Conhece-te a ti mesmo... se puderes.

Quarta-feira, 24 de Fevereiro de 2016
Bebemos no mesmo cálice

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Ambos bebemos o cálice, ignorando que continha fel. Os meus olhos só viam os teus. Os teus olhos só viam os meus.

O teu sorriso era discreto, quase pudico, o meu era mais expansivo e descuidado – nunca mais foi. Amávamo-nos com a ingenuidade da mocidade, vivíamos o presente e o futuro sem sombras.

Hoje, há distância de décadas, passeio pelas ruas por onde andavas; sento-me no café onde ias ver televisão, na companhia da tua madrasta, segunda mãe, que te acompanhava discreta como se estivesse ausente.

Sento-me na mesa da esplanada, junto ao rio, em tardes quentes de verão, onde conversávamos. Relembro os diálogos despreocupados e a tua ternura contida, o teu gesto interrompido de fazer-me uma carícia na cara.

A felicidade, tocava-nos levemente, tudo era natural e simples. Chamavas-te Julieta, eu, simplesmente, João.

Quando surgis-te na janela, na hora combinada, rompes-te num choro compulsivo, que me deixou atónito, perplexo.

Que se passa? Que te aconteceu? Não percebia o que se estava a passar, o que fazer. O teu choro pareceu-me durar uma eternidade e dentro de mim só havia confusão e desespero.

Como o portão de um castelo, a janela fechou-se. Retirei-me destroçado, como um farrapo, como um trapo que qualquer um deita fora.

Ainda hoje existes na minha memória como a maior alegria e a maior tristeza que me aconteceu.

Ainda existirei na tua memória? 

 


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publicado por pimentaeouro às 20:28
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Terça-feira, 2 de Fevereiro de 2016
Reencontro
 

  

Não me esqueces-te, João? Não, como poderia esquecer-te, Julieta? Como poderia esquecer um amor interrompido contra a nossa vontade?! 

 

Como poderia esquecer a brutalidade daquela imposição contra a vontade de dois jovens que se amavam e que pôs o teu coração a sangrar? Se alguma vez na vida temos direito ao amor é na juventude quando tudo acontece, em pureza e com encanto, pela primeira vez.

 

Eras maior de idade tinhas o direito de viver com quem quisesses, mesmo que fosse um pé rapado como eu, mas naquela época distante pater famílias é que mandava e decidia.

 

Não quero que a última imagem que guardo de ti seja aquele choro compulsivo, como nunca tinha visto na minha vida. Foi com aquele choro que aprendi a chorar.

 

Porque demoraste tantos anos, João? Esperei-te tanto tempo e nunca aparecias. Foi outro erro meu, Julieta. Estavas guarda nos labirintos da minha memória e assaltava-me a dúvida se desejarias voltar a ver-me. Até que rompi as minha hesitações e decidi procurar-te, o desejo de voltar a ver-te era irreprimível.

 

Foste viver para Londres (?), o  primeiro exílio da tua família, amas-te outro homem e regressas-te casada para o teu segundo exílio, algures num recanto da serra de Sintra, a Sintra que te viu crescer menina e que amavas e amas.

 

Aqui, no seio da Serra, foges ao convívio social – uma senhora muito reservada, disseram-me antes de vir procurar-te. Compreendo esse teu isolamento e reserva: é a marca do sofrimento, também sou reservado.

 

Conservamos longamente sobre o passado,  quando as nossas vidas se cruzaram num  namoro fugas. Nas tuas frequentes perguntas, não procuravas decifrar o homem que eu era, se era rico ou pobre, mas  como me comportava, como reagia, querias conhecer a personalidade do homem que escolhes-te para companheiro e pai dos teus filhos. 

 

As nossas vidas já foram vividas, separados um do outro, agora somos cinzas de uma lareira quase apagada.

