Conhece-te a ti mesmo... se puderes.

Sexta-feira, 16 de Fevereiro de 2018
Anos 60

os anos 60 era assim e ainda hoje existem exemplares deste.

  

A mulher a dias, que vive com o marido, cinco filhos, numa casa com três quartos e uma cozinha. Os filhos não podem brincar com os primos — o ma­rido não deixa, pois zangou-se com o cunha­do. E como eles, apesar de tudo, brincam, e como ele acaba sempre por vir a saber,

bate-lhes sem dó nem piedade. Neles e nela.

  • Vi-lhe as nódoas negras. Quando ca­sou tinha uma pulseira de oiro. O marido (é chauffeur de táxi), um dia destes, foi buscar a pulseira ao prego, depois não lha devolveu. E trocou-a por um relógio, mas para ele.

Ameaça deixá-la, se ela não encontrar outra casa; não quer viver mais com o cunhado. Mas não lhe dá dinheiro, ela que o arranje. E não é só o problema do di­nheiro. Como poderiam ir sozinhos para um quarto sem ninguém a quem deixar os filhos? Há outra coisa: já fez dezoito des­manchos, agora vai fazer outro. Perguntei--lhe: «Porque não se protege, mulher?» Ele opõe-se. E nem lhe paga os desman­chos, a trezentos escudos cada. E a sangue--frio, bem entendido. «Deixa-os vir, deixa-os vir...», costuma ele dizer. E embora passem o tempo zangados e ele lhe dê gran­des tareias, isso não o impede de à noite

lhe fazer filhos. Espantoso, hem ? Estarem zangados não é impedimento, considera ele.

  • Não viste no outro dia o que se passou num tribunal ? Um homem separado da mulher, embora não judicialmente, pro-curou-a em casa; como ela se recusasse, atou-a com uma corda e levou-a para a cama. O tribunal reconheceu-lhe esse di­reito, era marido...

 

 

( do Livro Bolor, de Abelaira )

 

 

 


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Quinta-feira, 1 de Fevereiro de 2018
Um acto desnecessário

A conspiração era latente, mas a família real passou um último mês de retiro em Vila Viçosa. Desembarcou no Terreiro do Paço pelas 17h20. D. Carlos e o príncipe herdeiro morreriam umas dezenas de metros à frente. Era o princípio do fim da monarquia. Passam 110 anos sobre o regicídio

 

P.S. A monarquia estava moribunda, caia com qualquer abanão. Verdade seja dita, o partido republicano não esteve envolvido na conspiração que também não foi bem vista por muitos monarquicos.

Um acto inutil.


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Quinta-feira, 28 de Dezembro de 2017
É a natureza do homem

É a natureza do homem. O século XXI foi anunciado ao mundo como o século de todas as esperanças: progresso, bem estar para todos, maravilhas da ciência, tudo do melhor no melhor dos mundos (Candido de Voltaire não diria melhor).

Decorrida apenas uma década temos todas as ilusões desfeitas, angustias e caminhamos para rumos incertos e cheios de perigos. O século XXI herdou todos os problemas que já estavam no ventre dos anos 80 e 90 do século XX; aumento das desigualdades sociais e da pobreza no mundo, crise climática e do ambiente, esgotamento dos recursos naturais, guerras e agravamento do conflito no Médio Oriente, etc. e acrescentou-lhe a crise financeira mundial, sem fim à vista.

A primeira década do século XXI segue perigosamente as pegadas da sua homologa do século XX numa escala mais elevada: o século XXI começa como o século das crises sem que tivesse aprendido nada com o passado recente.

Até hoje o homem mostrou-se incapaz de gerir as sociedades que cria para viver e as sociedades potenciam progressos armadilhados e patologias ideológicas de autodestruição; os  moai (estátuas gigantes) da Ilha da Páscoa são o exemplo padrão .

Uma teoria inepta, o liberalismo económico, mal alinhavada quando o capitalismo industrual dava os primeiros passos e, principalmente, desmentida pela realidade da vida continua a ser a bússola da nossa marcha há mais de dois séculos. Porque?

Simplesmente, porque garante a ganância dos que dominam e justifica a exploração dos dominados. Já foram os industriais ingleses do século IXX, agora são os especuladores financeiros, invisíveis, do século XXI.

A história não se repete, a UE, como hoje existe, pode durar pouco tempo o que seria uma tragédia.

 

 


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Quarta-feira, 6 de Dezembro de 2017
Os cinco cavaleiros do Apocalipse

noite.jpg

Tivemos uma Igreja conservadora, reacionária alinhada com a Contra-Reforma, a Inquisição, que matava e espoliava os mortos, o delírio do ouro raiz da megalomania nacional,  a praga dos jesuítas que dominavam o ensino e as universidades até que Pombal correu com eles,  , um povo beato que acreditava no Sebastianismo e tudo somado conduzi-nos ao reino cadaveroso e a níveis de analfabetismo próximos do norte de África.

Foi com estas credenciais que entramos no século XX. É um atrazo estrutural que precisa de décadas para ser superado. O Portugal moderno é um parto doloroso.


