Conhece-te a ti mesmo... se puderes.

Sábado, 22 de Outubro de 2016
De onde venho ?

 Resultado de imagem para universo

 

Dos confins do Tempo primordial, sem memória. O hidrogénio é o culpado de tudo, esta em todos os cantos do Universo e foi a partir dele que a implosão  das primeiras estrelas gerou as estrelas de segunda geração que «fabricaram» todos os átomos que existem.

Viajei pelo espaço sideral de distâncias inimagináveis – calor e frio extremos,   vi galáxias de todas as formas: viajei sem destino marcado até parar numa galáxia qualquer, numa estrela qualquer, num qualquer planeta.

Não me lembro, mas foi no planeta Terra que o milagre da vida aconteceu como poderá ter acontecidos noutros planetas desta ou de outras galáxias. Saí de um Oceano e comecei a rastejar em terra. Milhões e milhões de anos para que tudo isto acontecesse e era apenas um princípio. Por mais de uma vez estive em risco de perecer e esta história teria terminado, mas a vida tem tanto de vulnerável quanto de persistente.

Surgiram milhares e milhares de espécies que já pereceram, dinossauros incluídos. Uma deriva de placas tectónicas no Rift africano tornou viável a vida de primatas até que um dia  surgi eu. Se não tivesse acontecido mais nada, a razia do Pérmico, era suficiente para nos ensinar – se quisermos aprender – que a marcha cósmica da vida não tem qualquer sentido.

Aceitar que a vida não tem sentido é um choque, pode até ser uma angústia e para os crentes de qualquer religião é um absurdo, mas de facto não tem sentido.  Nós é que temos de acrescentar-lhe um, escolher um desígnio, para vivermos com dignidade, sem esquecer que a nossa natureza acrescenta valores éticos ao que pensamos, ao que fazemos e ao que esperamos que os outros façam.

Não conseguimos viver sem valores éticos a menos que nos transformemos em oportunistas inveterados que atropelam tudo e todos.

O Aleijadinho esculpia as suas estátuas com o martelo e o escopo amarrados às mãos e tinha de captar o essencial de cada apóstolo. Sem a arte dele tenho a mesma obsessão quando escrevo: só o essencial, só o essencial.

Para escrever este post  tive que montar um cavalo brioso, cem vezes mais veloz do que a velocidade da luz, tive que captar apenas traços muito gerais de uma história com cerca de 15 mil milhões de anos, antiguidade que somos incapazes de compreender. Só a viagem por uma pequena galáxia dava para escrever vários livros.

Da recentíssima vida na Terra – escassos 4,5 mil milhões de anos – sabemos que a vida poderia ter meia dúzia ou mais de percursos diferentes com formas (seres) também inimagináveis.

A última grande extinção (foram seis) no Pérmico, ocorrida há cerca de 250 a 300 milhões de anos deu-nos as actuais formas de vida. Os seres que sobreviveram e os novos que surgiram não tinham  qualquer consciência de  que eram os protagonista de uma nova era, apenas desenvolviam troques para sobreviver. É deles,  dos dinossauros que se extinguiram e de um pequeno mamífero que sobreviveu, que começa a ser escrita a nossa história, uma odisseia que dá para escrever uma biblioteca inteira.

Daquele acidente tectónico no Vale do Rift africano, uma parte da floresta desapareceu e nasceu a savana. Um macaco curioso, desceu das árvores e começou a perscrutar a savana e os seus predadores: pouco depois entramos em cena até ao Homo Erectus. Seguiram-se uma série de acontecimentos prodigiosos – a invenção do fogo, da linguagem, do amor - mas é uma história demasiado complexa para que eu a possa esboçar.

Uma vez de pé, comecei a usar as mãos e a cabeça, o homem faz-se  si próprio, disse Gordon Chile: percebi que para sobreviver tinha que viver em grupo. Quando surgiu a minha consciência não sei (parece que ninguém sabe), também não sei quando surgiu a linguagem, nem sequer sei quando percebi que  a reprodução poderia ser feita com amor: amei até hoje e  é cada vez mais necessário amar.

Tudo isto foi muito difícil, perigos imensos, frios glaciares e agora poderia ser apenas eu a perecer: foi um milagre chegar até hoje.

Os meus tetravós construíram pirâmides e catedrais, inventaram a música e a poesia, a literatura e a filosofia, a ciência e quando estão ensandecidos destroem tudo.

