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Quinta-feira, 14 de Novembro de 2013
Álvaro Cunhal #2

Tinha decidido não voltar a escrever sobre Álvaro Cunhal mas o artigo de opinião do Historiador Manuel Loff “Cunhal em 2.013”, no Público de hoje, leva-me a voltar ao assunto.

Manuel Loff incorre em diversas imprecisões, até erros, que um historiador não pode cometer mesmo que a matéria não seja da sua especialidade.

Ao contrário do que afirma, nunca existiu qualquer autonomia do PCP em relação a Moscovo, pelo contrário sempre existiu uma grande dependência. Na clandestinidade, o PCP (os profissionais revelocionários, à boa boa maneira de Lenine) não viviam do ar, as suas vidas e a sua actividade era totolmente financiada por Moscovo: as quotas dos poucos militantes e simpatizantes tinham um valor simbólico. Quem paga manda.

M.L. considera o livro “Rumo à Victoria”, de Álvaro Cunhal, uma referência para a História do século XX, o que é um manifesto exegero. Fora do PCP foi um livro práticamente desconhecido.

O que me parece mais errado é M.L. considerar a estratégia “revolução democrática e nacional”, para derrubar o fascismo, adoptada por Cunhal em 1.965, certa quando esta tese foi um flagrante erro estratégico, como o 25 de Abril demonstrou.

Álvaro Cunhal, renegou a família - intitulava-se filho do proletariado – mas não conhecia  o povo português: só lidou superficialmente com militantes comunistas  e convivia apenas com os quadros do Partido, opção que manteve mesmo depois do 25 de Abril continuando a viver clandestinamente.

Outro erro estratégico de Álvaro Cunhal fui nunca ter compreendido a implusão da União Soviética e restantes países do bloco socialista e manter-se fiel a um modelo de sociedade que a História varreu da terra e que M.L. lê ao contrário como uma virtude do PCP. 

Nas comemorações do centenário do nascimento de Álvaro Cunhal está na moda publicar biografias sobre a sua vida. Até aqui tudo bem não fosse a maior parte dessas biografias meros texto apologéticos sem valor histórico ou cientifico: uma pena.

  



publicado por pimentaeouro às 19:13
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2 comentários:
De Naçao Valente a 14 de Novembro de 2013 às 20:28
Agustina escreveu que a história é uma ficção controlada. Em certo sentido tem razão. Não há historiadores imparciais. A sua visão do passado é sempre condicionada pelo seu posicionamento. Nunca saberemos a verdadeira história de Cunhal. No mínimo haverá sempre subjectividade; deliberada como parece ser o caso ou involuntária noutras situações.
Cumprimentos

 


De pimentaeouro a 14 de Novembro de 2013 às 21:15
É verdade, não há historiadores imparciais mas com a leitura de uns e de outros podemos aproximar-nos da verdade.
Manuel Loff é assumidamente de esquerda mas dispõe de ferramentas teóricas que lhe permitem mais objectividade.
Referi acontecimentos e factos relativamente recentes e sou testemunha de alguns deles. Se eu, um leigo os conheçe , M.L . também os conheceu mas a ideologia deformou-lhe a realidade.
Cumprimentos.


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