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Terça-feira, 23 de Janeiro de 2018
Caravaneiros do Saara

caravaneiros.jpg

 

Recebe o nome de tuaregue (ou imuhag, em tamasheq) os povos que habitam, a grosso modo, a área alta do deserto do Saara, no norte da África. É um povo nômade, pastoralista, e apesar da pele negra, semelhante à dos povos negros africanos mais ao sul, são um dos vários grupos que formam a população berbere do norte da África. São todos praticantes da religião islâmica, que chegou na região por volta do século XII.

Utilizam uma variedade de línguas que pertencem ao grupo das línguas berberes. A principal língua é denominada tamasheq, além das outras, como o tamahaq, tahaggart, tayart, tawallammat e o tetserret. Tais línguas são atualmente escritas ou em alfabeto latino, ou escrita árabe ou ainda um alfabeto próprio desenvolvido para as línguas berberes chamado tifinagh.

A população de tuaregues é estimada em cerca de 1 milhão e 500 mil indivíduos, distribuídos por cinco países africanos: Mali, Níger, Argélia, Líbia e Burkina Faso. Apesar da sua grande maioria estar no Mali e no Níger, os grupos politicamente mais importantes localizam-se na Argélia.

O nome tuaregue é de origem desconhecida. Acredita-se que seja uma palavra derivada do árabe "abandonados", referência à região que habitam, em tese inóspita e hostil à ocupação humana. A verdade é que a parte mais interior do deserto do Saara possui um contingente humano que ocupa sua área há muitos séculos, constituindo uma antiga rota de comércio e comunicação entre os extremos do continente africano, a denominada rota de comércio "Trans-saariana", da qual os tuaregues controlavam historicamente as melhores rotas. De fato, estes acabaram por receber, indiscriminadamente, por tal conhecimento, o apelido de "piratas do deserto", pelas constantes abordagens de alguns bandos a caravanas que atravessavam o Saara, com a intenção de roubar os produtos transportados naquela rota de comércio.

Seu meio de locomoção é o camelo, têm como vestimenta característica o véu de azul índigo, com que cobrem toda a cabeça e maior parte do rosto, com exceção dos olhos, para protegerem-se do sol extremamente forte. Apesar de serem tradicionalmente nômades, constituíram importantes centros nos países em que estão presentes, como Agadez, no norte do Níger ou então Gao, Kidal e Timbuctu no Mali. Timbuctu, aliás, foi no passado um centro importante no comércio trans-saariano e centro de pesquisa, abrigando uma universidade e grande quantidade de intelectuais que aproveitavam-se do auge da intelectualidade islâmica, na época da baixa Idade Média. As inúmeras bibliotecas constituídas naquela área, há mais de dez séculos são hoje objeto de projetos de várias organizações internacionais que buscam coletar livros antigos guardados pelos seus descendentes e restaurá-los.

Bibliografia:


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publicado por pimentaeouro às 19:27
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2 comentários:
De A rapariga do autocarro a 24 de Janeiro de 2018 às 13:15
Obrigada por nos trazer sempre temas deveras interessantes!


De pimentaeouro a 24 de Janeiro de 2018 às 20:17


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