Em 2.017 nasceram menos 1.397 crianças do que no ano anterior. Mais um prego no nosso deficite demográfico.
Somos o país com mais velhos na U.E.

Portugal registou no ano passado a segunda taxa de natalidade mais baixa entre os 28 Estados-membros da União Europeia (UE) e foi um dos países cuja população diminuiu, de acordo com as primeiras estimativas sobre população hoje publicadas pelo Eurostat.
Em 15 anos fecharam quase 5.000 escolas primárias. Os concelhos mais afectados são os do interior e este declinio não vai parar, a previsão do número de alunos para o 1º.ano é de 90.167 em 2.017 e de 73.607 em 2.020.
Um país sem jovens não tem futuro.
Segundo um relatório da ONU a Humanidade terá mais velhos do que jovens. Será um planeta como nunca imaginámos.
Não se trata do envelhecimento da população dos países mais «desenvolvidos», trata-se globalmente, de toda a Humanidade e não há tecnologia de ponta nem realidade virtual que nos valhas: seremos uma espécie envelhecida com futuro duvidoso.
Comecei logo a rezar para que os cálculos da ONU (Divisão de População das Nações Unidas) estejam errados, talvez feitos por amadores.
Sabemos que já se extinguiram milhares e milhares de espécies e que não temos nenhum seguro de sobrevivência: a natureza não dá bónus.
Claro, que existe sempre a hipótese de auto extinguirmo-nos antes daquela data. «Combustível» não falta.
Talvez nem valha a pena estarmos preocupados com o CO2 e as alterações do clima. O melhor é aproveitarmos enquanto durar.
( Jornal Público, 1 de Janeiro )
No período de cerca de 30 anos, menos de uma geração, Portugal passou de 840 mil idosos com mais de 65 anos para 2.020 mil idosos e esta cavalgada parece que não está para ternimar tão cedo. Desde 2.008 que a emigração de jovens recomeçou e nos últimos dois anos com mais de 100 mil emigrantes, cerca de 2% da população só nestes dois anos, o que faz subir a percentagem dos idosos sobre a população total.
Parece que nos próximos trinta anos vamos continuar a envelhecer e a ficaar mais pobres também.
Portugal é um país de emigração multisecular: a pátria desde cedo deixou de poder sustentar os seus filhos (nem havia trigo que chegasse) e também desde cedo foi injusta na repartição do pão: abastança e desperdício para um, fome para a maioria.
A costa Ocidental de África e a India começaram por ser a válvula de escape mas a grande fuga foi para a Brasil e outros países das Américas e para os Açores e a Madeira.
Algumas vezes foi colonização incentivada pelo poder mas o grosso foi emigração, fuga.
Cá dentro, a razia provocada pela emigração foi mal compensada pela importação de escravos negros para trabalhar o campo e outros serviços menores. Com esta troca desigual as técnicas de produção agrícola e artesanais estagnaram. Assim chegamos ao reino cadaveroso dos séculos XVII e XVIII
No final do século XIX a emigração para o Brasil era a válvula de escape do Portugal pobre e no Portugal salazarista, principalmente na década de sessenta, a emigração voltou em força. Fugia-se a salto através de redes de passadores, com toda a bagagem numa mala de cartão. Chegaram a emigrar mais de 100 mil portugueses por ano, para a Europa, principalmente para França.
Fingindo que não sabia da fuga em massa, Salazar consegui diminuir as tensões sociais e manter a paz cinzenta do regime.
Esfumados os Fundos de Coesão da CEE e passadas duas décadas de delírio despesista, com a dívida pública a galopar, os credores apresentaram a factura mas simplesmente não havia dinheiro para pagar: bancarrota à vista.
Em 2.011 a troika aterrou na Portela e começou o calvário da austeridade, eufemismo para designar empobrecimento, desemprego e falência de empresas e os portugueses começaram novamente a emigrar.
Nos anos de 2.011 e 2.012 a emigração voltou a atingir os níveis da década de 60. Agora não vou com mala de cartão, a maior parte leva um diploma de curso universitário na mala de viagem.
