Conhece-te a ti mesmo... se puderes.

Quarta-feira, 22 de Novembro de 2017
A lampada de Aladino

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Aladim nasceu na China, entendido na Idade Média árabe como a parte da Rota da Seda que compreendia a região do Quirguistão e Sinkiang (no noroeste da atual China). O conto possui diversas edições, mas a maioria delas preserva o teor central do enredo. Na versão do francês Antoine Galland, que inspirou as variadas traduções nos diferentes idiomas no Ocidente, o protagonista Aladim é descrito como um jovem adolescente que se recusa a aprender o ofício do pai, que é alfaiate, sendo descrito por sua mãe como imaturo, "esquecido que não é mais criança". Mesmo depois da morte do pai, quando tinha quinze anos, ele não se modifica – é travesso e prefere brincar a trabalhar. Por este motivo, é também descrito como mau e desobediente.

Aladim mantém-se despreocupado com uma definição para sua vida até ter um encontro com um feiticeiro ou mágico, que o procurava. Este encontro foi determinante para modificar sua trajetória. O mago, possuidor de muitos poderes e capaz de realizar muitos feitos, procura Aladim como um auxiliar eficaz para concretização de uma meta específica – obter uma "lâmpada maravilhosa", uma lamparina semelhante àquelas utilizadas na iluminação doméstica, mas que continha um "gênio" (em árabe djin) que a habitava e que era capaz de realizar todo e qualquer desejo a ele dirigido. A lamparina com o gênio era para o mago um recurso mágico que lhe daria mais poderes e que lhe permitiria realizar os desejos irrestritamente; mas ela estava guardada no interior de um jardim encantado, em uma espécie de gruta ou caverna, que continha muitas jóias e moedas de ouro.

O mago pede a Aladim que entre na caverna misteriosa para retirar de lá a lâmpada e, em troca, lhe oferece uma fortuna. Entrega-lhe um anel mágico para sua proteção. Aladim entra na caverna e pega a lâmpada, mas o mago tenta ludibriá-lo na saída da gruta, e ele acaba preso na caverna com a lâmpada. O gênio que habitava a lâmpada se manifesta após um gesto acidental de esfregá-la, e concede a Aladim a realização de seus pedidos, que são todos consumados. Um dos desejos de Aladim foi o de se tornar um príncipe e desposar a princesa, filha do sultão. Ao transformar radicalmente sua realidade pessoal tornando-se príncipe, transforma-se em adulto, casa-se e passa a ser o governador de seu reino. Mas antes ainda enfrenta duas provações.

A primeira é quando o feiticeiro, tempos depois, retorna e, fazendo-se passar por um mercador excêntrico que "troca lâmpadas velhas por novas", consegue obter a lâmpada mágica da mulher de Aladim e ordena ao gênio que transfira o palácio de Aladim para sua terra, o Magreb africano. Felizmente, Aladim conserva o anel mágico, invoca seu gênio, ao qual pede que o transporte ao Magreb, onde mata o feiticeiro, recupera a lâmpada e traz de volta seu palácio.

Tempos depois, o irmão do feiticeiro resolve vingar aquela morte, assassinando uma velha asceta e curandeira e, "usando os trajes dela e imitando-lhe os modos", engana a mulher de Aladim e se introduz no palácio. Aladim, alertado pelo gênio da lâmpada, mata o impostor. Doravante, "levou com a esposa [...] uma vida plena de felicidade, alegria e regozijo, até que lhe adveio o destruidor dos prazeres e separador das gentes".



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Domingo, 19 de Novembro de 2017
Velho do Restelo

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Velho do Restelo é um personagem introduzido por Luís de Camões no canto IV da sua obra Os Lusíadas.[1] O Velho do Restelo é variamente interpretado como símbolo dos pessimistas,[2] dos que não acreditavam no sucesso da epopeia dos Descobrimentos Portugueses, e surge na largada da primeira expedição à Índiacom avisos sobre a odisseia que estaria prestes a acontecer:[3][4] No episódio, narra-se a partida de Vasco da Gama aos mares (a saída do porto, ainda em Portugal). Um ancião (o Velho do Restelo) põe-se então a acoimar as viagens e os ocupantes das naus, sob o argumento de que os temerários navegadores, movidos pela cobiça de fama, glória e riquezas, procuravam desastre para si mesmos e para o povo português.

 

A História deu-lhe razão.



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Sábado, 18 de Novembro de 2017
Historia trágico-marítima

 

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A longa rota percorrida pelos navios portugueses desde a viagem de Vasco da Gama, entre Lisboa e a Índia, por via do Cabo da Boa Esperança, transformou-se, por vezes, num palco de catástrofes. De acordo com as estimativas feitas, admite-se que nos séculos XVI e XVII naufragou um navio em cada cinco dos que partiram com destino à Índia. Se limitarmos o período ao século XVI e à primeira metade do XVII, a percentagem de perdas atingiu quase 25%.

