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Quinta-feira, 30 de Outubro de 2014
Iluminismo e actualidade

 

O historiador Eric Hobsbawm apelidou o século XX de “A era dos extremos”.

Mas também podemos chamar ao século XVII o século dos extremos pelo choque entre uma nova mentalidade que desponta e a sociedade e as ideias do antigo regime. O iluminismo (ou iluminismos) é herdeiro da revolução cientifica do século XVI.

As novas descobertas da ciência, a teoria da gravitação universal de Isaac Newton e o espírito de relativismo cultural fomentado pela exploração do mundo ainda não conhecido foram também importantes para a eclosão do Iluminismo. 

A «Crise da consciência europeia», que se coloca entre o fim do séc. XVII e o início do séc. XVIII, um período durante o qual surgiu uma visão moderna da humanidade, da natureza, da política, destronando o princípio de auto­ridade, para assentar as bases de um pensamento livre de todas as con­dicionantes externas à razão, e por isso mesmo prelúdio do Iluminismo.

Anunciado já no início do séc. XVIII, o Iluminismo alcançou o seu apogeu em França, entre os anos quarenta e setenta, período em que os seus resultados foram de tal forma abundantes e originais que che­garam a condicionar o inteiro quadro intelectual europeu. As obras de Montesquieu, Diderot, Voltaire, Rousseau, Condillac, Buffon, d'Hol-bach denotam as múltiplas inspirações teóricas que tornam tão viva e complexa a época das Luzes.

A monumental empresa da Encychpédie levada a cabo por Diderot e DAlembert evidencia, na sua difusão europeia e nas suas diferentes edições, a força de atracção expressa na cultura das Luzes e indica, ao mesmo tempo, o quanto os Ilumi­nistas souberam propor uma orientação prática à batalha em defesa da razão. Paralelamente, podemos também encontrar a personalidade de Rousseau, cujas originalíssimas reflexões conduziram as contradi­ções do Iluminismo a um ponto avançado: a sua obra mais conheci­da, o Contrato Social, deu origem à linha de pensamento democráti­co e às teorias da soberania popular.

Tal como o homem, também a natureza constituiu um núcleo de in­teresse das Luzes que, retomando os cânones empíricos e experimen­tais da «revolução científica» do séc. XVII, aprofundaram e ampliaram a compreensão do mundo natural. A ciência do séc. XVIII não é com­preensível se, juntamente com Lineu, Lavoisier, Priestley, Lagrange e Franklin não se tiver em consideração também o papel das academias científicas de Paris, Londres e Berlim, e de tantas outras academias científicas menores espalhadas por todas as capitais, que formaram uma rede capilar de ligações através das quais circularam não só as co­municações como também uma generalizada confiança na centralida­de da ciência e da técnica e na sua utilidade social. A revisão conduzi­da pelos iluministas na abordagem da natureza encontrou um proces­so paralelo na transformação a que se submeteu a historiografia, que produziu grandes obras históricas, como as de Voltaire, Gibbon, Giannone, Muratori, Hume, com as quais foi renovada a metodologia de in­vestigação.

O Iluminismo exerceu vasta influência sobre a vida política e intelectual da maior parte dos países ocidentais. A época do Iluminismo foi marcada por transformações políticas tais como a criação e consolidação de estados-nação, a expansão de direitos civis, e a redução da influência de instituições hierárquicas como a nobreza e a igreja.

O Iluminismo forneceu boa parte do fermento intelectual de eventos políticos que se revelariam de extrema importância para a constituição do mundo moderno, tais como a

Revolução Francesa, a Constituição polaca de 1791, a Revolução Dezembrista na Rússia em 1825, os movimento de independência na Grécia e nos Balcãs e, naturalmente, os diversos movimentos de emancipação nacional ocorridos no continente americano a partir de 1776.

Muitos autores associam ao ideário iluminista o surgimento das principais correntes de pensamento que caracterizariam o século XIX, a saber, liberalismosocialismo, e social-democracia.

Salões de aristicratas esclarecidos, clubes, cafés, academias e maçonaria eram os locais onde as elites burguesas discutiam os novos valores do Iluminismo, cujas ideias eram difundidas pela imprensa para um número limitado de leitores.

As reformas preconizadas pelos iluministas não podiam aplicar-se a uma sociedade rural  de camponeses analfabetos

O movimento do iluminismo é um marco histórico importante na História da Humanidade, é uma conquista  do Civilização Ocidental e até hoje não foi ultrapassado por qualquer outra Civilização. As civilizações chinesa, indiana, japonesa e outras, dos árabes nem vale a pena falar, até hoje não concederam valores que se aproximem do Iluminismo.

Nos dias de hoje, dominados pela crise de valores e pela manipulação das consciências sem precedentes na História é importante relembrar os valores e as ideias do iluminismo.



publicado por pimentaeouro às 13:58
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