Conhece-te a ti mesmo... se puderes.
Sábado, 24 de Fevereiro de 2018
Jorge Amado

 

Existem dúvidas sobre o exato local de nascimento de Jorge Amado. Alguns biógrafos indicam que o seu nascimento deu-se na fazenda Auricídia, à época pertencente ao município de Ilhéus. Mais tarde as terras da fazenda Auricídia passaram ao atual município de Itajuípe, com a emancipação do distrito ilheense de Pirangi. Entretanto, é certo que Jorge foi registrado no povoado de Ferradas, filho mais velho do Coronel João Amado de Faria e de Eulália Leal, pertencente a Itabuna.[7][10] Teve outros três irmãos: Jofre, Joelson e James.[10]

No ano seguinte ao de seu nascimento, uma praga de varíola obrigou a família a deixar a fazenda e se estabelecer em Ilhéus, onde viveu a maior parte da infância, que lhe serviu de inspiração para vários romances.[10]

Já adolescente, aos 14 anos, começou efetivamente a participar da vida literária, em Salvador. Foi um dos fundadores da "Academia dos Rebeldes", grupo de jovens que desempenhou um importante papel na renovação da literatura baiana. Os seus trabalhos eram publicados em revistas fundadas por eles mesmos.[10]

 
Bacharel em direito, 1935, mas nunca exerceu a profissão de advogado

Foi para o Rio de Janeiro, então a capital do País, para estudar na Faculdade de Direito da Universidade do Rio de Janeiro, atual Faculdade Nacional de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).[7] Durante a década de 1930, a faculdade era um polo de discussões políticas e de arte, tendo ali travado seus primeiros contatos com o movimento comunista organizado.[5]Tornou-se um jornalista, e envolveu-se com a política ideológica comunista, como muitos de sua geração. Em 1945 foi eleito deputado federal pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB), o que lhe rendeu fortes pressões políticas. Como deputado, foi o autor da emenda que garantiu a liberdade religiosa devido a ter visto o sofrimento dos que seguiam cultos africanos bem como protestantes no Ceará serem saqueados por fanáticos com uma cruz à frente – buscou assinaturas até conseguir a aprovação da sua emenda, e desde então a liberdade religiosa tornou-se lei.[5] Também foi autor da emenda que garantia direitos autorais. Por outro lado, votou favoravelmente à emenda nº 3.165 do deputado carioca Miguel Couto Filho a qual buscava proibir a entrada no País de japoneses de quaisquer idade e procedência.[11]

A sua obra é uma das mais significativas da moderna ficção brasileira, sendo voltada essencialmente às raízes nacionais. São temas constantes nela os problemas e injustiças sociais, o folclore, a política, as crenças, as tradições e a sensualidade do povo brasileiro, contribuindo assim para a divulgação deste aspecto do mesmo.

Era primo do advogadoescritorjornalista e diplomata Gilberto Amado[12] e da atriz Véra Clouzot.[13]

Foi casado com a também escritora Zélia Gattai, a qual o sucedeu em 2002 na cadeira 23 da Academia Brasileira de Letras. Com ela, teve dois filhos: João Jorge (nascido em 25 de novembro de 1947) e Paloma Jorge (nascida em 19 de agosto de 1951).[14] Teve ainda outra filha, Eulália Dalila Amado (nascida em 1935, que morre precocemente quando tinha apenas 14 anos, em 1949), fruto de um casamento anterior com Matilde Garcia Rosa.[10][14]

Viveu exilado na Argentina e no Uruguai (1941 a 1942), em Paris (1948 a 1950) e em Praga (1951 a 1952). Como um escritor profissional, viveu quase que exclusivamente dos direitos autorais de seus livros.

Durante o exílio na União Soviética, foi vigiado tanto pela CIA,[15] quanto pelos serviços de segurança soviéticos.

Em 1958 publicou Gabriela, Cravo e Canela, que representou um momento de mudança na produção literária do autor que até então abordava temas sociais.[16] Nesta segunda fase faz uma crônica de costumes, marcada por tipos populares, poderosos coronéis e mulheres sensuais.[16] Além de Gabriela, Cravo e Canela, os romances Dona Flor e seus dois maridos e Tereza Batista cansada de guerra são representativos desta fase.[16] Apesar do "turning-point" na obra, não deixou de ser publicado na URSS.[17]

Publicada pela primeira vez em 1966, a obra Dona Flor e seus dois maridos é considerada uma crônica de costumes da vida baiana. Regida sob a inspiração do realismo fantástico, a história mostra D. Flor como uma mulher que consegue realizar a fantasia de levar para a cama o marido falecido e o atual ao mesmo tempo. O primeiro, um malandro; o segundo, exatamente o seu contrário - só assim D. Flor sente-se realmente completa e feliz. O livro é pontuado de receitas culinárias, ritos de candomblé e exemplos de uma contradição que tão bem retrata o Brasil: o convívio do sério com o irresponsável, o prazer e o dever, a regra e o “jeitinho”. Sucesso editorial, D. Flor se tornou uma das mais populares personagens da literatura nacional.[18]

Na década de 1990, porém, viveu forte tensão e expectativa de um grande baque nas economias pessoais, com a falência do Banco Econômico, onde tinha suas economias. Não chegou porém a perder suas economias, já que o banco acabou sofrendo uma intervenção do Governo.[6]

Com a saúde debilitada havia alguns anos, veio a falecer em 6 de agosto de 2001 devido a uma parada cardiorrespiratória.[19] Em junho do mesmo ano, já havia sido internado por causa de uma crise de hiperglicemia.[19] O corpo de Jorge Amado foi cremado e suas cinzasenterradas em sua casa no bairro do Rio Vermelho, em Salvador. As cinzas de Zélia também estão depositadas no mesmo local, quando faleceu em 2008.[20] Hoje funciona no local a Casa do Rio Vermelho, expondo lembranças da vida do casal de escritores.[21]

Uma das suas obras é o O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá que foi feita para o seu filho João Jorge, quando este completou um ano de idade. O texto andou perdido e só em 1978 conheceu a sua primeira edição, depois de ter sido recuperado pelo seu filho e levado a Carybé para ilustrar.

 



publicado por pimentaeouro às 22:13
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2 comentários:
De redonda a 25 de Fevereiro de 2018 às 01:08
Um dos meus escritores preferidos - tive a sorte de ter vários livros dele em casa dos meus pais e comecei a lê-lo com onze anos, Gabriela Cravo E Canela, D. Flor e seus dois maridos, Suor, O País do Carnaval e depois fui conseguindo arranjar outros dos seus livros como Tieta do Agreste, Tocaia Grande, e Teresa Baptista Cansada da Guerra. Na altura também li livros do Erico Veríssimo como a trilogia O Tempo e o Vento, Clarissa, Caminhos Cruzados, Olhai os Lírios do Campo e comecei a sonhar que um dia gostava de ir ao Brasil (ainda não sucedeu, só em sonhos)
um beijinho e bom Domingo


De pimentaeouro a 27 de Fevereiro de 2018 às 11:43
Li Jorge Amado quando estava proibido por Salazar.
Um livreiro perto do Parques de Pombal vendia os livros por baixo do balcão.


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