Quando a tragédia permitia que os náufragos chegassem a alguma terra ou ilha e dali voltassem à Índia ou atingissem, caminhando, algum local onde pudessem recorrer a outro navio, o acontecimento, depois de ter sido contado pelos sobreviventes, ficava registado pelas próprias testemunhas ou por alguém que tivesse mais habilidade na redacção. Nas páginas das narrativas enumeravam-se as causas dos naufrágios, como a largada fora da época regulada pelas normas, as excessivas dimensões e a má construção dos navios, utilizando madeiras inadequadas e calafetagem insuficiente: o exagero das cargas e a sua má distribuição; as tempestades, a deficiência das bombas de água, a carência de velas sobressalentes, a inexperiência, a ignorância e a incapacidade dos pilotos, a falta de solidariedade entre os navios, em virtude de ambição de chegar primeiro aos portos de destino e os ataques de inimigos – piratas, corsários e navios de frotas adversas (francesas, inglesas, holandesas e turcas). Também se revelavam as situações psicológicas dos tripulantes e passageiros desorientados e desesperados e o comportamento dos homens que tinham enfrentado os perigos, a agonia e a morte, tanto na aflição do naufrágio, em que gritavam e recorriam ao socorro divino na confusão do momento extremo, mostrando o individualismo dos homens exposto na tentativa de salvação, como no sofrimento da peregrinação fatigante e perigoso em terras africanas inóspitas. Desta forma nasceu um género literário característico, que se baseia em experiências verdadeiras e que consistia nos relatos de naufrágios, cativando os leitores com os seus episódios impressionantes e aterrorizadores e circulando sob a forma de folhetos avulsos como literatura de cordel.

Todavia, os naufrágios de que se fez redacção foram, evidentemente, apenas uma ponta do icebergue. Em quase 40% dos casos, desconhecemos por que razões naufragaram estes navios, pois perderam-se com todos os tripulantes, passageiros e cargas sem deixarem sobreviventes, testemunhas ou vestígios. Ainda que este desaparecimento total não tivesse originado nenhuma narração, em que se descrevesse a desgraça no mar, considera-se mais calamitoso do que aqueles que foram alvo de relações e se tornaram célebres. Os empreendimentos heróicos e as façanhas prestigiantes dos Portugueses deram origem às crónicas laudatórias. Em contrapartida, afirma-se que a História Trágico-Marítima se salienta de um modo específico na Cultura Portuguesa, apresentando o seu lado escuro/sinistro, constituindo o reverso da visão épica/heróica, mostrando-nos o aspecto sórdido do comércio, da conquista e da navegação perpetuados nas Décadas e nos Lusíadas e podendo ser considerada como uma «anti-epopeia dos Descobrimentos».

Os relatos de naufrágios lograram grande popularidade, de tal forma que o do galeão São João que naufragou em 1552, afamado como o naufrágio de Sepúlveda, foi reeditado diversas vezes, e a primeira edição do da nau Santo António, surgido em 1565, teve mil exemplares numa época em que a tiragem média era mais ou menos de trezentos. A vasta divulgação fez com que, nos anos de 1735 e 36, doze desses folhetos e manuscritos fossem coligidos em dois tomos pelo erudito Bernardo Gomes de Brito, com o título da História Trágico-Marítima, incluindo os seguintes naufrágios: 1. galeão grande São João (1552), 2. nau São Bento (1554), 3. nau Conceição (1555), 4. naus Águia (1560) e Garça (1559), 5. nau Santa Maria da Barca (1559), 6. da nau São Paulo (1561), 7. da nau Santo António (1565), 8. nau Santiago (1585), 9. nau São Tomé (1589), 10. nau Santo Alberto (1593), 11. nau São Francisco(1597), 12. galeão Santiago (1602) e nau Chagas (1594).

Embora Bernardo Gomes de Brito tivesse pensado reunir as narrativas de naufrágios em cinco volumes (de acordo com Inocêncio Francisco da Silva), saíram apenas dois. Por outro lado, conhecemos um “terceiro”. No entanto, em vez de ser uma nova compilação, todos os exemplares do “terceiro volume” diferem por não ser mais que a encadernação dos folhetos avulsos já publicados, pois mantêm a numeração separada de cada brochura sem a folha de rosto interna, alguns não os coligem cronologicamente, há casos em que se misturam os relatos incluídos e não incluídos na História Trágico-Marítima, existem as compilações em que se juntam as duas ou três edições diferentes da mesma narração, há encadernações não só das relações de naufrágios como também de outros temas, etc. Baseando-se na investigação de Charles Ralph Boxer e na nossa consulta da variedade do “terceiro volume”, consideramos as seguintes seis narrativas dos naufrágios como sendo do género idêntico aos doze da História Trágico-Marítima, pela frequência do seu aparecimento no “terceiro”, pelo seu valor literário e pela sua analogia com os outros da compilação britiana; 13. nau Nossa Senhora da Conceição (1621), 14. nau São João Baptista (1635), 15. nau Nossa Senhora do Bom Despacho (1630), 16. nau Nossa Senhora de Belém (1635), 17. naus Sacramento e Nossa Senhora da Atalaia (1647) e 18. galeão São Lourenço (1649).

