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Sábado, 6 de Janeiro de 2018
Dostoievsky O Idiota

Ler um romance de Fiódor Dostoiévski (1821 - 1881) é conhecer ou até mesmo reconhecer o lado sombrio e desesperado da humanidade. Um lado que sempre está presente (talvez oculto) em nossa alma. Ler Dostoiévski é como iniciar um passeio ao inferno que não sabemos exatamente o quanto e como nos influenciará, mas que deixará algumas marcas, como é, ou deveria ser, um dos principais objetivos de qualquer obra literária.

Neste, como em todos os outros livros de Dostoiévski, as personagens interagem em situações descontroladas sempre a um passo da tragédia como no caso do jovem Raskólhnikov de “Crime e Castigo”, talvez sua obra mais representativa.
A narrativa de “O Idiota” é frenética e desconcertante e tem como base a tese de que o homem bom e puro, dotado de uma compaixão verdadeiramente cristã, jamais poderá conviver em uma sociedade corrompida, tornando-se para seus semelhantes um idiota, alvo de humilhação e de aproveitadores.
Para desenvolver este tema, Dostoiévski criou a personagem principal do príncipe Liev Nikoláievitch Míchkin com um pouco de Jesus Cristo e outro tanto de Dom Quixote. “A personagem de Míchkin tinha de atingir o grau supremo da evolução do indivíduo, quando ele é capaz de sacrificar-se em benefício de todos. Para isso deveria estar isento de individualismo e de egoísmo.” – ver “A personagem central e seus protótipos” no prefácio do tradutor.
O príncipe Míchkin retorna à Rússia após mais de quatro anos de tratamento de epilepsia na Suíça e logo se envolve em uma trama envolvendo a bela Nastácia Filíppovna e seus pretendentes: Afanássi Ivánovitch Totski, Parfen Rogógin e Gavrila Ardaliónovitch Ívolguin (uma primeira dificuldade para o leitor brasileiro é, naturalmente, se acostumar com os nomes russos).
Cada um desses pretendentes tem uma relação de caráter diferente com Nastácia Filíppovna, o rico fazendeiro Afanássi Ivánovitch Totski foi o responsável pela criação e formação de Nastácia, após a perda da família originada por uma série de fatalidades, ela é criada por Totski em uma pequena fazenda no interior da Rússia, chamada de “Aldeola das Delícias”, não sendo difícil imaginar o motivo.
Nastácia Filíppovna se transforma, ao longo do tempo, em uma mulher amarga e atormentada, disposta a se vingar da sociedade que moldou o seu destino, independente de sua vontade. As ameaças de Nastácia de tornar pública sua relação com o rico e influente Totski fazem com que ele desenvolva uma sórdida negociação com o jovem Gavrila Ardaliónovitch Ívolguin com a finalidade de promover o casamento dele com Nastácia à custa de uma quantia considerável.
O dinheiro é sempre um elemento central nos dramas de Dostoiévski e isto, mais uma vez, fica claro neste romance, quando Gavrila Ardaliónovitch afirma que “Uma vez com o dinheiro, saiba que serei um homem original no supremo grau da palavra. O dinheiro é mais abjeto e odioso porque ele dá talento.” Logo, por ambição, ele cede à proposta de Totski, mas Nastácia zomba do dinheiro e de todos aqueles que fazem dele o objetivo de suas vidas – ver “O dinheiro na Obra de Dostoiévski” no prefácio do tradutor. O próprio Dostoiévski escreveu este livro em meio a suas próprias crises de epilepsia e também pressionado por grandes dívidas de jogo.
Nastácia, após recusar o casamento com Gavrila, acaba se vendendo ao rico herdeiro Parfen Rogógin por uma quantia ainda maior, para logo depois lançar o dinheiro ao fogo. Entretanto, sua relação com Rogógin que não consegue se libertar de uma paixão doentia por ela terá prosseguimento com conseqüências trágicas para todos.

O príncipe Míchkin também acaba se apaixonando por Nastácia Filíppovna, mas este amor é fruto unicamente da compaixão que ele sente pelo sofrimento de Nastácia. O príncipe encontrará o verdadeiro amor por Aglaia Ivánovna, a filha caçula do general Ivan Fiódorovitch Iepántchin e Lisavieta Prokófievna.

