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Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2017
O piolho viajante

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 A história, narrada por um piolho, que viaja por 72 cabeças, relatando a vida e os vícios dos mais diferentes tipos sociais da sociedade portuguesa do final do século XVIII. Este viaja por uma série de cabeças das mais variadas, entre elas as de um estudante, uma cigana, um filósofo, um poeta, um ladrão, um camponês, um vendedor, um juiz, uma lavadeira, um boticário, além de dezenas de outras, todos com as suas “carapuças” tecidas, por vezes de forma impiedosa, pelo peculiar narrador.

 Sou piolho, mas o meu espírito é verdadeiro. Não sou capaz de lisonjear e também incapaz sou de levantar testemunhos. Sou um verdadeiro e hábil retratista.

 A obra humorística e satírica “O Piolho Viajante – Viagens em  Mil e Uma Carapuças” foi um dos livros mais lidos em Portugal no século XIX.

Lançado inicialmente em folhetos semanais, sob autor anónimo, que completam 72 “carapuças” – ou capítulos correspondentes à vida das pessoas cuja cabeça o piolho narrador visita e comenta – veio depois a ser publicado em 1821, com autoria atribuída a António Manuel Policarpo da Silva e tornou-se num verdadeiro “best-seller” na altura.

É uma obra incomum e, apesar disso, própria à época, dirigida a um público que tinha por gosto um tipo de literatura ligeira, sem grandes lirismos, que fizesse rir e entreter. Foi entre as camadas populares que os folhetos de O Piolho Viajante se notabilizaram, enquanto eram desprezados ou denegridos pela crítica e pelos homens letrados da época, talvez por acharem demasiado criticada a sua classe ou por acharem ser um tipo de obra dirigida à “arraia miúda”. No entanto, a crítica começa, hoje, a rever e mesmo a valorizar inúmeros aspectos da obra, como aqueles apontados por João Palma-Ferreira:

O bom senso utilitarista, o equilibro entre a sátira e a tendência para a descrição do pitoresco lisboeta (…), a preocupação moralista, o doseamento entre o real quotidiano e o fantástico (…), o desejo de “escapismo” para o universo das aventuras pícaras tardias (…) fazem desta obra um documento social, literário e moral de inexcedível interesse. (…) Uma facilidade de exposição de intrigas, de intersecção de numerosos episódios, de interpelação ao próprio autor e de estruturação de um autêntico livro de viagens no íntimo de obra de costumes (…) em suma, O Piolho Viajante, reconduzem-nos para o convívio de um dos mais ricos e desprezados setores da literatura portuguesa desde Gil Vicente a D. Francisco Manuel de Melo, desde os panfletários do século XVII aos esquecidos ironistas do século XIX, desde a Arte de Furtar às sátiras de Tolentino.

 



publicado por pimentaeouro às 22:14
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2 comentários:
De Pântano a 17 de Dezembro de 2017 às 22:29
Vou ler! Adorei a ideia da história!


De pimentaeouro a 18 de Dezembro de 2017 às 10:19
Penso que não será fácil encontrar o livro, talvez nos alfarrabistas.
Boa sorte.


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