliados. Nesta fase dos acontecimentos opresidente norte-americano, Roosevelt, não tinha o apoio da opinião pública americana, que era contra a entrada doseu país na guerra. No entanto, esta posição mudou radicalmente com o ataque japonês a Pearl Harbor, que fez entraros EUA na II Guerra Mundial (7 de dezembro de 1941); a 11 de dezembro, a Itália e a Alemanha declararam guerra aosEstados Unidos, numa altura em que a URSS adotava uma posição de neutralidade no conflito do Extremo Oriente.
Nesta área, o Japão já tinha tomado o Sudoeste Asiático e ameaçava a Austrália. A ofensiva apenas foi contrariadapela batalha de Midway (ilhas a norte do Hawai), em junho de 1942, em que os americanos vencem e travam o avançonipónico, mudando o curso da guerra do Pacífico. Com estes acontecimentos terminava, segundo os especialistas, afase vitoriosa do Eixo. A partir de então, a guerra entrava naquilo a que vulgarmente se designa "o equilíbrio de forças",um período que a longo prazo se revelará decisivo no percurso do conflito.
O ano de 1942 foi um bom ano para o Eixo. Em julho de 1942 a Wehrmacht lançou uma nova ofensiva, conquistou aCriméia, chegou ao Cáucaso (região petrolífera) e ao Volga (minas de carvão e ferro abundantes), enquanto oAfrikakorps se aproximava do Cairo. Começava a crescer o prestígio do comandante Erwin Rommel, encarado por todos(alemães e adversários aliados) como um superdotado e protegido pela sorte. A tal ponto que o comando Aliadopublicou diversas ordens de serviço onde se referia, expressamente, que aquele a quem chamavam "a raposa dodeserto", era um militar como outro qualquer e passível de ser derrotado - como viria a suceder. O Reich estava ainterferir no Médio Oriente, instigando a revolta das populações árabes contra os ingleses e, juntamente com o Irão,atacava a Índia britânica, também fustigada pelos japoneses, que dominavam a leste, a colónia inglesa de Burma (hojeMyanmar ou Birmânia). Mas estas vitórias quase se podem considerar o "canto do cisne" do avanço das forçastotalitárias.
Nesta altura a batalha também evoluia no Atlântico para um conflito naval que se travava mesmo antes da entradaoficial dos Estados Unidos na guerra. A ação dos submarinos do Almirante Doenitz, (no fim da guerra, por uns dias,ainda sucedeu a Hitler), os terríveis "U-Boat" (U2) foi avassaladora, afundando milhões de toneladas, entre navios deguerra e de transporte. Mais uma vez a tenacidade da resistência aliada, reforçada com a entrada dos americanos noconflito e o desenvolvimento de novas armas (como as cargas de profundidade) e táticas navais, foi decisiva para osaliados levarem a melhor. A "limpeza" dos mares, até aí infestados de submarinos germânicos, foi decisiva para amanutenção e intensificação de linhas de abastecimento entre a Europa (mais propriamente entre as ilhas britânicas eas bases americanas dos Açores) e a América do Norte.
O "raid" japonês a Pearl Harbor desorganizou momentaneamente a máquina bélica norte-americana. Contudo, os EUArecuperaram bem com uma rápida readaptação da indústria de guerra, a qual prontamente recompensou as perdassofridas. Este país assumiu a partir de então o papel de "arsenal" das potências aliadas.
O Exército Vermelho continuava a lutar, ao mesmo tempo que os aliados passavam ao contra-ataque bombardeando ascidades ocupadas numa Europa dominada pela Alemanha. Esta nação era forte mas revelava fragilidades: a carência dematérias-primas e de mão de obra eram as mais evidentes. Para as resolver, os nazis aplicaram uma política repressivanos países ocupados, explorando os seus reclusos e obrigando à deportação de milhares de pessoas para diversoscampos-de-trabalho. Contudo, o objetivo não era apenas este. Os nazis praticaram uma politica racista, perseguindociganos e sobretudo judeus, em especial no leste da Europa. Os vários milhões de pessoas deportadas não foramlevadas para campos-de-trabalho; foram conduzidas para os tristemente célebres campos de morte - Auschwitz,Dachau, Treblinka, entre outros - onde foram pura e simplesmente exterminadas.
Do outono de 1942 a 1945, a vitória passou a estar ao alcance dos Aliados. Terminara a fase do equilíbrio de forças econtenção no avanço territorial germânico e iniciava-se a última etapa do conflito: o avanço aliado. A 23 de outubro de1942 o general Montgomery iniciou uma contra ofensiva britânica no Egito, perseguindo as forças italianas e germânicasque se refugiaram na Tunísia. Depois de El Alamein, "Monty" dominava o Norte de África. Para além do génio militardeste general bem como do seu congénere norte-americano Patton, que derrotou os italo-alemães na batalha deKesserling, o VII exército aliado beneficiou do desgaste do material alemão e do corte no envio de reforços por parte deBerlim. Rommell, entretanto, é enviado para a França, onde terá a seu cargo a supervisão da defesa da barreiraatlântica alemã ("a muralha do Atlântico") contra a eminente invasão aliada.