Este género de literatura satisfez o gosto do público por diversas razões. Em primeiro lugar, o dramatismo do relato mais antigo, ou seja, o do naufrágio do galeão grande São João, impressionou os leitores de tal forma que, além de ter despertado o interesse por narrações deste tipo, ficou conhecido como um paradigma do género. Em segundo lugar, uma vez que todos os portugueses participavam quer directa quer indirectamente na aventura do ultramar e nas suas catástrofes, desejava-se ansiosamente saber a descrição dos acidentes em que poderia estar envolvido algum familiar, conhecido ou amigo. Como terceira finalidade, podemos considerar a didáctica, pois as causas dos sucessivos infortúnios cruamente apontadas serviriam de manual de naufrágios, para que outros se acautelassem contra futuros desastres e soubessem não só os perigos que poderiam vir a enfrentar, dando ênfase aos riscos evitáveis, resultantes da enorme ganância e da irresponsabilidade dos homens, como também às possíveis atitudes a tomar em caso de perdição e de peregrinação em terra desconhecida. Além disso, por descreverem o comportamento humano, em que se misturam o orgulho, a arrogância, a cupidez, o egoísmo, o altruísmo e a renúncia, mostravam vivamente tanto a brutalidade como o heroísmo nas situações que relatam.

Os desastres no mar e a caminhada em lugares distantes e ignorados, que foram escrupulosamente registados e que cativaram o interesse do público da altura continuam a chamar a nossa atenção, pois, além de não cessarem de aparecer as adaptações literárias baseadas na História Trágico-Marítima, a sua reedição e os trabalhos a esse respeito encontram-se hoje nas livrarias, tendo sido elaboradas, na última década, meia dúzia de teses de mestrado e de doutoramento. No entanto, os estudiosos não centraram muita atenção na documentação não publicada, embora os investigadores pioneiros como Charles Ralph Boxer e Giulia Lanciani já tenham referido alguns dos manuscritos não incluídos na antologia setecentista. As fontes, que estavam inéditas até há pouco tempo, não só nos proporcionaram outros pontos de vista para os naufrágios que já conhecíamos como também permitem modificar algumas opiniões geralmente aceites.

 


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Sábado, 7 de Outubro de 2017
Torre de Babel

Torre de Babel é um dos contos mais intrigantes da história da humanidade, supostamente construída pelos homens que queriam fazer da torre tão alta para alcançar os Deuses. Entretanto os Deuses não gostaram da soberba dos homens e derrubaram a mesma. Além dessa explicação mítica, o conto serviria para esclarecer a razão de existir tantas línguas no mundo.

Os indicativos da Torre de Babel começam na bíblia, especialmente no Antigo Testamentolivro do Gêneses. De acordo com este, a torre teria sido construída pelos descendentes de Noé na época em que o mundo inteiro falava apenas uma língua. Supostamente, a localização da Torre de Babel seria entre os rios Tigre e Eufrates, na Mesopotâmia.

A soberba dos homens em se empenharem na empreitada de alcançar o mundo dos deuses teria causado a fúria de Deus, que, em forma de castigo, teria causado uma grande ventania para derrubar a torre e espalhado as pessoas sobre a Terra com idiomas diferentes, para confundi-las. Por esse motivo, o mito é entendido hoje como uma tentativa dos antepassados de se explicar a existência de tantas línguas no mundo.

No entanto, há vários estudos que tentam provar de alguma forma a existência de tal torre. O mito provavelmente é inspirado na torre do templo de Marduk, que em hebraico é Babel e significa “porta de Deus”. No sul da Mesopotâmia há realmente restos de torres que fazem alusão à Torre de Babel da bíblia.

Babel era a capital do Império Babilônico, foi muito rica e poderosa, pois representava um centro político, militar, cultural e econômico do mundo antigo, recebendo imigrantes de todas as partes. Grande parte dos arqueólogos faz a conexão da Torre de Babel com a queda do templo-torre de Etemananki, na Babilônia, que mais tarde seria reconstruído por Nabopolosar e Nabucodonosor II. Esta seria uma construção piramidal escalonada que integraria a construção de grandes torres-templo na Suméria, chamadas de zigurates.

Os zigurates representam as maiores construções religiosas construídas, funcionavam como portões para a vinda de deuses à Terra. Essa crença esteve presente em muitas civilizações desde os primórdios da história. Por haver tantas construções que seguiam a crença de chegar aos Deuses, há a hipótese hoje de que a Torre de Babel poderia ter sido construída em Eridu, pois neste local o monarca da Terceira Dinastia de Ur, Amar-Sim, entre os anos de 2046 e 2037 a. C., tentou construir também um zigurate que nunca chegou ao fim. Seguindo essa teoria, a história que teria se encarregado de mudar o local da construção tempos mais tarde para a região da Babilônia.

Na bíblia nada é dito sobre Deus ter destruído a torre com um grande vento, tal idéia é proveniente de relatos no Livro dos Jubileus, em Cornelius AlezandreAbydenusFlávio Josefo Oráculos Silibinos. Também não consta no Gênesis referência sobre a altura e a largura da torre, mais uma vez são fontes extra-canônicas que induzem sobre o assunto. A altura continua como objeto de especulação pelos pesquisadores, as idéias partem dos registros de que Nabucodonosor mandou construir um zigurate em 560 a.C. com 2089 metros de altura e 100 de largura, o que atesta o interesse dos antigos por grandes construções.

