Conhece-te a ti mesmo... se puderes.

Terça-feira, 8 de Março de 2016
Eutanásia

A bastonária dos Enfermeiros disse ao microfone o que todos dizem em surdina: pratica-se eutanásia nos hospitais públicos. Caiu-lhe o Carmo, a Trindade e arredores da hipocrisia em cima. O bastonário  da Ordem dos médicos foi o primeiro a lançar gasolina no fogo. Calma senhor bastonário, já não se queimam bruxas nas fogueiras, médicos e enfermeiros sabem melhor do que ninguém quando a morfina deixa de aliviar a dor, não praticam homicídios é a compaixão, que existe na natureza humana, que os leva a por termo ao sofrimento dos enfermos.

A morte é como o deus Juno, tem duas faces mas nós apenas gostamos de ver a face luminosa, fechamos os olhos à face negra. Há duas formas de morrer, suavemente num sono que nos transporta para o nada, dolorosamente numa agonia desesperante. Gostamos de dar opinião sobre o sofrimento alheio com a pia desculpa do amor à vida mas se nos calhar a face negra de Janos mudamos rapidamente de opinião.



publicado por pimentaeouro às 19:47
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Terça-feira, 9 de Fevereiro de 2016
Eutanásia

A morte assistida é um tabu entre nós, assunto que a sociedade, por preconceitos vários, teima em ignorar. 

Quem é contra a eutanasia, hipocritamente, utiliza o argumento dos cuidados paliativos sabendo perfeitamente que estes só são aplicados a um número muito reduzido de doentes terminais: em nome da vida condenam-se os doentes a uma morte com muito sofrimento.

 

"O suicídio assistido ganhou notoriedade através do Dr. Jack Kevorkian, que nos Estados Unidos, já o praticou várias vezes em diferentes pontos do país, por solicitação de pacientes de diferentes patologias.

Existe uma instituição, denominada de Hemlock Society (ou Sociedade Cicuta), numa clara alusão ao suicídio de Sócrates. Esta Sociedade publicou, em 1991, um livro, A Solução Final, que apresentava inúmeras maneiras de um paciente terminal ou com doenças degenerativas cometer suicídio. Este livro vendeu mais de 3 milhões de cópias nos Estados Unidos." 

 

Direito a morrer com dignidade

Somos cidadãs e cidadãos de Portugal, unidos na valorização privilegiada do direito à Liberdade. Defendemos, por isso, a despenalização e regulamentação da Morte Assistida como uma expressão concreta dos direitos individuais à autonomia, à liberdade religiosa e à liberdade de convicção e consciência, direitos inscritos na Constituição.

A Morte Assistida consiste no acto de, em resposta a um pedido do próprio - informado, consciente e reiterado — antecipar ou abreviar a morte de doentes em grande sofrimento e sem esperança de cura.

A Morte Assistida é um direito do doente que sofre e a quem não resta outra alternativa, por ele tida como aceitável ou digna, para pôr termo ao seu sofrimento. É um último recurso, uma última liberdade, um último pedido que não se pode recusar a quem se sabe estar condenado. Nestas circunstâncias, a Morte Assistida é um acto compassivo e de beneficência.

A Morte Assistida, nas suas duas modalidades — ser o próprio doente a auto-administrar o fármaco letal ou ser este administrado por outrem — é sempre efectuada por médico ou sob a sua orientação e supervisão.

A Morte Assistida não entra em conflito nem exclui o acesso aos cuidados paliativos e a sua despenalização não significa menor investimento nesse tipo de cuidados. Porém, é uma evidência indesmentível que os cuidados paliativos não eliminam por completo o sofrimento em todos os doentes nem impedem por inteiro a degradação física e psicológica.

Em Portugal, os direitos individuais no domínio da autodeterminação da pessoa doente têm vindo a ser progressivamente reconhecidos e salvaguardados: o consentimento informado, o direito de aceitação ou recusa de tratamento, a condenação da obstinação terapêutica e as Directivas Antecipadas de Vontade (Testamento Vital). É, no entanto, necessário, à semelhança de vários países, avançar mais um passo, desta vez em direcção à despenalização e regulamentação da Morte Assistida.

Um Estado laico deve libertar a lei de normas alicerçadas em fundamentos confessionais. Em contrapartida, deve promover direitos que não obrigam ninguém, mas permitem escolhas pessoais razoáveis. A despenalização da Morte Assistida não a torna obrigatória para ninguém, apenas a disponibiliza como uma escolha legítima.

A Constituição da República Portuguesa define a vida como direito inviolável, mas não como dever irrenunciável. A criminalização da morte assistida no Código Penal fere os direitos fundamentais relativos às liberdades.

O direito à vida faz parte do património ético da Humanidade e, como tal, está consagrado nas leis da República Portuguesa. O direito a morrer em paz e de acordo com os critérios de dignidade que cada um construiu ao longo da sua vida, também tem de o ser.

É imperioso acabar com o sofrimento inútil e sem sentido, imposto em nome de convicções alheias. É urgente despenalizar e regulamentar a Morte Assistida.



publicado por pimentaeouro às 11:35
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Quarta-feira, 13 de Agosto de 2014
A morte saiu à rua

Estamos em pleno Agosto mas a morte não descansa. No espaço de três dias faleceram dois homens com quem me relacionei de perto: Francisco Canais Rocha e Emídio Rangel (filho).

Fui amigo de Canais Rocha desde medos dos anos 50 e Emídio Rangel (pai), a rondar os 90 anos, foi casado com a minha sogra, já falecida.

Foram  dois homens controversos, mas  não vou falar disso, agora é a hora de respeitar a dor dos familiares. Provavelmente, irei a Torres Novas, visitar a viúva de Canais Rocha, Rosalina Labaredas, de quem também ou amigo há muitos anos. 


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publicado por pimentaeouro às 18:10
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Terça-feira, 22 de Julho de 2014
Morte

 

 

 

Quando eu morrer o que me acontece? Cada átomo que possuímos já passou por diversas estrelas e foi parte de milhões de organismos antes de ser tornar parte de qualquer um de nós. Somos «reciclados» no momento da nossa morte, os nossos átomos desagregam-se e vão «à procura»  de novas combinações, noutro lado, como parte de uma folha, de uma gota de orvalho, talvez de outro ser inteligente noutro planeta, porque os átomos duram milhões e milhões de anos e a sua passagem pelo nosso corpo é um mero acidente no seu percurso cósmico.

Se me fosse possível escolher uma «reencarnação» queria ser uma árvore frondosa.  

 



publicado por pimentaeouro às 01:40
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