Em novembro, as tropas anglo-americanas desembarcaram no Norte de África francês, de onde partiu o ataque deItália. No final de 1942, o Exército Vermelho lançou uma operação ofensiva no Volga, onde as forças germânicascomandadas por Von Paulus resistiram até ao limite das suas forças, vindo a capitular a 2 de fevereiro de 1943. Nestecontra-ataque soviético, deu-se a célebre batalha de Estalinegrado (hoje Volvogrado, S. Petersburgo), confrontodecisivo e tristemente emblemático da II Guerra Mundial. De 25 de agosto de 1942 a 2 de fevereiro de 1943, osalemães ocupantes (depois da ofensiva sobre o Cáucaso) sofreram um duro cerco dos soviéticos, perante o qualcapitulam, deixando um rasto de cerca de 300 000 soldados seus mortos. Rebentava um verdadeiro escândalo e mau-estar entre os comandos alemães: pela primeira vez, um general alemão, von Paulus, aceitava render-se ao inimigo.Hitler chamar-lhe-ia "traidor". O cerco a Estalinegrado foi mesmo considerado um dos episódios mais dramáticos daguerra. A população soviética, abandonada à sua sorte, sofreu horrores nunca vistos. Conta-se que, para sobreviver,muitos soldados foram levados a alimentar-se com carne humana, dos familiares que pereceram vítimas das balasalemãs, do frio e da subnutrição ou mesmo de soldados. 
Nesse ano o Eixo perdia em todas as frentes. No Pacífico, os americanos conquistam Guadalcanal, e estavam a prepararuma grande ofensiva. Entre o inverno e a primavera, o Exército Vermelho prosseguiu a sua marcha, recuperou Rostovem fevereiro de 1943, Kharkov em agosto; Donetsk e Kuban em setembro, Smolensk a 25 de setembro e Kiev a 6 denovembro.
A 24 de julho, Mussolini tinha caído nas mãos dos seus inimigos, na sequência do desembarque dos Aliados na Sicília a10 de julho de 1943, enquanto a Alemanha persistia em resistir. Mussolini fora preso pelo rei, mas de seguida foilibertado pelas SS, enquanto a Itália continental era ocupada pela Wehrmacht.
A 9 de setembro de 1943, os Aliados desembarcaram em Itália, em Anzio, onde encontraram uma forte resistência. Só a4 de junho de 1944 conseguiram tomar a cidade de Roma depois de conquistarem o reduto nazi de Monte Cassino,cerco que também ficou célebre tal foi a destruição e mortandade atingidas. Na tomada de Itália, os francesesentraram de novo em grande força no conflito com um contingente das F.F.L. (Forças Francesas Livres).
Após o encontro entre os líderes das potências aliadas, o presidente norte-americano F. D. Roosevelt, o primeiroMinistro britânico Winston Churchill e o secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética (P.C.U.S.) JoséEstaline, efetuado na Conferência de Teerão (Irão) entre novembro e dezembro de 1943, os ingleses e americanosprepararam uma ofensiva militar decisiva para o desfecho deste conflito - o desembarque na Normandia. Esta operação,de nome de código Overlord, dirigida sob o alto comando do general Dwight Eisenhower, foi preparada ao longo de meioano.
A Alemanha tentava aguentar a situação militar e manter o moral, mas a guerra começava a escapar do seu controlo.Na primavera de 1944, os russos desenvolveram uma nova grande ofensiva no vale do Dniepre. Tomaram Odessa, aCriméia e Sebastopol, invadindo depois a Roménia e a Bulgária.
Entre 1944 e 1945, a guerra entrou numa fase que conduziria à derrota total das forças tripartidas do Eixo. A 6 dejunho de 1944 (dia D, ou J, de jour para os franceses), as forças conjuntas inglesas e americanas desembarcaram nacosta da Normandia, onde se instalaram, para depois penetrarem na linha defensiva alemã de Avranches a 30 de julho,que exploraram bem, até à entrada em Paris a 25 de agosto, passando depois para o Somme, Aisne e Marne. O segundodesembarque das forças aliadas, desta feita franco-americano, efetuou-se na Provença a 15 de agosto, permitindo alibertação de Toulon e de Marselha (na França Livre, mas dominada pelos nazis), duas importantes bases navais. Àmedida que se desenrolavam estes acontecimentos, ações de guerrilha (da Resistência e dos "Maquisards") tentavamdestabilizar as forças germânicas, na retaguarda. 
Era, por assim dizer, o prolongamento de uma das facetas mais heroicas da guerra: a da resistência nos paísesocupados. O grande episódio desta "guerra da noite" desenrolara-se por toda a França onde o "maquis" (designação deum género arbustivo típico do sul de França, onde se localizavam os redutos dos resistentes "maquisards") protagonizoua chamada "batalha do rail", desorganizando e sabotando o sistema de transporte e abastecimento das tropas alemãs,através de comboios, bem como fornecendo informações vitais aos comandos aliados. Entre os mártires desta "guerra",citem-se, entre tantos, os nomes de heróis como Jean Moulin ou o historiador Marc Bloch.