As duas fontes extra-canônicas, o Livro dos Jubileus e o Terceiro Apocalipse de Baruch, mencionam valores supostos para a altura da Torre de Babel. O Livro dos Jubileus diz que a torre teria 5433 cúbitos e 2 palmos, o que seria equivalente a 2484 metros de altura, quatro vezes mais alta do que as construções mais altas do mundo hoje.

O valor é realmente muito impressionante e não ganha muito prestígio científico, pois os estudiosos dizem que os antigos não teriam condições de desenvolver construções com aproximadamente 2,5 quilômetros de altura. Por outro lado, o Terceiro Apocalipse de Baruch é mais realista, dizendo que a construção teria 463 cúbitos, equivalente a 212 metros. Mesmo o valor estando bem abaixo do sugerido no Livro dos Jubileus, já seria uma torre mais alta que qualquer construção à época, só superada pela Torre Eiffel em 1889. Algo tão alto já repercutiria o suficiente para ser relatado na bíblia e em outros textos.

 



publicado por pimentaeouro às 21:44
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Quarta-feira, 4 de Outubro de 2017
Ali Babá e os 40 ladrões

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Ali Babá, um pobre lenhador árabe, esbarra com o tesouro de um grupo de quarenta ladrões, na floresta, de repente passa uma nuvem de poeira com precisamente 40 ladrões. O tesouro dos ladrões está numa caverna, que é aberta por magia. A gruta abre-se usando-se a expressão Abre-te, Sésamo e fecha-se com as palavras Fecha-te, Sésamo. Quando os ladrões saem, Ali Babá entra na caverna, e leva parte do tesouro para casa.

O irmão rico de Ali Babá, Qassem, questiona o seu irmão sobre a sua inesperada riqueza. Qassem vai até a gruta para tirar mais uma parte do tesouro, mas na sua ganância esquece as palavras mágicas para abrir a caverna e os ladrões acabam por encontrá-lo lá e matam-no. Como seu irmão não volta, Ali Babá vai à gruta com o fim de o procurar. Encontra o corpo e tira-o da gruta, mas não o leva para casa. Com a ajuda de Morjana, uma escrava da família de Qassem, antes de o enterrarem, Morjana foi a um sapateiro da cidade, vendou-lhe os olhos e mostrou-lhe o caminho até à casa de Ali Babá. Quando chegaram, ela pediu ao sapateiro que cosesse o corpo.

Os ladrões, quando não encontram o corpo, concluem que alguém sabe dos seus segredos e saem em busca de uma pista. Um dos ladrões oferece-se para buscar pistas e foi até à cidade onde viu o sapateiro coser sapatos, ele perguntou como conseguia ver com a sua idade para coser. O sapateiro disse que tinha bons olhos e até já coseu um corpo de um homem. O ladrão pediu para levar ao lugar onde tinha feito isso e assim o fez. Chegaram à casa de Ali Babá e o ladrão marcou com giz a porta e voltou para a floresta. Morjana, que ia a sair viu a marca de giz e estranhou, depois marcou também com giz mais algumas portas da mesma rua. O ladrão quando contou ao chefe o que fez, levou-o à casa que tinha marcado, mas viram que também estavam marcadas outras casas, o ladrão foi de imediato decapitado por ter falhado a sua missão. Outro ladrão também foi enviado com a mesma missão e graças outra vez ao sapateiro, mais uma vez a casa ficou marcada com giz, mas Morjana foi outra vez esperta, e também o segundo enviado acabou morto. Depois foi a vez do chefe, e como era mais esperto que os outros ladrões, em vez de marcar a casa com giz, fixou-a e estudou todos os seus pormenores para não se esquecer dela.

Então, o chefe dos ladrões finge ser um mercador de azeite que necessita da hospitalidade de Ali Babá. Traz consigo mulas carregadas com trinta e oito odres de azeite, sendo que apenas dois tinham azeite enquanto que os outros trinta e seis escondiam os outros ladrões. Os ladrões planejam matar Ali Babá enquanto ele dorme. No entanto, Morjana descobre-os novamente e os trinta e oito ladrões são mortos, nos jarros onde se escondiam, quando neles se verteu azeite fervente. Descobrindo que todos os seus homens já estão mortos, o chefe dos ladrões fugiu.

Para se vingar, o chefe dos ladrões estabelece-se como comerciante e finge-se de amigo do filho de Ali Babá (que agora está a cargo da empresa do falecido Qassem). Logo é convidado para jantar à casa de Ali Babá. O ladrão é reconhecido por Morjana, que demonstra uma dança com um punhal e termina por espetá-lo no coração do ladrão, num momento em que ele está desprevenido. A princípio, Ali Babá fica irritado com Morjana, mas quando descobre que o ladrão o queria matar, ele concede a liberdade a Morjana e ela casa-se com o filho de Ali Babá. Assim, a história termina feliz para todos, exceto para os quarenta ladrões e para Qassem.



