Conhece-te a ti mesmo... se puderes.

Sexta-feira, 26 de Junho de 2015
Ídolo com pés de barro

 

Foi um destacado militante do PCP com a dupla auréola da clandestinidade e do comportamento exemplar na prisão, entenda-se que não delatou, regra sagrada para o partido. A sua mulher, também militante do partido, vivia na clandestinidade, estava igualmente presa e torturada, também não delatou.

Muitos falaram, confessaram, e foram ostracizados politicamente.

Com o 25 de Abril, os arquivos da PIDE foram devassados, assaltados – os partidos de esquerda queriam conhecer o «currículo» prisional dos seus militantes, embora nenhum tivesse o julgamento severo como o PCP.

O nosso herói tinha ambições políticas e aspirava a cargos importantes na hierarquia do partido, estava bem lançado, eis senão, quando a bomba deflagrou: tinha delatado na prisão! Um escândalo dentro do partido, ninguém imaginava semelhante coisa.

Apesar das provas evidentes, nunca assumio a «fraqueza» , se a palavra pode ser utilizada, porque resistir à tortura não era para todos.   Levou a arrogância ao ponto de não ter confessado à mulher o sucedido e esta ficou tão abismada como os outros membros do partido.

A ruptura do casamento esteve eminente mas a mulher numa atitude de grande dignidade, perdoou-lhe a falta.

Seguiu-se a inevitável travessia do deserto, que para os padrões do partido, foi suave. Lentamente, começou a construir o culto da personalidade, à imagem e semelhança de  Álvaro Cunhal!

Regressou à terra natal e continuou com o mesmo comportamento; para os seus conterrâneos era um herói, com honras de página no jornal da terra. A mulher, como  até aí, continuou na sombra apesar ser a heroína desta história.

Fui amigo de ambos embora nunca tivesse embarcado na lenda.

 



publicado por pimentaeouro às 23:59
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Sexta-feira, 9 de Janeiro de 2015
Turquemada no Médio Oriente

(homem de tollund enforcado)

O espírito e o ódio são os mesmos, tudo o resto é diferente. O terrorismo de inspiração islâmica veio para ficar  e ninguém sabe quanto terminará, poderá durar décadas e mudar de métodos e tácticas. O terrorismo que hoje flagela cidades ocidentais selecciona alvos mediáticos para ampliar o terror da sua barbárie e é executado com recursos escassos o que torna quase impossível, ou impossível, a sua prevenção.

As motivações são várias; ódio ao Ocidente, económicas, culturais, religiosas, etc. e as relações dos países ocidentais com os países do Médio Oriente, movidas exclusivamente pela exploração do petróleo, fomentam os factores que conduzem ao terrorismo. O clero muçulmano pelo silêncio é cúmplice do terrorismo e também incita à violência nos seus púlpitos: a ignorância implícita na sua pregação impede que o Islão faça o seu Renascimento, como aconteceu no Ocidente, e que por esta via mantenha os privilégios de que beneficia.

 Todos os séculos tem cemitérios de vitimas dos vários terrorismos, é fácil apontar o dedo à Inquisição mas podemos recuar aos alvores da História; os assírios ficaram conhecidos pela sua barbaridade. Por este caminho inverso, temos as várias invasões bárbaras (as incursões de razias escandinavos (Vikingues e de outros povos);  de Atila e outros; a Revolução Francesa; o terrorismo de Estado de Hitler, Estaline, Mao Zedong, etc .

Infelizmente há mais, o Homo Sapiens era violento, muito violento, os que o precederam também, e a violência está inscrita no código genético do homem. Esta é uma pílula muito amarga de engolir.

 

Alguns estudiosos, como Mark Burgess, do Center for Defense Information, traçam as raízes do terrorismo islâmico aos Assassinos, do século XI, uma ordem do xiismoismaelita que tinha como alvo oponentes políticos e religiosos que se interpunham à ideologia sectária do grupo. Ao propor uma continuidade entre as manifestações medievais e modernas do terrorismo islâmico, Burgess identifica um motivo subjacente comum a ambos, mais especificamente uma lealdade a um imperativo divino, bem como táticas semelhantes, tais como a procura consciente do martírio.

