Conhece-te a ti mesmo... se puderes.

Quarta-feira, 8 de Julho de 2015
Romeo e Julieta

 

 

 

 Não vou falar de crises, da nossa, da grega, do Terceiro, do Quarto, do Quinto Mundo e outras por esse mundo do Demo fora.

Li há uns bons anos Romeu e Julieta e fiquei decepcionado, não estou só, há críticos literários que consideram a obra medíocre. Como explicar a consagração quase unanime do romance? Talvez seja a universalidade do tema. Shakespeare foi basear o drama numa obra do século XII. Desde essa  época remota o drama (lendário?) tem inspirado diversas versões semelhantes, com mais ou menos ingredientes, até hoje. Até Hoje? Parece-me que neste século XXI  o instantâneo e efémero poucos terão lido o livro, ou sequer, terão uma vaga ideia de dois jovens que se amaram.

O século que nos calhou viver não perde tempo com romantismos, vivemos mergulhados em tecnologias alienatórios que nos transformamos em átomos caóticos, precisamente, quando mais precisamos de calor no coração, de afectos , de convívios, de laços que nos unam: não precisamos de longevidade, precisam  de qualidade de vida, de serenidade e paz.

 



publicado por pimentaeouro às 21:06
link do post | comentar | ver comentários (6) | favorito

Quinta-feira, 16 de Abril de 2015
Quem é ?

Dona Carmosina não se faz de rogada, capricha nos detalhes. Sucedera há dois dias, naquela noite em que Osnar e Aminthas ficaram até tarde em casa de Perpétua, saindo depois a mariscar nas ruas. Altas horas, quando voltavam da beira do rio, Osnar acompanhado de uma quenga de baixa extração, encon­traram-se com o doutor Caio Vilasboas, um catão, vindo de atender à velha dona Raimunda, asmática incurável. Fosse algum pobre de Deus agonizando,  o doutor não abandonaria o calor da cama, mas a velha dona Raimunda tinha dinheiro grosso, destinado em testamento a pagar a conta do médico quando o Senhor a chamasse ao seu seio.

Ao ver Osnar despedindo-se da esfarrapada criatura, medonhosa, doutor Caio, psicólogo amador, abelhudo de nascença, não se conteve:

  • Satisfaça-me, caro Osnar, a curiosidade, respondendo a uma pergunta que me permito fazer-lhe.
  • Mande brasa, meu doutor, sou seu criado às
  • Você é um rapaz endinheirado, já meio entrado em anos mas sendo sol­teiro ainda passa por rapaz, de boa família, com hábitos de asseio, tendo com que pagar cortesã de melhor nível, por que não freqüenta a casa dirigida pela rapariga que atende por Zuleika Cinderela, onde, segundo me consta — lá estive no exercício sagrado da medicina e não como cliente — praticam esse infame comércio mulheres limpas, de belo porte e figura amena, por que pre­fere essas imundas, essas bruxas?
  • Primeiro permita, meu doutor, que eu lhe informe ser um dos fregue­ses prediletos das meninas da casa de Zuleika e da própria patroa, boa de rabo. Parte sensível de minha renda se esvai naquele antro. E certo, porém, que não desprezo um bucho quando saio de caçada, vez por outra. Alguns, devo con­fessar, bastante deteriorados.

 

  • E por quê? Deixe que eu lhe diga tratar-se de apaixonante problema de psicologia, digno de memória dirigida à Sociedade de Medicina Psiquiá­trica.
  • Vou lhe dizer por que, meu doutor, e escreva a razão se quiser, não me oponho. Se chamo um bucho aos peitos quando calha, o motivo é não viciar o pau, o Padre-Mestre.
  • Padre-Mestre?
  • Foi o apelido que ele ganhou, dado por uma beata ainda passável com quem andei praticando umas sacanagens, meu doutor. Imagine se eu servisse ao Padre-Mestre somente pitéus finos, material de primeira, formosuras, per­fumarias, e ele se acostumasse a comer apenas do bom e do melhor. De repen­te, um dia, por uma circunstância qualquer, dessas que acontecem quando a gente menos espera, me vejo obrigado a pegar um estrepe em más condições e o Padre-Mestre, viciado, se recusa, fica pururuca, brocha. Não lhe dou vício, vou comendo as bonitas e as feias e tem cada feia que vale mais do que um exército de bonitas porque uma coisa, meu doutor, é mulher para se ver e admirar a imagem e outra é o gosto da boceta.

Doutor Caio emudece, o queixo caído, Osnar concluí:

  • De suas visitas profissionais à pensão de Zuleika, meu doutor, ouvi falar; Silvia Sabiá me contou muito em segredo que chuparino igual a vosmicê não há por essas bandas. Meus sinceros parabéns.

Enquanto riem as quatro — esse Osnar é de morte! —, buzina na curva a marinete, naquela quinta-feira por milagre quase no horário, desprezível atra­so de vinte minutos, Jairo recebendo felicitações dos passageiros.

 

P.S.

Jorge Amado, quem havia de ser?


sinto-me:

publicado por pimentaeouro às 15:35
link do post | comentar | ver comentários (3) | favorito

Quinta-feira, 19 de Março de 2015
Camilo Castelo Branco

 

 

A estatística do Sapo di-me que as biografias são visitadas. De certa forma é uma surpresa porque quando comecei a editá-las não tinha grande expectativa. Camilo é um dos gigantes da nossa literatura apesar, ou por ter tido uma vida, agitada, complicada e, por fim, dramática.

Quem lê hoje Camilo, que se recorda dele, que destaque lhe é dado no ensino secundário? Penso que está, injustamente a cair no esquecimento.

Guardo, como relíquia, dois volumes, das Novelas do Minho, edição da Parceria António Pereira, de 1.945.

 

Camilo Ferreira Botelho Castelo Branco (Lisboa, Encarnação, 16 de Março de 1825Vila Nova de Famalicão, São Miguel de Seide, 1 de Junho de 1890) foi um escritor português, romancista, cronista, crítico, dramaturgo, historiador, poeta e tradutor. Foi ainda o 1.º Visconde de Correia Botelho, título concedido pelo rei D. Luís.

Camilo Castelo Branco foi um dos escritores mais prolíferos e marcantes da literatura portuguesa.

Há quem diga que, em 1846, foi iniciado na Maçonaria do Norte,2 o que é muito estranho ou algo contraditório, pois há indicações de que, pela mesma altura, na Revolta da Maria da Fonte, lutava a favor dos Miguelistas como "ajudante às ordens do general escocês Reinaldo MacDonell"3 ,4 que criaram a Ordem de São Miguel da Ala precisamente para combater a Maçonaria. Do mesmo modo, muita da sua literatura demonstra defender os ideais legitimistas e conservadores ou tradicionais, desaprovando os que lhe são contrários.

Teve uma vida atribulada, que lhe serviu muitas vezes de inspiração para as suas novelas. Foi o primeiro escritor de língua portuguesa a viver exclusivamente dos seus escritos literários. Apesar de ter de escrever para o público, sujeitando-se assim aos ditames da moda, conseguiu manter uma escrita muito original.