 

Começa a escurecer, não tarda é noite. Tenho de regressar, as estradas da serra são muito sinuosas e escuras. Despedimo-nos num longo abraço, os nossos corpos uniram-se pela primeira vez, sinto o teu coração palpitar acelerado. Dou-te um beijo na testa e reparo que estás a chorar, carinhosamente enxugo o teu rosto, choro também e no brilho dos teus ohos leio que este nosso choro é de alegria.

 

Regresso feliz, muito feliz, o reencontro aconteceu e a partir de agora a tua imagem, dentro de mim, já não é triste.

 


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Sexta-feira, 8 de Janeiro de 2016
Romeu e Julieta, quem se lembra?

 

 

Há um bom par de anos li o consagrado romance Romeu e Julieta de Shakespeare, escrito na sua mocidade. Shaekespeare foi buscar o tema à literatura italiana da sua época mas o tema é anterior, é de muitos séculos antes. A acção desenrola-se em Verona e R. e J. pertencem a duas famílias inimigas, capuletos e montecchios., hoje diríamos que S. fez um plágio.

Não gostei do romance, achei-o fraco e esta é também a opinião de alguns críticos literários. Sendo um romance menor porque motivo sobreviveu durante vários séculos? Talvez pela imortalidade do tema, o amor e a sua dimensão trágica.

Entre nós Pedro e Inês foram glosados durante alguns séculos até caírem no esquecimento.

Inês e Pedro não morreram, apenas dormem.

Comemora-se, em janeiro de 2005, os 650 anos de morte da figura feminina mais representativa em Portugal, desde os tempo da formação do reino. A importância do tema Inês de Castro é inegável na formação da identidade cultural portuguesa, visto que obras literárias e de outras expressões artísticas

Em época mais recente, o Amor de perdição de Camilo é uma adaptação semelhante, com variantes, de Romeu e Julieta.

No século XXI, o século do instantâneo e do efémero, dos laços familiares fracos e das relações descartáveis quem terá lido Romeu e Julieta?



publicado por pimentaeouro às 11:30
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Segunda-feira, 14 de Dezembro de 2015
Pavilhão 24 #2

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 Visito todos os dias a tua mãe, algumas vezes sem saber como. Levo-lhe um lanche e mimos da Versalhes, fruta, tabaco e moedas para a máquina de café, sem este suplemento a tua mãe passaria mal.

Envelheceu, tem no rosto e no olhar as marcas de muitos anos de sofrimento. A tua infeliz mãe perdeu o olho esquerdo, tem uma doença rara, sem medicação especifica, há quatro anos que sofre de dor crónica, dói sempre, uns dias menos outros dias mais. Para aumentar este drama agora tem uma demência reversível; a demência causa sofrimento e nos períodos em que está lúcida o sofrimento aumenta com o mundo demencial que tem à sua volta.

Quando entro no hospital, entro numa prisão, e saio mais triste e deprimido do que quando entrei. Com 80 anos não sei até onde conseguirei lavar às costas ente lenho. Não consigo entender o teu comportamento para com a tua mãe e para usar uma palavra moderada direi que é desumano e só contribui para aumentar inutilmente o seu sofrimento, talvez um dia sintas remorsos.

 



publicado por pimentaeouro às 00:35
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Sexta-feira, 11 de Setembro de 2015
Para a minha mulher

  

Sei que já não podes ouvir mas é uma maneira de falar contigo.


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publicado por pimentaeouro às 00:09
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Sábado, 1 de Agosto de 2015
Se eu pudesse...

 

 

Este post é quase um plágio de um post editado pela minha amiga "O meu sótão cor de rosa"  de onde roubei a ideia: o seu a seu dono.

Se eu pudesse parar o tempo iria jogar o pião; iria lançar papagaios de papel e cana ao céu em competição com outros «maçaricos»; iria correr nas areias dourados e dunas da praia de Monte Gordo, onde só havia três ou quatro cabanas onde os pescadores guardavam as redes; iria faltar à escola para caçar lagartixas no pinhal; iria roubar atum ( http://pimentaeouro.blogs.sapo.pt/pardais-228220) nas fábricas de conservas; se eu pudesse parar o tempo iria jogar xadrez no velho café Esperança em Setúbal.

