Conhece-te a ti mesmo... se puderes.
Quinta-feira, 28 de Dezembro de 2017
Livros

 

 

Quem escreve comunica para alguém, conhecido ou desconhecido (as redes sociais, os blogues, etc.). A História começa com os primeiros «livros» conhecidos, em tabuinhas de argila, papiro, etc., mas antes dos primeiros «livros» existiram diversas formas de comunicação, os antepassados dos livros, nós em cordas, ábacos, livros «objectos» etc. Eram comunicações rudimentares, essenciais, mas já eram comunicar algo para ser levado por um mensageiro a outra tribo. 

Hoje podemos escrever - comunicar - para alguém ou para ninguém, para nós, um solilóquio solitário, talvez com um interlocutor imaginário.

Escrevemos o que o nosso pensamento dita mas o nosso pensamento também pode estar a ditar o que outros escreveram e pensaram.  Assim o que escrevemos pode ser original, raramente, ou uma sucessão de pensamentos alheios que antecederam o nosso.

Quem nos lê pode igualmente utilizar algo do que pensamos.

Durante séculos os escribas copiavam e recopiavam (com erros) livros antigos ( a Bíblia é um deles) e poucos livros originais.

Com Gutembergue inicia-se a massivicação lenta dos livros em pequenas tiragens; numa sociedade baseada na agricultura muito poucos sabiam ler. A formação da opinião pública, principalmente por via dos salões de aristocratas, dos clubes e dos jornais , ainda estava longe.

Ao lado dos livros eruditos, surgem os livros de cordel vendidos em feiras e por vendedores ambulantes.  

Os livros estão feridos de morte. Os livros virtuais são uma ameaça e talvez não seja a maior. Em Abril a tiragem média dos livros era de 2.500 a 3.000 exemplares, acima disto só os livros dos autores importantes. Quarenta anos depois as tiragens médias são exactamente as mesmas!
Os livros desapareceram dos transportes , dos jardins, dos cafés, das praias, etc. Uma pessoa que lê um livro naqueles locais é uma raridade. 

A iliteracia dos escolarizados é óbvia. O ensino é um dos grandes falhanços de Abril.
Outros factores haverá, o baixo nível cultural da população.  Em 25 de Abril a taxa de escolarização no ensino básico era de apena 20% e de 9% no ensino secundário.

A revolução foi feita com este povo iletrado e somos uma sociedade culturalmente de baixo nível. Dói, mas é verdade.


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publicado por pimentaeouro às 21:51
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5 comentários:
De redonda a 31 de Dezembro de 2017 às 00:28
Bem, talvez a tiragem média permaneça a mesma, mas sejam muitos mais os livros publicados ainda que cada um o seja com a tiragem média...gosto de ler livros em papel e livros ebook, - há livros a que só tive acesso por existir o ebook, e tenho a ideia que nas novas gerações continua a haver quem "devore" livros


De pimentaeouro a 31 de Dezembro de 2017 às 18:59
O novo e o velho irão coabitar durante muitos anos, espero.
Trabalhei durante vários anos numa distribuidora de livros e fiquei com o seu «aroma» impegranado.
Os livros ebook já não são para mim, estou velho para essas «modernices».
Quanto à sua leitura são coisas diferentes, o livro em papel convida à reflexão, o ebook é o instantâneo que passa.
Desejo-lhe um Bom Ano Novo... o Velho já deu o que tinha a dar.


De redonda a 31 de Dezembro de 2017 às 19:22
Talvez algum dos livros que tenha ajudado a distribuir tenha chegado até mim

Muito obrigada, um Bom Ano

e um beijinho

Gábi


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