Conhece-te a ti mesmo... se puderes.
Domingo, 14 de Janeiro de 2018
Luisa Todi

 

Luísa começou a sua carreira pelo teatro musical, aos catorze anos, no Teatro do Conde de Soure, no Tartufo, de Molière. Com a sua irmã mais velha, Cecília Rosa de Aguiar (23 de Agosto de 1746 - ?), cantou em óperas cómicas.

Casou em Lisboa, na Igreja Parquial das Mercês, a 28 de Julho de 1769, com o compositor e primeiro-violinista napolitano e seu grande admirador, Francesco Saverio Todi, filho de Niccolò Todi e de sua mulher Mariana Todi e viúvo de Teresa Todi, de quem não teve filhos (falecida a 31 de Maio de 1769 na freguesia dos Olivais, Lisboa, com óbito registado na paróquia das Mercês, tendo sido sepultada na Igreja Paroquial de Santa Maria dos Olivais). O apelido foi dado pelo marido e fê-la aprender canto com o compositor David Perez, muito conceituado mestre de capela da corte portuguesa. Ao marido deveu o aperfeiçoamento e a dimensão internacional que a levariam a todas as cortes da Europa, como cantora lírica.

Estreou-se em 1771 na corte portuguesa dos futuros D. Maria I e D. Pedro III e cantou no Porto entre 1772 e 1775. Durante esse período aí nasceu o seu primeiro filho João Todi em 1772, e, em 1773, a sua primeira filha Ana José Todi. Em 1775 nasceria em Guimarães a sua filha Maria Clara Todi e, em 1777, em AranjuezEspanha, o seu filho Francisco Xavier Todi.

Em 1777 parte para LondresGrã-Bretanha, para actuar no King's Theatre, sem particular aplauso por parte dos ingleses.

Em 1778 está em ParisFrança, onde a 22 de Novembro nasceria a sua filha Adelaide Antónia Todi, em Versalhes. Em 1780 é aclamada em Turim, no Teatro Régio, tendo assinado um contrato como prima-dona, e em 1780 era já considerada pela crítica como uma das melhores vozes de sempre. Nessa cidade veio a nascer o seu filho Leopoldo Rodrigo Ângelo Todi a 24 de Novembro de 1782.

Brilhou na Áustria, na Alemanha e na Rússia. Veio a Portugal em 1783 para cantar na corte portuguesa. Regressou a Paris, tendo ficado célebre o «duelo» com outra cantora famosa, Gertrud Elisabeth Mara, que dividiu a crítica e o público entre todistas e maratistas.[1]

Convidada, parte com o marido e filhos para a corte de Catarina II da Rússia, em São Petersburgo (1784 a 1788), que a presenteou com jóias fabulosas. Em agradecimento o casal Todi escreveu para a imperatriz a ópera Pollinia. Berlim aplaudiu-a quando ia a caminho da Rússia e, no regresso, Luísa Todi foi convidada por Frederico Guilherme II da Prússia, que lhe deu aposentos no palácio real, carruageme os seus próprios cozinheiros, sem falar do principesco contrato, tendo ali permanecido de 1787 a 1789.

Diversas cidades alemãs a aplaudiram como MogúnciaHanôver e Bona, onde Beethoven a terá ouvido. Cantou ainda em Veneza, na República de VenezaGénova, na República de GénovaPádua, na República de Veneza, Bérgamo, no Ducado de Milão, e Turim, no Reino da Sardenha.

De 1792 a 1796 encantou os madrilenos novamente.

Em 1793 vem à corte de Lisboa por ocasião do baptizado de mais uma filha do herdeiro do trono, o futuro D. João VI, casado com D. Carlota Joaquina. A cantora precisou de uma autorização especial para cantar em público, o que era então proibido às mulheres.

Em 1799 terminou a sua carreira internacional em Nápoles, no Reino de Nápoles.

 
Forum Municipal Luisa Todi em Setúbal

Regressou a Portugal e cantou ainda no Porto, em 1801, onde enviuvou, em Santo Ildefonso, na Rua Nova de Almada, a 28 de Abril de 1803, altura em que se aposenta de vez, tendo usado roupa de luto até ao fim dos seus dias. O seu marido encontra-se sepultado na Igreja de Santo Ildefonso. Viveu naquela cidade, onde viria a perder as suas famosas jóias no trágico acidente da Ponte das Barcas, por ocasião da fuga das invasões francesas de Portugal pelos exércitos de Napoleão, em 1809. A família de Todi foi no entanto presa, mas com a ajuda do General Soult, que a a reconheceu como "a cantora da nação", obtiveram protecção.

Viveu em Lisboa, de 1811 até ao final da sua vida, consta que, com dificuldades económicas e, a partir de 1823, completamente cega.

Luísa Todi, que tinha a capacidade invulgar de cantar com a maior perfeição e expressão em francêsinglêsitaliano e alemão, é considerada a meio-soprano portuguesa mais célebre de todos os tempos.

No seu Tratado da Melodia, Anton Reicha, considera Luísa Todi como «a cantora de todas as centúrias» melhor dizendo «uma cantora para a eternidade».



publicado por pimentaeouro às 11:54
link do post | comentar | favorito

mais sobre mim
pesquisar
 
posts recentes

...

Adriano

Não estamos sós

J 0023

Relogio do Apocalipse

anoma qualquer coisa

Delfos

Evolução ?

3.800 milhões de anos

Xerazade

arquivos
tags

???

ambição

amizade

amor

animais

antropologia

armas

arquitectura

arte

arte biografias

astronomia

ballet

biografias

biologia

blogues

café curto

carttons

ciência

cinema

civilização

clima

corrupção

criminosos

crise financeira

demagogia

demência

demografia

descobrimentos

desemprego

destino

diversos

doenças

dor

economia

eleiçoes

ensino

escravatura

escultura

estado

estupidez

eternidade

ética

eu

eutanásia

evolução

família

filosofia

futebol

genocídio

governo

greves

guerra

história

incendios florestais

inquisição

internacional

justiça

literatura

livros

memória

miséria

mitologia

morte

mulher

mulheres célebres

musica

natureza

natureza humana

paisagens

paleontologia

partidos políticos

patologia ideológica

pátria

pintura

planeta terra

pobreza

poesia

politica

regime político

religião

saudade

saúde

segurança social

sentimentos

sexo

sindicatos

sociedade

sofrimento

sonhos

tecnologia

terrorismo

terrorismo de estado

testamento vital

tristeza

união europeia

universo

velhice

vida

violência

xadrez

todas as tags

favoritos

Anjo

Enamorados

Sonhar

Podem...

Voz da alma

Mentira

Escrever

À luz da lua

Meu amor

Dilemas

links
últ. comentários
E para quando um novo post por aqui?Tenho sentido ...
Gostei
Igualmente para si e sua família com muitas amend...
E hoje estou a passar por aqui para desejar uma Bo...
Por vezes mais vale consolidar o que já se tem em ...
Felizmente ou não, não estaremos cá para ver.
É duvidoso que seja.
Daqui a 100 anos, será uma lista tão grande, mas t...
Completamente! O suposto inteligente!!!
blogs SAPO
RSS