Se eu pudesse parar o tempo iria namorar com a Fernanda, de braço dado, pelo  jardim do Almonda; se o tempo me desse mais uma moratória iria namorar com a Julieta em Sintra.
Fernanda e Julieta são  dois fantasmas vivos que me acompanham na minha solidão e tornam a minha vida menos amarga.


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Quarta-feira, 8 de Julho de 2015
Romeo e Julieta

 

 

 

 Não vou falar de crises, da nossa, da grega, do Terceiro, do Quarto, do Quinto Mundo e outras por esse mundo do Demo fora.

Li há uns bons anos Romeu e Julieta e fiquei decepcionado, não estou só, há críticos literários que consideram a obra medíocre. Como explicar a consagração quase unanime do romance? Talvez seja a universalidade do tema. Shakespeare foi basear o drama numa obra do século XII. Desde essa  época remota o drama (lendário?) tem inspirado diversas versões semelhantes, com mais ou menos ingredientes, até hoje. Até Hoje? Parece-me que neste século XXI  o instantâneo e efémero poucos terão lido o livro, ou sequer, terão uma vaga ideia de dois jovens que se amaram.

O século que nos calhou viver não perde tempo com romantismos, vivemos mergulhados em tecnologias alienatórios que nos transformamos em átomos caóticos, precisamente, quando mais precisamos de calor no coração, de afectos , de convívios, de laços que nos unam: não precisamos de longevidade, precisam  de qualidade de vida, de serenidade e paz.

 



publicado por pimentaeouro às 21:06
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Sexta-feira, 6 de Junho de 2014
Amor triste

 

 

Ambos bebemos o cálice, ignorando que continha fel. Os meus olhos só viam os teus. Os teus olhos só viam os meus.

O teu sorriso era discreto, quase pudico, o meu era mais expansivo e descuidado – nunca mais foi. Amávamo-nos com a ingenuidade da mocidade, vivíamos o presente e o futuro sem sombras.

Hoje, há distância de décadas, passeio pelas ruas por onde andavas; sento-me no café onde ias ver televisão, na companhia da tua madrasta, segunda mãe, que te acompanhava discreta como se estivesse ausente.

Sento-me na mesa da esplanada, junto ao rio, em tardes quentes de verão, onde conversávamos. Relembro os diálogos despreocupados e a tua ternura contida, o teu gesto interrompido de fazer-me uma carícia na cara.

A felicidade, tocava-nos levemente, tudo era natural e simples. Chamavas-te Julieta, eu, simplesmente, João.

 O que deveria ser o enlevo do nosso primeiro encontro a sós, do nosso desejado primeiro beijo, à janela da casa da tua madastra, em poucos segundos tornou-se um drama.

O que se seguiu é demasiado triste e não quero recordá-lo.


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publicado por pimentaeouro às 23:58
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Segunda-feira, 10 de Fevereiro de 2014
Falando de amor