Tenho sido muito insensato, além de genocídios e guerras sem fim e sem sentido, estrago a natureza que me deu vida. Sozinho nada posso fazer e colectivamente, em sociedades, não sabemos governar-nos.

Dentro de milhões de anos, o planeta Terra irá ficar estéril como a Lua, sem qualquer forma de vida, e quando lá chegarmos os humanos serão os primeiros a ficar petrificados.

Perplexo, vejo chegar a minha  hora de partir: quando terminar a minha ínfima caminhada, que não deixará qualquer peugada,  devolvo ao espaço os átomos que as estrelas me emprestaram para fazerem novas combinações. Gostava de poder escolher uma estrela para repousar mas a natureza não perde tempo com os nossos desejo, anseios,  fantasias e angustias, segue o seu caminho sem nunca olhar para trás.

Não é poético, mas é assim.

 


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publicado por pimentaeouro às 18:42
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Sexta-feira, 8 de Abril de 2016
De onde venho ?

 

 

Do confim do Tempo primordial, sem memória. O hidrogénio é o culpado de tudo, está em todos os cantos do Universo e foi a partir dele que a implosão  das primeiras estrelas gerou as estrelas de segunda geração que «fabricaram» todos os átomos que existem.

Viajei pelo espaço sideral de distâncias inimagináveis – calor e frio extremos,   vi galáxias de todas as formas: viajei sem destino marcado até parar numa galáxia qualquer, numa estrela qualquer, num qualquer planeta.

Não me lembro, mas foi no planeta Terra que o milagre da vida aconteceu como poderá ter acontecidos noutros planetas desta ou de outras galáxias. Saí de um Oceano e comecei a rastejar em terra. Milhões e milhões de anos para que tudo isto acontecesse e era apenas um princípio. Por mais de uma vez estive em risco de perecer e esta história teria terminado, mas a vida tem tanto de vulnerável quanto de persistente.

Surgiram milhares e milhares de espécies que já pereceram, até que um dia no meio de uma selva africana surgi eu.

Aceitar que a vida não tem sentido é um choque, pode até ser uma angústia e para os crentes de qualquer religião é um absurdo, mas de facto não tem sentido.  Nós é que temos de acrescentar-lhe um, escolher um desígnio, para vivermos com dignidade, sem esquecer que a nossa natureza acrescenta valores éticos ao que pensamos, ao que fazemos e ao que esperamos que os outros façam.

Não conseguimos viver sem valores éticos a menos que nos transformemos em oportunistas inveterados que atropelam tudo e todos.

O Aleijadinho esculpia as suas estátuas com o martelo e o escopo amarrados às mãos e tinha de captar o essencial de cada apóstolo. Sem a arte dele tenho a mesma obsessão quando escrevo: só o essencial, só o essencial.

Para escrever este post  tive que montar um cavalo brioso, cem vezes mais veloz do que a velocidade da luz, tive que captar apenas traços muito gerais de uma história com cerca de 15 mil milhões de anos, antiguidade que somos incapazes de compreender. Só a viagem por uma pequena galáxia dava para escrever vários livros.

Da recentíssima vida na Terra – escassos 4,5 mil milhões de anos – sabemos que a vida poderia ter meia dúzia ou mais de percursos diferentes com formas (seres) também inimagináveis.

A última grande extinção no Pérmico, ocorrida há cerca de 250 a 300 milhões de anos deu-nos as actuais formas de vida. Os seres que sobreviveram e os novos que surgiram não tinham  qualquer consciência de  que eram os protagonista de uma nova era, apenas desenvolviam troques para sobreviver. É deles,  dos dinossáurios que se extinguiram, que começa a ser escrita a nossa história, uma odisseia que dá para escrever uma biblioteca inteira.

Por um acidente tectónico no Vale do Rift Africano, uma parte da floresta desapareceu e nasceu a savana. Um macaco curioso, desceu das árvores e começou a perscrutar a savana e os seus predadores: pouco depois entramos em cena até ao Homo Erectos. Seguiram-se uma série de acontecimentos prodigiosos – a invenção do fogo é apenas um deles - mas é uma história demasiado complexa para que eu a possa esboçar.

Se não tivesse acontecido mais nada, a razia do Pérmico, era suficiente para nos ensinar – se quisermos aprender – que a marcha cósmica da vida não tem qualquer sentido.

