Portugal é um país de emigração multisecular: a pátria desde cedo deixou de poder sustentar os seus filhos (nem havia trigo que chegasse) e também desde cedo foi injusta na repartição do pão: abastança e desperdício para um, fome para a maioria.
A costa Ocidental de África e a India começaram por ser a válvula de escape mas a grande fuga foi para a Brasil e outros países das Américas e para os Açores e a Madeira.
Algumas vezes foi colonização incentivada pelo poder mas o grosso foi emigração, fuga.
Cá dentro, a razia provocada pela emigração foi mal compensada pela importação de escravos negros para trabalhar o campo e outros serviços menores. Com esta troca desigual as técnicas de produção agrícola e artesanais estagnaram. Assim chegamos ao reino cadaveroso dos séculos XVII e XVIII
No final do século XIX a emigração para o Brasil era a válvula de escape do Portugal pobre e no Portugal salazarista, principalmente na década de sessenta, a emigração voltou em força. Fugia-se a salto através de redes de passadores, com toda a bagagem numa mala de cartão. Chegaram a emigrar mais de 100 mil portugueses por ano, para a Europa, principalmente para França.
Fingindo que não sabia da fuga em massa, Salazar consegui diminuir as tensões sociais e manter a paz cinzenta do regime.
Esfumados os Fundos de Coesão da CEE e passadas duas décadas de delírio despesista, com a dívida pública a galopar, os credores apresentaram a factura mas simplesmente não havia dinheiro para pagar: bancarrota à vista.
Em 2.011 a troika aterrou na Portela e começou o calvário da austeridade, eufemismo para designar empobrecimento, desemprego e falência de empresas e os portugueses começaram novamente a emigrar.
Nos anos de 2.011 e 2.012 a emigração voltou a atingir os níveis da década de 60. Agora não vou com mala de cartão, a maior parte leva um diploma de curso universitário na mala de viagem.
Mas a emigração de agora, embora com níveis inferiores, já tinha começado em 2.008 e 2.009. Os portugueses jovens já tinham percebido que não tinham futuro na sua pátria, não foi preciso Passos Coelho dizer para se irem embora.
Enquanto a emigração não cessou de aumentar, a imigração já tinha começado a diminuir. Saem mais pessoas do que entram, a população diminui e quando (?) a economia recuperar haverá escassez de mão de obra qualificada.
A demografia deu o golpe final: os casais portugueses tem só um filho, dois está fora de causa, as expectativas de futuro são negativas, mas para que exista renovação das gerações é necessário que cada mulher tenha 2,1 filhos.
Por outro lado, a geração grisalha veio para ficar, mesmo que a médio prazo o seu crescimento seja menor, Portugal será um país de velhos. Não há volta a dar nem políticas de apoio à família que possam alterar este panorama.
A médio prazo seremos menos e mais velhos. Depois do médio prazo ninguém sabe o que será Portugal, talvez um Portugal menor.
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