Conhece-te a ti mesmo... se puderes.
Segunda-feira, 27 de Outubro de 2014
Caim

Não li e não vou ler este livro de Saramago, portanto, não vou emitir qualquer opinião sobre o livro e a respectiva polémica.

O que me move é outra história. Antes de aparecerem os computadores e os processadores de texto, uma das dores de cabeça dos escritores era a revisão de provas e o combate às gralhas que podiam alterar o sentido de uma frase ou pensamento.

Na Idade Média muitos copistas cometiam erros involuntários ao copiarem textos antigos e quanto mais recuamos no tempo mais o problema da fidelidade do texto original se agravava.

O Velho Testamento da Bíblia – a selecção de textos considerada como tal - foi sedimentado durante quase mil anos e não existe a mínima garantia de as versões da Idade Média, por exemplo, sejam fieis ao texto original, copiado e recopiado centenas de vezes em condições bem mais precárias do que as daquela época. Da Odisseia e outros textos diz-se o mesmo.

Diz a Igreja que o Velho Testamento não foi escrito por Deus mas que este guiou a mão dos vários escribas que escreveram os tais textos originais que não conhecemos. Diz mais, diz que o Velho Testamento foi escrito em hebraico, um idioma minoritário na época e que os textos devem ser lidos como imagens ou metáforas da mensagem divina.

Este complicado problema tem sido objecto de muita polémica ao longo da história, principalmente, entre protestantes e católicos. Já os judeus fazem leituras mais fieis à letra do texto: são o povo eleito por Deus, com exclusão de todos os outros, são os donos exclusivos da Terra Prometida, etc.

Não sou leitor assíduo da Bíblia nem é matéria que me interesse especialmente mas há algumas matérias que parecem mal contadas. É fácil concluir que os textos bíblicos estão excessivamente datados e que o Deus do Velho Testamento era caprichoso, vingativo, cruel, etc.

Arrependido por ter criado o homem e os bichos resolveu arrasar tudo com uma excepção: apenas Moisés, a sua família e uma colecção de bichos, foi avisado para entrar na barca (nº. 6 a 9 do Génesis) e durante quarenta dias e quarenta noites foi o dilúvio até morrer tudo quanto Deus tinha criado.

Este holocausto de homens e bichos torna o holocausto nazi uma ninharia!

A ideia do castigo divino quando acontece uma grande desgraça, seja de que tipo for, teve sempre pernas para andar ao longo da História. Seja a peste negra, seja o terramoto de Lisboa, logo ocorre aos sobreviventes que Deus castiga os homens pelas suas maldades.

Onde a ideia falha redondamente é imaginar um Deus que mata cegamente pecadores, inocentes e até crianças.

O melhor remédio é não confiar muito na fé dos homens nas explicações absurdas que engendra.

  



publicado por pimentaeouro às 12:46
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2 comentários:
De A rapariga do autocarro a 29 de Outubro de 2014 às 20:31
Eu cá para mim, na batalha entre o bem e o mal, foi o mal que ganhou e anda-nos a dizer o contrário há 2000 anos!


De pimentaeouro a 29 de Outubro de 2014 às 23:18
É uma história muito mal contada.


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