Dentro da sua vasta obra, também se encontra colaboração da sua autoria em diversas publicações periódicas como O Panorama5, a Revista Universal Lisbonense6 , A illustração luso-brasileira7 (1856-1859), Archivo pittoresco (1857-1868), Ribaltas e gambiarras8 (1881), A illustração portugueza9 (1884-1890), e a título póstumo nas revistas A semana de Lisboa10 (1893-1895),Serões11 (1901-1911) e Feira da Ladra12 (1929-1943).

 

 

 

 

Camilo Castelo Branco nasceu em Lisboa, no Largo do Carmo, a 16 de Março de 1825. Oriundo de uma família da aristocracia de província com distante ascendência cristã-nova, era filho de Manuel Joaquim Botelho Castelo Branco, nascido na casa dos Correia Botelho em São Dinis, Vila Real, a 17 de Agosto de 1778 e que teve uma vida errante entre Vila Real, Viseu e Lisboa, onde faleceu a 22 de Dezembro de 1890, tomado de amores por Jacinta Rosa do Espírito Santo Ferreira (Sesimbra, Santiago, 27 de Janeiro de 1799 - 6 de Fevereiro de 1827), com quem não se casou mas de quem teve os seus dois filhos.

Camilo foi assim perfilhado por seu pai em 1829, como «filho de mãe incógnita». Ficou órfão de mãe quando tinha um ano de idade e de pai aos dez anos, o que lhe criou um caráter de eterna insatisfação com a vida. Foi recolhido por uma tia de Vila Real e, depois, por uma irmã mais velha, Carolina Rita Botelho Castelo Branco, nascida em Lisboa,Socorro, a 24 de Março de 1821, em Vilarinho de Samardã, em 1839, recebendo uma educação irregular através de dois Padres de província.


 

Na adolescência, formou-se lendo os clássicos portugueses e latinos e literatura eclesiástica e contactando a vida ao ar livretransmontana.

Com apenas 16 anos (18 de Agosto de 1841), casa-se em Ribeira de Pena, Salvador, com Joaquina Pereira de França (Gondomar, São Cosme, 23 de Novembro de 1826 - Ribeira de Pena, Friúme, 25 de Setembro de 1847), filha de lavradores, Sebastião Martins dos Santos, de Gondomar, São Cosme, e Maria Pereira de França, e instala-se em Friúme. O casamento precoce parece ter resultado de uma mera paixão juvenil e não resistiu muito tempo. No ano seguinte, prepara-se para ingressar na universidade, indo estudar com o Padre Manuel da Lixa, em Granja Velha.

O seu caráter instável, irrequieto e irreverente leva-o a amores tumultuosos (Patrícia Emília do Carmo de Barros (Vila Real, 1826 - 15 de Fevereiro de 1885), filha de Luís Moreira da Fonseca e de sua mulher Maria José Rodrigues, e a Freira Isabel Cândida).

Ainda a viver com Patrícia Emília do Carmo de Barros, Camilo publicou n'O Nacional correspondências contra José Cabral Teixeira de Morais, Governador Civil de Vila Real, com quem colaborava como amanuense.

Esse posto, segundo alguns biógrafos, surge a convite após a sua participação na Revolta da Maria da Fonte, em 1846, em que terá combatido ao lado da guerrilhaMiguelista.4

Devido a esta desavença, é espancado pelo «Olhos-de-Boi», capanga do Governador Civil.

As suas irreverentes correspondências jornalísticas valeram-lhe, em 1848, nova agressão a cargo de Caçadores 3.

Camilo abandona Patrícia nesse mesmo ano, fugindo para casa da irmã, residente agora em Covas do Douro.

Tenta então, no Porto, o curso de Medicina, que não conclui, optando depois por Direito. A partir de 1848, faz uma vida de boémia repleta de paixões, repartindo o seu tempo entre os cafés e os salões burgueses e dedicando-se entretanto ao jornalismo. Em 1850, toma parte na polémica entre Alexandre Herculano e o clero, publicando o opúsculo O Clero e o Sr. Alexandre Herculano, defesa que desagradou a Herculano.13

Apaixona-se por Ana Augusta Vieira Plácido e, quando esta se casa, em 1850, tem uma crise de misticismo, chegando a frequentar o seminário, que abandona em 1852.

Ana Plácido tornara-se mulher do negociante Manuel Pinheiro Alves, um brasileiro que o inspira como personagem em algumas das suas novelas, muitas vezes com caráter depreciativo. Camilo seduz e rapta Ana Plácido. Depois de algum tempo a monte, são capturados e julgados pelas autoridades. Naquela época, o caso emocionou a opinião pública, pelo seu conteúdo tipicamente romântico de amor contrariado, à revelia das convenções e imposições sociais. Foram ambos enviados para a Cadeia da Relação, noPorto, onde Camilo conheceu e fez amizade com o famoso salteador Zé do Telhado. Com base nesta experiência, escreveu Memórias do Cárcere. Depois de absolvidos do crime de adultério pelo Juiz José Maria de Almeida Teixeira de Queirós (pai de José Maria de Eça de Queirós), Camilo e Ana Plácido passaram a viver juntos, contando ele 38 anos de idade.

Entretanto, Ana Plácido tem um filho, supostamente gerado pelo seu antigo marido, que foi seguido por mais dois de Camilo. Com uma família tão numerosa para sustentar, Camilo começa a escrever a um ritmo alucinante.

Quando o ex-marido de Ana Plácido falece, a 15 de Julho de 1863, o casal vai viver para uma casa, em São Miguel de Seide, que o filho do comerciante recebera por herança do pai.

Em Fevereiro de 1869, recebeu do governo da Espanha a comenda de Carlos III.1

Em 1870, devido a problemas de saúde, Camilo vai viver para Vila do Conde, onde se mantém até 1871. Foi aí que escreveu a peça de teatro «O Condenado» (representada no Porto em 1871), bem como inúmeros poemas, crónicas, artigos de opinião e traduções.

Outras obras de Camilo estão associadas a Vila do Conde. Na obra «A Filha do Arcediago», relata a passagem de uma noite do arcediago, com um exército, numa estalagem conhecida por Estalagem das Pulgas, outrora pertencente ao Mosteiro de São Simão da Junqueira e situada no lugar de Casal de Pedro, freguesia da Junqueira. Camilo dedicou ainda o romance «A Enjeitada» a um ilustre vilacondense seu conhecido, o Dr. Manuel Costa.

Entre 1873 e 1890, Camilo deslocou-se regularmente à vizinha Póvoa de Varzim, perdendo-se no jogo e escrevendo parte da sua obra no antigo Hotel Luso-Brazileiro, junto doLargo do Café Chinês. Reunia-se com personalidades de notoriedade intelectual e social, como o pai de Eça de Queirós, José Maria de Almeida Teixeira de Queirós, magistrado e Par do Reino, o poeta e dramaturgo poveiro Francisco Gomes de Amorim, Almeida Garrett, Alexandre Herculano, António Feliciano de Castilho, entre outros. Sempre que vinha à Póvoa, convivia regularmente com o Visconde de Azevedo no Solar dos Carneiros.

Francisco Peixoto de Bourbon conta que Camilo, na Póvoa, «tendo andado metido com uma bailarina espanhola, cheia de salero, e tendo gasto, com a manutenção da diva, mais do que permitiam as suas posses, acabou por recorrer ao jogo na esperança de multiplicar o anémico pecúlio e acabou, como é de regra, por tudo perder e haver contraído uma dívida de jogo, que então se chamava uma dívida de honra».

