Conhece-te a ti mesmo... se puderes.
Sexta-feira, 2 de Maio de 2014
Pardais

 

 

Tenho uma sombra que me persegue sempre: que interesse têm coisas passadas há 50 anos ou mais? Muita coisa tem ficado no tinteiro.

Arrisco a história do atum que me parece impensável nos dias de hoje.

Naquela época ( anos 45 mais ou menos ) as fábricas de conservas trabalhavam com o portão principal aberto para cargas e descargas.

Eu e outros «maçaricos» esgueirávamo-nos em pequenos grupos, dois ou três, para roubar pequenos pedaços de atum a secar em padiolas antes de ser enlatado. Não era necessidade, era guloseima. Atum fresquíssimo, acabado de cozer, ainda a fumegar e com o aliciante do interdito, era uma maravilha. Não havia bolo que pudesse igualar.

As operárias deviam achar graça aos pequenos pardais que iam bicar no atum e fechavam os olhos. Hoje, gostava de poder fazer uma traquinice destas.



publicado por pimentaeouro às 22:25
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6 comentários:
De poetazarolho a 2 de Maio de 2014 às 22:36
Tem piada ainda esta semana falámos do toque das sirenes das fábricas de conservas que chamavam a/os operária/os quando chegava o peixe fresco e era preciso enlatar, não que eu me lembre, mas são memórias que perduram do tempo entre as duas grandes guerras, em que as conservas eram fonte de alimento fundamental.


De pimentaeouro a 2 de Maio de 2014 às 23:49
Naquela época o horário de trabalho era o toque das sirenas. As mulheres corriam pelas rua da vila. A grande maioria eram mulheres, os homens lidavam com máquinas, caldeiras e outras tarefas mais qualificadas.
Salários de miséria, que só o «rol» da mercearia atenuava.
No inverno, pouco ou nada se trabalhava e ainda menos se ganhava.
Apesar de tudo havia menos fome do que no Alentejo.
Salazar no seu esplendor.
Cumprimentos.


De Alice Alfazema a 2 de Maio de 2014 às 22:45
Imagegostei desta história, as traquinices são memórias maravilhosas, acho que todos os avós deviam deixar estas memórias escritas, já pensou nisso? As fábricas eram onde?


De pimentaeouro a 2 de Maio de 2014 às 23:55
Tenho um obstaculo, talvez dois: a minha memória sempre foi doente - uma história complicada - e sou mau narrador de histórias.
As fábricas a que me refiro eram em Vila Real de Santo António, a terra onde nasci.
Abraço.


De DyDa/Flordeliz a 3 de Maio de 2014 às 02:27
Porque teima em dizer que é chato...não sabe narrar histórias, falha a memória?...
Sempre que o faz ficamos presos ao que escreve e deliciados.
Não conhecia este tipo de guloseima. Apimentada por si ainda ficou mais aliciante.


Beijinho e BFDS


Image


De pimentaeouro a 3 de Maio de 2014 às 19:54
Quando fazia este assaltos deveria ter 7 ou 8 anos e, com esta precoce inclinação, deveria  ter dado em ladrão . Hoje estaria bem instalado na vida e talvez fosse Comendador, em lugar disso dei em manga de alpaca e tenho uma reforma pequenina.
Quem me mandou ser parvo, né? Image
É talvez uma das melhores recordações da minha infância.
Agradeço o amável comentário. Image
Um abraço apimentado .


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