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Quinta-feira, 14 de Setembro de 2017
Homens bons

 Na Europa do século XVIII, dois homens viajam em segredo. A sua missão? Levar para Espanha algo proibido: os 28 volumes da Enciclopédia Francesa de D'Alembert e Diderot. A delicada tarefa está nas mãos do bibliotecário don Hermógenes Molina e do almirante don Pedro Zárate, membros da Real Academia Espanhola. Mas estes dois académicos estão longe de imaginar as peripécias que os aguardam…


Da Madrid de Carlos III à Paris libertina e pré-revolucionária, com os seus cafés e tertúlias filosóficas, don Hermógenes e don Pedro embarcam numa intrépida aventura, repleta de heróis e vilãos, intrigas e incertezas. Com o rigor a que já nos habituou - e baseando-se em acontecimentos e personagens reais, Arturo Pérez-Reverte transporta-nos para a magnífica era do Iluminismo, quando a ânsia de liberdade derrubava a ordem estabelecida, e dá-nos a conhecer os heroicos homens que quiseram mudar o mundo com os livros. 

Um romance sobre fé e razão, Teologia e Ciência, sombra e luz.



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Sexta-feira, 8 de Setembro de 2017
Gilgamesh

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Epopeia de Gilgamesh ou Épico de Gilgamesh é um antigo poema épico da Mesopotâmia (atual Iraque), uma das primeiras obras conhecidas da literatura mundial. Acredita-se que sua origem sejam diversas lendas e poemas sumérios sobre o mitológico deus-herói Gilgamesh, que foram reunidos e compilados no século VII a.C. pelo rei Assurbanípal. Recebeu originalmente o título de Aquele que Viu a Profundeza (Sha naqba īmuru) ou Aquele que se Eleva Sobre Todos os Outros Reis (Shūtur eli sharrī). Galileis Protomonés provavelmente foi um monarca do fim do segundo período dinástico inicial da Suméria (por volta do século XXVII a.C.).[1]

A epopeia de Gilgamesh é um grande poema, que é constituido por doze placas de escrita cuneiforme, cada uma contendo 300 versos ou mais.

A sua história gira em torno da relação entre Gilgamesh e seu companheiro íntimo, Enkidu, um homem selvagem criado pelos deuses como um equivalente de Gilgamesh, para que o distraísse e evitasse que ele oprimisse os cidadãos de Uruk. Juntos passam por diversas missões, que acabam por descontentar os deuses; primeiro vão às Montanhas do Cedro, onde derrotam Humbaba, seu monstruoso guardião, e depois matam o Touro dos Céus, que a deusa Ishtar havia mandado para punir Gilgamesh por não ceder às suas investidas amorosas.

A parte final do épico é centrada na reação de transtorno de Gilgamesh à morte de Enkidu, que acaba por tomar a forma de uma busca pela imortalidade. Gilgamesh intenta uma longa e perigosa jornada para descobrir o segredo da vida eterna e vem a consultar Utnapishtim, o herói imortal do dilúvio. Depois de ouvir Gilgamesh, o sábio proclama: "A vida que você procura nunca encontrará. Quando os deuses criaram o homem, reservaram-lhe a morte, porém mantiveram a vida para sua própria posse." Gilgamesh, no entanto, foi celebrado posteriormente pelas construções que realizou, e por ter trazido de volta o conhecimento perdido de diversos cultos para Uruk, após seu encontro com Utnapishtim. A história é conhecida por todo o mundo, em diversas traduções, e seu protagonista, Gilgamesh, se tornou um ícone da cultura popular.

Seu registro mais completo provém de uma tábua de argila escrita em língua acádia do século VIII a.C.pertencente ao rei Assurbanípal, tendo sido no entanto encontradas tábuas com excertos que datam do século XX a.C., sendo assim o mais antigo texto literário conhecido, e seria o equivalente mesopotâmico de Noé.

A primeira tradução moderna foi realizada na década de 1860 pelo estudioso inglês George Smith.

Esse registro, herdado por tradição oral dos tempos pré-históricos, de acordo com algumas teorias, terá tido a sua origem no final da última era glacial. A primeira tradução feita a partir do original para o português foi feita pelo Professor Emanuel Bouzon da PUC-Rio.

Versões de fragmentos atuais desenterrados pela arqueologia atestam entre outras histórias a lenda de dois seres que se amaram, Isa e Ani, geraram uma filha, Be. Porém Ani esteve na floresta de Humbaba procurando por Isa, e dizem que por algum motivo nunca mais se viram. As inscrições em cuneiforme (principalmente o Assírio) atestam que ele nunca desistiu de procurar Isa, e este casal é o fundador do amor mesopotâmico.



publicado por pimentaeouro às 12:46
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Segunda-feira, 14 de Agosto de 2017
As mil e uma noites

Sherazade pela palavra venceu a espada, pelo conto humanizou o seu carrasco. As Mil e Uma Noites são a génese do romance e do conto e nasceram numa época em que a Europa estava mergulhada na barbárie.

Precisamos de contos para sermos mais humanos.

 

A história começa em tempos muito remotos, altura em que a civilização persa era das mais evoluídas da humanidade. Reinava a dinastia dos Sassânidas, tendo os dois herdeiros, Schahriar e Schahzaman, cada qual,o seu reino: um tinha-o na Índia, e o outro, na China.Um dia, Schahriar, cheio de saudades do irmão,mandou-o buscar a Samarcanda, onde este vivia.Schahzaman, muito contente, fez os preparativospara a viagem e, quando foi despedir-se da sua

esposa, encontrou-a adormecida nos braços de um criado. Retirou a espada e matou-os imediatamente.