A 17 de Setembro de 1877, Camilo viu morrer na Póvoa de Varzim, aos 19 anos, o seu filho predileto, Manuel Plácido Pinheiro Alves, do segundo casamento com Ana Plácido, que foi sepultado no cemitério do Largo das Dores.

Camilo era conhecido pelo mau feitio. Na Póvoa mostrou outro lado. Conta António Cabral, nas páginas d'«O Primeiro de Janeiro» de 3 de junho de 1890: «No mesmo hotel em que estava Camilo, achava-se um medíocre pintor espanhol, que perdera no jogo da roleta o dinheiro que levava. Havia três semanas que o pintor não pagava a conta do hotel, e a dona, uma tal Ernestina, ex-atriz, pouco satisfeita com o procedimento do hóspede, escolheu um dia a hora do jantar para o despedir, explicando ali, sem nenhum género de reservas, o motivo que a obrigava a proceder assim. Camilo ouviu o mandado de despejo, brutalmente dirigido ao pintor. Quando a inflexível hospedeira acabou de falar, levantou-se, no meio dos outros hóspedes, e disse: - A D. Ernestina é injusta. Eu trouxe do Porto cem mil reis que me mandaram entregar a esse senhor e ainda não o tinha feito por esquecimento. Desempenho-me agora da minha missão. E, puxando por cem mil reis em notas entregou-as ao pintor. O Espanhol, surpreendido com aquela intervenção que estava longe de esperar, não achou uma palavra para responder. Duas lágrimas, porém, lhe deslizaram silenciosas pelas faces, como única demonstração de reconhecimento.»

Em 1885 é-lhe concedido o título de 1.º Visconde de Correia Botelho. A 9 de Março de 1888, casa-se finalmente com Ana Plácido.

Camilo passa os últimos anos da vida ao lado dela, não encontrando a estabilidade emocional por que ansiava. As dificuldades financeiras, a doença e os filhos incapazes (considera Nuno um desatinado e Jorge um louco) dão-lhe enormes preocupações.

Sífilis, cegueira e suicídio

Desde 1865 que Camilo começara a sofrer de graves problemas visuais (diplopia e cegueira nocturna). Era um dos sintomas da temida neurosífilis, o estado terciário da sífilis("venéreo inveterado", como escreveu em 1866 a José Barbosa e Silva), que além de outros problemas neurológicos lhe provocava uma cegueira, aflitivamente progressiva e crescente, que lhe ia atrofiando o nervo óptico, impedindo-o de ler e de trabalhar capazmente, mergulhando-o cada vez mais nas trevas e num desespero suicidário.14 Ao longo dos anos, Camilo consultou os melhores especialistas em busca de uma cura, mas em vão. A 21 de Maio de 1890, dita esta carta ao então famoso oftalmologistaaveirense, Dr. Edmundo de Magalhães Machado:

Illmo. e Exmo. Sr.,

Sou o cadáver representante de um nome que teve alguma reputação gloriosa n’este país durante 40 anos de trabalho. Chamo-me Camilo Castelo Branco e estou cego. Ainda há quinze dias podia ver cingir-se a um dedo das minhas mãos uma flâmula escarlate. Depois, sobreveio uma forte oftalmia que me alastrou as córneas de tarjas sanguíneas. Há poucas horas ouvi ler no Comércio do Porto o nome de V. Exa. Senti na alma uma extraordinária vibração de esperança. Poderá V. Exa. salvar-me? Se eu pudesse, se uma quase paralisia me não tivesse acorrentado a uma cadeira, iria procurá-lo. Não posso. Mas poderá V. Exa. dizer-me o que devo esperar d’esta irrupção sanguínea n’uns olhos em que não havia até há pouco uma gota de sangue? Digne-se V. Exa. perdoar à infelicidade estas perguntas feitas tão sem cerimónia por um homem que não conhece.

Camilo Castelo Branco

A 1 de Junho desse ano, o Dr. Magalhães Machado visita o escritor em Seide. Depois de lhe examinar os olhos condenados, o médico com alguma diplomacia, recomenda-lhe o descanso numas termas e depois, mais tarde, talvez se poderia falar num eventual tratamento. Quando Ana Plácido acompanhava o médico até à porta, eram três horas e um quarto da tarde, sentado na sua cadeira de balanço, desenganado e completamente desalentado, Camilo Castelo Branco disparou um tiro de revólver na têmpora direita. Mesmo assim, sobreviveu em coma agonizante até às cinco da tarde. A 3 de Junho, às seis da tarde, o seu cadáver chegava de comboio ao Porto e no dia seguinte, conforme o seu pedido, foi sepultado perpetuamente no jazigo de um amigo, João António de Freitas Fortuna, no cemitério da Venerável Irmandade de Nossa Senhora da Lapa.15



publicado por pimentaeouro às 20:15
link do post | comentar | ver comentários (4) | favorito

Segunda-feira, 15 de Dezembro de 2014
Sangue Azul

 

 

Camilo não gostava da nobreza e em as "Novelas do Minho" revela as origens façanhudas de muitas arvores genealógicas feitas a fio de espada e com a espoliação dos vencidos. Histórias velhas com milénios anteriores até à Idade Mádia. Entre nós, na Reconquista, não faltaram linhagens feitas a golpes de espada sobre os serracenos e espoliação das suas propriedades e bens.

Esta aversão ao sangue azul não o impediu de pedir o título de visconde, que lhe foi concedido. Segue um exemplo da origem do sanggue azul retirado conto "A viuva do enforcado": 

 

…Kojo de Valderas, o pai de Inês, fora nomeado Alcaide de Zarza, por Fernando VII, aclamado rei absoluto, em 1823, por numerosos caudilhos, que primeiramente salteadores de encruzilhada, fizeram depois a evolução política sem ofender a lógica dos acontecimentos. Rojo de Valderas capitaneara desde 1820 até 1823 uma quadrilha de bandoleiros na Castela-Velha. Granjeara com audazes entrepresas, grosso cabedal. E, quando lhe cumpria garantir-se a segurança do adquirido encostando-se ao esteio da política, acercou-se de Madrid, a tempo que Fernando VII ai regressava também. Ainda assim, Valderas ia temeroso de que o repelissem; porém, quando viu à volta do rei caracteres da sua têmpera, recobrou alentos e ergueu a sua voz patriota com a afoiteza dos grandes romanos invocados na hora do perigo. Os facinorosos que floreavam a espada em volta do trono, acolheram-no bizarramente, e deram-lhe a alcaidaria de Zarza, terra mui afastada do teatro das suas notórias proezas…

 

…A lista destes chefes vem arrolada no periódico espa­nhol, publicado em Londres em 1824, e intitulado Ócios de Hspanoles Emigrados. A pag. 438, ê assim compendiada a biografia de Rojo de Valderas: «Capitãn di una cuadríl

la de vandoleros em Castilla la Vieja, célebre por sus robôs y rnny temido por sus atrocidades de los passageros y de tospueblos». Não obstante, este homem havia sido um distinto académico em Salamanca…



publicado por pimentaeouro às 16:14
link do post | comentar | favorito

Quarta-feira, 19 de Novembro de 2014
A Mão do Diabo

 

  

A VERDADE OCULTA SOBRE A CRISE.

