Conhece-te a ti mesmo... se puderes.

Domingo, 18 de Junho de 2017
Erros meus

FERNANDA.jpeg

Estamos sentados num banco do jardim que acompanha o deslizar manso do Almonda. Pego nas tuas mãos e olho-te nos olhos: o teu sorriso desarma a minha tristeza e o brilho dos teus olhos sorridentes emprestam brilho aos meus.

Esperei muitos anos, não importa quantos,  por este momento: não morreria  tranquilo se não te disse-se que naquela noite em que pedis-te para prometer que casava contigo, cometi um dos maiores erros da minha vida.

Como foi possível tamanho desencontro: só encontro uma explicação: estava cego. Foi assim que perdi o teu amor.

Há distancia de 60 anos ainda existo na tua memória?


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publicado por pimentaeouro às 19:27
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Sexta-feira, 20 de Janeiro de 2017
Memórias

Amigo António,

Não receberás esta carta, mas continuo a escreve-la como se fosse enviá-la pelo correio. Não respondes-te à minha primeira carta e, assim, não terás que responder a esta: afinal, os amigos também se esquecem.

A minha sogra faleceu perto dos noventa anos. Passava os dias cantarolando cantigas de quando fora jovem e histórias de amigas, a maior parte delas, já falecidas.

A natureza, sabiamente, retira aos velhos a memória de curta duração, não se lembram do que aconteceu na semana anterior, e devolve-lhes a memória do passado distante, a chamada memória de longa duração: mais ano menos ano, acontece e todos. Parece-me que sou precoce, já vivo mergulhado na memória de longo prazo, principalmente a memória da minha juventude ( a fase mais importante da existência ) vivida aí, em Torres Novas.

Esta dádiva da natureza tem um preço, a memória antiga é traiçoeira , omite, distorce factos e acontecimentos, fantasia o passado, temos que ser prudentes com ela: até os que escrevem livros de memórias não escapam a esta realidade. A memória é imperfeita e complexa como nós.

Recordo com muita saudade os amigos que ai conheci (convivi com dois em Lisboa, o Francisco Canais Rocha e o António Graça, falecido ainda novo) e, paradoxalmente dois insucessos amorosos, com a tua irmã e seguidamente com a Julieta Fradinho, natural de Silves, filha de um funcionário do Tribunal (com cara de poucos amigos, nunca o vi com uma companhia), que terminou brutalmente com a proibição categórica do pai, à boa maneira do século XIX.

 

Sempre ouvi dizer que o primeiro amor nunca se esquece e julgava que eram histórias de livros, mas é verdade, acontece mesmo. O meu primeiro amor foi com a tua irmã e a sua recordação ficou gravada nos recantos sinuosos da  minha memória.

Namoro curto, igual a todos os namoros daquela época e terminou com uma imposição que, inexperiente, não soube contornar.

Visto de fora, eu era um rebenta corações, na realidade, eu é que fiquei rebentado: para um jovem de vinte e poucos anos que se inicia   nos caminhos tortuosos do amor, dois insucessos seguidos deixam marcas fundas. Apesar disto, por estranho que pareça, tenho uma recordação muito grata – nos sentimentos não existe racionalidade - da Fernanda e da Julieta.

Não comentei estes insucessos com ninguém, lambi as feridas em solidão. Talvez por ter feito este recalcamento, agora tenho uma necessidade irreprimível de falar e escrever sobre eles.

Por obra do acaso, o grande fazedor e desfazedor de vidas, conheci na Net, um conterrâneo do Algarve, a viver em Sintra, e que conhece a Julieta. Deu-me o seu endereço e irei procura-la se saúde permitir.

Gostaria igualmente de voltar a ver a tua irmã mesmo que ela tenha uma memória desfavorável de mim: aos oitenta anos, doente, na idade do perdão, não tenho necessidade de enganar ninguém. Sei que ela está casada com o Arlindo e julgo que o conheço.