Orfeu e Eurídice - Lendas e mitos


Orfeu é, namitologia grega, poeta e músico. Filho da musa Calíope, era o mais talentoso dos músicos. Quando tocava a sua lira, os pássaros paravam de voar para escutar e os animais selvagens perdiam o medo. As árvores curvavam-se para ouvir os sons no vento. Tocava a lira de Apolo pois dizem que Apolo era seu pai. Orfeu era casado com Eurídice. Ela era tão bonita que atraiu um homem chamado Aristeu. Quando ela recusou as suas atenções, Aristeu perseguiu-a. Tentando escapar-lhe, ela tropeçou numa serpente que a mordeu e Eurídice morreu. Orfeu ficou transtornado de tristeza. Levando a sua lira, foi até o Mundo dos Mortos, para tentar trazê-la de volta. A canção pungente e emocionada de sua lira convenceu o barqueiro, Caronte, a levá-lo vivo pelo Rio Estige. A canção da lira adormeceu Cérbero, o cão de três cabeças que vigiava os portões; o seu tom carinhoso aliviou os tormentos dos condenados. Finalmente Orfeu chegou ao trono de Hades. O rei dos mortos ficou irritado, ao ver que um vivo tinha entrado no seu domínio, mas a agonia na música de Orfeu comoveu-o, e ele chorou lágrimas de ferro. Sua mulher, Perséfone, implorou-lhe que atendesse o pedido de Orfeu. Assim, Hades atendeu o seu desejo: Eurídice poderia voltar com Orfeu ao mundo dos vivos. Mas com uma condição: que ele não olhasse para ela até que ela, de novo, estivesse à luz do sol. Orfeu partiu pelo caminho íngreme que levava para fora do escuro reino da morte, tocando músicas de alegria e celebração, enquanto caminhava, para guiar a sombra de Eurídice de volta à vida. Ele não olhou nenhuma vez para trás, até atingir a luz do sol. Mas então, virou-se, para se certificar de que Eurídice o estava seguindo. Por um momento ele viu-a, perto da saída do túnel escuro, perto da vida outra vez. Enquanto ele olhava, ela transformou-se de novo num fino fantasma, soltou um doloroso gemido final de amor e pena, não mais do que um suspiro na brisa, que saía do Mundo dos Mortos. Ele havia-a perdido para sempre. Em total desespero, Orfeu tornou-se amargo. Recusava-se a olhar para qualquer outra mulher, não querendo lembrar-se da perda da sua amada. Furiosas por terem sido desprezadas, um grupo de mulheres selvagens chamadas Mênades caíram sobre ele, frenéticas, e despedaçaram-no. Jogaram a sua cabeça cortada no Rio Hebrus, e ela flutuou, ainda cantando, "Eurídice! Eurídice!" Chorando, as nove musas reuniram os seus pedaços e enterraram-nos no Monte Olimpo. Dizem que, desde então, os rouxinóis das proximidades cantaram mais docemente do que os outros. Orfeu, na morte, uniu-se à sua amada Eurídice. Quanto às Mênades, que tão cruelmente mataram Orfeu, os deuses não lhes concederam a misericórdia da morte. Quando elas bateram os pés na terra, em triunfo, sentiram seus dedos entrarem no solo. Quanto mais tentavam tirá-los, mais profundamente eles se enraizavam. As suas pernas tornaram-se troncos de madeira pesada, e também os seus corpos, até que elas se transformaram em silenciosos carvalhos. Assim permaneceram pelos séculos, batidas pelos ventos furiosos que antes se emocionavam ao som da lira de Orfeu, até que, por fim, esses troncos mortos e vazios caíram no chão.


publicado por pimentaeouro às 22:51
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Segunda-feira, 30 de Dezembro de 2013
No meu tempo #3

 

Alguns chamar-me-ão saudosista. Talvez seja, mas sinto a necessidade de regressar ao «meu tempo», aos anos  50 e 60 do século passado. As jovens e as mulheres de hoje (os homens também) não conseguem imaginar o que era ser mulher naquela época.

A mulher era um ser de segunda que devia submeter-se ao domínio do homem, do «chefe de família».

Matéria que é pouco estudada, foi publicado recentemente um livro "Amor e Sexo no Tempo de Salazar, de autoria de Isabel Freire, edição Esfera dos Livros, que aborda a situação das mulheres naquela época. Nos aos 60 houve alguma abertura porque já existia uma classe média que viajava pelos estrangeiro e não era afecta ao regime.

É também na década de 60 que surgem movimentos contestatários nos EUA, em França, etc.

Há alguns meses recebi um comentário a um post meu que me comoveu. É um testemunho na primeira pessoa sobre a condição feminina naquela época.