Mas este movimento não se resumiu à França. Em todos os países houve quem não receasse perder a vida pelaliberdade pegando em armas contra o invasor e, neste processo, destacaram-se os militantes dos partidos de esquerda.A título de exemplo veja-se o caso da Jugoslávia, cuja resistência ficou, quase em exclusivo, a dever-se aosguerrilheiros do general croata Tito (Jozip Broz). A Wehrmacht entretanto retirava-se para as fronteiras alemãs, masHitler depositava as suas esperanças na utilização de uma nova arma: as bombas V1 e V2, usadas em 1944 nobombardeamento das cidades inglesas, a partir de bases na Noruega e na ilha de Helgolândia.
Depois de alguns sucessos na contraofensiva das Ardenas, os alemães foram travados pelos norte-americanos. Naregião renano-alsaciana, os franceses ocupavam Estrasburgo em setembro, mas só acabaram com a bolsa deresistência alemã de Colmar em fevereiro de 1945.
A frente oriental parecia estar estável, mas o Exército Vermelho preparava a sua última grande ofensiva, concretizada apartir de 12 de janeiro de 1945, quando tomou Varsóvia, Cracóvia, Lodz e, em fevereiro, Budapeste e Poznan.
A partir de fevereiro de 1945, a guerra chegava ao interior das fronteiras da Alemanha. Os alemães, estupefactos,foram batidos pelos russos em Torgau, ponto de encontro das duas frentes aliadas, no Elba, a 25 de abril de 1945. EmBerlim, uma cidade cercada, Hitler foi informado da morte de Mussolini, enforcado em Milão por resistentes italianos a 28de abril. Nesta altura, o líder nazi havia-se refugiado num "bunker" na capital do Reich. A guerra estava perdida.Passados dois dias Hitler pôs termo à sua vida, juntamente com a sua companheira Eva Braun (casados oficialmentehavia poucos dias); e o novo governo foi formado pelo almirante Doenitz, que pediu o final das hostilidades. O cadáverde Hitler nunca foi descoberto, provavelmente por se ter transformado em cinzas depois de cremado pelos seusesbirros. Já Goebbels, ministro da Propaganda, sua mulher e oito filhos, que se tinham suicidado, foram queimados, masos corpos ainda foram encontrados reconhecíveis.
A 2 de maio, Berlim era oficialmente tomada pelos soviéticos, no mesmo dia em que as tropas alemãs eram derrotadasdefinitivamente na Itália. A capitulação dos alemães foi assinada a 8 de maio. Em conformidade com as determinaçõesacordadas na Conferência de Ialta de fevereiro de 1945, a Alemanha foi então dividida em zonas de ocupação.
No Pacífico, a Guerra ainda não tinha terminado. Os americanos tinham desembarcado nas Filipinas em setembro de1944, tomaram Manila em fevereiro do ano seguinte e destruíram a quase totalidade da frota japonesa na batalha navalde Okinawa em 6 e 7 de abril de 1945, às "portas" do Japão. No arquipélago filipino, como também na China, osJaponeses criaram campos prisionais medonhos que não ficam atrás dos dos nazis em requintes de crueldade.
A guerra aqui parecia continuar porque o Japão ocupava ainda a Indonésia, a Indochina, uma parte da China e algumasilhas no mar Amarelo e da China Meridional. Para pôr um ponto final nesta situação, o presidente americano mandoulançar duas bombas atómicas sobre o Japão, uma em Hiroxima a 6 de agosto de 1945, e uma segunda em Nagasáqui a 9de agosto do mesmo ano (um saldo imediato de mais de 120 000 mortos). Estes dois atos levaram à capitulação dosjaponeses, assinada a 14 de setembro de 1945, no couraçado americano Missouri, estacionado na Baía de Tóquio. Dolado americano, estava o general Douglas McCarthur, o comandante-chefe das forças aliadas no Pacífico e que haviacoordenado a guerra nesta zona desde a invasão japonesa das Filipinas no início de 1942.
A II Guerra Mundial fez cerca de sessenta milhões de mortos, metade dos quais civis. Para além da destruição de vidashumanas e da destruição massiva de quase todas as estruturas produtivas europeias, este conflito mundial provocou aderrocada dos valores da civilização ocidental, questionados por esta onda de violência sem precedentes. Era muitodifícil superar este terrível clima de terror, que culminou com a utilização da mais destruidora de todas as armas, abomba atómica, ainda hoje polémica, e conheceu o horror dos horrores com a "Solução Final" nazi que foi o Holocausto(Shoah, entre os judeus).
Com o final da guerra a tragédia não acabou; havia aproximadamente 20 milhões de deslocados, que levantavamquestões de repatriamento; a economia da Europa estava arrasada; e os países de Leste dominados pelas forçashitlerianas passaram a estar sob o domínio de regimes totalitários de esquerda, centrados na URSS de Estaline, um líderbrutal também. 
O Mundo estava agora dividido entre dois fortes polos de influência, os Estados Unidos e a União Soviética. Os povoscolonizados começavam a reivindicar a sua libertação e a Alemanha deixava de ser um estado coeso, dando lugar aduas nações: a República Federal da Alemanha (Ocidental) e a República Democratica do Leste.
Como referenciar este artigo:
Segunda Guerra Mundial. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2014. [Consult. 2