Há uns meses convidaram-me para um concurso de blogues. Tinha que apresentar uma resenha «biográfica» e saiu-me o texto que junto a esta carta. Dá uma síntese das minhas andanças.

Desejo a continuação das tuas melhoras e despeço-me com um abraço e cumprimentos para a tua esposa.

 


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publicado por pimentaeouro às 18:52
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Quarta-feira, 27 de Abril de 2016
Conversa com uma amiga

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Escrevo como se estivessemos à mesa e um café a conversar e conto com a sua paciênvia para me escutar.

Tive uma infância trister – orfão de pais vivos, uma história complicada – e uma adolescência dificil; a mocidade vivía em Torres Novas e foi um tempo de alegrias e de solidão. Foi o tempo dos meus primeiros amores, ambos falhados, e tive a sorte de fazer parte de um grupo de jovem da minha idade, com duas excepções, que foram bons amigos. Ainda hoje recordo esse grupo com muita saudade, alguns desses amigos já faleceram, o Canais Rocha, o Fernando Canais, o meu homónimo Gonçalves, empregado do Simões da loja de fotografias e outros cujo nome não me ocorre.

Recordo Torres Novas com sentimentos contraditórios, a felicidade hefemera do amor da Fernanda e da Julieta e a tristeza da solidão que se seguiu àqueles amores; com frequencia a felicidade acontece no passado e não volta a repetir-se.

Apesar dos 80 anos são recordações que ainda não se apagaram num final de vida onde a memória de longo prazo se vai transformando numa nevoa , onde a vida vai  ficando despovoada.

Não faço  ideia se voltarei a Torres Novas, para reencontrar e abraçar alguns amigos que ainda restam e para tomarmos o adiado café mas este desejo também poderá ficará por concretizar.


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publicado por pimentaeouro às 20:29
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Sexta-feira, 15 de Janeiro de 2016
Envelhecer #2

Resultado de imagem para velhos

 

Já não consigo fazer caminhadas, canso-me, a vista e o ouvido vêm menos e ouvem menos, tenho sempre frio porque o coração irriga mal, a caligrafia (sempre tive boa caligrafia  em cursivo) é irregular, a fadiga aumentou. Envelhecer não é romântico, a penas poucos envelhecem sem doenças ou pouco doentes, a máquina humana não está preparada para viver 70, 80 e mais anos; herdamos a curta duração do homo erectus e só os recentes avanços da higiene, da medicina e de melhor qualidade de vida alteraram aquela herança. Estamos no limite de empurrar a morte para trás e de pouco servem implantes, transplantes e outros artifícios da medicina, as células dos diversos órgãos tem tempos de vida diferentes e as células do cérebro que morrem não são renovadas, não adianta lutar contra a natureza.

Para que serviria um mundo de velhos ainda  mais velhos? Quem iria sustentá-los?

Sei que a memória devolve-me o passado como a época de ouro mas sei também que isso é falso. A época em que vivi já não existe, o mundo mudou muito, nem sempre para melhor, mas isso fica para outra “crónica”.



publicado por pimentaeouro às 17:09
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Domingo, 22 de Junho de 2014
Não volta mais

  

Não sei se algum computador é capaz de simular as jogadas de uma partida de dados, jogada manualmente, mas penso que na vida de cada um de nós muito do que nos acontece, das decisões que tomamos, do rumo que a nossa vida segue é, em grande parte fruto do acaso, como num jogo de dados.

Naquela noite, recuada no tempo (final da década de 50 do século passado), a pergunta que ela me fez e a resposta que eu dei, alterou o rumo da minha vida e da vida dela também.

Era um namoro típico da época, pedido prévio ao pai, regras definidas para namorar e para passear, devidamente acompanhados. Pelos padrões de hoje, era um namoro platónico, ou pouco mais.

A maior intimidade que tivemos não passou de beijos trocados com alguma dose de ingenuidade.

