As civilizações são formadas por camadas sucessivas de capital social que as gerações do presente legam às vindouras. Cada geração que nasce beneficia e é condicionada por esse capital que por seu torno irá renovar para as gerações que lhe sucederão. Cada um de nós usufrui do edifício social e deixa-lhe um pequeno tijolo para os nossos descendentes: este fluir da História é independente da nossa vontade individual e as excepções são os indivíduos de mau caracter ou mal formados que estragam em lugar construir ou os homens excepcionais que estão à frente do seu tempo.
Vem isto a propósito daquilo que eu recebi da sociedade e do legado que vou deixar. Conscientemente, contra a minha vontade, nunca imaginei que iria legar aos meus descendentes uma sociedade baseada na especulação desenfreda e no capital selvagem. A sociedade bafienta que eu recebi, forjada por Salazar, com a cumplicidade da Igreja Católica, não era flor que se cheirasse e eu acabei por tomar consciência da sua iniquidade .
Eu não mereço ser espoliado na minha pensão de reforma ( já lá iremos) e os trabalhadores não merecem ser explorados com salários de miséria, atirados para o desemprego, e os jovens empurrados para a emigração porque o país, governado por cliques políticas incompetentes e gananciosas e por caciques mesquinhos, os empurra para a emigração, para longe, quanto mais longe melhor. Eu não trabalhei para construir esta sociedade onde, poderes ocultos, do capital e da finança, mandam em países inteiros. Tenho uma pátria pequena mas quero-a independente.
Será pedir muito?
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