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Terça-feira, 5 de Dezembro de 2017
Perplexo

As civilizações são formadas por camadas sucessivas de capital social que as gerações do presente legam às vindouras. Cada geração que nasce beneficia e é condicionada por esse capital que por seu torno irá renovar para as gerações que lhe sucederão. Cada um de nós usufrui do edifício social e deixa-lhe um pequeno tijolo para os nossos descendentes: este fluir da História é independente da nossa vontade individual e as excepções são os indivíduos de mau caracter ou mal formados que estragam em lugar construir ou os homens excepcionais que estão à frente do seu tempo.

Vem isto a propósito daquilo que eu recebi da sociedade e do legado que vou deixar. Conscientemente, contra a minha vontade, nunca imaginei que iria legar aos meus descendentes uma sociedade baseada na especulação desenfreda e no capital selvagem. A sociedade bafienta que eu recebi, forjada por Salazar, com a cumplicidade da Igreja Católica, não era flor que se cheirasse e eu acabei por tomar consciência da sua iniquidade .

Eu não mereço ser espoliado na minha pensão de reforma ( já lá iremos) e os trabalhadores não merecem ser explorados com salários de miséria, atirados para o desemprego,  e os jovens empurrados para a emigração porque o país, governado por cliques políticas incompetentes e gananciosas e por caciques mesquinhos, os empurra para a emigração, para longe, quanto mais longe melhor. Eu não trabalhei para construir esta sociedade onde, poderes ocultos, do capital e da finança, mandam  em países inteiros. Tenho uma pátria pequena mas quero-a independente.

Será pedir muito?



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Sábado, 25 de Novembro de 2017
Castrati #1

A prática de castração de jovens cantores (ou castratismo) existia desde o início do Império Bizantino, em Constantinopla, em torno de 400 d.C.. A imperatriz bizantinaÉlia Eudóxia, tinha um coro cujo mestre era um eunuco, que pode ter estabelecido o uso de castrati em coros bizantinos. Por volta do século IX, cantores eunucos eram bem conhecidos (pelo menos em Basílica de Santa Sofia), e permaneceu assim até o saque de Constantinopla pelas forças ocidentais da Quarta Cruzada em 1204. A partir de então, a prática de cantores eunucos desapareceu.

Somente no século XVI, na península Itálica, os castrati reapareceram, devido à necessidade de vozes agudas nos coros das igrejas. No fim da década de 1550, o duque de Ferrara tinha castrati no coro da sua capela. Está documentada a sua existência no coro da igreja de Munique a partir de 1574 e no coro da Capela Sistina a partir de 1599. Na bula papal Cum pro nostri temporali munere de 1589, o papa Sisto V aprovou formalmente o recrutamento de castrati para o coro da Basílica de S. Pedro.

Na ópera, esta prática atingiu o seu auge nos séculos XVII e XVIII. O papel do herói era muitas vezes escrito para castrati, como por exemplo nas óperas de Handel. Nos dias de hoje, esses papéis são frequentemente desempenhados por cantoras ou por contratenores. Todavia, a parte composta para castrati de algumas óperas barrocas é de execução tão complexa e difícil que é quase impossível cantá-la.

Muitos rapazes alvo da castração eram crianças órfãs ou abandonadas. Algumas famílias pobres, incapazes de criar a sua prole numerosa, entregavam um filho para ser castrado. Em Nápoles, recebiam a sua instrução em conservatórios pertencentes à Igreja, onde lecionavam músicos de renome. Algumas fontes referem que muitas barbearias napolitanas tinham à entrada um dístico com a indicação Qui si castrano ragazzi (Aqui castram-se rapazes).

Em 1870, a prática de castração destinada a este fim foi proibida na Itália, o último país onde ainda era efetuada. Em 1902, o Leão XIIIproibiu definitivamente a utilização de castrati nos coros das igrejas. O último castrato a abandonar o coro da Capela Sistina foi Alessandro Moreschi, em 1913.

Na segunda metade do século XVIII, a chegada do verismo na ópera fez com que a popularidade dos castrati entrasse em declínio. Por alguns anos, ainda existiram desses cantores na Itália. Com o tempo, porém, esses papéis foram transferidos aos contratenores e, algumas vezes, às contraltos.


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Quinta-feira, 23 de Novembro de 2017
Bem tapadas

burca.jpg 

 

Em Riade (Arábia Saudita) a polícia religiosa anda pelas ruas para garantir que todas a mulheres cumprem as regras impostas pela lei islâmica.

Até Quando?


sinto-me:

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Conta, peso e medida

“Julgo que o Capitalismo, sabiamente gerido, pode provavelmente tomar-se mais eficiente para alcançar objectivos económicos do que qualquer sistema alternativo vislumbrável por enquanto. Mas isso por si só é de muitas formas extremamente questionável. O nosso problema é elaborar uma organização social que seja o mais eficaz possível sem ofender as nossas noções de um modo de vida satis­fatório

 

John Maynard Keynes


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Quarta-feira, 22 de Novembro de 2017
Tempo cínico

… do nosso tempo cínico, exaltado de violên­cia, de ansiedade, de solidão, de espanto, de medo, de esperança, de terror, de ver­dades privadas, de mentiras colectivas, de verdades colectivas, de mentiras organiza­das, de amores frustrados, de amores subli­mes, de ódios perpétuos, de perpétuas es­peranças, de receios de felicidade, de ân­sias de felicidade...

