Conhece-te a ti mesmo... se puderes.
Segunda-feira, 22 de Outubro de 2012
Para uma amiga

 

 

 Todos os mamíferos quando nascem precisam de um período de aprendizagem de duração variável. Os humanos são um caso à parte: como durante milhões de anos o cérebro foi aumentado, a natureza teve de inventar um expediente para que mãe e bebé não morressem no parto: nascem prematuros e a sua aprendizagem é a mais longa, se não forem ensinados e alimentados morrem.

Os humanos criaram uma segunda natureza cultural que se sobrepôs à primeira e necessitam de ser socializados. Somos gregários e não sobrevivemos fora de qualquer sociedade que tenhamos construído ao longo de milénios.

O «bom selvagem» não existe e ninguém nasce puro ou impuro, a vida é que tece esses percursos: a natureza é neutra, a sociedade é que cria sentidos para a vida, bons e maus.

Também não estou nada satisfeito com a educação que recebi (no tempo de Salazar) e com o pouco ensino que me deram. Lentamente fui abrindo os olhos para os sentidos da vida e o acaso desempenhou o papel principal.

A minha vida foi atípica, aconteceram-me coisa fora do tempo e sem jeito: estava mal preparado – equipado – para muitas coisas. Não pude escolher, mas se pudesse gostaria de ter nascido noutra época, algures no século XVII: a vida era mais calma.



publicado por pimentaeouro às 12:59
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7 comentários:
De Fátima Soares a 22 de Outubro de 2012 às 14:31
Olá! Agradeço o post e a explicação. Não concordo com o facto de não sobrevivermos extra " comunidade há vários exemplos de sucesso. Pessoas que abandonam a "sociedade" tal qual é e vivem entre animais como eles. Tribos que permanecem resistente a qualquer tipo de "entrada" de civilização e só agora começam a vacinar-se ou a ter noção e sempre viveram assim e bem, mas será talvez outra vertente. SE não nascemos puros? Acho que um ser que nasce não tem qualquer tipo de dogma vem em "branco" portanto "intocado" logo mais puro não haverá. É como uma "natureza morta" onde não há sinais do toque de outro ser  que só na expressão da pintura na tela. Eu sou um bocado esquisita nas minhas assunções e "credos" e cada vez estou a ficar mais extremista, mas é apenas defeito, porque tudo isto ser do contra já é feitio e crónico mas faz-me ter grandes e gratas discussões com outros de outros pareceres e nenhum de nós fica igual isso lhe garanto. Querido amigo teria companhia no século XVII eu passo a vida a dizer que não sou deste tempo. Temo que nessa altura também tivesse um "açaime" se nascesse mulher mas como tantas que se libertaram eu seria uma delas e partiria num navio escondida à procura de conquistar ou descobrir algo novo. Beijinho muito doce. Obrigado pelo seu carinho de fazer este post para me responder e esclarecer. Agradeço de coração e desejo com muita força que fique melhor. Obrigado o boa semana. E por favor não se aborreça com a minha obstinação ou as minhas convinções algo ridículas quiçá. Image


De pimentaeouro a 24 de Outubro de 2012 às 15:56

É assunto controverso. Tem muita gente que partilha a sua opinião e eu também não estou só. Desta discussão não vem mal ao mundo, já lá vai o tempo dos delitos de opinião e das excomunhões.

Quando nasce o cérebro de um bebé é o cérebro de um predador (o facto de a grande matança ocorrer fora da nossa vista não altera a sua natureza): a capa da civilização é muito fina e frágil e se for homem tem o gene da violência. Estamos muito longe da tela pronta a ser pintada.

À nascença está carregado de informação e tem os genes que determinarão os traços principais da sua personalidade: a educação dos primeiros meses e anos – informação e afectos – asseguram-lhe a sobrevivência e ensinam-lhe aspectos essenciais da sua socialização.

Também são importantes para a formação da sua personalidade mas os genes e os acasos da vida mandam mais.

Pode sair ao pai, à mãe, à avó ou até a um tetravó que ninguém conheceu: a hereditariedade é muito caprichosa.

Desejo que tenha passado melhor.

