
Cinco dias, cinco noites foi o filme escolhido pela TV1, baseado num livro medíocre da Álvaro Cunhal, para homenagear José Fonseca e Costa. Não percebi o filme de que vi quase dois terços.
Tirando a cena inicial com uma bela reconstrução dos anos quarenta, algures numa aldeia de Trás-os-Montes, o filme arrasta-se penosamente por serras, montes e vales de deslumbrantes paisagens com abundantes florestas, cuja travessia é cheia de obstáculos.
André, um jovem de 19 anos contrata um «passador», de pouquíssimas falas, que o conduzirá, fugindo à guarda e à polícia política, até a fronteira de Espanha. As relações entre ambos são tensas porque o jovem desconfia que este o quer roubar mas posteriormente os dois homens acabam por se admirar mutuamente: como trama do romance é tudo e é muito pouco.
Diálogos muito curtos em duas casas pobres, pontos de apoio na rota do «passadores», em duas aldeias igualmente pobres. Tirando a beleza das paisagens, o filme é de uma confrangedora monotonia: não é o J.F.C. exímio contador de histórias, em lugar de arte é política, filme estragado.
Não terá sido por acaso que Álvaro Cunhal durante mais de duas décadas ocultou a autoria do livro.
Tendo uma fasta galeria de bons filmes de J.F.C., para escolher, em lugar de uma homenagem, a TV1 fez uma sabotagem: José Fonseca e Costa merecia muito mais.
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