Ler um romance de Fiódor Dostoiévski (1821 - 1881) é conhecer ou até mesmo reconhecer o lado sombrio e desesperado da humanidade. Um lado que sempre está presente (talvez oculto) em nossa alma. Ler Dostoiévski é como iniciar um passeio ao inferno que não sabemos exatamente o quanto e como nos influenciará, mas que deixará algumas marcas, como é, ou deveria ser, um dos principais objetivos de qualquer obra literária.
Neste, como em todos os outros livros de Dostoiévski, as personagens interagem em situações descontroladas sempre a um passo da tragédia como no caso do jovem Raskólhnikov de “Crime e Castigo”, talvez sua obra mais representativa.
A narrativa de “O Idiota” é frenética e desconcertante e tem como base a tese de que o homem bom e puro, dotado de uma compaixão verdadeiramente cristã, jamais poderá conviver em uma sociedade corrompida, tornando-se para seus semelhantes um idiota, alvo de humilhação e de aproveitadores.
Para desenvolver este tema, Dostoiévski criou a personagem principal do príncipe Liev Nikoláievitch Míchkin com um pouco de Jesus Cristo e outro tanto de Dom Quixote. “A personagem de Míchkin tinha de atingir o grau supremo da evolução do indivíduo, quando ele é capaz de sacrificar-se em benefício de todos. Para isso deveria estar isento de individualismo e de egoísmo.” – ver “A personagem central e seus protótipos” no prefácio do tradutor.
O príncipe Míchkin retorna à Rússia após mais de quatro anos de tratamento de epilepsia na Suíça e logo se envolve em uma trama envolvendo a bela Nastácia Filíppovna e seus pretendentes: Afanássi Ivánovitch Totski, Parfen Rogógin e Gavrila Ardaliónovitch Ívolguin (uma primeira dificuldade para o leitor brasileiro é, naturalmente, se acostumar com os nomes russos).
Cada um desses pretendentes tem uma relação de caráter diferente com Nastácia Filíppovna, o rico fazendeiro Afanássi Ivánovitch Totski foi o responsável pela criação e formação de Nastácia, após a perda da família originada por uma série de fatalidades, ela é criada por Totski em uma pequena fazenda no interior da Rússia, chamada de “Aldeola das Delícias”, não sendo difícil imaginar o motivo.
Nastácia Filíppovna se transforma, ao longo do tempo, em uma mulher amarga e atormentada, disposta a se vingar da sociedade que moldou o seu destino, independente de sua vontade. As ameaças de Nastácia de tornar pública sua relação com o rico e influente Totski fazem com que ele desenvolva uma sórdida negociação com o jovem Gavrila Ardaliónovitch Ívolguin com a finalidade de promover o casamento dele com Nastácia à custa de uma quantia considerável.

O dinheiro é sempre um elemento central nos dramas de Dostoiévski e isto, mais uma vez, fica claro neste romance, quando Gavrila Ardaliónovitch afirma que “Uma vez com o dinheiro, saiba que serei um homem original no supremo grau da palavra. O dinheiro é mais abjeto e odioso porque ele dá talento.” Logo, por ambição, ele cede à proposta de Totski, mas Nastácia zomba do dinheiro e de todos aqueles que fazem dele o objetivo de suas vidas – ver “O dinheiro na Obra de Dostoiévski” no prefácio do tradutor. O próprio Dostoiévski escreveu este livro em meio a suas próprias crises de epilepsia e também pressionado por grandes dívidas de jogo.

Nastácia, após recusar o casamento com Gavrila, acaba se vendendo ao rico herdeiro Parfen Rogógin por uma quantia ainda maior, para logo depois lançar o dinheiro ao fogo. Entretanto, sua relação com Rogógin que não consegue se libertar de uma paixão doentia por ela terá prosseguimento com conseqüências trágicas para todos.

O príncipe Míchkin também acaba se apaixonando por Nastácia Filíppovna, mas este amor é fruto unicamente da compaixão que ele sente pelo sofrimento de Nastácia. O príncipe encontrará o verdadeiro amor por Aglaia Ivánovna, a filha caçula do general Ivan Fiódorovitch Iepántchin e Lisavieta Prokófievna.


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publicado por pimentaeouro às 19:16
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