 

É o único livro de José Rodrigues dos Santos que li e é um livro que recomendo. O valor literário da obra é contestado (também não gostei) mas  isso não é o principal: o livro é um acervo muito importante de dados económicos, financeiros e políticos sobre a crise em que estamos mergulhados desde 2.008.

Matérias que são complexas estão explicadas de uma forma pedagógica, muito acessível e é esta a grande mais valia do livro,  a que se acrescenta a inovação de atribuir ao Tribunal Penal Internacional a competência, que não tem, para julgar os principais responsáveis de crimes económicos e financeiros equiparados a crimes contra a humanidade: parece-me que ninguém foi tão longe nesta matéria, ou é ignorância minha. É um livro indispensável para conhecermos o pântano em que estamos atolados e a caprolice e  gestão criminosa de quem nos tem governado nos últimos 20 anos ou mais: além de não terem sofrido qualquer penalização são compensados com cadeiras douradas em grandes empresas.

A sinopse do livro é simples:

“A VERDADE OCULTA SOBRE A CRISE. A crise atingiu Tomás Noronha. Devido às medidas de austeridade, o historiador é despedido da faculdade e tem de se candidatar ao subsídio de desemprego. À porta do centro de emprego, Tomás é interpelado por um velho amigo de liceu perseguido por desconhecidos. O fugitivo escondeu um DVD escaldante que compromete os responsáveis pela crise, mas para o encontrar Tomás terá de decifrar um criptograma enigmático. O Tribunal Penal Internacional instaurou um processo aos autores da crise por crimes contra a humanidade. Para que este processo seja bem-sucedido, e apesar da perseguição implacável montada por um bando de assassinos, é imperativo que Tomás decifre o criptograma e localize o DVD com o mais perigoso segredo do mundo. Numa aventura vertiginosa que nos transporta ao coração mais tenebroso da alta política e finança, José Rodrigues dos Santos volta a impor-se como o grande mestre do mistério. Além de ser um romance de cortar o fôlego, A Mão do Diabo divulga informação verdadeira e revela-se um precioso guia para entender a crise, conhecer os seus autores e compreender o que nos reserva o futuro.”

Sem que tivesse sido intenção de J.R.S. o seu livro é premonitório. Magus, que possui poderes ocultos, cabalísticos, etc. preside a uma seita de  culto satânico, e para surpresa dos procuradores do TPI Magus é Alex Seth (divindade egípcia, Set ou Seth é o deus egípcio da violência e da desordem, da traição, do ciúme, da inveja, do deserto, da guerra, etc.), presidente da Comissão Europeia.

Esta ficção transformou-se em realidade, o actual presidente da Comissão Europeia  Jean-Claude Juncker   é o Alex Seth da ficção .

Está  envolvido no maior escândalo de fuga aos impostos que aconteceu na história da U.E. e não se demitui. Promete.



publicado por pimentaeouro às 11:42
link do post | comentar | ver comentários (6) | favorito

Segunda-feira, 17 de Novembro de 2014
O tempo futuro

… do nosso tempo cínico, exaltado de violên­cia, de ansiedade, de solidão, de espanto, de medo, de esperança, de terror, de ver­dades privadas, de mentiras colectivas, de verdades colectivas, de mentiras organiza­das, de amores frustrados, de amores subli­mes, de ódios perpétuos, de perpétuas es­peranças, de receios de felicidade, de ân­sias de felicidade...

 … o homem vai destruir-se, mesmo que não haja guerra vai destruir-se, a vida faz-se a um ritmo que o homem não poderá supor­tar, e um dia aparecemos todos na rua aos saltinhos, a ladrar como os cães ou a escoicinhar como os cavalos ou os burros, todos doidos, a vida faz-se depressa de mais para a medida do homem, nós estamos perto de Rilhafoles, é só bater  à portorta”,…

 

Este texto escrito por Alves Redol (Histórias Afluentes), em 1.963, poderia ter sido escrito ontem. Os poetas e os romancista antecipam o futuro. 

Cada vez a vida ultrapassa mais a capacidade do homem para a viver, cada vez estamos mais perto de ser sub-homens.

 

 

 

 



publicado por pimentaeouro às 21:55
link do post | comentar | ver comentários (8) | favorito

Quarta-feira, 8 de Outubro de 2014
Da ironia

 

Na frase irónica existe uma diferença entre o que se diz e o que deve entender: a frase irónica tem duplo sentido e existe uma cumplicidade entre quem comunica e quem recebe a mensagem.

Se eu dizer "Napoleão, esse grande pacifista", todos, ou quase todos, compreendem que eu quero dizer o contrário do que afirmo.  Montesquieu  e Voltaire, entre outros, utilizaram a ironia mas os autores que utilizam a ironia não abundam. Entre nós,  temos Bocage, Eça de Queirós, mas outros haverá.

Ao jogar com a inversão, o paradoxo, o exagero, a ironia é uma arma para os autores satíricos e polemistas. A ironia faz surgir o absurdo de uma ideia ou conceito demistificando-o. Não é por acaso que em regimes ditatoriais a ironia é utilizada por muitos escritores, humoristas etc.

O humor também serve para desmitificar e ridicularizar mas é mais ligeiro, não atinge a subtileza e a profundidade da ironia.

Parace que o primeiro filosofo a utilizar a ironia como forma de chegar à verdade foi Sócrates. 



publicado por pimentaeouro às 22:18
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito

Quarta-feira, 10 de Setembro de 2014
Bel Ami

BEL AMI - EDIÇÃO BILÍNGUE PORTUGUÊS FRANCÊS



publicado por pimentaeouro às 21:45
link do post | comentar | favorito

Segunda-feira, 25 de Agosto de 2014
Leituras de férias #2

O Manuscrito de Saragoça - JAN POTOCKI

Capa da edição publicada pela editora Círculo do Livro  presente na Biblioteca do Priorado

Em mais uma das minha andanças pelos sebos poeirentos e com aquele cheiro de conhecimento exalando em cada gota do aroma das páginas amareladas encontrei, perdido no canto de uma estante que se referia a autores cujo nome se iniciam com a letra "J", um livro que há muito tempo eu procurava. O MANUSCRITO DE SARAGOÇA do autor Jan Potocki.
Uma das mais significativas obras da literatura gótica foi escrita por um autor polonês e originou um filme cult, pra não dizer desconhecido, em sua terra natal.
Jan Potocki nasceu em 1762 e pertenceu a uma das mais antigas  famílias polonesas que se instalaram no sul da Polônia por volta do século XVIII. O autor, oriundo de uma família aristocrática, teve uma vida extremamente rica. Acumulando as ocupações de jornalista, explorador (África e Ásia), arqueólogo, político (foi deputado do parlamento polonês) e escritor, Potocki publicou em 1812 O Manuscrito de Saragoça misturando elementos instigantes a temperando com mistério o livro se tornou um dos grandes clássicos da literatura gótica.
Este volume extremamente significativo, que já foi editado com títulos diferentes e referenciado a vários  autores, dentre eles Washinton Irving (A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça), se divide em histórias cujos temas variam do erotismo ao terror, do filosófico ao humor, sempre com situações extremamente surreais. A personagem principal Alphonse van Worden passa por aventuras envolvendo personagens exóticos: ciganos, ladrões, cabalistas, as gêmeas mouras (que são descritas com uma extrema sensualidade) que o personagem passa a noite na assombrada estalagem Venta Quemada, os enforcados irmãos De Zoto (conhecidos como Los Hermanos ), o demoníaco Pacheco.O caráter de mistério é o que mais atrai o leitor e é, também, bastante bem humorado. No fim, não sabemos até que ponto Alphonse está delirando e o que realmente ocorreu, se é que algo ocorreu...


