Conhece-te a ti mesmo... se puderes.

Segunda-feira, 19 de Novembro de 2012
Sou africano

 

 

O Homo sapiens, ao contrário do que poderá parecer porque é pouco referido, nasceu em África e quando saiu daquele continente, há apenas 60.000 anos, para explorar o resto do planeta, levava consigo toda a tecnologia desta espécie mais evoluída (economia de caça, recolha e pesca, primeiras sepulturas, nascimento da arte, etc.) do que o seu antecessor Homo erectus.

Os pequenos grupos humanos que penetraram na Península Arábica e os que não se aventuraram e ficaram em África  tinham a pele escura, o cabelo escuro e os olhos escuros.

À medida que os reduzidos grupos de Homo sapiens foram penetrando no Médio Oriente, Europa, Ásia Central, China, Austrália, Américas, etc. a melanina foi alterando a pigmentação da pele mas o que predomina, no mundo,  é a pele escura, o cabelo escuro e os olhos escuros (Índia, Ásia Central, nativos das Américas, etc.)

Resumindo, em qualquer parte do mundo que nasçamos somos todos descendentes de africanos, comumente designados por pretos.

Os racistas de todas as cores são ignorantes e exploradores com base na sua suposta superioridade racial.

 



publicado por pimentaeouro às 22:45
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Quarta-feira, 31 de Outubro de 2012
Somos todos
Africanos  duas vezes. Primeiro, cerca de 1.800.000 de anos, o Homo erectus, nosso tetra, tetravô dos nossos bisavôs, saiu de África e espalhou-se por grande parte do planeta, até onde os glaciares deixavam.

À medida que progredíamos para norte a nossa pele foi perdendo as cores  castanho e preto e foi ficando castanho claro e branco. Enfrentávamos a natureza com pedras polidas, pedras mal-amanhadas. Por natureza éramos generalistas mas acabámos por nos tornarmos especializados em sobreviver, uma luta titânica que mal conseguimos imaginar.

Oportunistas, astutos, agressivos e inteligentes, milhares de anos de mutações e de selecção natural, dotaram-no com um cérebro grande, que já não pode crescer mais.

O bipedismo, o domínio do fogo, a linguagem e socialização foram forjando o que somos hoje. Predador e presa durante milhões de anos, só a agricultura – invenção das mulheres? – e a sedentarização mudaram radicalmente hábitos e comportamentos, mas isso foi ontem, ou seja menos de 1% da nossa caminhada.

O caçador e recolector ainda deve estar no nosso cérebro. 

Milhares de anos depois, há cerca de 125.000 anos, é a vez do Homo sapiens, o Homem moderno,  saimos pela segunda vez de África, e desta vez para colonizar todos os continentes e muitas ilhas.

Segundo cálculos modernos existiriam apenas cerca de… 10.000 Homens modernos divididos em pequenos grupos de 20 a 30, no máximo,  de pessoas.

A nossa vida há 100.000 anos já não era só perigos e agruras, já tínhamos lazer, tempo para a família, para cantar e dançar e finalmente para produzir arte, filha da ociosidade.

O triangulo clima-alimentos-população domina toda a nossa evolução. Quando os dois primeiros mudam, a população pode aumentar, diminuir ou, até, perecer.

Hoje, com mais de 6 mil milhões de habitantes, durante quantos anos irá haver jantar para os privilegiados que têm comida?

Que bicho me mordeu para fazer esta digressão atabalhuada e superficial? Talves porque esta origem primitiva devesse tornarnos um pouco mais sensatos e humildes.


publicado por pimentaeouro às 23:54
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Domingo, 23 de Setembro de 2012
Homo sapiens? #1

 

 

 

Autores de diversas áreas consideram o homo sapiens insensato e pérfido e alguns até duvidam, simplesmente, que alguma vez tenha sido sapiens.