 

… o homem vai destruir-se, mesmo que não haja guerra vai destruir-se, a vida faz-se a um ritmo que o homem não poderá supor­tar, e um dia aparecemos todos na rua aos saltinhos, a ladrar como os cães ou a escoicinhar como os cavalos ou os burros, todos doidos, a vida faz-se depressa de mais para a medida do homem,

nós estamos perto de Rilhafoles, é só
bater  à portorta”,…


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Terça-feira, 7 de Novembro de 2017
Paraíso dos loucos

 

ilha de pascoa.jpg

 

Um paradigma das armadilhas do progresso é a ilha de Pascoa e as suas enigmáticas estátuas gigantes. É uma história conhecida de como um povo pequeno caminhou para a quase extinção e a miséria: “… um crescimento ilimitado da população, uso indiscriminado de recursos, destruição do ambiente e uma confiança sem limites na religião para tomar conta do futuro. O resultado foi um desastre ecológico que levou à queda da população…”

 

O exemplo mais patético são as estátuas gigantes da ilha de Páscoa. Quando os holandeses lá chegaram, no dia de Páscoa de l 722  em lugar de uma ilha verdejante, encontraram um deserto árido, sem uma única árvore e escassos habitantes “pequenos, magros, tímidos e tristes”, segundo a descrição de Cook.

Tinham esgotado os recursos da ilha, acabando por se guerrearem para disputar os escassos restos existentes.

Também o planeta terra pode transformar-se numa ilha com enormes estátuas gigantes mas sem comida para o jantar. Não se trata de um cenário de ficção mas de uma probabilidade plausível.

 


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Quinta-feira, 5 de Outubro de 2017
5 de Outubro

 Resultado de imagem para 5 de outubro

 

 

É um marco na nossa História. A monarquia caiu sem que ninguém sai-se à rua a lutar por ela, apenas Paiva Couceiro tentou lutar no Norte sem qualquer sucesso: a monarquia já não base social de apoio nem simpatizantes. O regime monárquico era um defunto.

Quando a república foi implantada em Portugal em todos os países da Europa, excepto na Suíça, reinavam monarquias. Aparentemente estávamos avançados o que não era verdade, mais de 80% da população vivia no campo e era analfabeta.

Salazar tentou apagar, com êxito, a memória república. O 25 de Abril também não se lembrou dela.

A república, com todos os excessos e erros que teve, deve fazer parte deve fazer parte da nossos memória colectiva.

 


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Domingo, 1 de Outubro de 2017
Ser português hoje

Na época da globalização, da Internete, das redes sociais e da explosão da informação o que é ser português hoje? o que é a consciência social ?

Não podemos fugir à mediocridade que reina em todo o lado e que no nosso caso é mais grave porque sempre fomos um pais atrasado e  inculto. Ao fogacho das descobertos sucederam séculos de obscurantismo.

Isto parecem coisas do passado mas não são, ainda hoje pesam.

 


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Sábado, 26 de Agosto de 2017
Robots

  Resultado de imagem para robos

 

A tecnologia cria postos de trabalho, mas não ao mesmo ritmo que destrói, diz o pai do primeiro computador português. Peso dos administrativos e trabalhadores da indústria caiu a pique desde 1997.

Portugal perdeu 310 mil empregos de médias qualificações entre 1997 e 2017. 



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Segunda-feira, 10 de Julho de 2017
Somos menos e mais velhos

 Resultado de imagem para bebês recém nascidos

 

Portugal registou no ano passado a segunda taxa de natalidade mais baixa entre os 28 Estados-membros da União Europeia (UE) e foi um dos países cuja população diminuiu, de acordo com as primeiras estimativas sobre população hoje publicadas pelo Eurostat.



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Sexta-feira, 7 de Julho de 2017
Big brother

Resultado de imagem para teias de aranha

 

Quando Georh Orwell em 1.949 publicou o livro 1.984 fez uma profecia brilhante embora a realidade o tenha ultrapassado em muito.

O jornal I de hoje titula na primeira página:

O fim a privacidade.

Google sabe qual é o seu caminho para o trabalho e guarda registos de voz de tlemóveis que já não usa.

Conheça 10 apps que podem ser usadas para espiar casais, filhos e funcionários.

Há ferramentas que permitem aos patrões saber quantas vezes mexe no rato do computador.

Todas as publicações na net permitem construir o mapa de onde esteve.

Pelo andar da carruagem dentro em breve a Google espiarno-á dentro de casa.

Senhoras e senhores, jovens e seniores chagamos ao maravilhoso Mundo Novo.



publicado por pimentaeouro às 18:42
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