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Sábado, 28 de Junho de 2014
A civilização fracaçou
  • Rui Ramos
28/6/2014, 

A democracia e a ciência conjugaram-se para tornar a I Guerra Mundial no que ela foi: um horror incontrolável, que durou até ao colapso total de um dos combatentes e teve os efeitos que todos temia.

Há cem anos, um jovem deu dois tiros num casal de visita a Sarajevo. E um mês depois começava a I Guerra Mundial, no fim da qual, segundo nos têm ensinado, tinha acabado um mundo e começado outro. A relação entre os dois tiros e uma ruptura histórica tão grande atormenta-nos desde então. Dizer que as vítimas eram o herdeiro do império austro-húngaro e a sua mulher, e que o assassino era um dos militantes dos nacionalismos balcânicos, não chega. Estão as civilizações penduradas de tais acasos? Não será preferível encarar o atentado de 28 de Junho de 1914 como o simples pretexto para conflitos inevitáveis e agressões planeadas?

28th October 1914:  British soldiers lined up in a narrow trench during World War I.  (Photo by Hulton Archive/Getty Images)

Os contemporâneos da I Guerra Mundial preferiram discutir culpas – da conspiração alemã à negligência inglesa. Nós optamos por evocar a primeira grande matança da época contemporânea – quase 9 milhões de soldados mortos — ou, mais sugestivamente, como fez o Wall Street Journal (http://online.wsj.com/ww1/
), desfiamos tudo o que devemos à I Guerra Mundial – e que parece ser de facto quase tudo, desde o fascismo à cirurgia plástica, passando pela projecção mundial dos EUA e pelas fronteiras (agora em colapso) do Médio Oriente.

Com a “Grande Guerra”, acabou o mundo a que hoje só chegamos lendo Proust ou vendo Downton Abbey. Ninguém deu forma tão fantástica à sensação de fim como Karl Kraus, com o seu drama Os Últimos Dias da Humanidade (de que há uma tradução parcial em português, da Antígona), onde encenou as conversas inspiradas pela guerra nas ruas, nas redacções dos jornais, nos quartéis, nos salões. A Kraus, tudo parece estúpido e fútil, a começar pela ideia de que a guerra podia ser uma forma de transcendência. A sensibilidade de Kraus é a nossa. E está aí, mais do que nos bigodes e espartilhos, a grande diferença que nos separa dessa época.