Uma vez de pé, comecei a usar as mãos e a cabeça, o homem faz-se  si próprio, disse Gordon Chile: percebi que para sobreviver tinha que viver em grupo. Quando surgiu a minha consciência não sei (parece que ninguém sabe), também não sei quando surgiu a linguagem, nem sequer sei quando percebi que  a reprodução poderia ser feita com amor: amei até hoje e  é cada vez mais necessário amar.

Tudo isto foi muito difícil, perigos imensos, frios glaciares e agora poderia ser apenas eu a perecer: foi um milagre chegar até hoje.

Os meus tetravós construíram pirâmides e catedrais, inventaram a música e a poesia, a literatura e a filosofia, a ciência e quando estão ensandecidos destroem tudo.

Tenho sido muito insensato, além de genocídios e guerras sem fim, estrago a natureza que me deu vida. Sozinho nada posso fazer e colectivamente, em sociedades, não sabemos governar-nos.

Dentro de milhões de anos, o planeta Terra irá ficar estéril como a Lua, sem qualquer forma de vida, e quando lá chegarmos os humanos serão os primeiros a ficar petrificados. A vida não tem qualquer sentido para além daquele que nós lhe damos

Perplexo, vejo chegar a minha  hora de partir: quando terminar a minha ínfima caminhada, que não deixará qualquer peugada,  devolvo ao espaço os átomos que as estrelas me emprestaram para fazerem novas combinações. Gostava de poder escolher uma estrela para repousar mas a natureza não perde tempo com os nossos desejo, anseios,  fantasias e angustias, segue o seu caminho sem nunca olhar para trás.

Não é poético, mas é assim.

 

P.S.

Reeditado



publicado por pimentaeouro às 10:49
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Terça-feira, 10 de Fevereiro de 2015
ANTES DO BIG BANG?

 

 

 

Um amigo do Facebook, António Manuel Otto, colou-me a seguinte questão que transcrevo:

 o que é um ateu ? Leia a formula de Deus desobrirá muito mais.
A=privativo
teo= deus donde privado de deus. Descreva-me como pensa que está aqui.

donde vem tudo antes do bigbang, o acelerador de partículas leva-nos a perguntar donde vêm essas partículas.

 

Como é uma «conversa» de portas abertas, tomei a liberdade de colocar a questão no meu blogue.  

No século XIX reputados teólogos afirmavam que a Terra tinha sido «criada» no ano de 4.004 a.C. mas teólogo James Ussher (Igreja Anglicana) foi mais longe: calculou que a Terra fora «criada» às 9 horas da manhã, do dia 26 de Outubro, daquele ano!

Hoje não podemos imaginar Deus como vem pintado no Velho  Testamento. A ciência confirma que a Terra formou-se há cerca de 4.500.000.000 anos e que não passa de um minúsculo planeta perdido num canto de uma galáxia.

Para imaginarmos ou acreditarmos num ente criador, temos que o imaginar a criar milhões de galáxias e milhões de milhões de estrelas e respectiva corte de planetas e  diversas formas de vida noutros planetas que nunca chegaremos a conhecer. Esse ente criador que não sabemos imaginar «viverá» algures numa remota galáxia… ou fora do universo.

Há cem anos a ciência ainda não tinha chegado à teoria do Bigbang – limite actual do conhecimento da ciência sobre o universo - e daqui por cem anos ninguém pode imaginar se a ciência já descobriu outro universo anterior ao Bigbang.

O método científico nada tem a ver com a fé: pode ser representado como um triângulo que começa na observação, a partir desta formula uma teoria que depois é  submetida à prova (teste). O método repete-se as vezes que forem necessárias até obtermos a certeza de que a teoria está certa ou errada.

Através deste método, sempre em renovação, a ciência observa a natureza e o universo mas não pesquisa a existência de qualquer Deus.

A existência de uma entidade criadora não é um problema da ciência, é um acto de fé.

Existe muita literatura especializada e de divulgação sobre a origem e evolução do universo e sobre a origem da Terra, do aparecimento da vida na terra (passagem do inorgânico para orgânico) e do sistema solar.

A literatura que está ao meu alcance é a de divulgação: Sobre os dois temas, a origem do universo e a origem da vida na terra, cito dois autores (há muitos outros) Hubert Reves e Keith Harrison.