publicado por pimentaeouro às 16:20
link do post | comentar | favorito

Quinta-feira, 21 de Agosto de 2014
Margarita e o Mestre

Мастер и Маргарита (постановка театра Арбат).JPG

 

O Mestre e Margarida" é um romance revolucionário, onde Mikhail Bulgákov narra a fantástica chegada do diabo em plena Moscou comunista dos anos 1930. E satanás não está sozinho; em sua comitiva, há uma feiticeira nua, de "ardentes olhos fosforescentes", um homem de roupas apertadas e monóculo rachado, um gato preto de "proporções espantosas".

O livro tem traços excepcionais já na própria história; escrito e reescrito ininterruptamente durante dez anos, entre o final da década de 1920 e a morte do escritor, só pôde começar a ser publicado no final da década de 1960, depois de correr o risco de desaparecer, condenado ao esquecimento pelas mesmas razões que levaram seu autor a ser mal visto pelo sistema. Numa impressionante carta a Stalin, em março de 1930, ele se definia como um escritor “místico” e que necessitava da liberdade como os peixes precisam de água.

No texto o autor cruza três histórias com tom e colocação espaço-temporal radicalmente diferentes. O primeiro núcleo narrativo é constituído pelas aventuras de uma brigada de diabos na Moscou comunista e ateia dos anos 30. Parece que Bulgákov teve a primeira ideia do romance depois de ter assistido, pelas ruas de Moscou, dia 7 de janeiro de 1923 (dia do Natal ortodoxo), a uma estranha procissão na qual era celebrada uma nova festividade, o “Natal da Juventude Comunista”. O segundo núcleo – quase que em contraposição direta a essa violência, que não se contentava em blasfemar contra Deus, pois queria até excluí-lo da história – é justamente a história do processo de Cristo e da sua paixão contada como o relato de uma testemunha ocular excepcional, o próprio diabo. O terceiro núcleo é a narrativa do amor de Margarida pelo Mestre, um escritor que começou a escrever um romance histórico sobre esse tema e foi banido, chegando quase a enlouquecer e a queimar tudo o que havia escrito até então. Mas... graças ao amor de Margarida e à intervenção dos diabos, “os manuscritos não queimam” e, ao final de uma série de aventuras, nós temos a possibilidade de reler a história.

O tema que percorre todo o romance e o torna fascinante é justamente esse desafio para reencontrar a história, tanto o texto do romance como a realidade mesma e todo o seu mistério, desafio que só pode ser vencido por quem ouve, por quem tem a curiosidade de ver, renunciando à pretensão de saber e possuir tudo a partir de um esquema pré-definido. É o que nos é sugerido na cena de abertura do romance, quando dois intelectuais comunistas procuram convencer um estranho personagem – que ainda não sabem que é o diabo – sobre a inexistência de Deus. É uma disputa acirrada, cujo sentido é dado pela troca de golpes finais, quando um dos dois rebate o diabo, que havia acabado de lhe dar uma série de elementos racionais (filosóficos, históricos, científicos, astrológicos...) para reconhecer a existência de Deus: “Desculpe, professor, mas a respeito dessas coisas nós temos um ponto de vista diferente”; e o diabo, renunciando a todas as suas capacidades, vai ao coração da questão e conclui que “não precisamos de nenhum ponto de vista”, pois, como dirá mais adiante: “É um fato. E o fato é a coisa mais teimosa do mundo”. E assim começa a narrar a história da Paixão como uma testemunha ocular, que conta os fatos que acompanhou pessoalmente, o acontecimento do qual foi contemporâneo. E “acontecimento” em russo se diz sobytie, literalmente “estar com”. 

Bulgákov levou cerca de dez anos para terminar o livro. Sabendo dos problemas que teria com a censura - chegou, inclusive, a queimar uma versão inicial. Ditou à mulher as últimas revisões semanas antes de sua morte, em março de 1940. Apenas seu círculo mais íntimo de conhecidos sabia da existência do romance e, também, da impossibilidade de lançá-lo durante o regime stalinista.

O livro sobreviveu por mais de duas décadas e, contra todas as previsões, tornou-se um fenômeno. Acabou, assim, por confirmar uma frase dita no romance pelo próprio diabo, e que na Rússia se tornou proverbial: "Manuscritos não ardem." "O Mestre e a Margarida" é, enfim, um dos livros mais importantes e cultuados do século XX.

Sobre o autor:

Mikhail Bulgákov nasceu em Kiev, em maio de 1891. Trabalhou como médico e, depois de viajar pela Rússia e pelo Cáucaso, estabeleceu-se em Moscou em 1921, onde se dedicou à carreira literária. Escreveu contos, romances e peças, entre elas "Os dias dos Turbin", que teve sucesso no Teatro de Arte de Moscou, em 1926, "A debandada", em 1927, e "Molière", encenada em 1936. Trabalhou também na adaptação para o teatro de clássicos como Almas mortas e Dom Quixote.
A veia satírica de sua obra e a sua posição cada vez mais conflitante com o regime stalinista fizeram com que fosse duramente criticado e, no final dos anos 1920, começasse a ter problemas crescentes com a censura. Morreu em 1940, algumas semanas depois de fazer as últimas revisões de seu romance mais importante - e até então inédito -,O Mestre e Margarida.

 


P.S. Foi a minha leitura de férias. Estou quase a terminar: uma maravilha que recomendo.

 



publicado por pimentaeouro às 23:08
link do post | comentar | ver comentários (3) | favorito

Sexta-feira, 18 de Julho de 2014
Leituras de férias

indios

 

As minhas leituras de férias foram viradas para o outro lado do Atlântico: o “Rastro do jaguar” e “D. Casmurro” dos brasileiros  Murilo Carvalho, falecido recentemente e de Machado de Assis, respectivamente.

O Rastro do jaguar é um romance histórico ou a reconstrução de uma tragédia colectiva nas últimas décadas do século XIX: a diáspora do que restava dos índios guaranis, no sul do Brasil, e os resquícios da escravatura: um genocídio e um crime colectivo que praticamos por aquelas terras, entre outros que fizemos por esse mundo fora.

Voltarei a ler este belo livro com mais vagar.

“Dom Casmurro” é um tratado de psicologia das grandezas e misérias dos homens, relatado com fina ironia e humor. Um livro maior da literatura brasileira. Dois livros que recomendo.

 



publicado por pimentaeouro às 23:10
link do post | comentar | favorito (1)

Domingo, 8 de Junho de 2014
Leo Tolstoi
Ele é reconhecido como um dos maiores escritores da literatura universal.

Nascido em 1828 numa família da alta burguesia, Tolstoi alistou-se no exército aos 23 anos e fez o batismo de fogo contra os rebeldes tchetchenos. Cinco anos mais tarde começou a escrever e abandonou a farda. 