 

Schahriar recebeu o seu irmão com honras, presentese festas, mas Schahzaman estava possuído por uma profunda e inabalável tristeza. Um dia, Schahriar foi caçar sozinho e o irmão ficou no palácio, passeandopelos jardins. Foi então que Schahzman descobriu a traição da rainha, esposa de Schahriar, e das suasservas, deitadas com os escravos. Apesar de lamentara sorte do irmão, sentiu-se menos só na sua tristeza.Quando Schahriar voltou da caçada, este perguntou a Schahzaman a razão pela qual se encontrava um pouco mais animado, e este contou -lhe o que tinhavisto. Depois de se certificar, por si mesmo doacontecimento, Schahriar mandou o Vizir matar a suaesposa, as servas e os escravos. De seguida, tomou uma decisão: daí em diante não manteria nenhuma esposa viva para além da noite de núpcias. E assim aconteceu. Schahriar todos os dias pedia a Vizir quelhe escolhesse uma esposa que, no dia seguinte,estaria invariavelmente morta. O terror invadiu o reino, e todas as famílias com filhas donzelas temiamo dia em que a terrível sorte as atingisse. 
Até que um dia, Sherazade, uma das duas filhas do Vizir, foi ter com o pai para lhe comunicar uma importante decisão. Sherazade, bela, inteligente,culta e educada pelos maiores sábios, tinha imaginado um plano para acabar com a loucura do rei. O Vizir, desesperado, tentou demovê-la da suadecisão, mas nem lágrimas, nem palavrasconseguiram vencer a obstinação de Sherazade que,antes de partir para o casamento no palácio, pediu a ajuda da irmã Duniazade para levar a bom termo o seu plano. 
Depois da noite de núpcias e antes do amanhecer,Sherazade pediu a Schahriar que lhe concedesse umúltimo desejo, o de ver e o de despedir-se da irmã. Quando Duniazade chegou, sentou-se junto do leitoreal e pediu à irmã que lhe contasse uma história a qual o rei também quis ouvir. Sherazade contou uma história tão bela que deixou o rei preso às suaspalavras e, quando a manhã interrompeu a narrativa, Sherazade disse-lhe que o que havia contado não secomparava com o que teria para lhe contar na noite seguinte. Desejoso de saber a continuação da história, Schahriar permitiu que Sherazade vivessemais um dia e, depois, outro dia e, ainda, outro dia... 
Durante mil e uma noites, Sherazade superava-senoite após noite, estimulando, dessa forma, a imaginação do rei com histórias belas, fantásticas e inteligentes. Até que à milésima e uma noite,Sherazade pediu-lhe que a resgatasse do destino que o rei havia previsto para ela. Schahriar reparou então que a amava e decretou grandes festas no reino,durante trinta dias, para celebrar a sua união com a mulher de quem nunca mais se separaria e com a qual viveu feliz para sempre. 
Das narrativas contadas por Sherazade, ficaram famosas as viagens de Sindbad, o Marinheiro; asaventuras de Aladino e a lâmpada maravilhosa; a mirabolante história de Ali Babá e os quarenta ladrões. 



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Sábado, 22 de Julho de 2017
As mil e uma noites

 "O Livro das Mil e Uma Noites" é uma coleção de histórias e contos populares originárias do Médio Oriente e do sul da Ásia e compiladas em língua árabe a partir do século IX. No mundo moderno ocidental, a obra passou a ser amplamente conhecida a partir de uma tradução para o francês realizada em 1704 pelo orientalista Antoine Galland, transformando-se num clássico da literaturamundial.

 
Xerazade e o sultão Xariar, 
 

As histórias que compõe as Mil e uma noites tem várias origens, incluindo o folclore indiano, persa e árabe. Não existe uma versão definida da obra, uma vez que os antigos manuscritos árabes diferem no número e no conjunto de contos. O que é invariável nas distintas versões é que os contos estão organizados como uma série de histórias em cadeia narrados por Xerazade, esposa do rei Xariar. Este rei, louco por haver sido traído por sua primeira esposa, desposa uma noiva diferente todas as noites, mandando matá-las na manhã seguinte. Xerazade consegue escapar a esse destino contando histórias maravilhosas sobre diversos temas que captam a curiosidade do rei.

Ao amanhecer, Xerazade interrompe cada conto para continuá-lo na noite seguinte, o que a mantém viva ao longo de várias noites - as mil e uma do título - ao fim das quais o rei já se arrependeu de seu comportamento e desistiu de executar.

A história conta que Xariar, rei da Pérsia da dinastia dos Sassânidas, descobre que sua mulher é infiel, dormindo com um escravo cada vez que ele viaja. O rei, decepcionado e furioso, mata a mulher e o escravo, convencendo-se por este e outros casos de infidelidade que nenhuma mulher do mundo é digna de confiança. Decide então que, daquele momento em diante, dormirá com uma mulher diferente cada noite, mandando matá-la na manhã seguinte: desta forma não poderá ser traído nunca mais.