Grande abraço.

Image



De Fátima Soares a 24 de Outubro de 2012 às 22:18
Olá de novo. Acho que um dia não fala mais comigo por eu ser tão teimosa ou burra (de teimosa e chata)! Mas votando ao tema. Exacto. È u cérebro dum predador. Tal qual. Logo se não for "domesticado" com a civilização como lha damos a engolir fica puro animal . Não digo primata porque entre eles e nós há a inteligência o sermos dotados de outra capacidade, mas um ser assim sem ser formatado será no mínimo "único" faz-me lembrar um bocado romanceado o Tarzan (ficção, claro).Mas Uma criança que foi criada na selva e sobrevive. Não fala, mas raciocina logo, leva vantagem sobre os demais animais que com o instinto associados formariam uma boa dupla. Ele não tem problema de comer larvas ou bichos de qualquer espécie não tem nojo disto ou daquilo nem "vergonha" de andar nu. Está no seu meio. Está puro. Outro exemplo das lendas e da filosofia Rómulo e Remo e a Caverna Lupercal . Penso que nós (homem) é que incutimos todas as noções de vergonha, fé, educação, cultura, hábitos que já vêem com o ser quando nasce. Se não nos formatassem sobreviveríamos na mesma porque é esse o nosso instinto. Basta uma pequena ajuda do meio envolvente e o homem consegue adaptar-se e viver. Bem ou mal isso já é outra coisa mas quem é que pode dizer que a civilização como a vivemos é melhor que a pureza de viver com menos e com o que a natureza dá. E perdo-me também dizer que discordo dos genes e da hereditardade. Porque quantas vezes se vê uma família ser totalmente pacata, "normal" e no entanto há um elemento em uma qualquer geração que se torna assassino. Ou drogrado. E ao contrário. Famílias destruturadas de vício e sem qualquer noção dão à sociedade individuos completamente diferentes. Talvez haja um ele em qualquer das gerações que faça a diferença quem sabe... O comportamento humano e o ser humano em si é um mistério absoluto e não se epnse hoje em dia que já se descobriu tudo. Vejam-se tantos casos absurdos e desumanos que vendo à vista desarmada ninguém seria capaz de cometer e contudo... Desculpe-me meu amigo por favor eu até tenho medo de expor as minhas ideias e magoar ou passar por ridicula, mas adoro discutir e achar alguém acima de mim ou à altura para uma boa "discussão" como digo nenhum de nós jamais fica igual. Beijinho doce e um abraço obrigado pela resposta. Boa semana e continuação das melhoras.


De Fátima Soares a 24 de Outubro de 2012 às 22:24
Onde disse "hábitos que já vêem com o ser quando nasce" refiro-me à predisposição para sobreviver se lhe for dada essa hipotese dentro do meio
E onde disse "Talvez haja um ele em qualquer das gerações" queria dizer um elo...
Desculpe os erros o meu corrector não está bom e eu escrevo à velocidade do som e penso que está correcto, com o corrector e não reparo. Desculpe, sim? Beijinho e abraço. Por favor não me leve a mal ou me ache orgulhosa ou autoritária não? É mesmo só gostar de interagir. Obrigado.


 


De pimentaeouro a 26 de Outubro de 2012 às 16:01
Cara amiga,
O essencial dos dois lados já foi dito. Daqui para a frente iriamos debater argumentos acessórios que pouco adiantariam.
Porque razão não iriamos continuar a conversar?
Cada um tem a sua meneira de ser.
Abraço.
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De golimix a 22 de Outubro de 2012 às 16:42
Em todos os Séculos existem coisas boas e coisas menos boas,cabe-nos a nós lutar para conseguirmos ultrapassar as menos boas e sabermos que não há perfeição, nem neste século nem em nenhum outro! Mas que não se deixe morrer a utopia!

LMaria


De pimentaeouro a 26 de Outubro de 2012 às 16:08
O século XX em que eu vivi foi o século dos excessos maus e bons.
A referencia ao «século de ferro» é uma ironia. Os conflitos daquela época comparados com os conflitos do século XX parecem uma brincadeira.
Abraço.


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