Antónia, nome ficticio, não tem blogue e não sei se continua a visitar-me, deixou-me o seguinte testemunho:

 

Amigo este post comoveu-me imenso. Em parte um pouco diferente mas eu fui educada assim. O meu pai sempre foi polícia. Trabalhava muito e fazia turnos que o obrigavam a estar dias sem vir a casa.

Na minha mãe ficou delegado a responsabilidade e a ingratidão de ser mulher também e criar dois filhos, quase sozinha. Tenho um irmão mais velho k eu 6 anos eu era a "menina". Não podia isto, aquilo, o outro! Nunca fui a bailes, cafés, vinha e ia para a escola quase escoltada.

Mas isso fez a minha personalidade combativa vir ao de cima e tive muitos dissabores por me rebelar. Depois o tempo foi evoluindo o meu irmão sendo mais compreensivo e eu a ter um pouco mais de espaço, mas já não fazia falta. Crescera sem saber o que é a vida protegida de tudo, sem ver nada à frente. Resultado! Um casamento feito antes do tempo devido. Um divórcio complicado. Uma filha aos 25 anos, quando devia começar aí a pensar se calhar em casar a 1ª vez ou se ficasse sozinha não se perderia.

 Fiz uma serie de opções erradas para obter uma liberdade que nunca tive porque fui tão castrada que não conseguia libertar-me. Mesmo que quisesse ser mais audaz não conseguia. A minha mente não deixava. Se lhe dissesse que não entrava num café sozinha por vergonha aos quase 30 anos? Não vai acreditar em mim.

 Fechei-me no meu mundo. Num desgosto de trabalhar muito, e tive ironicamente de com uma casa "comprada" ao banco ir viver para casa dos meus pais novamente para conseguir pagar a renda. Conseguir não chorar e ser forte perante a minha filha era quase estoico.

 Hoje alturas em que trabalhei quase 24 horas por dia porque 3 anos depois do divórcio, sofreria como nunca oensei e para não me lembrar entretanto desse amor que me faria não desejar viver... E adivinhe-se! O sofrimento veio duma pessoa que era minha amiga, colega e me faria sofrer como ninguém.

Quase me destruiu! Vieram seis anos sem ninguém e um ódio à vida desgraçado e pensei que nunca mais casaria ou me relacionaria com ninguém e depois olhe...Hoje sou casada há 23 anos tenho outra filhota e vou indo.

Um dia de cada vez. Mas nunca, por nunca ser deixei de me revoltar e ser eu. Agora será que se fosse mais submissa e me mantivesse calada e disponível no 1º casamento hoje veria tudo diferente...Não creio!

A vida é um jogo de muito azar. Cada um tem o seu naipe de cartas, umas melhores outras uma porcaria. Há que ir a jogo e tentar vencer. Desculpe o extenso do comentário e se quiser apague-o. Mas é de coração que entendo a mágoa e que a lembrança jamais passe. Porque há pessoas que se imprimem em nós. Beijinho meu amigo. Força! E as melhoras e um bom feriado e fsemana.


Os homens, alguns, também tinham a sua quota parte de sofrimento nesta prisão dos afectos e dos sentimentos. Eu fui um deles e deixo este testemunho para que aqueles tempos não voltem mais. 

 



publicado por pimentaeouro às 12:37
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Terça-feira, 1 de Outubro de 2013
Do amor #1



Estavas, linda Inês, posta em sossego,


De teus anos colhendo doce fruito,


Naquele engano da alma, ledo e cego,


Que a fortuna não deixa durar muito,


Nos saudosos campos do Mondego,


De teus "fermosos" olhos  nunca "enxuito",


Aos montes "insinando"  e às ervinhas


O nome que no peito escrito tinhas (...)


Parece que este poema de Camões deu origem à lenda, com fundo histórico, do drama de Pedro e Inês.

A lenda passou para a literatura erudita e a popular ( literatura de cordel ) e o seu fundo dramático é superior ao de "Romeu e Julieta" que alguns autores consideram uma obra mediocre.