Estas dúvidas não surgem apenas em épocas de grandes crises e desastres (I Guerra Mundial, grande depressão de 1929, II Guerra Mundial, etc), é um cepticismo – será cepticismo? – permanente de uma visão da História.

Edgar Morin considera que o homo sapiens é simultaneamente homo demens, Mark Twain escreve um ensaio com o título “A Abominável Raça Humana” e existe abundante literatura onde o homem é o vilão, o lobo do homem, o assassino do homem.

A linha divisória entre razão e emoção, racional e irracional, lucidez e loucura, é muito ténue e os dois extremos misturam-se com frequência.

Guerras, massacres e limpezas étnicas são incontáveis, mas a partir do século XVI com o colonialismo Ocidental adquiriram uma dimensão industrial.

Com a pilhagem das terras e de matérias-primas praticaram-se dezenas de genocídios em África, América Central e do Sul, Austrália,  e um pouco por quase toda a Terra.

Já nos séculos XVIII e XIX, os europeus que emigraram para os EUA dizimaram as populações indígenas. O Estado pagava por cada cabeça e  privados «caçavam» de conta própria.

Os sobreviventes deste genocídio, que deu muitos filme de cowboys, foram confinados a exíguas reservas, para morrerem lentamente.

Nós, portugueses, também temos uma quota, mas especializamo-nos numa modalidade: a venda de escravos negros, aos milhões, (até vendíamos aos Espanhóis), tratados como animais e transportados de África, para o «Novo Mundo» como sacos de batatas.

Raramente falamos desta ignomínia da nossa história. Preferimos evocar os heróis e os grandes feitos da imensa amalgama de grandezas e misérias a que chamamos “Descobrimentos”.

Sapiens e louco! 

 



publicado por pimentaeouro às 00:17
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Quarta-feira, 4 de Julho de 2012
Sou um San

 

 

 

“Há muitas razões para acreditar que a vida do homem moderno poucos progressos evidencia relativamente à dos seus antepassados”

Bernard Campbell

 

Não há aristocrata que se preze, falido ou não, que não cultive a sua árvore genealógica, tecida de fantasias, miragens e mitos, ao gosto de cada geração.

Dela são excluídos os falhados, os bêbados e os crápulas são revestidos de uma aura de virtudes: as mulheres são todas virtuosas e benfeitoras: os filhos bastardos surgem em notas de rodapé para realçar a virilidade do progenitores. A cada fidalguia a sua lenda!

 

Não pertenço à nata destes predestinados e não tenho árvore genealógica, mas como todos os plebeus aspiro à fidalguia. Os meus pais e restantes familiares são todos ilustres desconhecidos, ninguém sabe de onde vieram e para onde foram e o meu destino é tão incerto como o deles , apenas numa arca velha foi encontrado um papel amarelo que rezava ter nascido nas areias quentes do Barlavento algravio.

Esta ausência de raízes, de identidade, de linhagem  é traumatizante. Assim, orientei as minhas pesquisas para origens mais remotas, para o Homo Sapiens, antes de sair de África e remeti uma amostra do meu ADN para um laboratório da especialidade, em Londres.

A resposta veio rápida; sou descendente dos San, também chamados bosquímanos ou boximanes. Os San são um povo caçador-recoletor, mais recolector do que caçador, o tom de pele é castanho-amarelado, de pequena estatura e as mulheres acumulam grandes quantidades de gordura nas nádegas e nas cochas.

Chegaram  a ocupar grande parte da África do Sul, e para Norte, na África Oriental, mas bantus e colonos holandeses encarregaram-se do seu genocídio, com zelo e eficácia. Ficaram reduzidos a pequenos grupos, no deserto do Calaári.

Vivem em acampamentos localizados junto dos bebedouros. Normalmente, homens e mulheres ocupam três a quatro dias com a recolha de alimentos e os restantes dias da semana são de ócio, semana inglesa alargada.

Conversam, cantam, dançam e descansam: são amistosos, atraente e francos. Desconhecem a propriedade privada.

