Conhece-te a ti mesmo... se puderes.
Quarta-feira, 25 de Outubro de 2017
Encruzilhada

encruzilhadas.jpg

 

Não tive mãe nem pai que me vissem crescer e me fizessem homem apesar de ambos estarem vivos.  Segui o fado de todos os órfãos, não pertencem a n inguém, tem um vazio na alma que nunca é preenchido.

 O acaso e algumas decisões tecerem a minha vida sem raízes. Peregrino por várias terras, sou filho de terra nenhuma.

Pertencer a uma terra, não é apenas o lugar, bonito ou não, são as pessoas,  a família, os amigos que fizemos ao longo dos anos, as boémias e as tristezas, o trabalho onde ganhamos o sustento, os amores passados e recentes, a rede de relações que fomos tecendo e nos prendem a esse lugar.

Em todos os lugares onde vivi tive bons amigos mas senti-me sempre de fora, estrangeiro.

Tive três encruzilhadas que poderiam ter-me dado histórias de vida diferentes da que vivi: o meu primeiro amor com a Fernanda; o amor proibido com a Julieta e a ida para Moçambique que não se concretizou.

Fernanda e Julieta eram diferentes em tudo, recordo a Fernanda como uma rapariga alegre, afectiva e bonita, a Julieta era reservada, sem beleza especial e de forte personalidade, estava à frente da sua época.

À distancia de cerca de sessenta anos continuo a pensar que a minha vida deveria ter acontecido com a Fernanda, possuía tudo o que eu precisava para ter uma vida estável, com alguma felicidade, porque não. A Fernanda podia serenar a minha intranquilidade e anemizar a minha solidão. Não tive essa vida.

Não posso esquece-las nem aos amigos que tive em Torres Novas. Fizeram parte da minha vida, na mocidade, que deveria ter sido a melhor época da minha vida mas não foi.

Agora tudo é passado e memória.

 


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publicado por pimentaeouro às 22:06
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2 comentários:
De A rapariga do autocarro a 26 de Outubro de 2017 às 10:13
Nas encruzilhadas da vida não dá como voltar atrás!


De pimentaeouro a 26 de Outubro de 2017 às 22:04
Nem sempre é possível.


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