Passam-se assim três anos durante os quais o rei desposou e sacrificou inúmeras moças, trazidas à sua presença pelo vizir (equivalente a um primeiro-ministro) do reino. Certo dia, quando já quase não havia virgens no reino, uma das filhas do vizir, Xerazade, pediu para ser entregue como noiva ao rei, pois sabia de um estratagema para escapar ao triste fim que alcançaram as moças anteriores. O vizir apenas aceita depois de muita insistência da filha, levando-a finalmente ao rei. Antes de ir, Xerazade diz à irmã, Duniazade, que lhe peça que conte uma história quando for chamada ao palácio do rei.

Xerazade, ao chegar na presença do rei, pede-lhe que permita a vinda de sua irmã, para despedir-se. O rei o permite, e Duniazade vem ao palácio e instala-se na câmara nupcial. Após o rei possuir Xerazade, Duniazade pede à irmã que conte uma história para passar o tempo. Após respeitosamente pedir a permissão do rei, Xerazade começa a contar a extraordinária "História do mercador e do gênio" mas, ao amanhecer, ela interrompe o relato, dizendo que continuará a narrativa na noite seguinte.

O rei, curioso com o maravilhoso conto de Xerazade, não ordena sua execução para poder saber o final da história na noite seguinte. Assim, repetindo essa estratégia, Xerazade consegue sobreviver noite após noite, contando histórias sobre os mais variados temas, desde o fantástico e o religioso até o heróico e o erótico. Ao fim de inúmeras noites e contos, Xerazade já havia tido três filhos do rei, e lhe suplica que a poupe, por amor às crianças. O rei, que há muito havia-se arrependido dos seus atos passados e se convencido da dignidade de Xerazade, perdoa-lhe a vida e faz dela sua rainha definitiva. Duniazade é feita esposa do irmão do rei, Xazamã.

A mais antiga menção a um livro árabe das Mil e uma noites é um fragmento de um manuscrito do início do século IX em que se lê o título da obra e algumas linhas iniciais, em que Duniazade pede a um narrador não especificado que conte uma história. Mais dados sobre a existência deste livro e sua origem encontram-se nos escritos do historiador Al-Masudi (888-957), que se refere a uma coleção de contos fantasiosos traduzidos do persasânscrito e grego.

 



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Terça-feira, 4 de Abril de 2017
Grupo do leão

Resultado de imagem para literatura grupo do leao

 

Este quadro de grandes dimensões (201 x 376 cm) representa os pintores naturalistas portugueses que se reuniam na Cervejaria Leão de Ouro, em Lisboa, na então chamada Rua do Príncipe (atualmente Rua Primeiro de Dezembro). Os artistas decidiram colaborar na decoração do restaurante que a Cervejaria passou a integrar. Logo à entrada, ficou o retrato do Grupo. A pintura aí ficou até ser adquirida pelo Museu em 1945. Estão nela representados onze artistas, um intelectual, um empregado de mesa e o dono da Cervejaria. Ao fundo, em pé, da esquerda para a direita: o pintor João Ribeiro Cristino (1858-1948), o intelectual Alberto de Oliveira, o empregado Manuel Fidalgo, o próprio pintor Columbano (1857-1929), o dono da Cervejaria António Monteiro, o paisagista Cipriano Martins. Sentados, da esquerda para a direita: o paisagista Henrique Pinto (1853-1912), o pintor José Malhoa (1855-1933), o pintor de marinhas João Vaz (1859-1931), o pintor Silva Porto (1850-1893), o pintor António Ramalho (1859-1916), o pintor Moura Girão (1840-1916), o caricaturista Rafael Bordalo Pinheiro (1846-1905) e o escultor José Rodrigues Vieira (1856-1898).

A figura mais próxima do centro da composição representa o principal impulsionador do Grupo, Silva Porto, a quem Alberto de Oliveira está apresentando o catálogo que ele próprio organizara para uma exposição do Grupo. Toda a composição é firme, mantendo porém a naturalidade. A inclinação para a esquerda da figura de Alberto de Oliveira é compensada pela inclinação para a direita da figura de Manuel Fidalgo. À esquerda, aparece em cores claras a representação, em toda a largura, de uma coluna; no outro extremo do quadro aparece outra coluna clara, não representada em toda a largura, acompanhada porém pela claridade das roupagens de Columbano e de Rodrigues Vieira. A mesa clara atravessa horizontalmente todo o quadro, servindo de eixo ordenador das figuras dos artistas, todas escuras e bem recortadas, com os rostos perfeitamente identificáveis. Alguns estiveram no atelier de Columbano, expressamente para este quadro. De outros, o autor possuía já a imagem, por os ter retratado anteriormente, ou até possuir apontamentos e fotografias. António Ramalho e Rodrigues Vieira são os que mais deixam transparecer a alegria daquele momento de convívio.

Columbano apreciava os retratos coletivos realizados por Frans Hals e, em França, observou talvez o célebre quadro de Fantin Latour, representando Verlaine, Rimbaud e outros poetas: Coin de Table (1872). Também apreciou as pinturas pré-impressionistas de Edgar Degas, e possivelmente o seu próprio auto-retrato, no Grupo, com a sua cartola e enviesamento do corpo, corresponde a alguma influência do pintor francês.



publicado por pimentaeouro às 18:16
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Segunda-feira, 23 de Janeiro de 2017
Habitos sicilianos

Corria a segunda metado do século XIX: “É a igreja de Santa Ninfa (diz Tancredi). Há cinco anos, o páraco foi morto lá dentro quando estava a celebrar missa. Que horror! Tiros na igreja! Mas quais tiros, Chevalley! Somos demasdiado bons católicos para cometer sacrilégios desses. Limitaram-se a pôr veneno no vinho da Comunhão; é mais discreto, direi mesmo mais liturgico. Nunca se soube quem o fez; o pároco era uma excelente pessoa e não tinha inimigos.