É reconhecido como um dos maiores escritores da literatura universal. Sua evolução fora do comum fez dele um homem apaixonante, dono de uma riqueza interior impressionante, e um dos precursores da não-violência. Era a um só tempo um cristão em busca da verdade, revoltado com a pobreza, a pena de morte, a indiferença aos outros, a servidão, o militarismo, a hipocrisia do clero e um intelectual curioso de outras culturas.

Wikicommons

Tolstoi chegou a ser um dissidente em seu próprio país, excomungado e censurado pela Igreja Ortodoxa

Guerra e Paz é sua grande obra-prima publicada entre 1865 e 1869 no Russkii Vestnik, um jornal da época. É uma das obras mais volumosas da história da literatura universal. O livro narra a história da Rússia, notadamente durante as Guerras Napoleônicas. A riqueza e realismo de seus detalhes assim como suas numerosas descrições psicológicas fazem com que seja considerado um dos maiores livros da História da Literatura.

Desenvolve no livro uma teoria fatalista da História, em que o livre-arbítrio teria uma importância menor e onde todos os acontecimentos só obedeceriam a um determinismo histórico irrelutável.

Anna Karenina, outra obra-prima de Tolstoi, foi publicada entre 1873 e 1877. Este romance tem um dos inícios mais conhecidos da literatura mundial: "Todas as famílias felizes são iguais. As infelizes o são cada uma à sua maneira". A trama gira em torno do caso extra-conjugal da personagem que dá título à obra, uma aristocrata da Rússia czarista que, a despeito de parecer ter tudo, beleza, riqueza, popularidade e um filho amado, sente-se vazia até encontrar o impetuoso oficial Conde Vronski.

Os anos 1879 a 1886 foram decisivos e isto se percebe em suas obras - Confissões, Crítica da Teologia Dogmática; Concordância e Tradução de Quatro Evangelhos; Em que Consiste Minha Fé; O Que Devemos Fazer? – nas quais desenvolve progressivamente um pensamento condenando radicalmente a violência, em especial a do Estado. 

Passaria a ser um dissidente em seu próprio país, excomungado e censurado pela Igreja Ortodoxa. Em O Reino dos Céus Está em Vós expõe sua doutrina extraída dos evangelhos. Partindo da idéia da não-resistência ao mal pela violência, ressalta que a Igreja faz pouco caso do mandamento da resistência não violenta ao mal.

Os clérigos abençoam os canhões e a Igreja defende os soldados, transgredindo o mandamento bíblico: ‘Não matarás’. A exemplo dos quakers, pensa que a guerra é incompatível com os princípios ensinados no Sermão da Montanha. Para ele, o Estado despótico ou liberal não é mais que “uma organização da violência que tem por princípio a arbitrariedade a mais grosseira”. 

O serviço militar não é compatível com o espírito cristão. Um cristão não pode se preparar para a morte de seu próximo ou a perpetrando sendo soldado. A idéia de julgar e condenar à morte é o oposto da tolerância e do perdão de Cristo. Acusou os mestres religiosos de pregar ensinamento contrários àqueles de Jesus. A duplicidade é constante na Igreja depois que se tornou uma potência temporal, cada vez mais rica, o que vinha ocorrendo a partir do reinado de Constantino.

Wikicommons

Esta é a única foto colorida registrada de Tolstoi

Pai de 12 filhos, sua relação com a esposa se tornou difícil à medida que tomava distância da Igreja e adotava um modo de vida em comunhão com suas idéias. Abandonou o fumo, o álcool, a caça, a carne, vestia-se como um camponês, cortava ele mesmo a lenha e fabricava os próprios sapatos”, contou seu filho. Abriu uma escola para as crianças pobres de sua propriedade de Iassnaia-Poliana e experimentou métodos pedagógicos não constrangedores e não violentos, uma novidade para a época. Tolstoi recusou também a contra-violência revolucionária como a da primeira revolução russa de 1905.

Disse certa vez Mahatma Gandhi do grande escritor: “A Rússia me deu em Tolstoi um mestre que me proporcionou fundamentos racionais para a minha Não-violência”.



publicado por pimentaeouro às 21:09
link do post | comentar | favorito

Quarta-feira, 30 de Abril de 2014
Ana Karenine #1

 

 

 

Kitty perscrutou o rosto tão próximo do seu, e durante muitos anos não pode lembrar-se, sem sentir o coração dilacerado de vergonha, do olhar apaixonado que lhe concedeu e que ele não retribuiu. 



publicado por pimentaeouro às 22:01
link do post | comentar | favorito

Domingo, 23 de Março de 2014
Vidas

s anos difíceis da infância em Nijni Nóvgorod

Gorki nasceu em um meio social pobre, em Nizhny Novgorod, cidade que em 1932 passou a se chamar Gorki por ordem de Stalin. O nome da cidade foi revertido para o nome original em 1991. Órfão de pai foi criado pelo avô materno que era tintureiro. Em 1878 quando sua mãe faleceu teve que deixar a casa do avô para ir trabalhar. Foi sapateiro, desenhista, lavador de pratos num navio que percorria o Volga, onde teve contato com alguns livros emprestados pelo cozinheiro, o que acabou despertando sua consciência política.

Os primeiros passos como escritor

Em 1883, com apenas 15 anos, publica dois romances, Romá Gordieiev e Os Três; aos 16 anos, muda-se paraKazan, onde tenta cursar gratuitamente a universidade, porém, não consegue e, frustrado, vai trabalhar como vigia num teatro para sobreviver. Mais tarde torna-se pescador no mar Cáspio e vendedor de frutas em Astrakan. Como a situação não melhorava, decide ir em busca de melhores oportunidades, e viaja para Odessa com um grupo de marginais nômades que iam de cidade em cidade à procura de emprego. Assim, ele exerce várias profissões, sofre com a miséria, a fome e o frio. Aos 19 anos volta a morar em Kazan, onde, desesperado com a situação e sem vontade de continuar vivendo, tenta o suicídio com um tiro, o qual atinge um dos pulmões, mas sobrevive e para piorar mais a situação, adquire tuberculose. Mas essa experiência fatídica resultará anos depois em dois escritos:Um incidente na vida de Makar, escrito em 1892, e, Como aprendi a escrever, publicado, muito mais tarde, em 1912.

A iniciação ao comunismo

A partir da frustrada tentativa contra sua vida, engaja-se na vida política, lê Marx e segue os passos de Lênin. Em 1890 é preso em Nijni-Nóvgorod, acusado de exercer atividades subversivas; pouco tempo depois, foi posto em liberdade e volta a viajar sem destino acompanhado de indigentes miseráveis.

Publica seu primeiro conto em 1892, intitulado Makar Tchudra, e, para desviar a atenção das autoridades, que o vigiavam, adota o pseudônimo Máximo Gorki, o que lhe facilitou um emprego no jornal de Samara, o Saramarskaia Gazieta. Assim, consegue grande alcance, tanto como jornalista quanto como escritor. Logo a seguir, Gorki aderiu novamente ao marxismo e militou em inúmeros grupos revolucionários, o que lhe resultou em mais uma temporada na prisão.

