7 comentários:
De Fátima Soares a 5 de Outubro de 2012 às 16:13

Amigo este post comoveu-me imenso. Em parte um pouco diferente mas eu fui educada assim. O meu pai sempre foi polícia. Trabalhava muito e fazia turnos que o obrigavam a estar dias sem vir a casa. Na minha mãe ficou delegado a responsabilidade e a ingratidão de ser mulher também e criar dois filhos, quase sozinha. Tenho um irmão mais velho k eu 6 anos eu era a "menina". Não podia isto, aquilo, o outro! Nunca fui a bailes, cafés, vinha e ia para a escola quase escoltada. Mas isso fez a minha personalidade combativa vir ao de cima e tive muitos dissabores por me rebelar. Depois o tempo foi evoluindo o meu irmão sendo mais compreensivo e eu a ter um pouco mais de espaço, mas já não fazia falta. Crescera sem saber o que é a vida protegida de tudo, sem ver nada à frente. Resultado! Um casamento feito antes do tempo devido. Um divórcio complicado. Uma filha aos 25 anos, quando devia começar aí a pensar se calhar em casar a 1ª vez ou se ficasse sozinha não se perderia. Fiz uma serie de opções erradas para obter uma liberdade que nunca tive porque fui tão castrada que não conseguia libertar-me. Mesmo que quisesse ser mais audaz não conseguia. A minha mente não deixava. Se lhe dissesse que não entrava num café sozinha por vergonha aos quase 30 anos? Não vai acreditar em mim. Fechei-me no meu mundo. Num desgosto de trabalhar muito, e tive ironicamente de com uma casa "comprada" ao banco ir viver para casa dos meus pais novamente para conseguir pagar a renda. Conseguir não chorar e ser forte perante a minha filha era quase estoico. Hoje alturas em que trabalhei quase 24 horas por dia porque 3 anos depois do divórcio, sofreria como nunca oensei e para não me lembrar entretanto desse amor que me faria não desejar viver... E adivinhe-se! O sofrimento veio duma pessoa que era minha amiga, colega e me faria sofrer como ninguém. Quase me destruiu! Vieram seis anos sem ninguém e um ódio à vida desgraçado e pensei que nunca mais casaria ou me relacionaria com ninguém e depois olhe...Hoje sou casada há 23 anos tenho outra filhota e vou indo. Um dia de cada vez. Mas nunca, por nunca ser deixei de me revoltar e ser eu. Agora será que se fosse mais submissa e me mantivesse calada e disponível no 1º casamento hoje veria tudo diferente...Não creio! A vida é um jogo de muito azar. Cada um tem o seu naipe de cartas, umas melhores outras uma porcaria. Há que ir a jogo e tentar vencer. Desculpe o extenso do comentário e se quiser apague-o. Mas é de coração que entendo a mágoa e que a lembrança jamais passe. Porque há pessoas que se imprimem em nós. Beijinho meu amigo. Força! E as melhoras e um bom feriado e fsemana.


De pimentaeouro a 5 de Outubro de 2012 às 23:10
Cara amiga,
Porque motivo iria apagar o seu comentário? Só se for essa a sua vontade.
Brevemente, editarei um pequeno post que ilustra o que era ser mulher no tempo da outra senhora.
A minha vida amorosa iniciou-se com dois insucessos, Fernanda (post um Fantasma) e Julieta, em cerca de um ano.
Foram duas machadadas seguidas. Seguiram-se mais de 6 anos na minha vida sem nenhuma mulher, estava quase desesperado.
Beijo.
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De pimentaeouro a 10 de Outubro de 2012 às 21:28
Regressei a este comentário. É o testemunho de uma provação bem maior do que a minha.
A moral e os costumes de Salazar fizeram milhares de vitimas, principalmente, mulheres.
O post "No meu tempo" dá o enquadramento daquela moral.
As jovens que hoje tem 30 anos não imaginam a sorte que têm.
Grande abraço.


De Fátima Soares a 5 de Outubro de 2012 às 16:19
Devo acrescentar (não que houvesse alguma vergonha nisso,) se fosse ao contrário pois aconteceu a muitas, mas casei virgem. Não foi um casamento forçado, foi sim um casamento como escape. Só tive a minha filha um ano depois de estar casada. Portanto quando ela tinha 4 anos divorcieie-me. Simplesmente porque entedi que era melhor. Nem que eu tivesse que comer terra! E hoje dou-me muito bem com o pai da minha filha. Inclusive por graça e sem qualquer ponta de mentira devo dizer-lhe que ele diz á filha que tem saudades minhas imagine!!! Enfim...Um beijinho amigo. Apague os meus comentários se quiser. Bom fsemana.


De pimentaeouro a 5 de Outubro de 2012 às 23:14
Apenas apagarei os seus comentários, que agradeço, se essa for a sua vontade.
A vida, e dentro dela o amor, regem-se pela lei quântica das emoções e dos sentimentos.
A nossa margem de manobra é reduzida.
Beijo


De DyDa/Flordeliz a 5 de Outubro de 2012 às 21:04
Seco? Árido?

Cada frase é sofrida, sentida e de saudade.
Há perguntas por responder. Há amor que impacienta de tanto ficar amordaçado e trancado nessas grandes muralhas, a que chamamos: coração.

Histórias sofridas que ficaram marcadas. Talvez por isso, tão amarguradas, tão intensas e que martelam no seu pensamento, em solidão.

De repente o seu texto passou a declaração de amor - BELA, como deve ter sido a Julieta que teve o dom de o conquistar quando se cruzou com o seu olhar.
- Que bom seria se esta mensagem pudesse chegar a quem a merece...

Se a mim me enterneceu?!...Como não seria ser a pessoa que despertou tais sentimentos???


Beijinho e BFDS
Aceite por favor Image



 


De pimentaeouro a 5 de Outubro de 2012 às 23:24
O seu comentário sensibilizou-me . Sei onde se encontra Julieta (algures na serra de Sintra), casada com um ingles.
Estive a dois passos de bater à sua porta mas hesitei. Terei o direito de perturbar o sue isolamento desejado? Hoje como á 50 anos continuo tímido.
Finalmente, está decidido: serei o portador da carta.
O coração tem muralhas e os sentimentos mergulham nos recantos da memória e emergem quanto lhes apetece.


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