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Sábado, 22 de Outubro de 2016
E o Ronalo fica de fora ?

Vargas Llosa questiona: “No próximo ano vão dar o Nobel a um futebolista?”

 

Nobel da Literatura peruano diz que gosta da música de Bob Dylan, mas sustenta que a decisão da Academia Sueca foi um “equívoco”

Mario Vargas Llosa considera que a Academia sueca deixou-se contaminar pela “civilização do espetáculo” na decisão de atribuir o Prémio Nobel da Literatura a Bob Dylan, questionando se “no próximo ano vão dar o Nobel a um futebolista”.

Falando na ocasião em que recebeu um doutoramento Honoris Causa pela Universidade de Burgos, o escritor peruano, contemplado com o Nobel em 2010, disse que apesar de gostar Dylan “como cantor”, a decisão de lhe atribuírem o prémio resulta de um equívoco, pois em nome de uma suposta democratização cultural estão a caminhar no sentido da “frivolidade e banalização”.

Atualmente com 80 anos, o escritor comentou que atualmente “o público exige” esta cultura de espetáculo. No seu entender, a cultura deve é exigir a formação de elites “que não resultam do privilégio mas do esforço e do talento”, tendo em conta que implicam “uma certa seleção dada a sua complexidade”.

Llosa falou também sobre o impacto das novas tecnologias e das redes sociais, elogiando o facto de “tornarem impensável a censura”, mas frisando que acarretam também aspetos “negativos” e “aterradores”, nomeadamente pelo modo como permitem que a mentira se instale com facilidade.



publicado por pimentaeouro às 11:50
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Domingo, 17 de Julho de 2016
Bel Ami

 

O arrivista perfeito. Há muitos por aí.



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Sábado, 4 de Junho de 2016
Usura

 

 

O austero cardeal Montalto disse: Aconselho-te a venda de duas quintas que não rendem quase nada e a colocação desse dinheiro nas mãos dos Médici, em Florença. Como Giulietta objectasse que os Médici eram conhecidos por praticarem a usura e que essa prática era proibida pela Igreja, o cardeal encolheu os ombros e respondeu: Pretendeis ser mais católica do que o papa? Aludindo ao facto de Gregório XIII ter confiado importantes somas aos Médici, a fim de as pôr a render.

 

Robert  Merle, O Ídolo



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Terça-feira, 31 de Maio de 2016
Don Juan

 

 

Don Juan é uma personagem semilendária que parece ter vivido em Sevilha, em tempos muito remotos, e que, exibindo várias modalidades de carácter e em resultado das múltiplas aventuras que lhe são atribuídas, tem servido de inspiração a muitos poetas e autores dramáticos que fizeram dela o tipo de conquistador brilhante, libertino e sem escrúpulos, de quem as mulheres irresistivelmente se enamoram e que ele engana, despreza e esquece.
O primeiro tipo de personagem de Don Juan é trazido ao nosso conhecimento através da Crónica de Sevilha, que nos apresenta Don Juan Tenório como o autor da morte do comendador Uloa, cuja filha havia raptado.
Tirso de Molina (1571-1648), poeta e dramaturgo espanhol, autor de obra literária muito vasta e muito rica, trouxe a personagem D. Juan para o mundo da literatura e para o mundo do teatro com a sua comédia El Burlador de Sevilla, em que foi secundado pelo dramaturgo francês Jean Baptiste Molière (1622-1673), que trata o tema Don Juan no seu Dom Juan, l'Amour Médecin, pelo dramaturgo espanhol António Zamora /1664-1728) e pelo poeta cómico italiano Carlo Goldini (1707-1793).

 

A figura de Don Juan tem inspirado poetas e escritores de muitos países e de várias épocas. De entre muitos outros merecem referência especial o romancista francês Alexandre Dumas (1802-1870); o poeta austríaco Nikolaus Lenau (1802-1850); o escritor francês Prosper Mérimée (1803-1870); o poeta espanhol José Zorrilha (1817-1893); o escritor português António Silva Gaio (1830-1870); o poeta português António Gomes Leal (1849-1921), em A Última Fase da Vida de D. João, o poeta português Abílio Guerra Junqueiro (1850-1923), em A Morte de D. João; o autor dramático francês Henri Bataille (1872-1922); o médico e escritor português António Patrício (1878-1930), em D. João e a Máscara; o poeta português João de Barros (1881-1960); o poeta e dramaturgo português Rui Chianca (1891-1931), em Alma de D. João.
D. Juan é também o título de um poema da autoria de Lord Byron, mas aqui o poeta inglês transformou significativamente a personagem do conquistador libertino e sem escrúpulos de Tirso de Molina.
D. Juan é ainda o título e o assunto de uma ópera do compositor austríaco Wolfgang A. Mozart (1756-1791).



publicado por pimentaeouro às 20:51
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