O primeiro grande sucesso

Após sair da prisão em 1901, começa a escrever para teatro, escreve Pequenos Burgueses, peça teatral, a qual, segundo críticos atuais, se Gorki escrevesse hoje, não mudaria uma única palavra. O texto foi concebido em 1900, quando ainda se encontrava preso, e Gorki trabalhou algum tempo na peça, até que ela atingisse uma forma satisfatória. No início tinha o título de: Cenas em Casa dos Bessemov, Esboço Dramático em Quatro Atos. Na verdade, a peça não segue uma linha de ação única, mas é antes um mosaico de situações e personagens representativas da vida russa da época. As personagens de Pequenos Burgueses vivem num meio mesquinho, revelando-se quase sempre impotentes para vencer as barreiras desse meio. A impotência, em vários níveis, é o único elemento comum a todas elas. Cada um por seus motivos não consegue romper o asfixiante círculo familiar. A peça mostra o conflito entre os membros de uma família de comerciantes, dominada pela figura do pai autoritário que reprime os impulsos do filho intelectual e da filha deprimida. O único insurgente é o filho adotivo, o ferroviário Nill, que Gorki elege como uma espécie de operário do ano, isto é, um herói que vai conduzir a Rússia à revolução.

Ainda em 1901, em julho, escreve Ralé, peça em que a fala é menos pronunciável e os gestos reconstituídos que o intangível fluxo de almas humanas no interminável e escorregadio contato de uma com as outras. A peça reúne suas cambiantes sobre um foco definido e sua conclusão tem uma firmeza clássica. Em 1902 acontece a estréia de Pequenos Burgueses no Teatro de Arte de Moscou, e a peça obtém um grande sucesso, mesmo com os cortes impostos pela censura.

Novamente a prisão

Toma parte, em 1905, na primeira revolução que pretendia derrubar o Czar Nicolau II da Rússia, e após o fracasso da intentona, acabou preso por subversão na cadeia de São Pedro e São Paulo, em São Petersburgo. No ano seguinte, porém, com a ajuda de outros intelectuais e sob fortíssima pressão da comunidade internacional, as autoridades russas foram obrigadas a libertá-lo. Organiza, a seguir, o jornal Nóvaia Jizni (Vida Nova), mas é obrigado a abandonar a Rússia.

Anos de exílio

1906

Vai para os Estados Unidos, mas sua permanência é dificultada pelo embaixador russo, e, é vigiado pelo dono de um jornal de grande alcance, que o acusa de imoralidade pública já que ele se casara pela terceira vez. Juntamente com sua mulher Maria Budberg, se refugia em Staten Island, viaja então para a Itália e, em 1906 fixa sua residência em Capri, onde cria uma escola para imigrantes revolucionários que vai até 1914. Lá, escreve em 1906, Os Bárbaros, a peça de teatro, Os Inimigos, e o romanceMãe em 1907.

Durante esse tempo de tranqüilidade em Capri escreve, Os Últimos em 1908, Gente Esquisita em 1910, Vassa Alheleznova em 1911, Os Kykov em 1912, e a trilogia autobiográfica: Infância', Ganhando meu pão e Minhas Universidades em 1912-13. Mas a sua obra-prima seria mesmo A Confissão, escrita em 1908.

A volta à Rússia

Com o início da Grande Guerra em 1914, Gorki retorna a Rússia, dirige um jornal mensal Liétopis (crônica). Acompanha a revolução sem entretanto ir ao front, e torna-se grande amigo de Lênin.

Em 1921 adoece gravemente dos pulmões e volta para a Itália, em busca de um clima melhor, permanecendo em Sorrento durante vários anos. Ali escreve Recordações sobre Lênin em 1924, Os Artamonov em 1925 e A vida de Klim Samgin em 1927-36. Apesar de sua amizade com Lênin, o escritor só retornou definitivamente à Rússia em 1928, quando então, Gorki decide estabelecer-se definitivamente na União Soviética, apesar de sua saúde precária, transformando-se de imediato na maior figura literária do regime comunista.

Escreve então Yegor Bolychov, retratando o fim da classe média por meio da história de um comerciante. Em 1933, funda com o apoio de Stálin, o Instituto de Literatura Máximo Gorki, uma incrível iniciativa de um célebre escritor, que não chegara a terminar o ensino secundário e sempre sonhara em tirar um curso superior.

O fim

Ainda estava escrevendo A vida de Klim Samgin, quando morreu de pneumonia, em 18 de junho de 1936. Foi sepultado com todas as honras oficiais e seu féretro acompanhado por Stálin e Molotov. Entretanto, em 1938, Leon Trótski, tenta com o artigo Quatro médicos que sabiam demais, escrito para o New York Times acusar Stálin de ter envenenado Gorki.

O legado de Gorki

Há em Gorki a força do natural e a beleza do espontâneo, que tanto fascinam, em nossa busca de legitimidade. Há também a transfiguração da realidade, o surrealismo da fuga ao legítimo, que é uma espécie de descanso do espírito, no seu enquadramento real.

O que a vida e a obra de Górki mostram não é o revolucionário perigoso que, segundo os seus adversários, teria envenenado o mundo através da literatura, mas o homem em que a memória, marcada pela lembrança das agruras sofridas e das injustiças presenciadas, anseia pela transfiguração do mundo.

A obra de Gorki centra-se no submundo russo. O ficcionista registrou com vigor e emoção personagens que integravam as classes excluídas: operários, vagabundos, prostitutas, gente humilde, homens e mulheres do povo. Autores realistas e naturalistas já tinham incorporado estes setores sociais à literatura, mas olhavam para os pobres de fora, apenas com piedade ou com frieza. Gorki, ao contrário, conhecia aquele universo por dentro – ele próprio era um desses desvalidos – e soube captar o que havia de mais profundo na alma do povo russo. Daí a impressão de autenticidade que suas obras nos transmitem.

Sem dúvida, ele foi o criador da chamada literatura proletária que teve seguidores no mundo inteiro em sua época. Mesmo que o mundo resolvesse suas diferenças e corrigisse as injustiças sociais, ainda assim faltaria o último toque, aquele toque que construiu o templo literário de Gorki, resistente às manobras ideológicas e imunes à ação do tempo.



publicado por pimentaeouro às 10:22
link do post | comentar | favorito

Sexta-feira, 14 de Fevereiro de 2014
Alves Redol

Alves Redol: vida e obra

A vida e a personalidade de Alves Redol são extremamente complexas, não sendo fácil estabelecer a sua biografia. Artigo de António Mota Redol.

 

Tendo estado em Angola, para onde emigrou, entre os dezasseis e os dezanove anos, teve aqui uma experiência riquíssima. Depois de regressar à sua terra, Vila Franca de Xira, colaborou nas coletividades desportivas e culturais, fez conferências, escreveu nos jornais locais crónicas, comentários, crítica de teatro e textos de ficção, liderou o designado “Grupo Neo-Realista de Vila Franca”, foi um dos dois organizadores dos chamados “Passeios no Tejo”, nos anos 40, que tão grandes repercussões culturais e políticas tiveram. Praticou vários desportos, foi fundador de clubes desportivos e conselheiro técnico de futebol de um deles.

Começou a escrever mais seriamente para jornais e revistas, como “Notícias Ilustrado”,  “O Diabo” e “Sol Nascente”. Dedicou-se à etnografia do Ribatejo, percorrendo-o de lés a lés, escrevendo textos para diferentes publicações e recolhendo, durante anos, a poesia popular ribatejana.