Recém-chegado a Torres Novas, já não me lembro como, fui aceite num pequeno grupo de jovens da minha idade (pouco mais de vinte anos e apenas dois ou três mais velhos). Profissões pouco variadas, empregados de serviços, três ou quatro operários, um pequeno comerciante e pouco mais.

Principalmente, à noite, tínhamos uma animada e descontraída, mesa de café onde conversávamos de tudo um pouco e, praticamente nenhuma política. Com uma excepção, que ninguém sabia, o mais velho do grupo era comunista e mais tarde ingressou na clandestinidade.   

Torres Novas era uma pequena cidade de província, parada no tempo salazarista, regida por valores conservadores. A mulher era doméstica, vivia em casa para tratar do marido e dos filhos, poucas de atreviam a frequentar um café, sempre acompanhadas, havia missa aos domingos, tabernas para convívio dos homens, a televisão, a preto e branco, dava os primeiros passos, as prostitutas estavam confinadas em «casas de meninas ou de má fama», os dias sucediam-se monótonos e iguais.

O automóvel era uma excepção, o comércio era feito em pequenas lojas e no mercado municipal, a roupa passava do irmão mais velho para o mais novo, nas camisas aplicava-se um colarinho novo, a moda era coisa remota e os salários eram baixos. Conseguir uma poupança, pequena que fosse (um pé de meia) era uma aspiração das famílias e para as filhas casadoiras era necessário o enxoval.

A mulher casava aos dezoito anos, às vezes menos, e aos vinte e cinco se não conseguisse casar, começava a adquirir o estatuto de «tia«. Casamento, sempre pela igreja ( o Registo Civil era mera formalidade burocrática sem qualquer valor simbólico), o vestido branco e a virgindade da mulher eram fundamentais, o homem tinha que assegurar o sustento da família.

O adultério praticado pelo homem era discretamente tolerado, quando praticado pela mulher era pecado e crime.

Todos cumprimentavam respeitosamente os notáveis da terra e cada um «habitava» no seu gueto social. Uma sociedade fechada e contraditória, as relações de vizinhança e a  solidariedade coabitavam com a intolerância e a opressão, o crédito bancário para consumo não existia mas a palavra dada era um compromisso que se cumpria.



publicado por pimentaeouro às 20:31
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Quarta-feira, 6 de Março de 2013
Do blogue "O meru sótão é cor de rosa"

Para sempre na lembrança

Leonor, Quarta-feira, 18.07.12

 

Lembro-me das avenidas e das vielas. Tinham cor. Lembro-me das casas, das ladeiras e escadarias. Tinham harmonia. Lembro-me do paredão com gentes a passear, alegres e saltitantes. Lembro-me das conversas de esplanada, dos sorrisos e gargalhadas. Lembro-me da areia beijar os passeios, das árvores plantadas à beira estrada pedirem para crescer.

Lembro-me do cheiro a peixe fresco, dos pescadores e das varinas nas manhãs, das crianças brincarem à beira mar. Lembro-me da roupa estendida nos varões, das janelas abertas de par em par e das varandas soalheiras em fins de tarde.

Lembro-me da neblina esconder a igreja do largo e da chuva quente regar os pés descalços. Lembro-me das toalhas esvoaçarem com o vento norte, dos cabelos se emaranharem nos rostos bronzeados.

Lembro-me dos banhos de mar ao por de sol. Da nudez sem vergonhas, da espontaneidade e genuinidade de quem ficava para assistir ao cair da noite. Não havia saudade e ninguém chorava, as lágrimas caíam nos rostos de quem ria sem parar. Lembro-me do brilho no olhar pelas cumplicidades e das confidências que se liam nos gestos mudos. Lembro-me das mãos que se davam, dos abraços que se colhiam, da ausência das palavras e dos rasgos dos sorrisos. Eram orações perpétuas.

Lembro-me da animação dos jantares, da descontração à hora do café e da camaradagem plena pelas noites dentro. Lembro-me da música purple rain e de extasiar ao ouvi-la por entre a multidão a cantar.