Em 1914, as grandes potências do mundo eram europeias e ainda tratavam a guerra como um meio normal de decidirem questões. Desde meados do século XIX, tinha sido assim que a expansão russa no Mar Negro fora contida e que a Itália e a Alemanha haviam sido unificadas. Por isso, há cem anos, os governos europeus dispuseram-se a definir mais uma vez os seus equilíbrios de poder através das armas. A Alemanha convenceu-se de que nada tinha a perder em tentar a sua sorte contra a Rússia. A Áustria julgou que tudo tinha a perder se não confrontasse a Sérvia. Uns anos antes, o autor inglês Norman Angell tentara demonstrar que as economias europeias estavam demasiado interligadas para permitir uma guerra. Mas todos os planos militares supunham uma guerra rápida. O estado-maior alemão esperava aniquilar a França e a Rússia em poucos meses.

Acontece que os planos falharam. Em 1914, os alemães não conseguiram derrotar os franceses. Em 1915, franceses e ingleses não conseguiram derrotar os alemães. Os chefes militares confiavam nas ofensivas, mas as defesas provaram sempre ser mais fortes. O impasse, porém, não pôs termo à guerra. E é essa a grande questão.

O mistério da I Guerra Mundial não é o seu começo. Isso é relativamente fácil de explicar. O grande mistério da I Guerra Mundial é o facto de não ter acabado quando, em menos de um ano, ficou demonstrado que nenhum dos combatentes estava em condições de ganhar. As guerras anteriores tinham sido rápidas e contidas: a guerra entre a França e a Áustria em 1859, entre a Prússia e a Áustria em 1866, ou entre a Prússia e a França em 1870, não passaram de uma ou duas grandes batalhas e duraram uns meses. Tinham sido “guerras de gabinete”, controladas, com objectivos restritos, e negociações à vista. Porque é que a guerra de 1914 adquiriu a intensidade e a intransigência de uma espécie de guerra civil europeia, como a guerra civil americana de 1861-1865, excluindo os compromissos que, em geral, haviam limitado as guerras europeias do passado?

circa 1914:  British soldiers in the trenches during World War I.   Original Publication: From 'Official Series The Great War' - 'With dogged courage we overcome stiff resistance and break the Hun lines from Epehy to Bellicourt'.  (Photo by Hulton Archive/Getty Images)

É o grande paradoxo desta história: uma guerra iniciada como outro meio de fazer política, segundo a concepção de Clausewitz, tornou-se um confronto apocalíptico, aprisionando todos os combatentes numa imensa máquina de triturar. E é aqui que a ideia da guerra como origem da nossa modernidade, como se antes dela estivesse um mundo parado e tranquilo, subitamente destruído por uma imprevidência, não ajuda a perceber o que se passou. A Europa, em 1914, passava por transformações económicas, sociais e políticas sem paralelo. Nunca o comércio internacional tinha sido tão intenso (e nunca mais o seria, até ao fim do século XX). Cada vez mais países desenvolviam bases industriais. Os Estados democratizavam-se, através do alargamento dos eleitorados e da parlamentarização dos regimes.

Ao mesmo tempo que arriscaram a guerra, as elites políticas das potências europeias convenceram-se de que, no novo contexto histórico, uma derrota não significaria apenas uma perda territorial ou uma indemnização de guerra, como no passado, mas a queda do regime ou o desaparecimento do próprio Estado. Para ganhar, as elites europeias apostaram nas próprias forças que pareciam explicar a transformação do mundo no princípio do século XX: por um lado, a ciência e a tecnologia; por outro, a democratização, no sentido da mobilização e enquadramento político do que então se começava a chamar as “massas”.

A fim de movimentar as vontades e os recursos das nações, todos os governos propagandearam a guerra como um combate final contra bárbaros a quem não era possível fazer quaisquer concessões (na imprensa inglesa, os alemães passaram a ser os “hunos”). A vitória seria a salvação definitiva da humanidade, a derrota seria o fim de toda a civilização. E quando esbarraram num impasse, acreditaram que as maravilhas técnicas da revolução industrial acabariam por ser decisivas: com a artilharia, o gaz, os tanques, os aviões, os submarinos, era uma questão de perseverar, de tentar novamente, de nunca desistir.

A democracia e a ciência conjugaram-se assim para tornar a I Guerra Mundial no que ela foi: um horror incontrolável, que durou até ao colapso total de um dos combatentes e teve os efeitos que todos temiam – o desaparecimento de Estados, como o império austro-húngaro ou o império otomano, e a polarização e brutalização da cultura europeia. Mas não foi a guerra que mudou o mundo: foi a própria guerra que mudou, porque o mundo estava a mudar.

 



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