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Segunda-feira, 12 de Maio de 2014
Desporto hoje

 

 

A actividade lúdica do jogo (qualquer modalidade de desporto) faz parte de processo de socialização de todos nós. A criança aprende através do jogo, os jovens e os adolescentes realizam a sua integração social com o jogo, os adultos de todas as idades jogam por diversão e outras motivações. Estruturado e com normas, o jogo evolui para  desporto, que se multiplica em várias modalidades: normalmente há mais público a assistir do que praticantes,  embora ainda possamos falar do objectivo “ mente sã em corpo são”: o desporto tem como objectivo distrair e entreter quem pratica e quem assiste, que muitas vezes também é praticante.

O desporto têm múltiplas modalidades, sendo umas mais populares  do que outras, e o futebol, por uma multiplicidade de factores, foi progressivamente, adquirindo o estatuto de “desporto rei” em muitos países: entre nós chegou a ser muito popular o hóquei em patins.

Cedo o poder político percebeu a vantagem de ir buscar popularidade ao desporto mais em voga e também a utiliza-lo como diversão das massas: Salazar, como muitos outros, utilizou a política dos três efes –Fátima, futebol e fados, uma variedade nacional de uma tendência geral.

Noutra etapa o desportista define como objectivo principal, não o jogo em si (actividade fisica e lúdica), mas a superação de limites: ultrapassar os limites do seu corpo, da sua capacidade de resistência  e, simultaneamente, ultrapassar o outro. Não pratica desporto para se desenvolver e divertir mas  para ganhar ( às vezes a qualquer preço ). Nesta etapa, já entrou  em cena a comunicação social que transforma  o desportista   em vedeta e em ídolo.

Agora é um ser altamente especializado que realiza proezas fora do alcance do comum dos mortais. Treinado e apoiado por um corpo de técnicos em várias especialidades é, a partir daqui, um profissional do desporto, um produto novo no mercado, cercado por vários interesses e negócios.

 Já transformado em mercadoria, o desporto ( e o desportista/vedeta ) adquire também os vícios do capitalismo: doping, negócios escuros, ausência de ética, corrupção entram na prática desportiva,  jogos olímpi

cos incluídos e respectivas organizações internacionais (Comités Olímpicos, UEFA, FIFA,  etc ) envoltos em fumos de falta de transparên-

cia, como a comunicação social refere com frequência. Embora menos divulgado, temos também o recrutamento de jovens, através de esquemas idênticos ao tráfico de  seres humanos, para alimentar o stock de vedetas.

Também o poder político (governos e autarquias), através de ligações opacas, arranja maneira de transferir bens públicos e fundos financeiros para os clubes de futebol, a troco da ambicionada popularidade. Entre nós, o paradigma desta ligação ocorreu com o investimento público (poder central e autarquias) à realização megalómana do EURO 2004, que foi mascarado com diversos álibis, como desígnio nacional, investimento reprodutivo, estimulo para a economia, etc..

Finalmente, a cereja no bolo: o futebolista/vedeta ascende a ícone publicitário, comercializando  a imagem é  disputado por multinacionais

bancos e televisões. Por outro lado, existe uma “indústria do futebol” constituída por uma variedade de “produtos” – direitos de transmissão, passes de jogadores, nomes e marcas, múltiplas formas de publicidade, etc., etc. - autêntica economia virtual que apenas satisfaz necessidades induzidas e artificiais

O futebolista/vedeta é uma reduzida elite de estrelas – a “nata” de apenas meia dúzia de clubes grandes -, porque centenas ou mesmo alguns milhares de jogadores, com salários modestos e até com salários em atraso, aspiram subir ao estrelado mas nunca saem do limiar da sobrevivência e do anonimato.

Nesta etapa já entrou em cena a política como já referimos: as modalidades desportivas são apoiadas para realizar campanhas de prestigio, dentro e fora das fronteiras:  a guerra-fria também utilizou as competições desportivas como palco de confronto.

 Os políticos passam a frequentar os camarotes VIP dos estádios, são fotografados ao lado dos dirigentes de clubes, acumulam cargos políticos com  a direcção dos clubes , introduzem no discurso político alegorias e o calão do futebol,  sempre com o objectivo de aumentar a representatividade das urnas com a popularidade dos estádios.

Do outro lado do espelho, desta política desportiva de massas, sentada no sofá, fica a massa anónima da população, frente ao televisor, vibrando com as emoções do espectáculo. Torna-se obesa, aumenta o colesterol, os hábitos sedentários e ao fazer disparar os indicies de audiência, lubrifica a “cadeia alimentar” dos interesses económicos que giram em torno do futebol.

Resumindo, temos de um lado uma modalidade desportiva transformada em economia de casino, revestida de práticas financeiras especulativas e do outro lado, multidões de espectadores de sofá e estádios, periodicamente, cheios de espectadores ululantes, estimula-

dos por  claques de comportamento e origem suspeitos.

 

2. Em 1892, o aristocrata francês Barão de Coubertin, recuperou os Jogos Olímpicos, tentando utopicamente reavivar o espírito das primeiras olimpíadas, que passaram a ser realizadas de quatro em quatro anos desde então, excepto durante as duas Grandes Guerras Mundiais. Inicialmente, os Jogos eram disputados apenas por atletas amadores mas no final do século XX, a competição foi aberta a atletas profissionais.

Os Jogos Olímpicos da Grécia Clássica eram diferentes dos idealizados por Coubertin. Os primeiros Jogos realizavam-se há mais de 2700 anos, como uma importante celebração e tributo aos deuses; mas, foram declinando juntamente com a civilização grega.

Ao serem proibidos por édito do Imperador Teodósio II, já se tinham desvirtuado em longas orgias e bacanais de pouca conotação desporti-

va.

Dada a importância e a visibilidade dos Jogos para o mundo, estes têm também, nos últimos anos, sido usados como espaço para confrontos políticos , de que são os piores exemplos o massacre de Munique em 1972, em que membros da comitiva israelita foram feitos reféns por extremistas Palestinos e  os boicotes durante a Guerra Fria, aos Jogos de 1980 e 1984, pelo bloco de países ex-comunistas e pelos EUA, respectivamente, e também o atentado à bomba ocorrido em Atlanta em 1996.

Na actualidade, a realização dos Jogos Olímpicos e o “concurso” das cidades que se candidatam à sua realização é um negócio que movimenta muitos milhões de euros.

 

 


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publicado por pimentaeouro às 20:07
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1 comentário:
De A rapariga do autocarro a 12 de Maio de 2014 às 20:32

Hoje o único espírito que vive é o do dinheiro!


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