Lembro-me do ruído do mar nas madrugadas, chorava a cantar até ao amanhecer. Eu adormecia no seu pranto sob o céu estrelado, à entrada de uma tenda ali tão perto.

O silêncio. Lembro-me do silêncio. E do movimento. Das danças no areal ao som de rumba flamenca, da maresia a salpicar-me os lábios e da frescura da areia no meu corpo. Lembro-me da lua abraçar as ondas e de tudo ficar azul.

Lembro-me dos brindes à amizade. Eram feitos em qualquer lugar, nas tascas, nas tendas, nas dunas. As dunas. Lembro-me de corrermos ao subi-las e de descê-las às cambalhotas vezes sem conta sem cansaço. Lembro-me da sensação de liberdade quase etérea que a brandura da areia fina nos deixava na pele. Lembro-me das aventuras, lembro-me de me esquecer do resto do mundo.

Lembro-me das fotografias que ficaram e que guardo docemente em álbuns de recordações. São tantos os lugares, tão intensos os momentos. Lembro-me de todos eles.

Lembro-me mas, porém, receio esquecer-me. Receio que as imagens se tornem baças e já não veja beleza nos dias. Que os veja empalidecer, que os sinta esvaziar. Tenho medo. Medo que tudo acabe. Os sorrisos, as gargalhadas, a suavidade dos passos na calçada, as danças na praia, as cores.

E eu me confesso à vida, como escrevi um dia. À vida, que passa apressada numa correria incessante:

'Ainda hoje me declaro a ti como se fosse morrer amanhã, confesso-me nestas folhas de papel que vou amarrotando a cada linha que encho de letras'.

Não quero amarrotar as folhas de papel. Quero ir em busca das letras, arrancar a narrativa de cada instante e viajar nas palavras.

Não consigo separar-me das memórias. Quero cantá-las a dançar na areia da praia onde fui feliz.

 

 



publicado por pimentaeouro às 22:06
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Domingo, 23 de Dezembro de 2012
Tersseira classe...

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publicado por pimentaeouro às 23:25
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Sexta-feira, 8 de Junho de 2012
Bilhete de identidade


Quem sou? Hoje faço esta interrogação mais vezes do que em qualquer outra época da minha vida. É uma velha e inquietante dúvida da humanidade. Os genes que herdei –  matéria-prima muito fraca –, a pouca educação que recebi, o que aprendi com a vida. Foi a vida que me salvou. ELA é a grande maravilha que existe no nosso planeta.

Hoje, faria algumas coisas de forma diferente, mas isso não existe, não se vive duas vezes. Cada vida é única e  só acontece uma  vez. O arrependimento não altera o que mal feito, mas pode conduzir-nos a errar menos.

A vida é frágil, aleatória e curta e não há nenhuma escola para aprendermos a viver. É uma pena, talvez fossemos  mais felizes.

Sou um homem do século XX. Sou os lugares por onde passei, a época em que vivi e o que aprendi com os homens e mulheres que cruzaram a minha vida.

Vivi 39 anos – os melhores da minha vida – no regime de Salazar e Caetano e isso condicionou a minha vida. Foi depois dos 30 anos que a minha consciência política começou a despontar, sem controleiros.

Vivi num século de grandes contradições, em que o melhor e o pior da humanidade se confrontaram e a história deste período está nas minhas leituras preferidas e nas minhas preocupações. Quero perceber o mundo complexo, cruel e ao mesmo tempo libertador em que vivi e quero também compreender, na medida do possível, o que se passou além Pirinéus onde quase tudo aconteceu.

O xadrez amador marcou a minha adolescência (ensinou-me a raciocinar) e os poetas portugueses e a revista Vértice tutelaram a minha mocidade. Tive de largar ao vento as ilusões e fazer-me à vida: ninguém o faria por mim e naquela época não era fácil sobreviver.