Levam uma vida tranquila e tem um regime alimentar diversificado.

Atingem idades avançadas e não apresentam sinais de insegurança e intranquilidade, quer dizer não sabem o que é uma depressão.

Sobreviveram como caçadores e recolectores durante milhares de anos, ou seja tiveram uma adaptação bem-sucedida.

É esta a minha árvore genealógica e não vejo razão para renegar a minha ascendência, pelo contrário, logo que possa parto para o Calaári.

 

 

 

P.S. Os dados antropológicos são verdaddeiros



publicado por pimentaeouro às 12:40
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Quinta-feira, 14 de Junho de 2012
Sapiens asno

 

 

 

Não sei o que  terá passado pela cabeça dos antropólogos quando baptizaram de primata ( o primeiro ) os tetra bisavós dos nossos avós. Na realidade foram dos últimos a aparecer na savana africana.

Como um disparate nunca vem só, a seguir baptizaram um primo daqueles de Homo Sapiens Sapiens, uma refinada afirmação de egocentrismo agudo.

Com  boa vontade apenas podemos chamar ao primo dos primatas Sapiens Asno, tal a quantidade de disparates que tem acumulado ao longo de milhares de anos. Só nos últimos mil anos, fazendo tábua rasa de milénios de civilização, temos resumidamente: a escravatura, a exploração das mulheres, sacrifícios rituais de humanos, queima de bruxas e hereges, anti-semitismo e racismos vários, massacres em massa, genocídios, crendices e superstições etc..

A cereja no bolo são as guerras mundiais do século XX, dezenas de conflitos regionais e centenas de outros de menor escala; nenhum continente escapou à sanha auto destruidora e a linha que separa militares e civis nos conflitos é mais ilusória do que real. O património destruído é simplesmente incalculável.

Com este currículo às costas, o sujeito não é de fiar.

 



publicado por pimentaeouro às 00:28
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Terça-feira, 29 de Maio de 2012
Homo Sapiens? #1

 

Autores de diversas áreas consideram o homo sapiens insensato e pérfido e alguns até duvidam, simplesmente, que alguma vez tenha sido sapiens.

 

Estas dúvidas não surgem apenas em épocas de grandes crises e desastres (I Guerra Mundial, grande depressão de 1929, II Guerra Mundial, etc), é um cepticismo – será cepticismo? – permanente de uma visão da História.

 

Edgar Morin considera que o homo sapiens é simultaneamente homo demens, Mark Twain escreve um ensaio com o título “A Abominável Raça Humana” e existe abundante literatura onde o homem é o vilão, o lobo do homem, o assassino do homem.

 

A linha divisória entre razão e emoção, racional e irracional, lucidez e loucura, é muito ténue e os dois extremos misturam-se com frequência.

 

Guerras, massacres e limpezas étnicas são incontáveis, mas a partir do século XVI com o colonialismo Ocidental adquiriram uma dimensão industrial.

 

Com a pilhagem das terras e de matérias-primas praticaram-se dezenas de genocídios em África, América Central e do Sul, Austrália,  e um pouco por quase toda a Terra.

 

Já nos séculos XVIII e XIX, os europeus que emigraram para os EUA dizimaram as populações indígenas. O Estado pagava por cada cabeça e  privados «caçavam» de conta própria.

 

Os sobreviventes deste genocídio, que deu muitos filme de cowboys, foram confinados a exíguas reservas, para morrerem lentamente.

 

Nós, portugueses, também temos uma quota, mas especializamo-nos numa modalidade: a venda de escravos negros, aos milhões, (até vendíamos aos Espanhóis), tratados como animais e transportados de África, para o «Novo Mundo» como sacos de batatas.

 

Raramente falamos desta ignomínia da nossa história. Preferimos evocar os heróis e os grandes feitos da imensa amalgama de grandezas e misérias a que chamamos “Descobrimentos” 

 

 




publicado por pimentaeouro às 23:45
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