Conhece-te a ti mesmo... se puderes.
Segunda-feira, 29 de Setembro de 2014
Acontece cada uma!

Acontece cada uma. Nesta novela os papéis estãotrocados.Aqui vai:

                     

"Sra .... Sra. M………. (a minha mulher) e Sr. D……..(eu), fala R…….. P……….

No dia em que vocês voltarem a ofender o meu pai relativamente à vossa mãe e aos dinheiros da vossa mãe, ao Sr. D………. dou-lhe dois estalos na cara.

Quem está a falar é R……… P……….

O meu pai tem sido um ... um ...

Tem sido tudo para a sua mãe e você ainda vai ali (residência assistida onde de encontra internada a mãe da minha mulher) ofender o meu pai?

Olhe, se tiver coragem e mínima dignidade nessa cara que nem você nem o seu irmão tem, vocês são de outra laia e julgam que as pessoas são da mesma laia que vocês, o meu telefone é o……………

A próxima vez que incomodarem o meu pai, eu parto-vos o focinho e meto-vos em Tribunal.

Estamos entendidos?"

 

Além da  valentia e o à-vontade com que o potencial agressor se identifica e deixa o rasto para se chegar até ele, é  inovadora jurisprudência que cria: primeiro faz justiça pelas próprias mão – parte o focinho – depois segue as vias judiciais da sua própria profissão.

Da parte de um juiz desembargador é obra que merece ser registada nos anais da Justiça.

Por que motivo se identifica por duas vezes o potencial agressor? É simples, sabe que a formula “no dia em que vocês voltarem a ofender” juridicamente é equiparada, não a ameaça directa, mas a um acto de legitima defesa! Como a nossa Justiça é subtil!

Dar-me dois estalos na cara está ao alcance de qualquer um; partir o focinho à minha mulher  é acto normal para  qualquer marialva que se preza, mas partir o focinho ao meu cunhado é um pouco mais complicado.

Habituado ao esforço de trabalhos agrícolas, caçador desde a mocidade, frequentador de safaris em África, nunca o vi tremer de medo. Aqui talvez o juiz desembargador tenha alguma surpresa.

Quando à essência da ofensa – os dinheiros da minha sogra – também é problema fácil de resolver: a minha mulher e o irmão emitem uma autorização de levantamento do sigilo bancário para que o sr. Juiz desembargador possa investigar quem levantou o dinheiro e onde foi aplicado.

Sobre bens patrimoniais há mais histórias para contar mas fico-me apenas por esta.

Se a linguagem usada pelo juiz desembargador fosse um pouco mais polida estávamos perante uma novela minhota de Camilo. Assim fica mais difícil de classificar.

Eu compreendo a veemência do senhor juiz a defender o pai mas também aqui o que parece não é. Velho, com mais de 85 anos, dormiu durante mais de um ano no chão, num colchão que lhe foi emprestado.

Todos sabem, ou deviam saber, que os velhos têm dificuldade em levantar-se do chão; são as articulações que não obedecem ao dono.

Numa manhã de azar deu uma queda ao tentar levantar-se do chão e ficaram mazelas.

Foi depois desta queda que os filhos – não sei qual – se lembraram de lhe comprar uma cama. O amor filial tem formas estranhas de se manifestar.

Estamos entendidos senhor desembargador? 


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publicado por pimentaeouro às 11:36
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