Conhece-te a ti mesmo... se puderes.
Sábado, 6 de Dezembro de 2014
Marquesa de alorna

 

 

Poetisa, tradutora e pedagoga portuguesa, nascida em 1750 e falecida em 1839, D. Leonor de Almeida Portugal Lorena e Lencastre, mais conhecida por Marquesa de Alorna, foi uma figura de rara erudição, autora de uma obra epistolar ainda por descobrir e grande divulgadora das novas ideias vindas da Europa.
Neta da marquesa de Távora, foi encerrada, ainda menina, no convento de Chelas, pelo facto de o seu pai ter sido preso, acusado de participar no atentado ao rei D. José. Aí passou a sua juventude (1758-1777), saindo apenas após a morte do Marquês de Pombal. No recinto eclesiástico, onde viveu desde os 8 anos, ocupava o tempo com música, poesia e com os amigos e pretendentes literatos que alimentavam a sua formação arcádica.

Entre estes homens iluminados destaca-se o Padre Francisco Manuel do Nascimento, mais conhecido pelo seu pseudónimo Filinto Elísio, que lhe deu lições e a batizou com o nome arcádico de Alcipe, alimentando as suas precoces tendências filosóficas, tolerantistas, cientistas e progressistas. Em 1779, casou com um oficial alemão naturalizado português, o conde de Oeynhausen, e viajou por Viena - onde ele foi nosso ministro -, Berlim e Londres.

Nessas estadias desenvolveu o gosto pela poesia sentimentalista ou descritiva, traduzindo ou imitando Delille, Wieland, Buerger, Goëthe, Young, o pseudo-Ossian, Gray e Thomson. Falecido o irmão primogénito, herdou o título de Marquesa de Alorna, por que se tornou mais conhecida. Em Paris, D. Leonor frequentou o salão de Madame Necker e conheceu, em 1780, Madame de Staël, com quem depois, no seu exílio londrino, se relacionou mais intimamente. No entanto, ofrancesismo da marquesa de Alorna é mais de divulgação de autores pré-românticos ou já românticos, franceses ou conhecidos através da França, do que de funda consciência cultural.

Enviuvou em 1793, ficando com seis filhos para educar. A fundação, por parte da marquesa, da Sociedade da Rosa, concebida para frustrar a ameaça napoleónica, levou à desconfiança de Pina Manique e ao consequente exílio em Londres numa quase miséria. De regresso a Portugal, fez dos seus salões de S. Domingos de Benfica focos das novas ideias estéticas, pela frequência de literatos de diversas gerações, desde os últimos árcades até aos primeiros românticos como Herculano.

A sua extensa obra denuncia tendências diversas como o arcadismo, presente nas suas traduções de autores greco-latinos, que vão a par de outras traduções de autores modernos; a poesia cientista (Recreações Botânicas) e o sentimentalismo e melancolia expressos em algumas composições. Percorreu os mais variados subgéneros e estruturas formais (epístolas, odes, sonetos, éclogas, elegias, canções, apólogos, epigramas, cantigas), colorindo-os ora de laivos de filosofismo, ora de sentimentalismo pré-romântico.

Denunciam esta última tendência a forma como concebe a poesia, desabafo de mágoas: A lira move mais lavada em pranto (Poesias, ed. Sá da Costa, 1941, p. 28); o fatalismo que impregna a sua visão das coisas: O Fado contra mim tudo provoca (p. 114); o gosto da solidão melancólica; a tendência para o devaneio; a obsessão do noturno e do fúnebre e a projeção do estado de alma no mundo circundante. Também no estilo, apesar da mitologia e dos epítetos clássicos, revela um coração nitidamente romântico pelas exclamações e adjetivação violenta.



publicado por pimentaeouro às 12:59
link do post | comentar | favorito

2 comentários:
De Gaffe a 7 de Dezembro de 2014 às 19:10
Já leu "As Luzes de Leonor" de Mª T. Horta?
É uma obra extraordinária!


De pimentaeouro a 8 de Dezembro de 2014 às 12:07
Não li, já não consigo ler livros grandes. A saúde, ou a falta dela, vai criando limitações.


Comentar post

mais sobre mim
pesquisar
 
posts recentes

...

Adriano

Não estamos sós

J 0023

Relogio do Apocalipse

anoma qualquer coisa

Delfos

Evolução ?

3.800 milhões de anos

Xerazade

arquivos
tags

???

ambição

amizade

amor

animais

antropologia

armas

arquitectura

arte

arte biografias

astronomia

ballet

biografias

biologia

blogues

café curto

carttons

ciência

cinema

civilização

clima

corrupção

criminosos

crise financeira

demagogia

demência

demografia

descobrimentos

desemprego

destino

diversos

doenças

dor

economia

eleiçoes

ensino

escravatura

escultura

estado

estupidez

eternidade

ética

eu

eutanásia

evolução

família

filosofia

futebol

genocídio

governo

greves

guerra

história

incendios florestais

inquisição

internacional

justiça

literatura

livros

memória

miséria

mitologia

morte

mulher

mulheres célebres

musica

natureza

natureza humana

paisagens

paleontologia

partidos políticos

patologia ideológica

pátria

pintura

planeta terra

pobreza

poesia

politica

regime político

religião

saudade

saúde

segurança social

sentimentos

sexo

sindicatos

sociedade

sofrimento

sonhos

tecnologia

terrorismo

terrorismo de estado

testamento vital

tristeza

união europeia

universo

velhice

vida

violência

xadrez

todas as tags

favoritos

Anjo

Enamorados

Sonhar

Podem...

Voz da alma

Mentira

Escrever

À luz da lua

Meu amor

Dilemas

links
últ. comentários
Já receava que fosse essa a razão para ter deixado...
Caros bloguers,Encontrei este blog há dias por aca...
Já não era sem tempo!!!
E para quando um novo post por aqui?Tenho sentido ...
Gostei
Igualmente para si e sua família com muitas amend...
E hoje estou a passar por aqui para desejar uma Bo...
Por vezes mais vale consolidar o que já se tem em ...
Felizmente ou não, não estaremos cá para ver.
blogs SAPO
RSS