Que eu tenha conhecimento "Pedro e Inês" não passou para o cinema apesar do seu universalismo, o amor. Moita Flores fez uma série televisiva em 2.005, salvo erro.

É uma pena que hoje muito poucos se lembrem de "Pedro e Inês" 








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Sexta-feira, 30 de Agosto de 2013
Amor proíbido

 

Aquele gesto contido de fazer-me uma carícia significava que o amor já tinha nascido em ti, o amor que todas as mulheres jovens desejam e procuram. O amor que me tinhas não podes-te vive-lo porque foi proibido contra a tua vontade e a minha.

Não tive coragem  de lutar por ele, não fui digno de ti. 


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Segunda-feira, 3 de Junho de 2013
Do amor #2

Como é que se Esquece Alguém que se Ama?Como é que se esquece alguém que se ama? Como é que se esquece alguém que nos faz falta e que nos custa mais lembrar que viver? Quando alguém se vai embora de repente como é que se faz para ficar? Quando alguém morre, quando alguém se separa - como é que se faz quando a pessoa de quem se precisa já lá não está? 
As pessoas têm de morrer; os amores de acabar. As pessoas têm de partir, os sítios têm de ficar longe uns dos outros, os tempos têm de mudar Sim, mas como se faz? Como se esquece? Devagar. É preciso esquecer devagar. Se uma pessoa tenta esquecer-se de repente, a outra pode ficar-lhe para sempre. Podem pôr-se processos e acções de despejo a quem se tem no coração, fazer os maiores escarcéus, entrar nas maiores peixeiradas, mas não se podem despejar de repente. Elas não saem de lá. Estúpidas! É preciso aguentar. Já ninguém está para isso, mas é preciso aguentar. A primeira parte de qualquer cura é aceitar-se que se está doente. É preciso paciência. O pior é que vivemos tempos imediatos em que já ninguém aguenta nada. Ninguém aguenta a dor. De cabeça ou do coração. Ninguém aguenta estar triste. Ninguém aguenta estar sozinho. Tomam-se conselhos e comprimidos. Procuram-se escapes e alternativas. Mas a tristeza só há-de passar entristecendo-se. Não se pode esquecer alguem antes de terminar de lembrá-lo. Quem procura evitar o luto, prolonga-o no tempo e desonra-o na alma. A saudade é uma dor que pode passar depois de devidamente doída, devidamente honrada. É uma dor que é preciso aceitar, primeiro, aceitar. 
É preciso aceitar esta mágoa esta moinha, que nos despedaça o coração e que nos mói mesmo e que nos dá cabo do juízo. É preciso aceitar o amor e a morte, a separação e a tristeza, a falta de lógica, a falta de justiça, a falta de solução. Quantos problemas do mundo seriam menos pesados se tivessem apenas o peso que têm em si , isto é, se os livrássemos da carga que lhes damos, aceitando que não têm solução. 
Não adianta fugir com o rabo à seringa. Muitas vezes nem há seringa. Nem injecção. Nem remédio. Nem conhecimento certo da doença de que se padece. Muitas vezes só existe a agulha. 
Dizem-nos, para esquecer, para ocupar a cabeça, para trabalhar mais, para distrair a vista, para nos divertirmos mais, mas quanto mais conseguimos fugir, mais temos mais tarde de enfrentar. Fica tudo à nossa espera. Acumula-se-nos tudo na alma, fica tudo desarrumado. 
O esquecimento não tem arte. Os momentos de esquecimento, conseguidos com grande custo, com comprimidos e amigos e livros e copos, pagam-se depois em condoídas lembranças a dobrar. Para esquecer é preciso deixar correr o coração, de lembrança em lembrança, na esperança de ele se cansar. 

Miguel Esteves Cardoso, in 'Último Volume'

 

Tema(s): Amor  ( Do blogue Citador)


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Sexta-feira, 3 de Maio de 2013
Morre-se de amor?