Sei que estou aqui porque descendo da família dos primatas e já publiquei alguns posts sobre a matéria.

 

 

 



publicado por pimentaeouro às 00:20
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Sexta-feira, 23 de Janeiro de 2015
Uma supernova

Imagem do Dia: Remanescente de supernova SNR0103-72.6

2014-11-11


Crédito: NASA/CXC/PSU/S.Park.
Telescópio: Chandra.
Instrumento: ACIS.
Esta imagem de raios-X obtida pelo satélite Chandra do remanescente de supernova SNR0103-72.6 revela a existência de um anel quase perfeito com cerca de 150 anos-luz de diâmetro em volta de uma nuvem de gás rica em oxigénio. Este anel marca os limites da onda de choque provocada pela ejecção de material provocada pela supernova. Sendo o oxigénio um dos elementos mais abundantes nesta supernova, fica-se a saber que a estrela que explodiu tinha, pelo menos, dez vezes a massa do Sol, dado que o oxigénio é sintetizado através de reacções nucleares no interior destas estrelas. O facto de o oxigénio e outros elementos essenciais à vida serem sintetizados no interior de estrelas de massa elevada e depois serem disseminados no Meio Interestelar pela explosão de supernovas já é conhecido há muitos anos, mas são conhecidas poucos remanescentes de supernova ricos neste elemento, dado o oxigénio se misturar com o gás interestelar ao fim de poucos milhares de anos. SNR0103-72.6 localiza-se na Pequena Nuvem de Magalhães, uma pequena galáxia nossa vizinha, visível a olho nu no hemisfério Sul, a cerca de 190000 anos-luz de distância.
 

- See more at: http://www.portaldoastronomo.org/npod.php#sthash.337A7d6Y.dpuf



publicado por pimentaeouro às 20:49
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Quinta-feira, 11 de Dezembro de 2014
Quero fugir deste planeta

 

 

Estou farto desta choldra e deste planeta devastado, quero ir para um canto qualquer da via láctea mas parece-me que não será fácil.

Todos já ouvimos falar de anos-luz sabemos que é a distância que a luz percorre durante um ano mas não imaginamos quantos quilómetros serão :   9.460.800.000.000 (nove triliões, quatrocentos e sessenta biliões e oitocentos milhões) de quilómetros, uma insignificância em termos cósmicos .

O nosso vizinho mais próximo, a Próxima de Centauro, fica 4,22 uma insignificância em termos cósmicosanos-luz, ou seja a 39,921 triliões de quilometro e o vizinho seguinte fica a cerca de 8,7 anos luz, uns modestos 82,30 triliões que quilómetros.

Se porventura conseguíssemos chegar à Próxima de Centauro encontraríamos um solitário amontoado de estrelas no meio de nada. As distancias no cosmos são completamente inimagináveis para o nossa compreensão habituada a pensar em quilómetros lineares ou quadrados.

As histórias de alienígenas que teriam percorrido milhões de milhões de quilómetro, em discos voadores, para fazerem círculos nas searas do Alentejo ou para assustar pastores de ovelhas são a versão moderna das histórias da Carochinha e só fazem sono.

Assim, tenho que continuar a gramar a choldra portuguesa, os indígenas de outros países de gramem as suas.

 



publicado por pimentaeouro às 20:13
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Quinta-feira, 10 de Abril de 2014
(des) Encarnação

 

 

 

Somos constituídos por milhões de átomos, da cabeça aos pés. Quando as nossa funções vitais cessam (decomposição) os átomos migram para outras aventuras pela nossa galáxia.

O nosso relógio biológico dá-nos menos de uma centena de anos para vivermos, mas os átomos que nos compõem duram milhões de milhões de anos: apenas fazem uma permanência curtissima dentro de nós.

A eternidade não é para nós, os átomos estão mais perto dela.

Não adianta preocupar-nos com o que acontece depois da morte: os átomos já migraram. Não existe mistério da vida nem mistério da morte, somos nós que os inventámos.


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publicado por pimentaeouro às 21:57
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Segunda-feira, 9 de Dezembro de 2013
Destinos diferentes

 

 

O universo pode ter um propósito, mas nada daquilo que conhecemos sugere que, sendo assim, esse propósito tenha qualquer semelhança com o nosso.


Bertrand Russell



publicado por pimentaeouro às 22:14
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