O surgimento do terrorismo islâmico moderno tem suas raízes no século XIX.2 O movimento wahhabista, um movimento fundamentalista árabe que foi formado no século XVIII, visava estabelecer um grande grupo de seguidores durante o período, e gradualmente inspirou outros movimentos fundamentalistas durante o século seguinte. Diversas ondas de movimentos terroristas de motivação política surgidos na Europa durante o século XIX (como o Narodnaya Volya, a Irmandade Republicana Irlandesa e a Federação Revolucionária Armênia) e no início do século XX (como o IRA e o Irgun) serviram como inspiração e modelo para os militantes islamitas no decorrer do século XX.3 Durante aGuerra Fria, os Estados Unidos e o Reino Unido apoiaram a ascensão de grupos fundamentalistas no Oriente Médio e na Ásia Meridional como forma de se opor à expansãosoviética na região e como forma de enfraquecer movimentos nacionalistas anti-ocidentais em alguns países.4

Para Burgess, a escalada do terrorismo durante o fim do século XX tem suas raízes em três eventos cruciais ocorridos em torno de 1979: a Revolução Iraniana, o renascimento religioso global que se seguiu ao fim da Guerra Fria, e a retirada soviética do Afeganistão. Estes eventos, segundo ele, teriam sido responsáveis por fazer que alguns grupos recorressem ao terrorismo religioso.5 6 O historiador americano Walter Laqueur descreveu a invasão soviética do Afeganistão como o "gatilho global" do terrorismo islâmico.7



publicado por pimentaeouro às 19:26
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Quinta-feira, 21 de Agosto de 2014
Quem és tu, afinal?

 

 

 

Sou parte daquela força que eternamente quer o mal e eternamente quer o bem.

 

Goethe, Fausto

 

 



publicado por pimentaeouro às 22:54
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Quarta-feira, 30 de Janeiro de 2013
Natureza humana #1

 

Ocorrem hoje 80 anos sobre a subida de Hitler ao poder através de eleições. Já sabemos o que aconteceu depois.

Os historiadores ainda investigam as causas da barbárie nazi. Algumas coisas parecem-me elementares: as condições amorais e paranóicas do tratado de Versalhes que condenaram todo o povo alemão à miséria; a crise económica provocada pelo crash americano de 1.929; uma inflação astronómica que aumentava os preços a cada hora, só podiam levar o povo alemão ao desespero.

Hitler transformou tudo isto numa vingança colectiva irracional: as v itimas da crise transformaram-se em carrascos, carrascos dos judeus mas não só. O holocausto foi uma industria de matança em massa mas cada soldado alemão que participou na guerra era também um carrasco sem noção do mal.

Para os 20 milhões de russos, da ex-URSS, e para os 6,5 milhões de polacos, que foram assassinados era-lhes indiferente escolher entre Auschwitz  e a espingarda do soldado alemão, morriam igualmente: o exercito nazi era igualmente uma industria de matar em massa: os judeus não tiveram o exclusivo do horror, nem deixaram de ser vítimas por causa disso.

A Alemanha de Hitler era constituída por homens e mulheres como nós e  a natureza do mal faz parte da natureza humana. A história da humanidade está repleta, em demasia, de genocídios.

 



publicado por pimentaeouro às 23:45
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Sábado, 24 de Novembro de 2012
LIVRE ARBÍTRIO, SIM OU NÃO?

Muito resumidamente, o livre arbítrio defende a possibilidade de tomarmos as nossas opções e escolhas em plena liberdade, sem nenhuma limitação.
Parece que não é bem assim. “Penso que temos a possibilidade de escolher, mas as nossas escolhas são, em última análise, determinadas pelas nossas predisposições e pela nossa vivência.”
Jean-Pierre Changeux, especialista de neurobiologia molecular


publicado por pimentaeouro às 00:00
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Sexta-feira, 23 de Novembro de 2012
Sentidos

 

 

 

Vemos os objectos com os olhos mas é o cérebro que «processa» esses estímulos e os transforma em percepções. Temos poucos instrumentos para medir o que os cérebros de diferentes pessoas processam.

Quando uma pessoa teima que uma camisa é turquesa e outra teima que é verde os seu cérebros estão a distinguir cores diferentes, embora os olhos estejam a ver o mesmo objecto.

Quando duas figuras geométricas, um quadrado e um rectângulo, parecem idênticas, A viu um quadrado - percepção -

 e B viu um rectângulo.

Esta é a natureza subjectiva dos sentidos: pode ser uma fonte de nuances e de diversidade ou a origem de complicações, mal entendidos e problemas.

É assim também a nossa natureza.



publicado por pimentaeouro às 23:34
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