Os românticos do final do século XIX juravam  que sim, hoje a ideia parece-nos disparatada, todavia, às vezes o Diabo faz das suas…

A história anda na minha cabeça há cerca de uns cinco anos, provavelmente  por ser contra a corrente, e passou-se no prédio onde moro. No segundo andar existe uma pequena empresa cujo proprietário era casado e a mulher também trabalhava na empresa.

Alta, elegante, sem ser bonita, com cerca de 40 anos, era uma mulher intelectualmente interessante. Ocasionalmente, conversava com o casal no elevador ou no café do largo.

O cancro, brutalmente, levou-a em pouco mais de três meses. O marido ficou literalmente arrasado. Nos primeiros meses parecia que andava noutro planeta, depois fez tratamento psiquiátrico e melhorou. As melhoras duraram cerca de um ano e a seguir meteu-se no álcool. Novo tratamento psiquiátrico e regressou à normalidade. Entretanto arranjou nova companhia, como uma mulher também elegante.

Os fumos da tragédia pareciam ter desaparecido, mas nova recaída. Deixou a nova companheira e mergulhou na tristeza. Definhava de dia para dia e deixou de trabalhar. Cantaram-me que se reformou antecipadamente e que parece um velho.

Ao contrário do que pensamos, o amor destrói muitas vidas, principalmente, femininas.


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Segunda-feira, 1 de Abril de 2013
Reencontro

 

 

 

 

Não me esqueces-te, João? Não, como poderia esquecer-te, Julieta? Como poderia esquecer um amor interrompido contra a nossa vontade?

 

Como poderia esquecer a brutalidade daquela imposição contra a vontade de dois jovens que se amavam e que pôs o teu coração a sangrar? Se alguma vez na vida temos direito ao amor é na juventude quando tudo acontece, em pureza e com encanto, pela primeira vez.

 

Eras maior de idade tinhas o direito de viver com quem quisesses, mesmo que fosse um pé rapado como eu, mas naquela época distante pater famílias é que mandava e decidia.

 

Não quero que a última imagem que guardo de ti seja aquele choro compulsivo, como nunca tinha visto na minha vida. Foi com aquele choro que aprendi a chorar.

 

Porque demoraste tantos anos, João? Esperei-te tanto tempo e nunca aparecias. Foi outro erro meu, Julieta. Estavas guarda nos labirintos da minha memória e assaltava-me a dúvida se desejarias voltar a ver-me. Até que rompi as minha hesitações e decidi procurar-te, o desejo de voltar a ver-te era irreprimível.

 

Foste viver para Londres (?), o  primeiro exílio da tua família, amas-te outro homem e regressas-te casada para o teu segundo exílio, algures num recanto da serra de Sintra, a Sintra que te viu crescer menina e que amavas e amas.

 

Aqui, no seio da Serra, foges ao convívio social – uma senhora muito reservada, disseram-me antes de vir procurar-te. Compreendo esse teu isolamento e reserva: é a marca do sofrimento.

 

Conservamos longamente sobre o passado,  quando as nossas vidas se cruzaram num  namoro fugas. Nas tuas frequentes perguntas, não procuravas decifrar o homem que eu era, se era rico ou pobre, mas  como me comportava, como reagia, querias conhecer a personalidade do homem que escolhes-te para companheiro e pai dos teus filhos. 

 

As nossas vidas já foram vividas, separados um do outro, agora somos cinzas de uma lareira quase apagada.

 

Começa a escurecer, não tarda é noite. Tenho de regressar, as estradas da serra são muito sinuosas e escuras. Despedimo-nos num longo abraço, os nossos corpos uniram-se pela primeira vez, sinto o teu coração palpitar acelerado. Dou-te um beijo na testa e reparo que estás a chorar, carinhosamente enxugo o teu rosto, choro também e no brilho dos teus ohos leio que este nosso choro é de alegria.

 

Regresso feliz, muito feliz, o reencontro aconteceu e a partir de agora a tua imagem, dentro de mim, já não é triste.

 


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