Conhece-te a ti mesmo... se puderes.
Quinta-feira, 20 de Abril de 2017
Fernão Mendes Pinto
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Fernão Mendes Pinto nasceu em Montemor-o-Velho, talvez em1510, e morreu em Almada, supostamente a 8 de julho de 1583.
Pertenceu a uma família modesta, mas a que talvez não faltassecerto grau de nobreza. Ainda pequeno, um seu tio levou-o paraLisboa onde o pôs ao serviço na casa do duque D. Jorge, filho deD. João II. Manteve-se aqui durante cerca de cinco anos, dois dosquais como moço de câmara do próprio D. Jorge, factoimportante para a comprovação da sua descendência de umaclasse social que contradizia a precária situação económica que afamília então detinha.
Avivêncianestemeiosocialnãoéalheiaàsuaapetênciaeinspiraçãoparaaescritaeparaasfunçõesdiplomáticasquedesempenhoualgumasvezes.
 
Cerca de 1537, parte para a Índia, ao encontro dos seus doisirmãos. De acordo com os relatos da sua obra Peregrinação, em1538, fez um cruzeiro ao mar Vermelho e, logo a seguir,participou num combate naval. Sem nunca o ter comprovado,refere também que entrou na Abissínia. Foi cativo dosmuçulmanos, vendido a um grego e por este a um judeu que olevou para Ormuz.
Acompanhou Pedro de Faria a Malaca, de onde fez o ponto departida para as suas aventuras, tendo percorrido, durante 21acidentados anos, as costas da Birmânia, Sião, arquipélago deSunda, Molucas, China e Japão. Numa das suas viagens a estepaís conheceu S. Francisco Xavier e, influenciado pelapersonalidade, decidiu entrar na Companhia de Jesus epromover uma missão jesuíta ao Japão.
Em 1554, depois de libertar os seus escravos, vai para o Japãocomo noviço da Companhia de Jesus e como embaixador do vice-rei D. Afonso de Noronha junto do rei do Bungo. Esta viagemconstituiu um desencanto para ele, quer no que se refere aocomportamento do seu companheiro, quer no que respeita aocomportamento da própria Companhia. Desgostoso, abandona onoviciado e regressa a Portugal. Aqui, com a ajuda dogovernador Francisco Barreto, conseguiu arranjar documentoscomprovativos dos sacrifícios realizados pela pátria, que lhederam direito a uma tença, nunca recebida. Desiludido, foi paraVale de Rosal, em Almada, onde se manteve até à morte e ondeescreveu, entre 1570 e 1578, a obra que nos legou, a suainimitável Peregrinação . Esta só viria a ser publicada 20 anosdepois da morte do autor, receando-se que o original tenhasofrido alterações às quais não seriam alheios os Jesuítas.


publicado por pimentaeouro às 20:34
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