Mas a emigração de agora, embora com níveis inferiores, já tinha começado em 2.008 e 2.009. Os portugueses jovens já tinham percebido que não tinham futuro na sua pátria, não foi preciso Passos Coelho dizer para se irem embora.
Enquanto a emigração não cessou de aumentar, a imigração já tinha começado a diminuir. Saem mais pessoas do que entram, a população diminui e quando (?) a economia recuperar haverá escassez de mão de obra qualificada.
A demografia deu o golpe final: os casais portugueses tem só um filho, dois está fora de causa, as expectativas de futuro são negativas, mas para que exista renovação das gerações é necessário que cada mulher tenha 2,1 filhos.
Por outro lado, a geração grisalha veio para ficar, mesmo que a médio prazo o seu crescimento seja menor, Portugal será um país de velhos. Não há volta a dar nem políticas de apoio à família que possam alterar este panorama.
A médio prazo seremos menos e mais velhos. Depois do médio prazo ninguém sabe o que será Portugal, talvez um Portugal menor.
Os altos níveis de consumo dos países industrializados e o excesso de população em países em desenvolvimento são dois dos principais problemas referidos no relatório «People and the Planet»,publicado ontem pela Royal Society de Londres.
Dirigida pelo biólogo John Sulston (Nobel de Fisiologia/Medicina em 2002), uma equipa de 22 cientistas estudou a ligação entre a população global e o consumo e as suas implicações num planeta com recursos limitados.
Paul Nurse, presidente da Royal Society (e também Nobel de Fisiologia/Medicina em 2001), afirma, no prefácio do relatório final, que as “rápidas e globais alterações na população humana juntamente com nível sem precedentes de consumo promoveram mudanças profundas na saúde humana, no bem-estar e no meio ambiente”.
A combinação desses factores tem “consequências a longo prazo para o planeta”, que é limitado nos seus recursos. Esse impacto, que está a sentir-se nas gerações actuais e vai continuar a sentir-se nas futuras, levanta muitas preocupações “e desafia-nos a considerar a relação entre população e planeta”.
Durante quase dois anos, os investigadores estudaram a fundo as actuais tendências sociais, económicas e ambientais para tentar perceber que futuro espera a humanidade nos próximos 100 anos.
O relatório alerta para a pressão de crescimento da população que ano passado atingiu os sete mil milhões de habitantes. Em meados deste século, haverá mais 2300 milhões novos habitantes (o actual número de habitantes da China e da Índia juntas).
Para isso é necessário promover a saúde reprodutiva e programas voluntários de planeamento familiar. Quando o crescimento populacional desacelera, “as mulheres ganham mais poder e isso significa mais dinheiro para os que menos têm e mais oportunidades de educação”.
Para que a vida no planeta seja sustentável será também necessário que “os países desenvolvidos moderem o consumo e tomem medidas drásticas para diminuir as emissões de CO2”, diz o investigador Jules Pretty. É também necessário “tirar da pobreza 1300 milhões de pessoas que vivem com menos de 1,25 dólares por dia”.
Outro ponto essencial do relatório afirma que “população e meio ambiente não podem ser vistos como assuntos separados. As alterações demográficas e tudo o que estas envolvem devem ser alvo de discussão económica e ambiental”. Os investigadores sugerem ainda que desenvolvam novos sistemas sócio-económicos.
«Fornecer orientações aos decisores»
Este relatório, diz Paul Nurse, não é uma declaração definitiva sobre estes temas, mas uma visão geral dos impactos da população humana e do consumo no planeta. Levanta questões sobre a melhor forma de aproveitar as oportunidades que as mudanças na população podem trazer e como evitar os impactos mais negativos.
O objectivo do estudo é fornecer orientações para os decisores e informar o público interessado com base numa avaliação pragmática com os melhores dados disponíveis. O âmbito do estudo foi global e reconhece explicitamente variações regionais na dinâmica populacional e na desigualdade dos padrões de consumo à volta do mundo.
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