Foi sempre um inovador em todos os domínios em que interveio: na literatura, onde foi um dos fundadores do Neo-Realismo, escrevendo o primeiro romance deste Movimento; ainda na literatura, inovou constantemente na estruturação dos seus romances; no teatro, interveio no Teatro-Estádio do Salitre e em coletividades na renovação desta forma de expressão em Portugal e, mais tarde, com textos de vanguarda; no cinema, fazendo o guião de um filme e os diálogos de outros dois, mas onde a tentativa não resultou, pois os filmes não saíram bem, mesmo descontando a severa ação da Censura; na literatura infantil, onde procurou conjugar esta com o intuito pedagógico. Com outros escritores, tentou organizar uma editora em que eles fossem os seus próprios editores. Também na condução de conferências e saraus de arte, houve sempre uma preocupação inovadora. Colaborou na rádio.

Durante muitos anos, foi um dos escritores de maior êxito e que mais vendeu em Portugal.

Do ponto de vista profissional, tendo o curso de comércio, dedicou-se à publicidade ainda em Luanda, depois, foi procurador dos municípios, vice-cônsul de um país da América Latina, editor dos seus próprios livros. Nos últimos anos de vida foi profissional de publicidade, tendo ganho prémios internacionais.

Foi sempre um entusiasta das organizações de escritores, como a Comissão dos Escritores, Artistas e Jornalistas do MUD (Movimento de Unidade Democrática, cuja existência o fascismo português permitiu de 1945 a 1948), o PEN Clube Português, a Sociedade Portuguesa de Escritores, de que foi um dos fundadores.

Ligado à tauromaquia, por ser uma das manifestações da sua terra, por nela encontrar fortes motivos de interesse literário e por razões familiares, investigou aprofundadamente o meio em Portugal e em Espanha.

Teve relações estreitas com escritores e artistas plásticos brasileiros, franceses e espanhóis, participando em vários congressos de escritores, onde interveio.

Tendo iniciado a publicação de livros com um ensaio etnográfico intitulado Glória, Uma Aldeia do Ribatejo, em 1938, recolheu, ainda neste domínio, abundante poesia popular oral inédita que publicou em Cancioneiro do Ribatejo e textos do romanceiro português que publicou em Romanceiro Geral do Povo Português, volume com várias centenas de páginas.

Publicou o primeiro romance neo-realista português, Gaibéus, em 1939, seguindo-se Marés, em 1941, Avieiros, em 1942, Fanga, em 1943, todos de ambiente ribatejano, mas de ambições universais, Anúncio (novela de ambiente lisboeta), em 1945. Em 1946, inicia o conjunto de romances centrados na região do vinho do Porto, o Douro, com Porto Manso, seguindo-se Horizonte Cerrado, em 1949, que ganhou o Prémio Ricardo Malheiros da Classe de Letras da Academia das Ciências de Lisboa, Os Homens e as Sombras, em 1951 e Vindima de Sangue, em 1953, progredindo constantemente na oficina de escrita. Em 1954, com Olhos de Água, inicia uma fase de maior apuramento formal e, em 1958, depois de um período em que tinha desistido de escrever, faz sair A Barca dos Sete Lemes, um romance que muitos ainda hoje consideram o seu melhor romance e, certamente, o mais atual e universal. Seguiram-se Uma Fenda na Muralha, cujo ambiente é o de um porto pesqueiro e que relata uma violenta tempestade que ele próprio sofreu no mar a bordo de um pequeno barco de pesca, O Cavalo Espantado, de 1960, que conta a saga dos refugiados judeus em Lisboa durante a 2ª guerra mundial, Barranco de Cegos, de 1961, que muitos críticos consideram o seu melhor romance e um dos melhores do século XX em Portugal, O Muro Branco, de 1966.

Em 1972, foi publicado Os Reinegros, que conta a história de uma família operária em Lisboa durante o conturbado período da 1ª República, romance concluído em 1944/45, mas não publicado durante muitos anos, devido à proibição da Censura. A propósito, interessa recordar que os livros de Redol foram sujeitos a censura prévia desde 1944 até 1958.

Publicou livros de contos, a novela para a adolescência Constantino, Guardador de Vacas e de Sonhos, de 1960 e o livro, em doze fascículos, A França, da Resistência à Renascença, de 1948; de literatura infantil, A Vida Mágica da Sementinha .Escreveu na fase final da sua vida (morreu em 1969) A Flor Vai Ver o Mar, A Flor Vai Pescar Num Bote, Uma Flor Chamada Maria Maria, Maria Flor Abre o Livro das Surpresas, para leitores infantis entre os 6 e os 12 anos.

Publicou quatro peças de teatro: Maria Emília, Forja, O Destino Morreu de Repente e Fronteira Fechada, mas escreveu na íntegra ou apenas iniciou vinte. Durante a sua vida, apenas grupos de amadores foram autorizados pela Censura a representar a primeira e a segunda, e, esta, somente em Moçambique.

 

Do blogue Instituto Camões



publicado por pimentaeouro às 00:49
link do post | comentar | ver comentários (3) | favorito

mais sobre mim
pesquisar
 
posts recentes

Cantigas de escárnio e ma...

O piolho viajante

Sheherazade

D. Quixote

A lampada de Aladino

Velho do Restelo

Historia trágico-marítima

Torre de Babel

Ali Babá e os 40 ladrões

Homens bons

arquivos
tags

???

ambição

amizade

amor

animais

antropologia

armas

arquitectura

arte

arte biografias

astronomia

ballet

biografias

biologia

blogues

café curto

carttons

ciência

cinema

civilização

clima

corrupção

criminosos

crise financeira

demagogia

demência

demografia

descobrimentos

desemprego

destino

diversos

doenças

dor

economia

eleiçoes

ensino

escravatura

escultura

estado

estupidez

eternidade

ética

eu

eutanásia

evolução

família

filosofia

futebol

genocídio

governo

greves

guerra

história

incendios florestais

inquisição

internacional

justiça

literatura

livros

memória

miséria

mitologia

morte

mulher

mulheres célebres

musica

natureza

natureza humana

paisagens

paleontologia

partidos políticos

patologia ideológica

pátria

pintura

planeta terra

pobreza

poesia

politica

regime político

religião

saudade

saúde

segurança social

sentimentos

sexo

sindicatos

sociedade

sofrimento

sonhos

tecnologia

terrorismo

terrorismo de estado

testamento vital

tristeza

união europeia

universo

velhice

vida

violência

xadrez

todas as tags

favoritos

Anjo

Enamorados

Sonhar

Podem...

Voz da alma

Mentira

Escrever

À luz da lua

Meu amor

Dilemas

links
últ. comentários
Já receava que fosse essa a razão para ter deixado...
Caros bloguers,Encontrei este blog há dias por aca...
Já não era sem tempo!!!
E para quando um novo post por aqui?Tenho sentido ...
Gostei
Igualmente para si e sua família com muitas amend...
E hoje estou a passar por aqui para desejar uma Bo...
Por vezes mais vale consolidar o que já se tem em ...
Felizmente ou não, não estaremos cá para ver.
blogs SAPO
RSS