Dois amores da mocidade, mal sucedidos – Fernanda e Julieta – marcaram a minha mocidade e acrescentaram-lhe tristeza, com duas mulheres – Dulce, já falecida, e Manuela – iniciei-me tardiamente na complicadíssima aprendizagem do amor: mar alteroso onde nos perdemos, achamos, naufragamos e insistimos sempre em voltar.

Fernanda e Julieta eram duas personalidades completamente diferentes, dir-se-ia, até, de épocas diferentes e com elas poderia ter vivido histórias de vida diferentes.

Os acasos marcaram a minha vida e poderia ter tido quatro ou cinco percursos de vida diferentes daquele que tive. Teria vivido melhor?. Teria vivido pior? Nunca o saberei. Aconteceu, simplesmente.

Errei ao amar pouco e deixar-me arrastar em utopias que falharam. Dos erros que pratiquei – homem de fraquezas e imperfeições – paguei, em parte alguns erros, outros ficaram por pagar. Não posso resumir a minha vida em pequenos textos, posso afirmar que foi um anti-herói.

Não correu tudo mal. Os livros voltaram a entrar na minha vida por obra do acaso, outra vez. Trabalhei na distribuidora Expresso (já extinta ) e na Editorial Estampa. Aí conheci muito superficialmente alguns escritores da época.

Manuel da Fonseca e Carlos de Oliveira reviam as provas até ao último minuto das rotativas arrancarem: eram o terror dos tipógrafos. Natália Correia imprevisível e caprichosa; Saramago só conhecido como tradutor; Luandino Vieira quase invisível e tímido, Manuel da Fonseca infatigável contador de histórias; pessoal da Seara Nova; recordo com imensa saudade o amigo Rogério de Moura (editora Livros Horizonte) e Ana Maria Alves, mulher de grande cultura e a primeira dissidente do Partido Comunista. Outros que a memória já não alcança. Foi uma grande escola e fiz boas amizades.

Voltarei ao meu auto exame, subjectivo inevitavelmente. Porque o faço? É um monologo, um só voz sem contraditório nem ouvintes.


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Domingo, 13 de Maio de 2012
Adeus Bernardo

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Terça-feira, 8 de Maio de 2012
O desejo de uma vida

Os desejos podem concretizar-se através de sonhos? Isso não será uma ilusão?

Hoje, somos dois velhos que pouco tem em comum, dois desconhecidos sem nada para dizer um ao outro. As nossas vidas cruzaram-se há cerca de 50 anos, num amor breve. Porque nos separamos definitivamente, ainda hoje é um enigma para mim. Perdi o que mais necessitava, o teu amor, e cometi um dos maiores erros da minha vida.

Não necessitava só de amor, de uma família de filhos, tudo a que poderia aspirar.

Perdi, também, o remédio para a da minha intranquilidade que a tua ternura e serenidade podiam dar-me. O sonho de muitos anos concretizou-se ontem à noite sem que possa imaginar porque me aconteceu.

O sonho era uma mistura de passado e presente, de realidade e irrealidade. Conversei com o teu pai, já falecido, e perguntei-lhe se ainda se lembrava de mim. Depois disse-lhe que tinha sido teu namorado.

O real e o sonho confundem-se: falo com um dos teus dois filhos (no sonha eram cinco), jovem e muito louro. Pergunto-lhe também se já tinha ouvido falar de mim.

Em tua casa todos sabem que regressei a Torres Novas. Vozes que não identifico dizem-me que te pressionaram para o namoro acabar.

Entro no teu quarto. Estavas bela, como na juventude, com o teu sorriso meigo e tranquilo. Dirijo-me  para ti: choro e digo meu Deus, Fernanda, como foi possível encontrar-te?

O meu grande desejo de velho concretizou-se num sonho. À memória do meu amor acrescento o sonho de um encontro que não se realizará.

Senti a felicidade como poucas vezes aconteceu na minha vida.


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publicado por pimentaeouro às 20:44
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